Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

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Mesquita

 

 

 

 

 

 

Legionário, 24 de setembro de 1944, N. 633, pág. 2

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Vai ser construída em São Paulo, na Avenida do Estado, a primeira mesquita muçulmana da América. Para a sua construção, já foram dados vários donativos, inclusive uma vultuosa quantia do Rei Faruk, do Egito. Segundo noticia a imprensa, dentro em breve se realizará a cerimonia do lançamento da pedra fundamental.

O fato não deixa de ter um alto sentido simbólico. Justamente em são Paulo, a cidade de Anchieta fundada sob a égide do Apóstolo das Gentes, pelos apóstolos jesuítas, que davam à Igreja novas cristandades, no momento em que a heresia cindia a Europa cristã; em São Paulo, com tantas influências nas tradições católicas da nacionalidade; em São Paulo, que, por muitos aspectos, pode ser considerada a capital religiosa do Brasil, dada a importância de seu movimento católico, com repercussões em todo o país; em São Paulo, cuja população, ainda há dois anos, reconhecia em peso a realeza de Cristo na sua mais sublime expressão, o Mistério Eucarístico (referindo-se ao Congresso Eucarístico Nacional realizado no Vale do Anhangabaú, n.d.c.); é precisamente em São Paulo que se vai erguer, por primeira vez em terras da América, o monumento dos inimigos mais representativos do Cristianismo. O Islã, a meia-lua, que durante tantos séculos oprimiu a Cristandade e exerceu a liderança de todos os inimigos de Jesus Cristo, vai levantar aqui o seu baluarte e aqui vai celebrar os seus triunfos. E isto exatamente no momento em que as forças do mal procuram galvanizar novamente as potências muçulmanas, tirando-as de seu longo letargo, para que voltem a influir nos destinos da humanidade, como outrora o fizeram.

De fato, mais do que nunca, a questão do mundo muçulmano está na ordem do dia. O mundo muçulmano é, presentemente, a menina dos olhos das personalidades influentes, que têm nas mãos a rédea dos acontecimentos. Tudo indica que os povos maometanos terão, cada vez mais, uma parte mais ativa e uma influência sempre mais acentuada no concerto da civilização. Pelo menos, isto é o que se procura levar a efeito. E, em consequência, o nome do verdadeiro Deus será cada vez menos honrado e glorificado, far-se-á cada vez menor, neste mundo perverso, pois a única verdadeira Igreja irá cada vez mais deixando de ser considerada a Rainha dos povos, para ser tida apenas como uma organização religiosa, entre outras várias congêneres não menos importantes.

Por isso mesmo, a questão muçulmana já chamou a atenção vigilante da Igreja. A grande maioria das intenções do Apostolado da Oração, para o próximo ano de 1945, refere-se ao mundo muçulmano, a partir da primeira, que recomenda se reze pela mútua benevolência entre cristãos e muçulmanos.

Saibamos compreender o sentido profundo dessa intenção. É benevolência querer o bem do próximo. Ora, o maior bem que se pode desejar a um maometano é que ele abandone os erros, que o impedem de ver a luz da verdade católica. Tudo o que se faça neste sentido, serão atos de benevolência. Inversamente, tudo o que concorra para conservá-los no erro, será a mais autêntica malevolência, um enorme pecado contra a caridade. Ora, é evidente que a construção de uma mesquita muçulmana contribui fortemente para fixar no erro os maometanos de São Paulo, furtando-os à ação apostólica do catolicismo ambiente, pois eles já não estarão disseminados no meio católico, mas terão um centro de convergência onde receberão sempre novas forças para permanecer na sua falsa religião.

Esforcemo-nos, pois, para que não se concretize o projeto. Que São Paulo não veja todos os dias o “muezim” subir ao minarete, conclamar os maometanos para a oração.


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