Benção de Nossa Senhora sobre o asfalto: nasce o lírio, durante a noite e sob a tempestade – A TFP

Encerramento Simpósio da Saúde e “Acies Ordinata”, 18 de julho de 1986

 

A D V E R T Ê N C I A

Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor.

Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá Dr. Plinio em seu livro “Revolução e Contra-Revolução“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de “Catolicismo”, em abril de 1959.

 

 

O “lírio nascido durante a noite, do lodo, debaixo da tempestade”: esse lírio chamado TFP!
Esse lírio não só nasceu do lodo, durante a noite, e debaixo da tempestade, mas apesar de todas essas condições hostis, esse lírio se estendeu por toda a vastidão do Brasil. Cresceu mais alto do que as mais altas árvores, e apesar do Brasil ser um país-continente, com oito milhões de quilômetros quadrados, a sombra desse lírio quando passa por ele o sol, se estendeu para fora de todas as nossas fronteiras. Ele cobre a América do Sul, ele se projeta-se sobre a América Central, vai até os Estados Unidos e até o longínquo, simpático e nordestiníssimo Canadá. Ele transpõe o oceano, suas pétalas cobrem Portugal, estendem-se até a Espanha, brilham ao sol da França e chegam a mirar-se nas águas tranquilas e majestosas do Reno.
Esse lírio, mais do que isso, chega até o famoso Tamisa e à Torre de Londres que indica a hora certa ao mundo inteiro, e se curva reverente apenas diante da Roma Eterna, sede do Papado, do trono da verdade infalível! Ele voa sobre a África e pousa na África do Sul. Está deitando sementes na vizinha Namíbia e já é pujante na Austrália. Cresce na Nova Zelândia… Este lírio é a maior planta do mundo!
Ele nasceu do lodo: o que quer dizer isto de concreto? Ele nasceu do século XX. Deste século, à vista do qual Nossa Senhora em Fátima misericordiosamente avisou que se cuidasse porque tremendos castigos haveriam de desabar sobre ele.
Há perto de setenta anos atrás, quando nosso século estava nas convulsões que marcaram o fim da I Guerra Mundial, Nossa Senhora apareceu a três pastorinhos (os senhores sabem perfeitamente disso): Lúcia, Francisco e Jacinta, no lugar de Portugal chamado Cova da Iria, em Fátima, e disse claramente (e também os senhores já ouviram contar isto) que levassem um recado aos de Portugal, para daí passar para o mundo inteiro. O recado era este: que o mundo estava atolado na imoralidade; estava atolado na impiedade, e que esse mundo ímpio e imoral, esse mundo merecia o castigo. Era bem um mundo que nós bem podemos qualificar de lodo.
Nós podemos qualificar de lodo esse mundo, porque Nossa Senhora disse: o castigo será que a Rússia espalhará seus erros por toda a parte. E se o mundo não se converter e se não for feita uma consagração da Rússia a Nossa Senhora, se isto não se der, se não houver uma mudança completa dos costumes, a moral voltar a imperar na terra, e a fé for a regra da moral – a fé católica, o ensinamento católico for a regra da moral – se não houver isto, o mundo vai ser colhido, mais adiante por outro castigo tremendo e várias nações desaparecerão. O Santo Padre terá muito que sofrer; vai ser uma coisa terrível. Por mim, Meu Imaculado Coração triunfará!
Realmente foi o que se deu. Nossa Senhora apareceu em 1917 em Portugal, pouco antes de aparecer na Rússia e ser a Rússia dominada por um mal que os pastorinhos de Fátima metidos nas inocências daquelas serranias nem sabiam o que era: era o comunismo! E o comunismo espalhou seus erros pelo mundo inteiro; não deixou de espalhar, espalhar e de espalhar… está no momento atracado a quase todas as nações da terra, ou a todas, e procurando derrubar todas elas nesse lodaçal, pior do que o lodaçal presente, o lodaçal do mundo capitalista: é o lodaçal do mundo comunista.
Esta ofensiva asquerosa e violenta do lodo contra uma coisa que é menos lodo do que ele, comunismo. Que é menos ruim do que ele e que é a atual ordem de coisas, esta ofensiva violenta é o castigo. Porque as almas não voltaram a Nossa Senhora, não voltaram a Deus. Os costumes não só não melhoraram, mas pioraram constantemente.
Os senhores vão folhear uma revista do ano de 1917, estudam qual era o traje masculino, qual era o feminino… mas eram trajes, para comparar e comparar mal, eram trajes de anjos em comparação com os trajes contemporâneos! As regras de moral, muito mais severas – já não eram suficientes – mas muito mais estritas do que são hoje.
O que fez o mundo o tempo inteiro? Piorar, piorar, piorar!
Uma lepra se espalhou dentro da Igreja. Paulo VI disse isto: que “a fumaça de Satanás tinha penetrado na Igreja”. Os senhores imaginem que aqui dentro se queimasse lixo; e que o mau cheiro do lixo queimado impregnasse esta sala. A sala ficaria inabitável. A “fumaça de Satanás” é muito pior do que o lixo da terra, porque o inferno é muito pior do que qualquer coisa da terra.
Os senhores já podem imaginar o que é que representa essa fumaça de Satanás entrando na Igreja. Ele mesmo afirmou que a Igreja empreendeu um processo de autodemolição. Ela, a santa Igreja de Jesus Cristo, começou – coisa terrível – a demolir-se a si própria. Paulo VI, é um papa, ele disse isto! “[a Igreja] está entregue a um misterioso processo de autodemolição”.
Dentro desta situação, nós o que vemos? Todo o mundo contemporâneo abalado e de todos os lados. Os senhores [vejam] o jornal e procurem: é rara a notícia que informe aos homens algo de bom. Tudo é ruim: é uma guerra num lugar; um desastre noutro lugar; uma catástrofe em outro lugar; uma epidemia de AIDS num outro lugar; aparece uma doença nova noutro lugar…
Antigamente, a gente abria o jornal e vinha a notícia: “Apareceu Fleming e descobriu a questão dos cogumelos que produzem doenças e infecções e ele encontrou um modo de curar as infecções; apareceu outro que encontrou meio de curar tal outra doença. Hansen, Koch (Roberto)! E tudo mais…
O que é que os senhores veem disso hoje? Os senhores apenas ouvem falar de doenças terríveis para as quais não há cura. Câncer… o câncer! Uma ameaça medonha! Pior do que o câncer, o AIDS! Pensava-se que não podia haver doença pior do que o câncer. Apareceu o AIDS! Se não se tomar cuidado, se facilitarem daqui a algum tempo aparecerá uma pior do que o AIDS! Ninguém se entende!
Assim como fato de multidão, como fato de massa, a história não conhecia, começam os suicídios. E suicídios de crianças até de dez anos! Começam notícias de pais que matam filhos. Quase todos os países do mundo, permitem hoje aos pais de abortar. De maneira que a mãe concebe no seu ventre uma criança, que vai ser homem para glória de Deus e para servir a Maria? Não! Porque sai caro no orçamento, porque a mãe não tem vontade de dar à luz na dor, como foi mandado e determinado, por ocasião do pecado de Eva, ela fica com o direito de mandar matar a criança, no ventre dela. Expelir a criança, que nasce e vai para a lata de lixo.
São numerosos os casos; tem toda a parte do mundo de fetos que são encontrados na lata de lixo. Coisa comparável à matança dos inocentes feita pelo rei Herdes, em Jerusalém. Uma coisa tremenda. Mas há casos de assassinatos tremendos, de pais contra filhos. Por exemplo, uma criança de três ou outros anos assassinada, num grande país europeu, a pontinhas de cigarro pelo pai e pela mãe…. Quer dizer, coisa inimaginável! Isto é dos pais com os filhos. E dos filhos com os pais? Quanto abandono! Quanta agressividade! Quanta falta de reconhecimento, de gratidão! Quanta desunião!
Divórcio? Nem se fala… já existe quase no mundo inteiro. Gloriosamente resiste a isso a nação argentina. Resistiu há pouco a nação irlandesa, por meio de um plebiscito, em que o povo pela sua maioria significou que não queria o divórcio. Há mais umas três ou quatro nações assim no mundo. Entre essas nações não figura a nação com a mais abundante população católica no mundo, chamada Brasil. Infelizmente, não! Esta é a situação.
Esta situação posta assim revela uma série de desastres que realizam a ameaça de Fátima, os castigos de Fátima, e que indica com clareza que isto vai mais até o fim. Até quando irá, nós não sabemos…
Nós estamos em 1986. No ano que vem Fátima fará 70 anos… é quase um século, em que o mundo não cessou de piorar, e o castigo não cessou de o acompanhar. E ele não abriu os olhos.
Ele não quis se entregar, não quis capitular diante da materna ameaça de Nossa Senhora. Ameaça tão terrível que, como os senhores sabem também, numa das aparições o sol começou a saltar no ar. Em algumas vezes, ele parecia jogar-se sobre a terra, de maneira tal que o povo fugia espavorido, porque tinha medo de morrer sob o peso e sob o calor do incêndio, contagiado pelo sol. Apesar de tudo isto ser contado no mundo inteiro, os homens não se converteram.
É bem esse ou não é esse o lodo no qual nasceu a TFP? Esta TFP que foi fundada em 1960, mas que teve suas primeiras raízes num grupo de congregados marianos que hoje são os dirigentes da TFP e que começaram a lutar por esta causa uns dez anos depois de Nossa Senhora ter aparecido em Fátima.
Em 1928, onze anos depois começou a se constituir o núcleo do “Legionário”, do qual nasceu a “Catolicismo”, do qual nasceu a TFP! É bem verdade, esse lírio nasceu na noite. E é uma noite cada vez mais obscura, numa noite cada vez mais tenebrosa que esse lírio se foi desenvolvendo, porque a atmosfera de pecado, de pecado foi cada vez piorando mais, a atmosfera de imoralidade foi cada vez mais piorando mais, o pecado é a escuridão, são as trevas! O pecado é o lodo! Mas sobre esse lírio que nascia do lodo, a tempestade.
A tempestade da incompreensão, a tempestade do ódio, a tempestade da perseguição contínua. E durante todo esse tempo, a TFP batalhou ao mesmo tempo contra os comunistas e contra aqueles que se pretendiam não comunistas, mas que odiavam a TFP.
De maneira que temos um passado que se quiserem vai de 1928 a 1988,fará em 1988 60 anos de luta da TFP, debaixo da tempestade. Mas à medida que a tempestade ia fustigando o lírio, ele ia abrindo pétalas mais brancas, mais alvas, mais novas!
O quanto a TFP é conhecida… ela hoje é conhecida mais ou menos no mundo inteiro. Quanto ela é conhecida no Brasil, quanto ela é conhecida nos países hispano-americanos etc., é uma coisa colossal!
Mas notem, notem! Os grandes de hoje fazem-se grandes porque tem a seu serviço a propaganda. Eles dispõem de televisões, dispõem de rádios, dispõem de jornais, de revistas, e com isso eles propagam o nome deles. Tornam-se importantes, tornam-se grandes.
A TFP, o que é que tem? Tem um muito bom mensário chamado “Catolicismo”, no Brasil. Tem muito boas revistas que se editam nos Estados Unidos e em outros países em que existe a TFP.
Mas, como isto é pequeno em comparação com a rede de propaganda que tem os adversários. É quase de dar pena. Pois com esses pequenos recursos na mão, pequena propaganda, mas grande Fé, grande confiança em Nossa Senhora, a TFP veio crescendo, veio crescendo e veio crescendo.
Domingo passado, eu fui a um restaurante. Um restaurante onde eu não conhecia ninguém. Sentei-me. Estava um membro da TFP na minha mesa. Numa outra mesa estavam uns dois ou três outros membros da TFP. Começamos a conversar. Fiz o Nome do Padre e começamos a conversar. Perto tinha uma mesa de enjolras bem novinhos. Eu olhei para eles… como se olha para a parede, assim… Eles tinham chegado antes de nós, e terminaram antes de nós.
Na hora de se levantar, um deles fez uma alusão àquele programa da TV do Flávio Cavalcanti, que morreu há pouco tempo. Ele teve uma frase mais ou menos assim: “Se o Flávio Cavalcanti estivesse vivo, as coisas não estariam assim…”
Eu fingi que não ouvi, porque não ia dar confiança a um meninote daqueles. Mas comentei com meu companheiro de mesa: “Você veja como a TFP é conhecida!” Não se vai a um só lugar onde não haja gente que não nos conheça. Sem propaganda, sem rádio, sem televisão, sem jornais. Televisão, rádios, jornais só falam de nós para falar mal!
(…) Há algum tempo atrás, ele encontrou um apóstata da TFP, do qual ele conseguiu que escrevesse um livro contra a TFP. Então fazer a propaganda desse livro, eles levaram mais ou menos um mês publicando grandes anúncios, todos os domingos, do livro que ia aparecer. E depois uma resenha do livro ocupando uma página inteira. Eu comentei: pode-se dar mais importância a uma organização do que lhe consagrar uma página inteira para a demoli-la? Vocês vão ver, não vai cair um só tijolo, uma só pedra de nossa muralha! E assim é! Acabou a tempestade, de nossa muralha não caiu uma pedra. E acabou-se.
O lírio é forte! Ele não é só delicado, ele não é só puro, ele não é só esplêndido, ela não é só imenso, ele é rijo! Ele é como se fosse um lírio de prata, lírio de metal, embora seja delicado como a uma verdadeira flor.
Esse lírio continua a crescer. E uma prova desse crescimento, eu tenho aqui diante de mim. As gerações vão se sucedendo umas às outras, e às outras. Eu vejo como Nossa Senhora vai trazendo cada vez mais gente das gerações novas para dentro da TFP.
A tal ponto que um jornal muito inimigo da TFP, há uns 15 anos atrás, quando a TFP era muito menor, deixou escapar o seguinte (sempre falando mal da TFP) que era tão espantoso que as idéias da TFP vivessem no nosso século e multiplicassem nas gerações novas que contrataram um grande sociólogo europeu para assistir a uma manifestação nossa na praça da Sé, para [dar] a explicação científica de como era possível uma TFP em mil novecentos e sessenta e tantos… E o homem declarou que não sabia explicar.
Se ele fosse capaz de olhar e interpretar o que está atrás de mim e acima de mim [referia-se a imagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso], ele teria tido a explicação. Deus deu a Nossa Senhora, Mãe dEle e mãe dos homens, Ele deu a Nossa Senhora o império completo sobre todo o universo. E uma das mais bonitas invocações com que a piedade católica aclama Nossa Senhora é Regina Cordium. Não está na Ladainha, mas foi introduzida na piedade de larga parte dos fiéis por São Luís Maria Grignion de Montfort, do qual os senhores, com certeza, já ouviram falar.
São Luís Grignion de Montfort lapidou essa invocação para exprimir isto: Nossa Senhora quando quer Ela faz soprar as almas para onde Ela entende. E Ela que previu o esboroamento do mundo, Ela está produzindo pelas suas graças, pelo seu sorriso materno, pela sua bondade, pelo seu régio poder, Ela está produzindo isto: fizeram tudo no mundo de hoje para que não fosse possível nascer este lírio, asfaltaram o chão porque os lírios não rompem o asfalto – pois bem, o lírio de Nossa Senhora rompeu o asfalto.
A benção dEla valeu mais do que a dureza do macadame, valeu mais do que a dureza do betume consolidado. Esse asfalto sobre o qual podem rolar máquinas colossais sem que ele se quebre, sobre esse asfalto caiu uma benção dEla, o asfalto se rompeu e o lírio dEla passou.
Nestas pétalas que vão crescendo, a parte mais recente das pétalas sois vós. E eu me alegro em vê-los, em saudá-los, e tenho a Imagem em mente (já que não estou vendo-a de frente), voltar-me para ela, e, em favor de cada um dos senhores, para que tenham a perseverança, para que tenham a força, a energia, ênfase e resolução para que professem com um ardor solar a verdadeira Fé católica apostólica romana, para que as almas sejam puras como as pétalas de um lírio branco, eu levantar a Ela meus olhos, e dizer: Salve Rainha, Mãe de misericórdia…
Esta é a oração que nós faremos no fim desta reunião. Ela será rezada pelos senhores. Pelos senhores só, não. Os senhores agora estão aqui, tragam outros! Façam o lírio crescer!
Eu lhes digo uma palavra de incitamento, que é uma palavra da Escritura. Cada novo que os senhores tragam para a TFP, dão a ele a oportunidade de salvar a alma, que ele não tem, senão muito pouca nesse mundo aí fora. Está bem, salvai o maior número de almas que puderes, porque há uma promessa de Nosso Senhor na Escritura: “o irmão que salva seu irmão – e todo o homem é irmão de outro homem, sobretudo todo o católico é irmão de outro católico – salva a sua própria alma”.
Vejam a promessa magnifica: quer salvar sua alma? Salve um outro! Nossa Senhora como recompensa o ajudará na salvação de sua alma. E agora promessa ainda mais brilhante: “e brilhará no céu como um sol, por toda a eternidade”.
Meus caros, a “Bagarre” vem! Para além da “Bagarre” os senhores têm o Reino de Maria, que será uma figura do Céu na terra. Mas o Reino de Maria vai ser mais parecido ainda com o Céu do que a Idade Média com outras épocas. Os senhores serão sóis no Reino de Maria, mas sobretudo naquele Reino de Maria por excelência que é o Céu! Ide! Crede! Tende Fé! Sejais fortes e sereis felizes!

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