Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

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Oportunismo

 

 

 

 

 

Legionário, 15 de outubro de 1944, N. 636, pag. 2

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A vitória tem um prestígio inexcedível junto a certas pessoas. Tudo o que está na moda, tudo o que é bem-sucedido, tudo o que é geralmente aplaudido, encontra junto a elas um acolhimento entusiasta. São os fiéis mais devotos dos ídolos do momento, e estão à frente de todas as popularidades.

Quando o nazismo, o fascismo e assemelhados estavam em voga, a “onda” os seguia, ardentemente. E o LEGIONÁRIO sabe o que foi a luta contra esta “onda”, quando uma verdadeira rede de intrigas se trançou para abafar a nossa campanha antitotalitária e constranger-nos a mudar de atitude.

Porém, os tempos mudaram; os nazi-fascismos entraram em baixa. E quem é que agora se vê a apedrejá-los com ardor de profetas? Os mesmos componentes da “onda”; reconhece-se o cheiro do mesmo incenso que outrora era queimado nos altares do totalitarismo e agora é dedicado aos templos das Democracias.

Mas não nos iludamos. Se, por acaso, os regimes totalitários conseguissem mais uma vez levantar a cabeça, mais uma vez eles mudariam de bordo. E não adianta incriminar-lhes a incoerência e duplicidade: eles não terão dúvida em reconhecer o seu passado. Quando vieram do nazismo, bateram nos peitos e exclamaram cheios de contrição “Peccavimus!” (Pecamos!). Se, por qualquer motivo, tivessem de bandear-se novamente para lá, novamente bateriam nos peitos e exclamariam compungidos “Peccavimus!” E, do mesmo modo, tornariam a vir para cá, e outra vez voltariam para lá, ao infinito, sem a menor sombra de constrangimento, sempre que lhes aprouvesse. Esta gente é impossível.

Esta brincadeira não seria mais do que um jogo infantil, indigno de maior consideração, se não tivesse graves inconvenientes. Ainda agora um órgão de nossa imprensa publicou um artigo em que se pleiteava a exclusão do Vaticano da Conferência da Paz, por se tratar de Estado fascista. Esta acusação é tão falta de cabimento, é tão deslavadamente contrária à realidade dos fatos, que nem sequer chega a produzir irritação. Mas o mais interessante é que, se por ventura – ou desventura – fossem vitoriosas as potências totalitárias, estar-se-ia fazendo agora acusação precisamente contrária, o Vaticano estaria sendo apontado como Estado democrático e, então, não estariam sendo esquecidos os solenes protestos da Santa Sé contra o fascismo e o nazismo, formulados num momento em que todas as bocas se fechavam amedrontadas.

De onde vem isto? De vários modos, sempre do oportunismo. Já da inenarrável confusão que o oportunismo estabelece, turvando as águas e favorecendo as pescarias suspeitas; já do afã febril de mais incensar o vencedor e de atirar mais pedras ao vencido: não por convicção, mas sempre por oportunismo.


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