O gato, exemplo de calma

 

 

 

 

Da obra A Calma e sua gentil superioridade – Excertos do pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira, recolhidos por Leo Daniele, Editora Artpress, São Paulo, 2014 – 1ª. edição, págs. 16-18

 

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Vou dar um exemplo que sei não ser muito simpático a muitos, mas é a mais adequada imagem da calma que eu conheça na natureza. É um misto de vigilância e argúcia, de um lado, e de calma do outro: a onça e sua miniatura, o gato.

Sei que muita gente tem raiva de gato. Por mim, vejo que é um animal antipático, mas gosto dele porque tem vários lados interessantes. Mesmo qualquer gato ordinário de goteira tem um certo prestígio, e este é um aspecto que me agrada muito. Por assim dizer, é um bicho que sabe se respeitar a si próprio, sempre limpo, com a cabeça sempre em pose. Não se vê gato com cara relaxada. Preocupado sim, mas calmo. Nunca se vê gato nervoso. O que mais me atrai no gato é esse misto de vigilância e calma. Qualquer gato está pronto para qualquer pulo, a qualquer hora. Mas nervoso, nunca! (*)

 

 

Pode estar o gato na situação mais difícil, mas ele tem o domínio perfeito da flexibilidade dos seus músculos. Antes de dar um salto, ele mede bem o lance. Se alguém o persegue, dá um pulo enorme. E a primeira coisa que faz, quando se sente fora do perigo, é restabelecer a calma. Outra coisa simpática é que o gato é “sabido”. Até o rabo dele é um radar, uma antena.

O que não é nem um pouco simpático no gato é a falsidade. Jeito felino, amável, mas de repente solta uma unhada. Depois encolhe as unhas e volta àquela patinha redondinha.

 

 

O gato é um bibelô vivo criado por Deus. Todos os animais são bibelôs criados por Deus, para distraírem o homem. Deus faz bibelôs muito mais bonitos que os de porcelana, embora os de porcelana sejam muito bonitos quando de boa qualidade.

 


(*) Conferência de 22-6-1974; sem revisão do Autor.


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