Plinio Corrêa de Oliveira

 

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Damaskinos

 

 

 

 

 

 

 

 

Legionário, 14 de janeiro de 1945, N. 649, pag. 2

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A propaganda comunista tem visado de preferência os países da Europa Oriental, não só por sua maior proximidade territorial, como porque as afinidades raciais, culturais e religiosas habituaram de há muito aqueles países a viver sob o influxo do pensamento russo. No tempo do czarismo, as energias morais do mundo eslavo dormitavam à espera das circunstâncias históricas que as despertassem de súbito para o desempenho de um grande papel. Destas forças espirituais, nenhuma estava mais profundamente adormecida do que a religião cismática, fragmentada em numerosas igrejolas nacionais, cada qual com sua hierarquia “autocéfala”, entregues todas ao mais vergonhoso quietismo, e dilaceradas não raro por seitas de um misticismo teratológico.

Estas igrejas conservavam ainda considerável influência sobre o espírito do povo, alguns resíduos de doutrina cristã, importantes privilégios políticos e inumeráveis riquezas. Entretanto, nada se poderia esperar delas.

Com a eclosão do comunismo essas igrejas sofreram, entretanto, um choque violento, que poderia despertar nelas os últimos restos de vitalidade. Se reagissem, cresceria dentro delas, novamente, o resíduo de substância cristã, que ainda lhes restava. Elas poderiam ter desempenhado um grande papel histórico, como barreira anticomunista e se teriam assim aproximado insensível mas seguramente de Roma.

Infelizmente, nada disso se deu. Da igreja cismática russa, os destroços deixados pelo comunismo foram tragados pelo nazismo, constituindo o famoso grupo de Carlovac, secção eclesiástica do Departamento de Propaganda do sr. Goebbels. O resto se reconstituiu sob a direção soviética, entoando hoje em dia seus hinos sacros ao compasso da Internacional. Em suma, uma abominação.

Na Romênia, com o patriarca cismático Myron Christea, e agora na Grécia com Damaskinos, esboçou-se a tendência de entregar o poder civil à Igreja cismática, para ver se ela era capaz de salvar o país da dupla tendência nazista e comunista. Myron fracassou. Serviu de tampão por algum tempo, e retirou-se sem ter empreendido nada de sério neste sentido. Tudo indica que, com Damaskinos, sucederá o mesmo. Não se veja nesta tendência para a política da inércia, nesta pusilanimidade e neste malogro uma mera coincidência de temperamentos abúlicos. Sem diretrizes ideológicas seguras, sem tradições sociais definidas e capazes de reagir incorruptas no mundo moderno, sem verdadeira convicção de sua origem divina e da sublimidade de sua missão, as igrejas cismáticas são incapazes de seguir um rumo ou realizar uma obra. São lenha podre, com a qual nada se constrói. Destacadas da cátedra de São Pedro, estão como os cadáveres nos quais apenas uma ou outra célula apresenta sinais de vida. Grave demonstração de que é de Roma que vem a salvação, e que quem semeia sem o Papa, por mais que trabalhe, só semeia joio.


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