Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

O Menino Jesus

à procura das almas,

especialmente as mais perseguidas

 

 

Santo do Dia, 22 de dezembro de 1984 – Extratos

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É noite de Natal, Nosso Senhor está numa manjedoura. Essa manjedoura, numa cidade católica, se encontraria em todas as igrejas, mas se encontraria em outros lugares, em oratórios públicos, em presépios públicos; se encontraria numa vitrine de uma casa comercial especialmente adornada, quem passa vê, etc., em mil lugares haveria isto.

Bem, o homem que vai andando por meio de todas essas representações de Nosso Senhor Menino, é de repente tocado por uma representação que é mais especialmente destinada a ele. E aquela toca a ele, e aquela se fixa na alma dele, e ele mais especialmente para e diz: meu Senhor e meu Deus!

Às vezes não é no momento, a pessoa para, olha e depois vai para casa. E será em determinado momento, lhe vem de repente, pela ação da graça conjugada com a ação da natureza, a memória, pelo jogo da natureza, apresenta a ele a figura que ele viu, e a graça incide sobre aquela figura. Ele para ali e diz: meu Senhor e meu Deus!

E isto mais ou menos, não se dá assim matematicamente, para cada homem aparece de um modo inteiramente definido, numa noite de Natal este aspecto de Nosso Senhor. Isto é mais subtil, é mais complexo, esta é uma realidade de fundo. A realidade de superfície é menos marcada. A gente vê em 4, 5 Natais, de 4, 5 anos consecutivos, a gente vê uma mesma imagem, ou vê duas ou três imagens diferentes, ou cinco imagens. Em certo momento, na memória, essas imagens se sobrepõem e, de repente a gente vê uma que tem tudo aquilo que a gente sentiu nas outras: meu Senhor e meu Deus!

Isto equivale a dizer que o Menino Jesus, pela graça, visita todas as almas. E Ele faz o papel não mais daquele que recebe a visita, mas daquele que vai atrás dos homens, e que a todos os homens, de todas as idades, de todas as línguas, de todas as condições sociais, a todos homens procura de modo especial nessas noites. E lhes diz alguma coisa que lhes toca o coração de um modo também especial.

Os senhores tem uma prova curiosa disso nessa própria canção: Stile Nacht, heiligue nacht. Os senhores sabem como é que essa canção nasceu. Foi um professor público, de uma cidadezinha do interior da Alemanha e ele compôs essa música. Era a emoção dele diante da manjedoura. Mas, lentamente, lentamente, a Providência tinha preparado na alma dele uma emoção de Natal que era para o mundo inteiro.

Stille Nacht,  –  noite silenciosa;

heilige Nacht,  –  noite santa;

alles schlaft, – tudo dorme

ein sam wacht, – fica acordado, sozinho

nur das traute hoch heilige Paar, – o venerável e altamente santo casal.

Qual é o venerável e altamente santo casal? Os senhores estão vendo: quando se aproximava a meia-noite, Nossa Senhora estava em oração e São José também. Como seria essa oração de Nossa Senhora? Alguém pode imaginar como seria essa oração de Nossa Senhora? É uma coisa admirável, santíssima e terrível.

Ela devia estar num êxtase altíssimo, como talvez místico nenhum na Igreja jamais tenha tido a não ser Ela, quando bate nos relógios dos Anjos a meia-noite. E, de um modo virginal, sem dor nem sofrimento para ela, o Menino Jesus vem ao mundo: Stille Nacht, heilige Nacht. São José presencia tudo. Em determinado momento, ele tomado de veneração cada vez maior pela esposa, de adoração pelo Filho adotivo dele que está para nascer, ele percebe que o mistério se passará e que não é para os olhos dele. Ele baixa os olhos, baixa a cabeça, mas ele todo sente que algo de celeste está se passando.

De Nossa Senhora, de Maria Virgem, virgem antes do parto, durante o parto e depois do parto, nasce o Menino Jesus.

Bem, como é que Ele se apresentou para Nossa Senhora? Se para cada um Ele tem um aspecto, como era o aspecto dEle para Ela? Aspecto dele para São José, como era?

Evidentemente, eu creio não ser temerário afirmando que para Nossa Senhora, que não tem comparação com nenhuma outra criatura, absolutamente fora de comparação e superior a tudo, para Nossa Senhora Ele deve ter aparecido ao mesmo tempo com todas as majestades, todas as venerabilidades, todos os encantos, todas as doçuras e as afabilidades que teve para todos os homens, desde aquele momento até o fim dos tempos. (...)

Pois bem, se é assim para Nossa Senhora, foi assim para São José, em proporções menores é para todos os homens. E na noite de Natal, nos dias que precedem o Natal e que já vem ungidos com uma alegria de Natal, nessas ocasiões já a graça começa nos trabalhar. (...) E cada um, sem se dar conta, sente o Natal de um modo um pouco diferente.

Ouvindo o Stille Nacht, ouve de um modo um pouco diferente. Vendo tal ou tal outra imagem do Menino Jesus, sente de um modo um pouco diferente. É Ele que vai atrás do coração de cada um de nós. E, sem nós percebermos, diz pela voz da graça no fundo de nossa alma: “Meu filho, assim sou Eu para você. Adore-Me, porque assim, assim, nenhum outro homem Me adorará. É você ou ninguém. Você quer?” (...)

Ele vai atrás de todos os homens, meninos ou velhos, grandes ou pequenos, sábios ou ignorantes, seja o que for, Ele vai atrás de todos. Pecadores, e as vezes pecadores imundos, Ele vai atrás desses homens, e Ele toca o coração desses homens dizendo: “Meu filho, não queres vir a Mim? Nem agora queres vir a Mim? Pelo menos desta vez, pelo menos neste instante, deixa-te comover um pouco. Aqui estou Eu à tua procura, no interior de tua alma.” (...)

Mas todas as pessoas vieram porque Nosso Senhor as atraiu. E as atraiu assim: quando elas forem, Ele lhes falou na alma de modo especial, e falou nos termos que falei, e eles voltam para casa com aquilo que eles não percebem claramente, mas que é uma especial mensagem do Menino Jesus para eles.

Reúnem-se todos em torno de uma mesa, e há uma sinfonia, todos estão de acordo. Qual é esse acordo? É a harmonia entre os vários aspectos do Menino Jesus que estão na alma de cada um. Forma uma espécie de sinfonia, estão todos profundamente de acordo. Esta é a paz da noite de Natal.

É preciso dizer que o Natal leva a sua alegria, e nisto está uma das manifestações da força dele, ele leva sua alegria também nos lugares onde está a tristeza. O Natal não é só o Natal  dos alegres. O Natal é também, em larga medida, o Natal dos tristes. Os senhores podem imaginar um prisioneiro que está na prisão comunista da Rússia, e que por ouvir tilintar muito longe um sininho, percebe que aquela é a noite de Natal, da única igreja que está aberta em Moscou, talvez uma igreja da IO [“igreja ortodoxa”, n.d.c.], mas é uma igreja que toca, e ele fica se lembrando: agora é noite de Natal...

Do fundo de sua cadeia, de seu isolamento, num lugar onde só o cercam ódio, perseguição, necessidade, tristeza, onde todo momento é de aflição e toda aflição faz nascer mais uma angústia, mais uma aflição, ali esse homem, se tem fé, se ajoelha e diz: “Senhor, é vosso santo Natal.” E uma alegria penetra através daquelas pedras intransponíveis, uma alegria penetra através daqueles tetos de cimento terríveis como se fosse o teto de um cárcere enterrado no chão. E ali o homem reza e ele se lembra: Stille Nacht, helige Nacht, alles schlaft, ein sam wacht, nur das traute hoch heilige Paar... “Meu Deus  não é só o ‘traute hoch heilige Paar’ que está vigiando, está aqui também esse prisioneiro. (...) Dai-me, eu vo-Lo peço por meio de Nossa Senhora, dai-me coragem até lá”. (...)

Os senhores já se lembraram talvez de rezar por essas almas perseguidas? (...)

Nossa Senhora prometeu que se os homens se convertessem, se os homens voltassem atrás naquele caminho de perdição, a Rússia se converteria. E Ela deixou assim meio entendido que para o caminho dEla se realizar, a Rússia deveria se converter.

Os senhores já pensaram quantas almas há na Rússia esperando essa hora de conversão? Almas na Sibéria, almas em lugares terríveis, sofrendo frios inimagináveis, mas que são as sementes de Deus na Rússia, são as esperanças de Deus na Rússia. Quem sabe se há católicos trazidos para lá, de outras regiões ou nascidos lá. (...)

Não lhes dá vontade de rezar para Nossa Senhora especialmente para eles na noite de Natal? Não dá vontade até de, se for preciso, tomar uma notinha por escrito para não esquecer, para quando chegar a hora da Consagração, lembrarem desses (...) especialmente atormentados e perseguidos pela terra, e que ainda podem ser de Nossa Senhora? E depois desses especialmente que estão para além da Cortina de Ferro e sobre os quais Nossa Senhora vela especialmente, dos quais ela tem o desígnio que um dia ainda sejam da TFP russa, da TFP ucraniana, da TFP quirguiz, sei lá de que lugares...

Então rezar por esses e assim eles sentirem um brusco alívio, um brusco desafogo, eles não saberão que irmãos deles no longínquo Brasil (...) que nesse longínquo e quente Brasil houve almas que rezaram por eles. Um dia, no dia do Juízo se saberá.

 


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