Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

Comentando…

Lisieux

 

 

 

 

 

 

Legionário, 27 de agosto de 1944, N. 629, pag. 2

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Entre todas as cidades da França, Lisieux toca de um modo todo particular o coração dos brasileiros. Lá viveu, lá conquistou as mais belas flores da santidade, lá embalsamou o claustro do Carmelo este prodígio de virtudes que é Santa Teresinha do Menino Jesus.

Escondida em vida no fundo obscuro de um convento, a tal ponto oculta aos olhos dos homens que as próprias irmãs de hábito lhe ignoravam a riqueza da vida interior, quis o Espírito Santo encher de glória o nome de sua eleita, após a sua morte. A fama de seus méritos extraordinários espalhou-se logo por toda a parte, e toda a terra foi avassalada pela notícia dos esplendores da nova Santa.

O Brasil foi um dos primeiros lugares conquistados à devoção da ilustre carmelita, e todos sabemos que terna e confiante veneração o nosso povo lhe consagra, e como os brasileiros se têm salientado, por mil modos, na pública ostentação de seu culto. Para tudo, para as maiores coisas como para as menores, a intercessão de Santa Teresinha é invocada.

Urna que o Brasil presenteou para conter as relíquias de Santa Teresinha

Por isso mesmo, é com aflita solicitude que aguardamos o desenlace da situação trágica de Lisieux, envolvida nas garras destruidoras da presente conflagração. Conforme anunciam as agências telegráficas, a cidade foi enormemente danificada logo no início das operações aliadas de desembarque.

Sendo importantíssimo centro de comunicações da Normandia, foi intensamente bombardeada, a fim de se obstar a remessa de reforços nazistas para as cabeças de praia dos invasores. Contudo, os aliados se esforçaram por atingir, quanto possível, apenas os pontos de interesse estratégico, de modo que a Basílica ficou intata. É verdade que, assim mesmo, Lisieux, considerada uma das mais pitorescas cidades pequenas da França, foi duramente castigada. Entretanto, se o seu valor artístico fora sacrificado, restava-lhe ainda o mais alto penhor de glória, a Basílica. Agora, porém, noticia-se que remanescentes isolados das derrotadas tropas do sr. Hitler, abrigaram-se nos arredores da Basílica, onde o terreno é mais elevado e, portanto, mais propício para a defesa, e aí pretendem oferecer uma desesperada e infrutífera resistência.

É deplorável que a vaidade nazista, ferida nos seus melindres de invencibilidade e dominação, não queira aceitar com grandeza de ânimo o fato consumado da derrota, e se obstine inutilmente numa guerra inteiramente sem futuro para eles. Se não fosse sanguinário, seria ridículo e infantil; de qualquer forma, é estúpido. Os nazistas que se inculcavam como os salvadores da civilização, estão dando uma triste prova de sua sinceridade. Vê-se claramente que eles preferem arrasar o mundo, se o mundo não puder ser deles.

Uma coisa, porém, se tornou evidente: na atual situação da guerra, os nazistas serão os únicos responsáveis por todos os danos que ocorrerem. Pois quando um beligerante percebe que já não tem nenhuma possibilidade de vitória, tem o dever de depor as armas.

 


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