<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Multimédia Archivi - Plinio Correa de Oliveira</title>
	<atom:link href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/category/multimedia/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://www.pliniocorreadeoliveira.info/category/multimedia/</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Mon, 06 Apr 2026 18:33:13 +0000</lastBuildDate>
	<language>it-IT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	

<image>
	<url>https://www.pliniocorreadeoliveira.info/wp-content/uploads/2023/02/cropped-plinio-favicon-32x32.png</url>
	<title>Multimédia Archivi - Plinio Correa de Oliveira</title>
	<link>https://www.pliniocorreadeoliveira.info/category/multimedia/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>“Padre ou pai de padre”: esta seria a única alternativa para um leigo católico?</title>
		<link>https://www.pliniocorreadeoliveira.info/padre-ou-pai-de-padre-esta-seria-a-unica-alternativa-para-um-leigo-catolico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Nestor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 18:33:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Multimédia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.pliniocorreadeoliveira.info/?p=32292</guid>

					<description><![CDATA[<p>Jantar no Eremo do Amparo de Nossa Senhora, 29 de abril de 1992 &#160; A D V E R T Ê N C I A Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor. Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se [&#8230;]</p>
<p>L'articolo <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/padre-ou-pai-de-padre-esta-seria-a-unica-alternativa-para-um-leigo-catolico/">“Padre ou pai de padre”: esta seria a única alternativa para um leigo católico?</a> proviene da <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info">Plinio Correa de Oliveira</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong>Jantar no Eremo do Amparo de Nossa Senhora, 29 de abril de 1992</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>A D V E R T Ê N C I A</strong></p>
<p style="text-align: center;">Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor.</p>
<p style="text-align: center;">Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:</p>
<p style="text-align: center;"><strong>“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.</strong></p>
<p style="text-align: center;">As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá Dr. Plinio em seu livro “<strong><a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/RCR_0000_indice.htm">Revolução e Contra-Revolução</a></strong>“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de <strong><a href="https://catolicismo.com.br/index.html">“Catolicismo”</a></strong>, em abril de 1959.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe title="“Padre ou pai de padre”: esta seria a única alternativa para um leigo católico?" width="800" height="450" src="https://www.youtube.com/embed/ShIVUpgGcGY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<h5></h5>
<h5>(&#8230;) Quer dizer, eu tenho no espírito a imagem de uma não-luta, e por mais que eu seja lutador, a verdade é que eu tenho momentos de aspiração muito grande do sossego, e pegar &#8220;n&#8221; coisas indignas, lavar-me delas debaixo de um chuveiro, mandar esses inimigos todos embora, e cogitar de outra coisa.</h5>
<h5>Aí eu só tenho uma coisa muito vaga para dizer, mas seria a Idade Média multiplicada pela Idade Média.</h5>
<h5>E, portanto, para fazer a Contra-Revolução é preciso saber modelar o espírito do povo para a Contra-Revolução.</h5>
<h5>Mas então, voltando ao caso, seria preciso fazer relatórios. E os relatórios não dando resultado, publicar para o povo: &#8220;Está sendo assim, a opinião é esta, e isto foi avisado assim e não está dando resultado, e nós queremos dizer que nosso país está sendo sistematicamente intoxicado por aquele que é a cura de todos seus males. Seja dito!&#8221;</h5>
<h5>Bom, cada vez que viesse um novo, pan! Até que a má linha ficasse clara e o povo tivesse com o que se defender.</h5>
<h5>Defender de que jeito? Simplesmente reservando sua opinião interior. Mas é o que se pode fazer.</h5>
<h5>O que tem é o seguinte: é que para isso a TFP precisaria ter uma escola de modelagem de opinião pública que seria primeiro como conhecê-la, em segundo lugar como informá-la, e depois como formá-la.</h5>
<h5>Mas nessa linha eu tentei fazer na TFP e a grande tentativa que eu fiz – eu fiz duas – foi primeiro aquelas reuniões anteriores a eu adoecer de diabetes. Eu adoeci, tive que parar e vi que não adiantava recomeçar. A segunda foi um Êremo aqui. Mas por uma coisa que a meu ver resultou principalmente de coisa do demônio, mas nós não nos precavemos tanto quanto deveríamos e fomos na onda, foi preciso fechar o Êremo. Por questões a meu ver apenas temperamentais, mas as coisas temperamentais jogam um papel enorme em organizações como a nossa, e aconteceu isso.</h5>
<h5>De maneira que se vier a <em>Bagarre</em>, nós entramos despreparados para os estudos de opinião pública.</h5>
<h5>É preciso pedir a Nossa Senhora que nos mande gente ávida disso.</h5>
<h5>Não sei por que um silêncio meio pesado em seguida ao que eu estou dizendo?</h5>
<h5><strong>* Qual é a vocação da TFP? No campo temporal? No campo espiritual?</strong></h5>
<h5>Qual seria a vocação da TFP?</h5>
<h5>(Aparte: A TFP ficaria quase que com um pé em cada&#8230;)</h5>
<h5>Em cada canoa.</h5>
<h5>(Pergunta: A TFP tem algo de ordem religiosa, mas por outro lado ela atua na ordem temporal como as ordens religiosas antigas não faziam.)</h5>
<h5>É.</h5>
<h5>(Pergunta: O senhor podia definir mais&#8230; Se há alguma coisa que fica de um ou doutro lado, então algo de Ordem de cavalaria, mas tem alguma coisa de profundamente religiosa.)</h5>
<h5></h5>
<h5>Profundamente!</h5>
<h5></h5>
<h5>(Pergunta: Que sem isso não se explicaria o senhor. Mas por outro lado, nós devemos atuar mais especificamente na ordem temporal.)</h5>
<h5></h5>
<h5>É.</h5>
<h5></h5>
<h5><strong>* Como se deu a incursão do demônio na opinião pública</strong><strong> </strong></h5>
<h5>No começo do que eu estou dizendo agora, eu disse alguma coisa que indicava bem o estado de exceção em que o mundo mergulhou a partir do momento em que os fatos provaram que era possível uma conspiração como a que as FFSS fizeram e que essa conspiração chegasse a esse auge de poder a que chegou.</h5>
<h5>Isso foi uma situação extra, que resultou da permissão de uma incursão especial do demônio nas coisas humanas, genericamente falando.</h5>
<h5>Agora, acontece que o demônio agiu com a inteligência que lhe é própria, servindo-se do seguinte: a Igreja até aquele tempo tinha o privilégio único, e sempre conservará e será só dela, de condenar doutrinas e definir dogmas, ensinar a verdade. Mas Ela fazia assim: aparecia uma doutrina e alguns particulares começavam a refutar aquela doutrina – eu entendo por particulares, até eclesiásticos também, mas que não estavam no pináculo do poder da Igreja – começam a combater. E daí vem a polêmica e à certa altura da polêmica intervém a Santa Sé e condena o erro e está liqüidado o caso.</h5>
<h5>Mas por causa disso sempre que a Santa Sé condenava um erro, os bons tinham um suspiro e dormiam felizes, porque o erro condenado estava apontado e, substancialmente, ele estava com o caminho cortado. Ele poderia vir com subterfúgios, com coisas, mas a coisa estava indicada e era possível cortar. Portanto, podia-se respirar.</h5>
<h5>O demônio entrou de outra maneira: insinuando o erro por meio de coisas pertencentes à ordem temporal, e não à ordem espiritual, e fazendo com que do formato de uma cortina pudesse decorrer mal espírito para toda sala, e daí mil outros exemplos do gênero&#8230;</h5>
<h5>Ou seja, <strong>servindo-se de coisas da ordem meramente temporal para influenciar profundamente a espiritual</strong>.</h5>
<h5>Então, a partir do momento em que, para a punição dos homens, o demônio conseguiu esse poder, ou o Estado entrava nessa heresia que estava infectando por meio da esfera própria dele, ou ele não tinha nada que fazer, estava desarmado e a Igreja também. De onde então o Estado ter a missão de na ordem temporal ser um sustentador da fé que foi ameaçada dentro deste campo, e em termos e maneiras que só o Estado tem poder suficiente para condenar.</h5>
<h5>Não sei, meu filho se eu explico&#8230;</h5>
<h5>(Aparte: Está fabuloso.)</h5>
<h5></h5>
<h5><strong>* Exemplo: o desaparecimento do uniforme militar suntuoso, e o aparecimento da &#8220;camuflagem&#8221;, tiram da população o espírito de heroísmo</strong><strong> </strong></h5>
<h5>Então, vamos dizer por exemplo, a Igreja que remédio pode trazer ao seguinte? Toda a colaboração que uma determinada categoria de pessoas pode trazer para o bem temporal e espiritual do país, está em parte relacionada com o modo pelo qual essa categoria se simboliza aos olhos do país. Então a categoria militar é o fardamento. E o fardamento bonito, suntuoso, militar por excelência, chamando à luta etc., forma o espírito militar do povo.</h5>
<h5>Agora, vem um ministro da guerra qualquer e inventa o seguinte: &#8220;Para nossos dias, o camuflar os soldados para eles aparecerem de maneira a não serem notados na selva, é de uma importância capital. E para simbolizar o espírito novo desse tipo de guerra, o militar deve andar sempre camuflado.&#8221;</h5>
<h5>Então com aquelas fardas horrendas, meio imitando folhas de árvores e outras coisas assim. Se isto se faz assim, a admiração pelo heroísmo desaparece do espírito da população. O heroísmo fica privado de sua gala.</h5>
<h5>A quem cabe a ação apostólica de eliminar essa patranha? Evidentemente é ao Estado.</h5>
<h5>(Pergunta: Mas, por exemplo, no estilo de uma igreja pode entrar a Revolução, mas é uma coisa própria da Igreja. Mas o senhor também age sobre isso. Então o senhor age nos dois campos.)</h5>
<h5>Pois é. Esse bifrontismo provém do fato de por meio do Estado o demônio procurar haver no campo da Igreja, e a Igreja só pode ser ajudada eficazmente se o Estado também agir.</h5>
<h5>Está claro, meu filho?</h5>
<h5>Se nós tivéssemos um Estado inteiramente católico, trazendo razoáveis garantias, enquanto essas garantias possam existir, de manter-se inteiramente católico, a função da TFP seria das Ordens de Cavalaria em relação aos reis na Idade Média. A Ordem de Cavalaria obedecia fundamentalmente ao Papa, como Ordem religiosa que era, mas desde que o rei precisasse da Ordem de Cavalaria, teria inteiramente às suas ordens para manter a boa ordem temporal etc.</h5>
<h5></h5>
<h5><strong>* Diante de Nossa Senhora de Fátima, &#8220;que a TFP me sobrevivesse com a mesma precisão, a mesma obediência até o fim do mundo&#8221;. </strong><strong> </strong></h5>
<h5>(Sr. Ezcurra: O senhor fez vigília diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima, e depois uma pessoa perguntou para o senhor o que é que o senhor tinha pedido nessa vigília, e o senhor disse: &#8220;Eu pedi que a minha missão se prolongue até o fim do mundo.&#8221; Não sei se o senhor se lembra disso?)</h5>
<h5>Não, mas pode ter sido. Eu devo dizer para tranqüilizar todo o mundo, que eu com isso não pedi para viver até o fim do mundo.</h5>
<h5>(Sr. Ezcurra: O que é que o senhor quis dizer com isso?)</h5>
<h5><strong><u>É que a TFP me sobrevivesse com a mesma precisão, a mesma obediência até o fim do mundo</u></strong>. <u>E eu tenho esperança que haja TFP até o fim do mundo</u>.</h5>
<h5>O que é que o senhor teria a dizer a isso?</h5>
<h5>(Sr. Ezcurra: Está claríssimo, está ótimo.)</h5>
<h5></h5>
<h5><strong>* A TFP, uma Ordem de Cavalaria? O papel do apostolado dos leigos</strong><strong> </strong></h5>
<h5>(Pergunta: A TFP internamente com Ordem de Cavalaria, como vai ser isso? Ela não vai ser inteiramente uma Ordem como os jesuítas, que atuam também no campo temporal. Mas também não vai viver inteiramente no mundo.)</h5>
<h5>Não.</h5>
<h5>(Pergunta: Então qual é o matiz que acrescentasse a ela&#8230;)</h5>
<h5>O senhor imagine, para ter isso bem em vista, o enorme desenvolvimento que teve, já nos fins do século passado, depois ao longo de nossos tempos, o apostolado dos leigos.</h5>
<h5>Quer dizer, a ideia de que ao contrário do que imaginava&#8230; a Igreja não ensinou isso, mas imaginava o comum dos homens e até muitas sacerdotes, etc., eles tinham idéia de que o apostolado era coisa privativa dos sacerdotes e não era dos leigos. E que se o sujeito queria fazer apostolado, ficasse padre.</h5>
<h5><strong><u>Eu me lembro discussões que eu tive com os jesuítas que diziam que o indivíduo solteiro e leigo era um absurdo, era uma aberração. O indivíduo devia ser – eles tinham uma fórmula interessante – “padre ou pai de padre”.</u></strong></h5>
<h5>Quer dizer, ou ele ficava padre, ou ficava pai. Se ficava pai, deveria ter filhos padres, mas que o papel normal do homem era ser padre ou pai de padre, e não ser padre e não ser pai de padre, era estar fora dos esquemas da Providência. E naturalmente isso era dito diretamente a mim com recomendação de casar-me.</h5>
<h5>Pio XII definiu na encíclica Sacra Virgínitas que o indivíduo, quer homem, quer mulher, pode e conforme o caso deve ficar solteiro e vivendo no século.</h5>
<h5>Agora, a isso correspondia a noção nova de que a penetração do mal se tornava tão profunda que os leigos não se aproximavam dos padres já por preconceitos de caráter, digamos de caráter positivista etc., ou ateu até, já por respeito humano ou por qualquer coisa, não se aproximava do padre nunca. E o padre não tinha mais aquele contato contínuo com as suas ovelhas que era o normal do padre antigamente. E que, portanto, ou um certo número de homens ficava solteiro, vivendo no mundo e fazendo apostolado, ou havia camadas inteiras do mundo que não poderiam ser evangelizadas mais por causa dessa separação.</h5>
<h5>E isso é uma coisa muito verdadeira e eu sentia pelo meu contato com o mundo em que eu vivia, eu sentia a necessário absoluta e premente disso.</h5>
<h5>Veio daí a idéia de ter, portanto, muitos homens vivendo no mundo, como o mundo vive, ou mais ou menos tanto, mas ao mesmo tempo vivendo exclusivamente para a Igreja. E isso são as organizações&#8230; esquece-me o nome característico&#8230;. Qual é o número característico Gustavo?</h5>
<h5>(Sr. Gustavo: É Instituto secular, mas não é exclusivo.)</h5>
<h5><em>Confraternitatis laicalis</em>, etc.</h5>
<h5>São organizações que realizam o que nós realizamos: vivemos com os trajes do mundo, com atitudes e penetrações no mundo, mas vivemos entre nós. E é uma coisa que, portanto, é meio o mundo e meio a estrutura como estilo de vida. E daí vieram coisas como a TFP.</h5>
<h5>Em outro gênero,  que estão aparecendo na Europa e daí para frente.</h5>
<h5>Não sei se minha resposta responde à pergunta?</h5>
<h5>(&#8230;)</h5>
<h5>Nessa perspectiva o auge da História é o momento em que vem Nosso Senhor e com um sopro mata o Anticristo, porque aí Ele fecha a História, mas fecha a História no auge da Vitória e no esmagamento de um adversário que estava no próprio auge.</h5>
<h5></h5>
<h5><strong>* Como poderia se dar o aparecimento de Elias e Enoque?</strong><strong> </strong></h5>
<h5>Tem Elias e Enoque cuja ação de futuro nós conhecemos algo de muito precioso, mas não sabemos se é tudo.</h5>
<h5>Às vezes me passa pela cabeça que em extremidades pelas quais nós possamos passar, Elias e Enoque apareçam para nos ajudar. Porque há situações tão, tão extremas que sem uma interferência deles, como agentes evidentemente de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, é difícil imaginar que se consiga alguma coisa. Seria uma coisa magnífica e nós podíamos imaginar assim:</h5>
<h5>Estamos conversando e ouvimos de repente três toques, três pancadas naquela porta, mas que nos fazem estremecer a todos porque são pancadas de uma sonoridade e de um gênero que nos faz ver que é uma mão arcaica que está vibrando naquela porta, e que vem com um cajado também dos outros tempos, dos tempos dos reis pastores, daquelas coisas assim, e que batem: &#8220;Pan! pan! pan!&#8221; de um jeito tal que diz: &#8220;Me deixem entrar porque ninguém é como eu e eu vou contar uma coisa inteiramente nova&#8230;&#8221;</h5>
<h5>Entram dois velhos. Nós, para usar a expressão francesa, ficamos “siderés” [surpresos], e nos levantamos todos; homens respeitáveis até o máximo, ambos com túnica, com hábito, com uma grande cruz na frente exatamente como essa que eu vejo portada pelo Constantino e pelos outros, e num regime de glossolalia, falam uma só língua que cada um entende na sua língua materna e dizem: &#8220;Eu sou Elias e o outro diz: &#8220;Eu sou Enoque. A Virgem Santíssima – ambos se inclinam – nos mandou&#8230;&#8221;</h5>
<h5>Aarr! O que dizer?</h5>
<h5>Nós estamos no terreno das hipóteses.</h5>
<h5>Imagine que a Providência permita uma coisa qualquer que eu faça, ninguém entenda. Eu esgoto todos meus argumentos não consigo convencer. A TFP está desacoroçoada. Eles entram e o meu Julio pergunta: &#8220;O que vieram fazer?&#8221;</h5>
<h5></h5>
<h5><strong>* A xícara quebrada da venerável Maria Eustela, e o milagre de sua recomposição</strong><strong> </strong></h5>
<h5>Você conhece o caso que se deu com uma pessoa muito piedosa que morreu em odor de santidade no século passado, Maria Eustela Harpain [1814-1842], ou não?</h5>
<h5>Ela era uma moça – eu não me lembro bem se era inglesa, escocesa ou irlandesa, mas pertencia ao Reino Unido – que estava numa cidade que eu não me lembro se era Londres, uma cidade do Reino Unido. Ela tinha sido uma pessoa abastada, mas tinha perdido tudo o que tinha, trabalhava como operária, vivia num quartinho que ela mesmo varria e arranjava, etc., com muita dificuldade porque o trabalho dela de operária era muito duro. E de manhã, ela tinha preparado para tomar uma bebida, vamos dizer, uma xícarazinha de leite, qualquer coisa, na xícara. E ela teve um movimento qualquer irrefletido e a xícara caiu no chão e quebrou-se. E ela teve então um estertor de aflição e disse a Deus: &#8220;Mas meu Deus, é o único objeto que eu tinha e que se racha desse jeito? Eu não tenho dinheiro para comprar outro xícara!&#8221;</h5>
<h5>Mas por um movimento interior ela foi levada a olhar para a xícara que se tinha desfeito numa porção de pedaços, e a xícara estava recomposta&#8230;</h5>
<h5><strong>Pode acontecer isto com a minha querida TFP</strong>. Levada pelos desvarios de toda ordem, levada pelas confusões de hoje, levada pelas tentações de toda forma, pode acontecer que em determinado momento ninguém se acerte com ninguém, a TFP não tem concerto&#8230;</h5>
<h5>Mas alguns conservam a confiança. Em certo momento, quando se olham, está tudo resolvido, Nossa Senhora agiu nas almas e recompôs tudo.</h5>
<h5>São coisas que podem acontecer&#8230;</h5>
<h5>(Dr. Adolpho: Precisam acontecer.)</h5>
<h5>Às vezes chega a isso. São provas pelas quais é preciso passar.</h5>
<h5></h5>
<h5><strong>* Situações que podem acontecer na TFP: a estória do Dr. Ox &#8211; conto de Júlio Verne</strong><strong> </strong></h5>
<h5>Às vezes há situações dentro da TFP que me lembram a estória de Dr. Ox. Você conhece isso, do Júlio Verne, ou não?</h5>
<h5>(Aparte: Sim, sim.)</h5>
<h5>Um gás mortífero. É uma fantasia, Júlio Verne é todo de fantasia.</h5>
<h5>Ele conta uma história de duas cidadezinhas da Holanda, e da Holanda porque é um país muito tranquilo, muito pacato etc. fábrica de tulipas&#8230; eu dizer, mas é quase isso. Virou quase fábrica de tulipas, e vive de coisas dessas. E duas cidadezinhas próximas que viviam tranqüilas, que na Idade Média tinham pertencido a feudos vizinhos e inimigos. Mas depois cessou a Idade Média, cessaram aquelas guerras entre feudos inimigos etc., e há séculos que aquelas duas cidadezinhas viviam numa paz idílica.</h5>
<h5>Quando começou a circular entre elas, um certo mal-estar que era provocado por uma circunstâncias que não sabiam o que era. Mas sem elas se darem conta, parecia que a menor coisinha que se passasse entre elas, era gravíssima. Então por exemplo – eu vou dar os exemplos de minha lembrança, quer dizer inventados aqui, porque eu não me lembro – há uma vaca pertencente ao município A, tinha passado a pastar nas pastagens do município B, e isso no município B repercutia da seguinte maneira:</h5>
<h5>– &#8220;É o primeiro passo de uma invasão de nosso município pelo vizinho. Na Idade Média eles nos combateram muito, e nós não nos esquecemos que eles não mudaram de temperamento, e que eles de uma hora para outra podem nos invadir, e agora essa vaca é uma provocação e com certeza haverá uma&#8230;.&#8221;</h5>
<h5>E assim uma porção de raciocínios em tese concebíveis num outro conjunto; não eram raciocínios errados, mas concebíveis num outro conjunto não naquele conjunto.</h5>
<h5>O município dono da vaca acabou se sentindo ameaçado pelo desgosto da outra. Tiraram a vaca e os outros não sossegaram.</h5>
<h5>Então o município dono da vaca, foi ao museu e tomou as armas da Idade Média que eles tinham e se armaram para esperar o município inimigo na fronteira, mas já estava lá o município inimigo que também tinha ido pegar no seu museu, as armas da Idade Média. E estavam a ponto de se atacar furiosamente, quando houve uma explosão colossal numa das duas cidades e a coisa serenou. Ele deram risadas: &#8220;O que é que estamos fazendo aqui? Nós estamos loucos? Estamos gagás? Olha, boa tarde, vamos cuidar de nossa vida etc.&#8221;.</h5>
<h5>Era um tal misterioso Dr. Ox que tinha ido há pouco tempo morar no município A e que ali fabricava um gás que produzia este efeito que todas as pessoas passavam a medir o relacionamento de umas com as outras, segundo a lógica mais estrita, portanto, no mundo da lua, sem tomar em consideração a flexibilidade das circunstâncias, dos casos, dos antecedentes próximos e remotos, etc., de maneira que cada um levava às conseqüências até onde podia, e até mais.</h5>
<h5>Quando esse gás explodiu, desfez-se no ar, e os efeitos nocivos do gás cessaram, todo o mundo passou a raciocinar normalmente, com as premissas comuns da vida, e compreendendo que aquilo era uma bobagem.</h5>
<h5></h5>
<h5><strong>* Entre os verdadeiros servidores da Igreja existe com frequência emissões do &#8220;gás de Dr. Ox&#8221;; perde-se a elasticidade; são coisas do demônio</strong><strong> </strong></h5>
<h5><strong>Entre os verdadeiros servidores da Igreja, existe com alguma freqüência emissões do gás de &#8220;Dr. Ox&#8221;</strong>, que é o nome que Júlio Verne dava a esse ente fantasioso.</h5>
<h5>Quer dizer, de repente as pessoas começam a ficar sentidas porque o outro me olhou com um jeito torto, e ele bem viu que o outro queria dizer aquilo, mas também ele tinha tal coisa assim para responder, e responderá na primeira ocasião, porque ele vai ver! Porque tereteté.</h5>
<h5>O outro ouve uma palavra e diz: &#8220;Aquele deve estar falando mal de mim. Se ele está falando mal de mim eu tenho direito à defesa própria. Então eu vou procurar aquele com que ele estava afalando e exigir que esse conte, para eu tomar a minha defesa, beberbebé&#8230;&#8221;</h5>
<h5>Tudo muito lógico, mas sem essa elasticidade que Deus pôs até nos metais&#8230;</h5>
<h5>E isso produz rigidezes, hirtezas e tensões que evidentemente podem levar a loucuras, mas que quando Dr. Ox, no caso o demônio, é mandado embora, a gente se olha e diz: &#8220;Mas que bobagem!&#8221; Não é verdade? Pode haver coisas dessas entre nós.</h5>
<h5>Então, entre uma TFP e outra&#8230; entre cem coisas pode haver. E <strong>nós devemos estar preparados para não ligar para o espírito de &#8220;Dr. Ox&#8221; dizendo: &#8220;Não, olhe aqui, você também não pode suportar!&#8221;</strong></h5>
<h5><strong>– &#8220;Não, é o contrário, eu estou reconhecendo que é você que está ali dentro, e por causa disso eu resolvi suportar até o inaudito! E se não bastar eu vou para o &#8220;inauditíssimo&#8221;, mas eu acabo te pisando.&#8221;</strong></h5>
<h5>Aí a coisa se põe.</h5>
<h5>Bom, meu caros, jantamos&#8230;</h5>
<h5><strong>* Um exemplo ao vivo: &#8220;Dr. Plinio e o Dr. Adolpho fazem parte de uma sociedade secreta de perturbadores da oração&#8221;</strong></h5>
<h5>&#8230; vieram falar comigo, no momento em que eu estava começando a oração.</h5>
<h5>Ora, duas pessoas que de tal maneira perturbam a oração que vai ser feita, depois dos senhores estarem convidados à oração, perturbem essa oração de tal maneira, devem estar conluiadas entre si. Ainda mais que eles são primos e, portanto, têm uma porção de predisposições para se conluiarem entre si.</h5>
<h5>Acontece que além disso o Doutor Plinio disse as orações precipitadas e distraidamente, porque ele estava prestando atenção na despedida que ele fez, e por causa disso rezou mal. Que deve ter sido a intenção do Dr. Adolpho perturbar a oração dele, porque ele é um ente racional e um ente racional não faz coisas sem intenção, logo deve ter sido a intenção dele. Estava no conluio dele com Doutor Plinio, que Doutor Plinio tolerasse que ele atrapalhasse a oração do Doutor Plinio. Isso prova que os dois pertencem a uma organização secreta, satânica, chamada dos &#8220;perturbadores da oração&#8221;&#8230;!</h5>
<p><strong>Nota: </strong></p>
<p><strong>Para aprofundar o assunto, pode-se consultar, por exemplo</strong><br />
* <strong><a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/laicologia-y-accion-catolica-estudio-teologico-juridico-fr-arturo-alonso-lobo-o-p/#gsc.tab=0">Laicología y Acción Católica (Estudio teológico-jurídico sobre los laicos), Fr. Arturo Alonso Lobo, O.P. (famoso comentarista do Código de Direito Canônico de 1917)</a></strong><br />
<strong>* <a href="https://pliniocorreadeoliveira.info/GVRA_0000indice.htm#.Y_d9PeyZPT0">Guerreiros da Virgem &#8211; A RÉPLICA DA AUTENTICIDADE &#8211; A TFP sem segredos (Plinio Corrêa de Oliveira, Editora Vera Cruz, 1985)</a></strong><br />
<strong>* <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/a-tfp-uma-vocacao-tfp-e-familias-tfp-e-familias-na-crise-espiritual-e-temporal-do-seculo-xx-vol-i-e-ii/">A TFP: uma vocação &#8211; TFP e famílias &#8211; TFP e famílias na crise espiritual e temporal do século XX, Vol. I e II</a> (Comissão de Estudos da TFP, 1986)</strong></p>
<p>L'articolo <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/padre-ou-pai-de-padre-esta-seria-a-unica-alternativa-para-um-leigo-catolico/">“Padre ou pai de padre”: esta seria a única alternativa para um leigo católico?</a> proviene da <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info">Plinio Correa de Oliveira</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Semana Santa: consolação para quando sofrermos &#8211; Indignação por nossos próprios pecados e pelos dos outros</title>
		<link>https://www.pliniocorreadeoliveira.info/semana-santa-consolacao-para-quando-sofrermos-indignacao-por-nossos-proprios-pecados-e-pelos-dos-outros/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Nestor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Apr 2026 22:46:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Multimédia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.pliniocorreadeoliveira.info/?p=32267</guid>

					<description><![CDATA[<p>Sede do Reino de Maria, Domingo, 19 de março de 1989 &#160; A D V E R T Ê N C I A Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor. Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita [&#8230;]</p>
<p>L'articolo <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/semana-santa-consolacao-para-quando-sofrermos-indignacao-por-nossos-proprios-pecados-e-pelos-dos-outros/">Semana Santa: consolação para quando sofrermos &#8211; Indignação por nossos próprios pecados e pelos dos outros</a> proviene da <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info">Plinio Correa de Oliveira</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><strong>Sede do Reino de Maria, Domingo, 19 de março de 1989</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>A D V E R T Ê N C I A</strong></p>
<p style="text-align: center;">Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor.</p>
<p style="text-align: center;">Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:</p>
<p style="text-align: center;"><strong>“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.</strong></p>
<p style="text-align: center;">As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá Dr. Plinio em seu livro “<strong><a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/RCR_0000_indice.htm">Revolução e Contra-Revolução</a></strong>“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de <strong><a href="https://catolicismo.com.br/index.html">“Catolicismo”</a></strong>, em abril de 1959.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe title="Semana Santa: consolação para quando sofrermos - Indignação por nossos próprios pecados e alheios" width="800" height="450" src="https://www.youtube.com/embed/1W7A8t0eBTk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A situação é a seguinte: Nosso Senhor Jesus Cristo é a cabeça do Corpo Místico da Igreja. Isso quer dizer em concreto o seguinte: a Igreja constitui uma sociedade, essa sociedade é  uma sociedade hierárquica que Ele fundou, São Pedro é o Chefe, os bispos são os príncipes locais da Igreja, enquanto o papa é o monarca da Igreja católica, manda nos príncipes, manda nos seus súditos diretos. É até um ponto muito importante da doutrina católica&#8230;</p>
<p>Castelhano ou “portulhano”? (&#8230;) Castelhano eu não sei falar. Português ou “portulhano”?</p>
<p>(português)</p>
<p>Está bem. Então vamos lá.</p>
<p>Este é um ponto muito importante da doutrina católica: o papa tem uma autoridade completa sobre todos os bispos e também sobre cada fiel, direta! Não é assim: o papa manda nos bispos e por meio dos bispos manda nos fiéis. Não, não é verdade. A autoridade do papa é direta sobre todos os fiéis. Se fosse indireta, o Papa dando uma ordem, o bispo não querendo, ele recusava e os fieis não ficavam obrigados a seguir a ordem do papa. Isso não é verdade.</p>
<p>O papa dando uma ordem, o bispo deve executar. Se ele não executar, do mesmo modo o fiel sabendo que o Papa mandou aquilo, o fiel deve fazer. A autoridade do papa é, portanto, direta sobre os bispos, e é direta sobre cada fiel, sobre cada um de nós. Essa é a estrutura jurídica da Igreja.</p>
<p>Mas além da estrutura jurídica da Igreja, constituindo um todo com Ela, existe o Corpo místico da Igreja .</p>
<p><strong>O que é o corpo Místico da Igreja?</strong></p>
<p>É o seguinte: Nosso Senhor Jesus Cristo na Cruz morreu e o sacrifício que Ele ofereceu da vida dele foi um tesouro de graças infinito, que não se pode calcular. E que se destina a todos os fiéis, em todos os tempos, em todos os lugares até o fim do mundo. Essas graças são, portanto, para salvar todos os fiéis.</p>
<p>Mais ainda: para atrair à Igreja aqueles que não pertencem ao grêmio dela e, portanto, heréticos, cismáticos, judeus, maometanos e tudo o mais que há por aí, ateus, atraí-los para a Igreja em virtude das graças que Nosso Senhor Jesus Cristo conseguiu no alto da Cruz.</p>
<p><strong>Ele foi o Redentor.</strong> <strong>A Corredentora é Nossa Senhora</strong>. Pelas lágrimas dela, Ela concorreu para redimir o gênero humano. Então, é o sangue de Cristo, fundamentalmente. E porque Ele quis dar a Ela essa função nobilíssima, Ele quis que as lágrimas dela também fossem tomadas em consideração pelo Padre Eterno para remir o gênero humano, e como tesouro para o gênero humano.</p>
<p>Bem, mas Ele quis também que os nossos sofrimentos individuais sofridos por amor a Ele, esses sofrimentos também fizessem parte desse tesouro da Igreja. Então, é por isso que nós vemos que os santos sofreram tanto. É porque eles, com o sofrimento deles, também representavam algo, e representam algo para o tesouro da Igreja.</p>
<p><strong>Isso se simboliza de um modo bonito na Missa</strong>. Os senhores já viram, quando chega na hora da  consagração, um pouco antes da consagração o padre recebe uma gota de água dentro do vinho que vai ser consagrado. Aquela água não pode ser consagrada, porque Nosso Senhor Jesus Cristo estabeleceu que a consagração é só com o pão e vinho. Se quiser consagrar só água não sai a consagração. Mas aquela água misturada com o vinho forma um só líquido com o vinho. E na hora da consagração ela é  consagrada também. De maneira que aquela gota d’água incapaz de ser transubstanciada no Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, ela é, entretanto, transubstanciada enquanto misturada naquele vinho. <strong>É o símbolo do sacrifício dos fiéis.</strong></p>
<p>Nosso sacrifício não vale nada. Mas unido ao de Cristo Nosso Senhor e às lágrimas de Maria, também ele vale alguma coisa. E é um <strong>lindo símbolo para  nos animar a sofrer</strong> nas nossas lutas, <strong>perseguições, trabalhos, incompreensões, dificuldades</strong> etc., <strong>sofremos e vamos para frente</strong>. Aumenta a gota de água simbolicamente, quer dizer<strong>, aumenta a contribuição que Nosso Senhor Jesus Cristo quis que fosse indispensável também para a salvação dos homens</strong>. Quer dizer, pelo critério, pelo gosto dEle, Ele podia dispensar isso, mas Ele quis dar-nos essa glória de nos associar a esse  tesouro.</p>
<p>Então <strong>quando algum dos senhores estiver sofrendo, lembre-se disso:</strong> o sofrimento dos senhores é a gota d’água. Mas essa gota d’água certamente vai ser misturada aos sofrimentos indizíveis dele, infinitos dEle, e os sofrimentos preciosíssimos de Nossa Senhora e  vai servir para redimir todo o gênero humano.</p>
<p>E por isso eu costumo dizer que <strong>não sei se alguém possa fazer melhor coisa pela Igreja do que sofrer por Ela</strong>. <strong>Porque quase ninguém quer sofrer. Eu falo debaixo desse ponto de vista: quase ninguém quer sofrer. Existem alguns que rezam e que  trabalham; sofrer, todo o mundo tem medo.</strong></p>
<p>Então, <strong>Nossa Senhora nos manda um sofrimento, nós devemos aceitar com contentamento</strong>. <strong>Vamos ser mais úteis à Igreja do que se fizéssemos um lindo discurso, montássemos uma grande associação ou qualquer outra coisa: nós estamos sofrendo!</strong></p>
<p>Não sei se essa explicação está clara? (Claríssimo). O conjunto desse tesouro é um tesouro que tem um conjunto de almas portanto, que sofre, Nosso Senhor Jesus Cristo com o santo sacrifício da Missa renova sempre a Sua Paixão de modo incruento, não derrama mais sangue, mas renova a Sua Paixão, e nós, em última análise, bem no fundo, bem embaixo, nós também aumentamos isso. Formam uma espécie de banco do sobrenatural.</p>
<p>Mas que Nosso Senhor Jesus Cristo é tanto mais do que todo mundo, e que Ele se chama a Cabeça desse tesouro. E os outros são o corpo desse tesouro. <strong>Esse é o corpo Místico de Cristo.</strong></p>
<p>Agora, Nosso Senhor, do alto da Cruz, Ele viu porque Ele é Homem-Deus. Enquanto Deus, para Ele não há presente, nem passado, nem futuro, tudo é simultâneo. Presente, passado e futuro são próprios para nós que estamos metidos na matéria, temos um corpo material. A matéria tem presente, passado e futuro. Mas para as coisas do espírito não tem.</p>
<p>E Ele viu tudo quanto haveria de pecado até o fim do mundo. E Ele sofreu com esses pecados. Ele conheceu cada homem, conheceu cada alma. E durante a Paixão dEle, Ele rezou por cada homem que haveria de haver e cada alma até o fim do mundo, inclusive pelas almas que recusaram a graça, e que depois foram para o inferno. Ele rezou.</p>
<p>É uma coisa de uma generosidade, de uma abundância, uma coisa extraordinária, maravilhosa, naturalmente. Uma coisa maravilhosa!</p>
<p>Agora acontece o seguinte: <strong>durante a Semana Santa nós revivemos com Ele a Paixão dEle</strong>. Quer dizer, a Semana Santa celebra a Paixão dEle.</p>
<p>Então, <strong>Quarta-feira Santa</strong> começa propriamente a parte mais densa da Semana Santa. Rezava-se na Igreja &#8211; não sei se ainda rezam – o Ofício de trevas, Ofício que canta as trevas que vão enchendo o mundo, porque Nosso Senhor está sendo perseguido.</p>
<p>Depois, <strong>Quinta-feira</strong> tem a Missa que se reza, que celebra a <strong>instituição da sagrada Eucaristia</strong>. E depois o padre conduz o Santíssimo Sacramento até uma caixa bonita de madeira, dourada etc., etc., que é chamada “sepulcro”. Porque assim como Ele depois da Ceia sofreu a Paixão e depois morreu, então depois da Missa que celebra a Ceia, as  igrejas não tocam mais os sinos, faz-se a cerimonia tocante da desnudação dos altares: o padre vai de altar por altar, tira as flores, tira os vasos, apaga as velas, os altares ficam nus, como se o culto tivesse cessado, porque Nosso Senhor está “morto” naquela caixa. E todos os sinais de alegria da Igreja cessam. Nosso Senhor está morto.</p>
<p>Na <strong>Sexta-feira Santa</strong> se celebrava a morte dEle. Então nesse dia não se comungava, porque o corpo dEle, o sangue dEle, a  sagrada Eucaristia estava no Sepulcro. Era o dia em que se osculava a Cruz. Os padres colocavam junto ao altar, mas na parte onde estão os fiéis, junto ao presbitério portanto, colocavam uma cruz enorme, e os fiéis com uma música cantando coisas assim de dor, iam um por um oscular as chagas das mãos e dos pés dele, os que queriam osculavam também as chagas do sagrado lado, aqui, onde a lança de Longinus entrou. E se retiravam.</p>
<p>Quando chegava o bispo, tudo parava; o bispo descia, com um revestimento todo roxo, com uma capa roxa, descalço em sinal de penitência, e percorria a Igreja inteira descalço, com meias naturalmente, chegava até o crucifixo, osculava também. Depois saía pelo fundo da Igreja. E ficava tudo quieto, parado etc.</p>
<p>No <strong>Sábado de Aleluia</strong>, era o Sábado que comemorava, já começa a alegria da Ressurreição. E ao meio-dia então começava a bimbalhar: Cristo tinha ressuscitado.</p>
<p>E havia aqui no Brasil, não sei se nos países dos senhores é a mesma coisa, havia um costume muito bonito: os moleques – sabem o que é “moleque”, não é? &#8211; produziam  uns bonecos grotescos que eles chamavam de “Judas”. E nessa hora era a hora de “malhar o judas”. Eles esperavam o Judas etc., e todos os sinos das igrejas tocavam, tocavam, era a  ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo!</p>
<p><strong>No Domingo</strong> a Igreja estava toda florida e vitoriosa. Cristo tinha ressuscitado, celebrava-se a Missa!</p>
<p>Bem, a gente deve viver cada um desses dias.</p>
<p>No dia de trevas [Quarta-feira Santa], a gente deve <strong>amar a Igreja enquanto sofrendo hoje em dia</strong>, deve-se aplicar para nossos dias, as trevas que vão enchendo o mundo, a escuridão do pecado, da desordem, a abominação que vai enchendo o mundo em todos os sentidos: trevas.</p>
<p>Depois, na <strong>Quinta-feira Santa</strong> nós devemos comemorar a resistência de Nosso Senhor diante de todas essas trevas. Ele constitui a sagrada Eucaristia para estar  conosco em todas as ocasiões. Então, <strong>devemos comungar com uma especial devoção</strong>, mas devemos começar a prantear a morte dele.</p>
<p>Mas prantear como pecadores, que sabemos que nós O ofendemos no passado, e que nós choramos os nossos pecados a vida inteira.</p>
<p>São Pedro, por exemplo, chorou a negação dele a vida inteira. Conta a tradição que quando ele morreu, ele foi &#8211; como os senhores sabem &#8211; crucificado de cabeça para baixo pelos romanos. Ele tinha chorado a vida inteira tanto de ter negado Nosso Senhor, que ele tinha dois sulcos no rosto, que eram das lágrimas que corriam&#8230;</p>
<p>Bem, então, também nós <strong>devemos ter na nossa alma dois sulcos:</strong> a tristeza dos pecados que cometemos, a  tristeza dos pecados que os outros comentem. <strong>Mas não é uma tristeza de velha chorona</strong>, não. <strong>É uma tristeza de varão</strong>! Quer dizer, a <strong>indignação contra nossos pecados</strong>. Não me adianta eu me indignar com o pecado dos outros e não me indignar com o meu! Primeiro é com o meu, quem pecou fui eu! E eu fui o autor do meu pecado! “Quia pecavi nimis cogitatione, verbo et opere”, está dito no “Confiteor”. Quer dizer, porque eu pequei muitíssimo pelos pensamentos, pelas palavras, e pelas ações, por minha culpa, por minha culpa, por minha máxima culpa! Portanto, peço e rogo à  Bem-aventurada Virgem Maria etc., vem o “Confiteor” todo.</p>
<p>Deve nos encher essa idéia dos nossos pecados e dos pecados dos outros.</p>
<p><strong>No Sábado</strong>, devemos oferecer a Nossa Senhora todos os nossos trabalhos para apresentar a Ele, todos os nossos trabalhos para malhar a Revolução gnóstica e igualitária!</p>
<p><strong>E Domingo, é a  esperança do Reino de Maria!</strong></p>
<p>Foi um pouquinho comprido, está dito o que devia ser dito.</p>
<p>Os senhores conhecem mais uma frase latina, não é? Não conhecem, é? Então é bom que eu lembre: “fugit irreparabile tempus”!&#8230;</p>
<p><strong>Nota:</strong> Para numerosos comentários relativos a tão fundamental tema para um católico, consulte a coletânea ESPECIAL clicando em <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/quaresma-semana-santa-coletanea/"><strong>https://www.pliniocorreadeoliveira.info/quaresma-semana-santa-coletanea/</strong></a></p>
<p>L'articolo <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/semana-santa-consolacao-para-quando-sofrermos-indignacao-por-nossos-proprios-pecados-e-pelos-dos-outros/">Semana Santa: consolação para quando sofrermos &#8211; Indignação por nossos próprios pecados e pelos dos outros</a> proviene da <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info">Plinio Correa de Oliveira</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Qual deve ser a consideração central da Semana Santa?  (áudio e texto)</title>
		<link>https://www.pliniocorreadeoliveira.info/qual-deve-ser-a-consideracao-central-da-semana-santa-audio-e-texto-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Nestor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 08:40:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Multimédia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.pliniocorreadeoliveira.info/?p=32245</guid>

					<description><![CDATA[<p>Nosso Senhor sofreu e deseja nossa reparação, deseja um ato de amor e deseja um ato de indignação!</p>
<p>L'articolo <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/qual-deve-ser-a-consideracao-central-da-semana-santa-audio-e-texto-2/">Qual deve ser a consideração central da Semana Santa?  (áudio e texto)</a> proviene da <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info">Plinio Correa de Oliveira</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><b>Santo do Dia, Auditório São Miguel, 26 de março de 1986</b></i></p>
<p style="font-weight: 400; text-align: center;"><strong>A D V E R T Ê N C I A</strong></p>
<p style="font-weight: 400; text-align: center;">Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor.</p>
<p style="text-align: center;">Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:</p>
<p style="text-align: center;"><strong>“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.</strong></p>
<p style="text-align: center;">As palavras &#8220;Revolução&#8221; e &#8220;Contra-Revolução&#8221;, são aqui empregadas no sentido que lhes dá Dr. Plinio em seu livro &#8220;<strong><a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/RCR_0000_indice.htm">Revolução e Contra-Revolução</a></strong>&#8220;, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de <strong><a href="https://catolicismo.com.br/index.html">&#8220;Catolicismo&#8221;</a></strong>, em abril de 1959.</p>
<p><iframe title="Qual deve ser a consideração central da Semana Santa?" width="800" height="450" src="https://www.youtube.com/embed/yJ8tvmoAfg0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Nós vamos, agora, à Semana Santa. Amanhã é Quinta-feira santa: o dia da instituição da Sagrada Eucaristia; o da Santa Ceia; o dia em que começa a Paixão de Nosso Jesus Cristo; o dia em que Nosso Senhor Jesus Cristo lava os pés dos Apóstolos; em que lhes perdoa, portanto; o dia em que Judas rompe com o Colégio Apostólico, e o Evangelho diz muito expressivamente: “Era já noite” (cfr. João 13, 30). Noite&#8230; que noite! E Nosso Senhor começa Sua Agonia no Horto e daí toda a <strong>sequência de acontecimentos ao mesmo tempo sublimes e dramáticos</strong> em que a piedade católica se compraz em reconsiderar todos os anos.</p>
<p>Nós <strong>devemos levar para essa ocasião uma compaixão pelo que aconteceu com Nosso Senhor.</strong></p>
<p>Mas nós não devemos nos esquecer do seguinte&#8230; eu acho que deve ser a <strong>consideração central</strong> <strong>da Semana Santa</strong>: <strong>Nosso Senhor sofreu</strong> nessa ocasião <strong>muito mais pelos pecados dos homens do que pelos sofrimentos físicos que lhe eram infligidos</strong>.</p>
<p>Se Ele estivesse numa fogueira, sofrendo, portanto, o suplício de ser queimado vivo. Imaginemos, paradoxalmente, uma fogueira que O queimasse durante horas e horas, mas Ele soubesse que em torno d’Ele, genuflexa, havia uma multidão contrita de dor, que os próprios autores desse crime estavam contritos de dor. E que ao longo dos séculos não se pecaria mais, porque Ele tinha sacrificado a sua vida, o seu sofrimento seria muito menor do que o que Ele teve! A dor física seria tremenda. Mas a <strong>Sua dor maior foi a dor moral</strong>; ver, apesar de Seu Sangue Divino vertido por nós (Deus Nosso Senhor, Ele era a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade humanada), ser injuriado durante séculos e séculos, apesar desse Sangue vertido. Ver os pecados que se cometeriam. E ver de tal maneira os pecados subirem, subirem, subirem, que Ele chegou a perguntar-se: <strong><em>Quae utilitas in Sanguine Meo? Qual a utilidade que há no meu Sangue? Por que estou padecendo tudo isto?</em></strong></p>
<p>Há alguma coisa dessa pergunta no momento lancinante em que Ele bradou: <em>“Deus meus, Deus meus, ut quid dereliquisti me?”</em> (Evangelho do Domingo de Ramos, segundo S. Mateus). <strong><em>Meus Deus, Meu Deus, por que Vós me abandonastes? </em></strong>Como quem diz: este sacrifício todo, por quê, ó Meu Deus?!</p>
<p>De fato, estas palavras iniciam um Salmo profético da Ressurreição. E a continuação do sentido é que Ele ressuscitaria etc.</p>
<p><strong>Ele viu nossos pecados</strong>, Ele viu o <strong>pecado da Revolução</strong>. Ele viu este pecado de Revolução que se está cometendo no Brasil, que é a <strong>Reforma Agrária</strong> (acompanhada das outras reformas que já estão entrando). Ele padeceu por tudo isto, como padeceu pela <strong>Revolução no mundo inteiro</strong>. Isto foi o que Ele viu.</p>
<p>Nessas condições, <strong>Nosso Senhor sofreu e deseja nossa reparação</strong>, deseja um <strong>ato de amor</strong> e deseja um <strong>ato de indignação!</strong></p>
<p>Se eu tenho um pai que está sendo esbofeteado, eu olho com uma cara mansa para os que o esbofeteiam&#8230; Eu não estou amando meu pai! Eu devo indignar-me, eu devo protestar, <strong>devo interpor-me entre o que o ataca e ele. <em>“Não senhor, isto é comigo! Eu assumo para mim essa situação! Quem está na luta sou eu!”</em></strong></p>
<p>Nós <strong>devemos lamentar que o mundo inteiro esteja nessa situação</strong>. Nós devemos lamentar que <strong>nós mesmos não tenhamos a postura de alma integralmente assim</strong>, que a fidelidade e o agradecimento a tantos dons exigiria.</p>
<p>Então nós <strong>devemos pedir perdão por nossos pecados individuais</strong>. Nós não podemos apenas apresentar aos pés da Cruz os pecados da humanidade, mas <strong>nós fazemos parte da humanidade</strong>. E devemos pedir perdão pelos nossos pecados individuais.</p>
<p>Mas, <strong>ao mesmo tempo</strong>, apresentar o Sangue de Cristo e as lágrimas de Maria ao Padre Eterno como modo de <strong>agradecer o benefício inestimável que nos fizeram</strong>, de que nós fizemos parte dos que foram <strong>escolhidos por Nossa Senhora e por Ele</strong>, <strong>dos que disseram “sim”&#8230;</strong> “Sim” mais forte, “sim” menos forte. “Sim” mais puro, “sim” menos puro. “Sim” mais durável, atuoso, cheio de entusiasmo. “Sim” mais à la Nicodemos e a José de Arimatéia, mas, enfim, dissemos “sim”! E aqui estamos aos pés da imagem de Nosso Senhor Flagelado, aos pés da imagem de Nossa Senhora, aqui estamos <strong>para rezar</strong>, para <strong>pedir</strong>, para <strong>suplicar que perdoe os nossos pecados e faça de nós aqueles homens de Deus </strong>dos quais diz bem Dom Chautard que contra eles nenhum homem resiste.</p>
<p>Se houvesse na Terra muitos homens de Deus, muitas <strong>almas interiores que sacrificassem tudo para serem puras</strong>, que sacrificassem <strong>tudo para não pecar de respeito humano, de orgulho, de vaidade</strong>, <strong>de comparações, de rivalidades</strong> etc., se tivéssemos disso <strong>em grande número, a face da terra se renovaria!</strong></p>
<p><strong>Peçamos para ser desses</strong>. Com um <strong>pensamento que a mim sempre me fez muito bem</strong> e que eu quero que os senhores o considerem porque poderá, eventualmente, fazer-lhes bem também<strong>: para quem tem nossa vocação, não há alternativa:</strong> é isto de <strong>renunciar ao amor-próprio e sequela</strong>, de renunciar <strong>à impureza e sequela, ou ser palhaço!</strong> E o <strong>pior [tipo de palhaço]:</strong> <strong>palhaço aos meus próprios olhos!</strong></p>
<p>Eu aqui estou aqui falando estas palavras&#8230; Elas <strong>só conseguirão fazer algum bem na medida em que eu for um homem puro</strong>, um homem <strong>sem amor-próprio, sem orgulho</strong> etc.</p>
<p>Eu vou para minha casa, agora. Daqui algum certo tempo, afinal, vou começar a descansar. Se eu falei, se eu pronunciei estas palavras com o coração reto, se eu tenho consciência de que combati a impureza neste dia, se eu combati o amor-próprio, o orgulho, eu posso deitar o meu corpo exausto e dizer:</p>
<p><em>Senhor, aqui está. Quando o cansaço se evolar do meu corpo pelo repouso, é como um sacrifício que sobe a Vós. Queirais recebê-lo em odor de suavidade diante de Vós. Maria Santíssima, intermediária de todos os homens junto a Deus, dai ao meu sacrifício o que ele não tem, para que Deus o tenha por agradável!</em></p>
<p>Cerro os olhos e durmo tranquilamente.</p>
<p>E esta prece deve recitar cada um dos senhores, mentalmente, interiormente, deve recitar esta prece. E ao dormir, poder dormir assim.</p>
<p><strong>Se não for isso, o que é que eu fiz?!</strong> Renunciei a quantas comodidades, a quantos prazeres, quantas vantagens na vida, e não fiz apostolado! <strong>Levei uma vida dura e difícil, mas fui vaidoso, fui orgulhoso</strong>, e no fim do meu dia, eu <strong>gastei o tempo</strong> que me deu&#8230; de <strong>que Deus me deu, fazendo uma</strong> <strong>comédia de apostolado!</strong> <strong>O que é que eu fui? Palhaço!!</strong></p>
<p>Meus caros, <strong>tomai isso bem em consideração!</strong></p>
<p>É terrível a nossa situação. <strong>Recebemos uma opção admirável, e pusemos nossos passos ao longo do caminho certo. Mas, neste caminho certo, temos que levar a mente acertada e o coração certo</strong>.</p>
<p><strong>Peçamos isso a Nossa Senhora</strong> preparando-nos para a Semana Santa, com esta jaculatória que se rezava no começo de todas as Vias Sacras:</p>
<p><em>Adoremus Te, Christe, e benedicimuo Tibi,</em></p>
<p><em>Quia per canctam crucem tuam redemisti mundum.</em></p>
<p><em>Nós vos adoramos, ó Cristo, e Vos bendizemos,</em></p>
<p><em>Porque pela Vossa Santa Crus redimiste o mundo.</em></p>
<p>E eu acrescento:</p>
<p><em>Nossa Senhora das lágrimas, Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!</em></p>
<p><strong>Entremos com ardor na Semana Santa!</strong></p>
<p><em>Salve Regina, Mater misericordiae&#8230;</em></p>
<p>L'articolo <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/qual-deve-ser-a-consideracao-central-da-semana-santa-audio-e-texto-2/">Qual deve ser a consideração central da Semana Santa?  (áudio e texto)</a> proviene da <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info">Plinio Correa de Oliveira</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Meditações para a Quaresma, a Semana Santa e a parábola dos dois amigos &#8211; Se Você é um egoísta supino que só pensa em si&#8230;</title>
		<link>https://www.pliniocorreadeoliveira.info/meditacoes-para-a-quaresma-a-semana-santa-e-a-parabola-dos-dois-amigos-se-voce-e-um-egoista-supino-que-so-pensa-em-si/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Nestor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 08:36:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Multimédia]]></category>
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.pliniocorreadeoliveira.info/?p=32243</guid>

					<description><![CDATA[<p>Sede do Reino de Maria, 2 de março de 1991 – Santo do Dia A D V E R T Ê N C I A Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor. Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se [&#8230;]</p>
<p>L'articolo <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/meditacoes-para-a-quaresma-a-semana-santa-e-a-parabola-dos-dois-amigos-se-voce-e-um-egoista-supino-que-so-pensa-em-si/">Meditações para a Quaresma, a Semana Santa e a parábola dos dois amigos &#8211; Se Você é um egoísta supino que só pensa em si&#8230;</a> proviene da <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info">Plinio Correa de Oliveira</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><strong>Sede do Reino de Maria, 2 de março de 1991 – Santo do Dia</strong></em></p>
<p style="font-weight: 400; text-align: center;"><strong>A D V E R T Ê N C I A</strong></p>
<p style="font-weight: 400; text-align: center;">Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor.</p>
<p style="text-align: center;">Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:</p>
<p style="text-align: center;"><strong>“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.</strong></p>
<p style="text-align: center;">As palavras &#8220;Revolução&#8221; e &#8220;Contra-Revolução&#8221;, são aqui empregadas no sentido que lhes dá Dr. Plinio em seu livro &#8220;<strong><a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/RCR_0000_indice.htm">Revolução e Contra-Revolução</a></strong>&#8220;, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de <strong><a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/artigoscatolicismo_1959.asp">&#8220;Catolicismo&#8221;</a></strong>, em abril de 1959.</p>
<p style="text-align: center;">*     *    *</p>
<p align="justify"><b>&#8230;</b><span style="font-family: Verdana;"><b>peça a Nossa Senhora</b>, a Virgem dolorosa, que tenha pena de você e o mude. Quando Deus foi capaz de Se imolar por cada um de nós para nos salvar, não seremos capazes de sermos eternamente gratos a uma bondade dessas, incomensurável? Ó meu Jesus, tenha misericórdia de mim e faça com que, pelas lágrimas de Vossa Mãe Santíssima, eu aproveite este período para refletir no dom inapreciável que Vós me concedestes e que, por fim, eu me converta.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Verdana;">Neste Santo do Dia, Dr. Plinio nos ajuda nesse caminho que todo católico verdadeiro deve percorrer, rumo à plena realização da vocação a que a Providência chamou cada um.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Verdana;">Para tomar conhecimento de outras considerações do Prof. Plinio sobre a Quaresma e a Semana Santa, <b><a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/se-voce-e-um-egoista-supino-que-so-pensa-em-si/">clique aqui</a></b>.</span></p>
<p><iframe title="Quaresma, Semana Santa e a parábola dos dois amigos" width="800" height="450" src="https://www.youtube.com/embed/uwOFlxg2-jc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<h5>Então, meus caros, parece que estamos retomando mesmo a regularidade de nossas reuniões de sábado.</h5>
<h5>Hoje, por uma pequena circunstância, a reunião teve que se realizar ainda aqui [neste auditório], mas provavelmente já serão no próximo sá­bado, no auditório de Nossa Senhora Auxiliadora, no Praesto Sum, então em condições de podermos nos ver uns aos outros durante o Santo do Dia todos os presentes, e, portanto, em condições mais normais.</h5>
<h5><strong>* É preciso ter uma compreensão bem exata das festas da Semana Santa para participar de modo atento e devoto</strong></h5>
<h5>Nós vamos entrar diretamente no assunto, porque já é tarde, e os senhores sabem que depois dessa reunião eu ainda tenho outra à noite.</h5>
<h5>Nós estamos na <strong>Quaresma</strong> e já não estamos muito distantes do tempo em que começa então o Domingo de Ramos, depois Domingo da Paixão, e a Semana Santa etc., e nós devemos ter uma compreensão bem clara do que é que significam essas festas para a Igre­ja e do bem que Ela tem intenção de obter para as nossas almas durante essas festas. De maneira que com uma compreensão exata da coisa nós possamos participar dessas festas de modo atento, de modo devoto, e de modo esperançado.</h5>
<h5><strong>* Seriedade e atenção, elementos indispensáveis para se fazer qualquer coisa de bom, sobretudo em matéria de piedade</strong></h5>
<h5>De modo <strong>atento</strong> porque se não se presta atenção nas coisas, não se faz nada bem feito. Isto vale mais ainda para os atos de piedade do que para qualquer outra atividade que o homem tenha. Vamos dizer que um homem seja um pintor. Se ele não presta atenção no que está pintando, pinta uma porcaria. Se um homem é um professor e se ele não presta atenção na aula que está dando, não sai nada que preste. Atenção é a capacidade de fixar atenção onde deve, e mantê-la ali durante o tempo que deve estar fixada, é uma condição para que o homem faça qualquer coisa de bom. E evi­dentemente também, e sobretudo, para aquilo que o homem faz de mais importante, que são os atos de piedade pelos quais ele se volta a Deus, pede as graças de Deus, recebe, porque Deus é infi­nitamente misericordioso, infinitamente bom, concede essas graças e o homem então tem que recolher essas graças e aproveitá-las, tem que agir na linha em que essas graças indicam.</h5>
<h5>Tudo isso su­põe muita atenção, muita seriedade; e para nós termos essa serie­dade bem atenta, durante esse período importantíssimo do ano, para o católico, em que se comemora a Paixão e Morte de Cruz de Nos­so Senhor Jesus Cristo, a Compaixão de Nossa Senhora, e depois a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.</h5>
<h5><strong>* Ilustração do imenso benefício que nos fez Nosso Senhor Jesus Cristo e de nossa ingratidão para com Ele</strong></h5>
<h5>Bem, então nós temos que ter bem uma noção das coisas como são. E para dar uma primeira introdução a essa noção agora à noite, eu vou imaginar com os senhores uma situação.</h5>
<h5>Os senhores imaginem que os senhores têm um amigo que tem do­res atrozes. Ele tem, por exemplo, uma das formas de padeci­men­to mais desagradável: dores noturnas. Vamos dizer que ele tenha dores de cabeça noturnas, ou qualquer incômodo noturno, que im­pe­ça a ele de dormir. As noites dele são em branco, ele acorda de manhã, tem que passar o dia inteiro trabalhando. Chega à noite ele já sabe que vai passar a noite inteira em claro. Ele prevê a hora em que ele vai estourar.</h5>
<h5>Ele encontra com um dos senhores na rua, os senhores perguntam: &#8220;Fulano, como vai passando?&#8221;</h5>
<h5>– Ah, muito mal porque houve isso assim, assado.</h5>
<h5>– Bom, mas você peça a Nossa Senhora, <em>Salus infirmorum</em>, Saúde dos enfermos, Salvação dos enfermos, que reze por você etc.</h5>
<h5>Os senhores pensam que na fisionomia dele vão notar pelo me­nos um pouco mais de esperança, um pouco mais de alegria, porque se abre para ele uma possibilidade. Ele acaba de se queixar que recorreu a toda espécie de médicos, tomou toda espécie de remé­dios, não adiantou nada. Mas, afinal, se abre para ele uma possi­bi­lidade: rezando a Nossa Senhora quem sabe se ele obtém alguma coisa.</h5>
<h5>Ele diz: &#8220;Olha, eu vou dizer o que é que há comigo. Eu estou tendo esses padecimentos etc., e não tenho coragem de pedir a Nossa Senhora para remover. Porque eu sei bem que eu estou so­fren­do isso em consequência de um pecado muito mau que cometi, e acho justo que eu esteja sofrendo isto. Mas de outro lado, não aguento. E, portanto, minha situação não tem por onde escapar. Nossa Senhora não vai querer atender ao meu pedido, porque é me­re­cido que eu sofro, e eu não consigo escorar a coisa. De maneira que eu vou me arrebentar, vou morrer, eu não sei o que vai acon­te­cer comigo, mas eu não estou mais aguentando&#8221;.</h5>
<h5>Os senhores ficam com pena do rapaz e dizem a ele: &#8220;Bem, mas então vamos fazer o seguinte. Eu ofereço para que Nossa Senhora tire esses padecimentos de você, eu ofereço a Ela ficar com uma parte desses padecimentos&#8230; [<em>Exclamações</em>]</h5>
<h5>O &#8220;Nooossa!&#8221; significa que os senho­res teriam muita dificuldade de fazerem esse oferecimento, porque não é brincadeira ficar com um padecimentos desses nas costas. Ele diz: &#8220;Mas, está bom, você está disposto a aguentar o quê?&#8221;</h5>
<h5>Diz: &#8220;Eu estou disposto a aguentar, por exemplo, toda a noite enquanto estiver dormindo, uma pontada furiosa, de um minuto na ponta do dedo médio da mão direita. Depois eu acordo, assusto um pouco, e depois durmo. É um minuto de dor. Você tem uma noite inteira de dor, e eu suporto por você um minuto de dor. Mas a questão que o meu ato de virtude querendo carregar uma parte da pena merecida por seu pecado, esse ato de virtude tem seu valor, além da dor que eu ofereço, tem o ato meu de querer favorecer a você, é um ato que um católico como irmão na fé do outro católi­co, oferece por ele. Então, eu aceitaria isso de bom grado&#8221;.</h5>
<h5>Ele diz: &#8220;Olha, você é um grande amigo. Eu nunca pensei que você fosse capaz disso. Mas enfim, muito obrigado, vamos juntos à igreja próxima lá, e vamos rezar juntos nesse sentido, porque eu estou aguentando&#8221;.</h5>
<h5>Bem, os senhores vão com ele para a igreja, e aquele dos se­nhores que aceitou o sacrifício se ajoelha ao lado dele, e rezam diante de uma imagem de Nossa Senhora, ou diante do tabernáculo on­de está o Santíssimo Sacramento, os senhores rezam uma Salve Regi­na, jaculatórias ao Coração Eucarístico de Jesus, ou qualquer outra invocação ao Santíssimo Sacramento, os senhores rezam, e aquele dos senhores que resolveu fazer esse sacrifício, toma o pac­to no duro. Mas depois ele vai cuidar de uma coisa ou outra, não pensa mais no assunto, e dorme. À noite, quando a noite dele está no mais agradável, às 3 horas da manhã&#8230; pan!! Ele acorda com uma sensação de que a última falange do dedo indicador está estraçalhada.</h5>
<h5>Que é isto! Acende a luz, não tem nada. Ele se lembra: &#8220;Ah, bom, é o oferecimento que eu fiz pelo fulano. Nossa Senhora aten­deu o meu pedido e está me mandando a dor que eu pedi. Eu não te­nho, portanto, razão nenhuma de me surpreender, eu fiz esse ofe­re­ci­mento a Ela porque eu quis, e Ela me atendeu, Ela me tomou a sério, graças a Ela que Ela me tomou a sério. Tal seria que nem Nossa Senhora me tomasse a sério&#8221;.</h5>
<h5>Bom, a dor passou, e vou dormir. Afunda nas cobertas&#8230; acor­da de manhã com uma noção vaga daquela dor. Quer dizer, não está mais lá, mas tem uma lembrança que houve aquela dor, e toca o dia.</h5>
<h5>Às três horas da manhã do dia seguinte: Tan!! Novo estra­ça­lhamento do dedo. Vai ver, não tem nada.</h5>
<h5>Bem, daí a alguns dias encontra o amigo.</h5>
<h5>– Como vai você?</h5>
<h5>– Olha, sarei.</h5>
<h5>– Você não imagina como eu estou contente, em casa todos como estão contentes com você, até minha mãe quer oferecer um jantar a você, porque você está me curando destas dores, e eu estou muito grato a você, ta-ra-ta-ta-tá.</h5>
<h5>Bom, realiza-se o jantar, agradecimentos etc., ta-ta-tá, mas chega às três horas da manhã, pan! A dor de novo. Ao cabo de uma semana, toda noite, toda noite, toda noite, aquela dor, aque­le susto, aquele sono, entre sono-dor, susto, sono, é uma coisa que ao cabo de uma semana o sujeito está achando que aquela sema­na foi comprida.</h5>
<h5>Bem, apesar de tudo ele vai aguentando. Ele resolve fazer uma estrepolia, ele põe um esparadrapo em torno do dedo, embrulha bem, para ver se não dá a dor. Não é correto, ele ofereceu, e não deve estar usando meios para não usar a coisa. E vamos imaginar – estamos no terreno da imaginação, tudo isso que eu estou contando é imaginário –, vamos imaginar que naquela noite o rapaz acorda, e tan! Apesar do esparadrapo, mas com uma diferença: é que nas noites anteriores ele sentia apenas na última falange a dor, e agora a dor se prolongou no dedo inteiro até a raiz.</h5>
<h5>Os se­nhores estão entendendo bem, os senhores se imaginem na posição do rapaz, não tem que explicar nada: Nossa Senhora não gostou da atitude. Na outra noite seguinte o dedo está perfeito, sem espa­ra­drapo nem nada: &#8220;Assim não vai!&#8221;</h5>
<h5>Os senhores daqui a uns 15 dias encontram com o rapaz numa roda, na rua, por exemplo, ele vai, cumprimenta os senhores com ar distraído. Ele está bem disposto, corado! E cumprimenta os senhores com ar distraído: Ah&#8230; você como vai?!&#8221; Depois continua na prosa com os outros amigos. Na hora de despedir ele está de automóvel e os outros amigos não estão, e os senhores também não estão. Ele convida este, aquele, aquele, voltar no automóvel para a casa dele, e não convida os senhores. Que, entretanto, mora perto da casa dele. Mas na hora de ir embora ele diz aos senhores: &#8220;Olha, também para você ´até logo´, ouviu? Você vai a pé, nossas casas não são longe, você vai a pé mesmo, ouviu?&#8221; E vai embora&#8230;</h5>
<h5>Os senhores percebem que ele está numa posição diferente dos senhores. Ele primeiro já foi beneficiado, portanto, tende a não se lembrar mais. Segundo lugar, ele não gosta de estar imagi­nan­do quanto os senhores estão sofrendo por ele. E é desagradável, e ele até evita a companhia dos senhores para [não] estar pensando nisso que é desagradável. Pode acontecer! Os senhores sabem que a cabeça humana dá para isso&#8230; Eu acho que não estou decepcionando nenhum dos senhores, os senhores sabem que é isso. E depois, no vai-e-vem da vida, ele está achando mais graça em outros amigos. E está achando que os senhores não têm graça. E, portanto, rifa. Is­so acontece à toda hora, de todo jeito, e, portanto, está meten­do um pontapé nos senhores.</h5>
<h5>Há duas saídas: uma é ir para a igreja, para aquela mesma igre­ja – sem dizer nada ao rapaz – ajoelhar-se diante da imagem de Nossa Senhora ou diante do Santíssimo, e dizer: &#8220;Olhe, vede a posição em que eu estou. Eu ofereci assim etc., etc., e ele está me pagando desta maneira assim, assim, assado. E Vós vedes bem que é injusto o procedimento dele comigo, e até gravemente injus­to. Pelo que eu venho Vos pedir por caridade que me desembarace dessa dor. Ele que aguente a dor que ele sofre, ele que carregue o peso das coisas dele, e eu carrego das minhas. Não há razão para eu estar carregando essa dor de um tipo que se esquece até do bem que eu fiz a ele, esquece que eu sou a razão de todo bem-estar dele, que está em mim, e ainda me trata dessa maneira&#8221;.</h5>
<h5>É uma coisa que se compreende. E, conforme o caso, Nossa Se­nho­ra poderia atender o pedido, e daí a alguns dias o rapaz come­ça a se sentir mal. Um belo dia tilinta o telefone da casa dos senhores: &#8220;O fulano está?&#8221;</h5>
<h5>– Sou eu.</h5>
<h5>– Ó! Eu sou fulano – é o tal&#8230;</h5>
<h5>– Meu caro, você como vai passando?</h5>
<h5>– Ah, aquilo tudo voltou! Me diga uma coisa, aquela sua promessa do dedo você está mantendo direito?</h5>
<h5>Bom, resposta: &#8220;Não. Eu verifiquei que você esqueceu daquilo tudo, eu também esqueci&#8221;.</h5>
<h5>– Não, eu nunca esqueci! que coisa é essa? Olha aqui, nós precisamos conversar um pouquinho, venha aqui. Olhe, mamãe gostou muito de você. Ela até mandou pedir para você vir de novo jantar aqui que ela gostou muito de sua prosa. Eu passo aí de automóvel por sua casa e pego para vir aqui.</h5>
<h5>O que é que seria mais virtuoso? Era voltar, conversar com o homem, e depois dizer a Nossa Senhora que suportava de novo aque­la martelada no dedo, ou dizer para o homem: &#8220;Olha aqui, eu vou te dizer. Você teve comigo um procedimento porco. Você fez assim, assim, assim, e, portanto, você arranje um outro para ir ter a pancada no dedo, que eu não quero mais. Você tem quatro irmãos, tem ain­da uma série de primos, peça a cada um que aguente um tanto por você, eu não sou seu irmão nem seu primo, por que que eu vou aguentar?&#8221;</h5>
<h5>Qual dos dois procedimento é mais virtuoso? É aguentar de novo, ou é de dar a segunda resposta: fale com seus irmãos e seus primos?</h5>
<h5>Os que acham que a primeira é mais virtuosa levantem o braço.</h5>
<h5>Agora, quais são os que teria muita dificuldade em seguir o primeiro, e uma vontade louca de dizer como o segundo para ele?</h5>
<h5>Bem, os senhores vão me dizer: &#8220;Que relação isso tem com a Semana Santa?&#8221;</h5>
<h5>Pela reação, eu tenho a impressão de que os senhores já percebe­ram inteiramente por onde corre o caso, não é?</h5>
<h5>Quer dizer, esse sofrimento que um dos senhores teria aceito por um conhecido ou por um amigo, pode ser cacete, e ao longo do tempo pode pesar realmente, pode tocar nos nervos, é possível. Mas é insignificante, mas absolutamente insignificante, é ridicu­lamente insignificante, em comparação com o que Nosso Senhor Jesus Cristo sofreu por cada um de nós.</h5>
<h5>E, por outro lado, a van­ta­gem que esse homem teve com o nosso sacrifício, é uma vantagem muito pequena em comparação com a vantagem que Nosso Senhor Jesus Cristo nos deu sofrendo tudo quanto sofreu, morrendo na Cruz por nós, e nos redimindo. Não há nenhuma comparação.</h5>
<h5>Porque aquele era um homem doente que passa a ter noites boas. Mas não é um homem tão doente que não andasse na rua, não trabalhasse etc., etc., ele tinha uma saúde meio encrencada como muita gente tem, mas vivia uma vida mais ou menos normal como todo o mundo leva. Então, a vantagem de se sentir livre daquelas dores, era uma real vantagem, mas insignificante em relação ao que Nosso Senhor Jesus Cristo obteve por nós.</h5>
<h5><strong>* As consequências do pecado original</strong></h5>
<h5>O que é que Nosso Senhor Jesus Cristo ob­te­ve por nós? Exa­ta­mente o que é que houve?</h5>
<h5>Houve o seguinte: é que Adão e Eva tendo pecado, eles eram no tempo deles o gênero humano. No Paraíso eles eram o gênero humano, porque homens só tinham no Paraíso Adão e Eva. E quando eles pecaram, não pecaram só Adão e só Eva, pecou o gênero humano. Está claro isso?</h5>
<h5>De maneira que esse pecado sendo de todo gênero humano, embo­ra nós não tenhamos uma culpa moral, não vamos para o inferno por causa disso, entretanto o fato é que nós temos que carregar uma série de sofrimentos, de padecimentos etc., por causa disso. E foi por causa disso que Nosso Senhor fez aquele castigo para Adão e para Eva, expulsou do Paraíso, declarou que eles passavam a ser mortais.</h5>
<h5>Eles tinham um dom de Deus especial por onde eles não morre­riam, e todo gênero humano passou ficar sujeito à morte, passou a ficar sujeito a dores, a tormentos etc., etc. O gênero humano pas­sou a fica sujeito a doenças, às tais indisposições do tal ra­paz imaginário. E ficou com a inteligência limitada, perdeu o do­mí­nio que tinha sobre toda a natureza, hoje os animais não obede­cem ao homem. Desde o tigre mais feroz, ou do leão mais feroz, até o último mosquitinho, pode nos amolar e nos ameaçar como qui­ser, que nós não podemos dominar; podemos, com o mosquito, abanar e ele volta quantas vezes ele quiser, nós não temos domínio.</h5>
<h5>No tempo de antes do pecado não&#8230; Acabou-se! Adão tinha o domínio completo sobre toda a natureza. O trabalho se tornou para nós uma coisa difícil. Com o trabalho o estudo, e outras coisas se tornaram para nós difíceis, quer o trabalho manual, quer o tra­balho intelectual se tornou difícil. Por outro lado, para a mu­lher, a gestação se tornou frequentemente acompanhada de incô­modos de saúde, e o dar à luz o filho passou a ser dolorido, como castigo. E daí para fora uma série de consequências. Mas isso não é nada.</h5>
<h5>É que como o gênero humano pecou, e pecou de um pecado de uma gravidade a bem dizer infinita – eu daqui a pouco vou dizer por que – pecou um pecado com essa gravidade, ficaram fechadas para o homem as portas do Céu. E pelo contrário, o homem padecia nesta terra e ficava com risco fácil de ir para o inferno.</h5>
<h5>Por que ir para o inferno?</h5>
<h5>Porque o homem depois do pecado ficou muito mais inclinado para o mal do que ele era antes do pecado. Antes do pecado nós vemos como Adão foi tentado por Eva, que foi tentada pela serpen­te, que de fato era um instrumento na mão do demônio. Mas a gente vê também que se deu o seguinte fato: que Adão e Eva foram expul­sos do Paraíso etc., mas não é só isso, eles não podiam ir para o Céu, eles ficavam sujeitos ao inferno. E com muita dificuldade para praticar o bem, e os senhores vêem isso logo com Caim e Abel.</h5>
<h5><strong>* Um dos padecimentos de Adão e Eva: ver o primeiro morto do gênero humano, o filho de sua predileção, e a maldição sobre o filho assassino, errante até o fim de seus dias</strong></h5>
<h5>O caso de Caim e Abel eu creio que os senhores todos se lem­bram, eu não vou fazer perguntas aqui, mas eu quero saber se eu perguntasse quem estaria em condições de contar o caso de Caim e Abel aqui, levante o braço. Podiam ser mais numerosos! Devia ser 100%, não é?</h5>
<h5>Adão e Eva tiveram muitos filhos, entre outros Caim e Abel. Abel era o predileto deles, e era muito bem apessoado, muito bom, muito direito, filho muito dedicado etc., etc., e amava a Deus. Caim era, pelo contrário, um homem irascível, de mau gênio, de maus bofes etc., e invejoso.</h5>
<h5>E em certa ocasião, Caim viu Abel oferecer um sacrifício a Deus, tomar frutos, colocar sobre um al­tar – não tinha igrejas naquele tempo, tudo era ao ar livre, mas enfim, era um altarzinho preparado ao ar livre – e tocar fogo na­quilo para destruir aquelas frutas em louvor de Deus. E o fogo tocou naquilo, fez a fumaça subir em linha reta para o Céu.</h5>
<h5>Caim ficou vendo aquilo, e ele tinha armado também um altar. Mas ele tinha posto frutas podres, e a fumaça era feia&#8230; os senhores podem imaginar. Ele se tomou de um ódio de Abel, de uma inveja, e matou Abel.</h5>
<h5>E para os senhores verem o que Adão e Eva so­fre­ram com isso, Adão e Eva nunca tinham visto uma pessoa mor­ta, a primeira vez que Eva viu um morto, e Adão também, foi o filho predileto deles que era&#8230; [<em>exclamações</em>].</h5>
<h5>E era para eles dois tormentos, porque eles nunca tinham visto um assassino. E, en­tão, viram Caim com uma cara péssima que tinha come­ti­do um homicídio. Homicídio é um pecado que clama ao Céu e brada a Deus por vingança. E depois não é só um homicídio qualquer, é um fratricídio, ele matou o irmão dele, não é um qualquer da rua que ele matou, é uma agravante tremenda.</h5>
<h5>Bem, e podem imaginar o choque deles vendo o filho da predi­le­ção morto e vendo um outro filho, horrível, e amaldiçoado por Deus, e que começa a cumprir o castigo que Deus deu a ele. Andar, andar, andar por toda parte sem poder parar. De maneira que de tempos em tempos eles viam Caim meio desvairado passar, talvez, parar, falar um pouquinho com eles e dizer: &#8220;Eu não posso parar, eu tenho que andar, andar, andar sem parar, porque eu matei meu irmão&#8230;&#8221; [&#8230;] [sair] pelo mato. Os senhores podem imaginar a dor disso.</h5>
<h5><strong>* Deus quis salvar o gênero humano, e a própria Segunda Pessoa da Santíssima Trindade veio à terra para salvar-nos</strong></h5>
<h5>Mas Nosso Senhor queria salvar o gênero humano, e para sal­var o gênero humano era preciso que alguém oferecesse a Deus uma reparação do tamanho do pecado que fora cometido, e então Deus na sua bondade infinita resolveu oferecer uma reparação infinita­men­te superior ao pecado cometido. Era a Segunda Pessoa da Santís­si­ma Trindade fazer-se homem, quer dizer, encarnar-se, fazer-se ho­mem, vir à Terra sofrer tudo quanto Nosso Senhor sofreu para que até o fim do mundo ficassem abertas as portas da graça e do Céu para o homem.</h5>
<h5><strong>* Depois de 5 mil anos de espera, o Verbo encarna-se no seio puríssimo de Maria</strong></h5>
<h5>Bem, e com isso passaram-se mais ou menos cinco mil anos, em que aqueles que ficaram fiéis à comunicação de que viria um Sal­va­dor, um Messias, ficaram esperando, esperando, esperando, e em cada geração eles se perguntavam: &#8220;Virá o Messias? Será o filho de um de nós?&#8221; E passaram-se cinco mil anos quando, afinal, numa manhã puríssima, uma Virgem mais pura do que essa manhã, estava rezando. E os senhores conhecem o resto da sublime História.</h5>
<h5>O Anjo era Gabriel, e disse a Ela que Ela era cheia de graça, quer dizer, perfeita aos olhos de Deus e repleta deste dom sobrenatural que se chama graça. E que por causa disso, Deus ti­nha resolvido que o Messias nascia dEla, e em última análise per­­gun­tava se Ela concordava com isso. E Ela ficou perturbada. Conta o Evangelho que Ela se perguntava qual era o sentido dessa sauda­ção que o Anjo tinha feito a Ela, e aí o Anjo explicou para Ela o que era. E ela concordou em palavras sublimes.</h5>
<h5>Ela disse: &#8220;Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim a vontade dEle. Faça-se em mim, segundo a tua palavra&#8221;. Que era a vontade de Deus. Naquele ato, o Divino Espírito Santo interveio em Nossa Senhora e o Verbo se Encarnou e habitou entre nós.</h5>
<h5>Há uma versão muito bonita que diz – sem que isso seja de fé – que Nossa Senhora estudava, estudava as Escrituras para saber como seria o Messias, porque Ela queria compor – antes de receber a visita do Anjo –, Ela queria compor a fisionomia do Mes­sias como é que seria. E à força de compor como seria, Ela acertou, e quando Ela compôs o último traço, o Anjo apareceu. Mas havia uma diferença entre o que Ela esperava e o que se pas­sou. Ela naquela adoração pelo Messias que viria, Ela queria ser a servidora da Mãe do Messias, quando veio o Anjo e disse que Ela seria Mãe do Messias.</h5>
<h5><strong>* Nosso Senhor em todos os dias de sua vida tinha em vista o sofrimento atroz pelo qual passaria por causa dos homens e para salvar os homens</strong></h5>
<h5>Mas os senhores devem notar que em todo presépio bem feito, o Menino Jesus aparece sorrindo, afável, como uma criança que es­tá encantada em ver sua Mãe – que Mãe! Bem, pode-se imaginar o encantamento dEla em ver que Filho! Com &#8220;F&#8221; maiúsculo – que coisa incomparável! –, mas com os braços abertos, Ele: Era o formato da Cruz&#8230;</h5>
<h5>Quer dizer, Ele vinha à Terra já ciente de que Ele viria pa­ra sofrer o sofrimento da Cruz. E querendo sofrer esse sofri­men­to da Cruz com tudo quanto Ele que era profeta sabia que haveria de acontecer. Nosso Senhor Jesus Cristo foi o Profeta perfeito, o ápice dos profetas. Porque ele não só previa o que acontecia, mas Ele fazia o que previa.</h5>
<h5>Então, Ele sabia tudo que ia sofrer e em todos os dias de sua vida Ele sabia, Ele via, Ele tinha em vista esse sofrimento atroz que Ele ia receber por causa dos homens e para salvar os homens. Até há composições muito bonitas – São José era car­pin­teiro – que representam o Menino Jesus, já adolescentezinho tra­balhando com o pai na serraria. Em certo momento como quem pega duas madeiras, dois pedaços de madeira assim, e compõe o formato da Cruz. Sozinho, olhando para a Cruz.</h5>
<h5>Outras composições também muito bonitas que mostram Nossa Se­­nhora na casa de Nazaré, olhando assim por uma porta entreaberta, e olhando para a sala vizinha Nosso Senhor Jesus Cristo rezando com os braços abertos em Cruz. Já compreendendo que vi­ria, e pré-sofrendo em relação ao que viria.</h5>
<h5><strong>* Nosso Senhor começa sua vida pública, onde suscita entusiasmos e ódios</strong></h5>
<h5>E afinal de contas, depois dos trintas anos de vida privada, vida particular que Ele passou na oração, no recolhimento junto com São José e Nossa Senho­ra, depois de ter passado pela morte de S. José que é o patro­­no da boa morte, porque é certo que Ele mor­reu tendo Nosso Se­nhor Jesus Cristo alentando a ele para a morte, e Nossa Senhora tam­bém. E, portanto, não se pode ter melhor morte do que ele teve.</h5>
<h5>Então, depois de ter passado tudo isso, um dia Ele se despe­de de Nossa Senhora e Ela compreende que Ele vai para a sua vida pública. Não é mais a vida do lar, mas é a vida do mundo, e que Ele vai começar a pregar, Ele vai começar a fazer milagres, Ele vai começar a converter pessoas, Ele vai começar a suscitar um entusiasmo e uma veneração sem nome, de que os senhores têm sinal com o Domingo de Ramos.</h5>
<h5>Mas também Ele vai começar a suscitar o ó­dio, a inveja. E os Evangelhos contam que Nosso Senhor Jesus Cris­to no dia em que Ele ressuscitou Lázaro, tinha uns fariseus e uns canalhas juntos, e viram ressuscitar Lázaro, eles viram a Nos­so Senhor chegando ao sepulcro de Lázaro e chorando pela morte de Lázaro. E depois dá ordem: &#8220;Lázaro, saia fora!&#8221; E Lázaro se le­vantar de dentro da sepultura, provavelmente ainda todo enfai­xa­do com as tiras com que os judeus envolviam os mortos, e desfa­zer-se daquilo tudo, e estava curado.</h5>
<h5>Vejam a coisa fantástica. Lázaro a quem Ele ressuscitava, todo o mundo que estava lá presente viu, e viu que ele estava res­suscitado, ele estava, diz o Evangelho, há três dias na se­pul­tura. Já devia – porque dizia uma das irmãs dele – ele já devia estar apodrecido. Nosso Senhor mandou sair, ele ficou perfeito.</h5>
<h5>Os senhores podem calcular a alegria sem nome das irmãs, po­dem calcular também o entusiasmo dos que seguiam a Nosso Senhor, mas o ódio dos que tinham ódio de Nosso Senhor.</h5>
<h5>Ódio por quê? Por­que Ele era bom. Ódio porque Ele era santo. Ódio porque Ele pre­gava a virtude, e os maus odeiam o bem, odeiam a virtude, e odeiam quem faz milagres para propagar o bem e a virtude.</h5>
<h5>Resultado: combinaram entre si de matá-lo. É a primeira vez que se fala no Evangelho de matar a Nosso Senhor é nessa ocasião. O que quer dizer muito como são as coisas&#8230;</h5>
<h5><strong>* Nosso Senhor celebra a Páscoa e chora sobre Jerusalém</strong></h5>
<h5>Afinal chega o momento. Era Páscoa, Nosso Senhor está com os seus no Cenáculo, celebram a Páscoa também, Ele institui a Sagra­da Eucaristia, Ele depois vai com seus apóstolos cantando, como era o costume, para um lugar onde pudessem fazer oração, Ele vai assim ao Horto das Oliveiras, depois de ter passado por um lugar por onde viam de longe o templo de Jerusalém e de ter chorado so­bre Jerusalém.</h5>
<h5>Ele, que era Profeta, que era Deus, Ele sabia per­fei­tamente o que ia acontecer, e chorou, dizendo que aquele tem­plo ia ser destruído, que viria castigo&#8230; E tem uma comparação linda: quantas e quantas vezes Ele procurou reunir a população de Jerusalém em torno dEle como a galinha reúne os pintainhos. En­tre­tanto eles não quiseram. Viria o castigo.</h5>
<h5><strong>* Veio a Paixão, cujo lance mais pungente é o encontro com Nossa Senhora</strong></h5>
<h5>Veio depois todo o resto que os senhores sabem: a Paixão dE­le, inenarrável, não se pode quase dizer qual é o lance mais do­lo­roso da Paixão dEle&#8230;</h5>
<h5>A meu ver o mais doloroso foi quando Ele se encontrou com Nossa Senhora, porque Ele viu Nossa Senhora sofrer tudo quanto se pode imaginar que um coração de Mãe pode so­frer vendo naquela situação, no meio daquela canalha vil etc., etc., e sabendo Ela também que Ele estava sendo conduzido para a morte. E indo Ela com Ele, fidelíssima, até à Cruz e ficando em­baixo da Cruz até o momento dEle morrer.</h5>
<h5>No alto da Cruz ainda, quando os estertores das piores dores os atormentavam Ele ainda fez um ato boníssimo, Ele converteu o bom ladrão, e depois disse ao bom Ladrão: <em>Hodie eris mecum in paradisum</em> – &#8220;tu estarás comigo hoje no Paraíso&#8221;. É a primeira canonização. O bom ladrão chamava-se Dimas, a Igreja o saúda como São Dimas. Era um ladrão de es­tra­da, um bandido, mas abria-se a era da misericórdia.</h5>
<h5><strong>* Os últimos e terríveis sofrimentos no alto da Cruz e o prêmio inigualável para o apóstolo São João, que recebeu Nossa Senhora como Mãe</strong></h5>
<h5>Bem, e os médicos recentes estudaram – eu acho que já falei disso aqui –, os médicos estudaram o que é que Ele devia sofrer na Cruz, e Ele estava com um prego aqui, na palma da mão, outro na outra palma da mão e parece que Ele não tinha uma tábuazinha embaixo como tem nos crucifixos em geral, não tinha: Ele estava com os pés presos com um cravo que atravessava, eu não me lembro bem, se os dois pés ou os dois tornozelos, e metia, entrava no próprio madeiro da Cruz.</h5>
<h5>De maneira que Ele estava perdendo sangue em quantidade – os senhores podem imaginar – já tinha perdido muito, e quan­do Ele tinha falta de ar, às vezes para respirar melhor Ele se apoia­va sobre as mãos sagradas dEle – as mãos que tinham abençoado e curado, e ajudado a fazer a pregação etc. –, Ele se apoiava nas mãos para sentir um pouco menos de dor nos pés, e os pregos come­çavam a rasgar ainda mais a mão. Depois Ele sentia aquela dor e se apoiava no tornozelo; e a dor das mãos diminuía um pouco, mas a do tornozelo aumentava, e a falta de ar cada vez maior.</h5>
<h5>Foi nes­se tormento medonho que Ele ainda disse a Nossa Senhora: &#8220;Mãe, eis aí o teu filho!&#8221; E apontou São João Evangelista. E disse de­pois: &#8220;Filho, eis aí a tua Mãe&#8221;.</h5>
<h5>Entrava também um perdão enorme, porque São João Evangelista tinha fugido no Horto da Oliveiras. Se­­gundo parece, ele fugiu nu. Naquele tempo usavam uns panos, eles se embrulhavam, e os algozes que prenderam Nosso Senhor pare­ce que quiseram prender os apóstolos, e um deles quis deitar a mão em São João, e São João deixou os panos na mão dele e fugiu nu.</h5>
<h5>Bem, o fato é que São João, a partir daquele momento passou a ser especialmente filho de Nossa Senhora. Ele era parente muito chegado de Nossa Senhora, porque a mãe dele era prima muito che­ga­da de Nossa Senhora. Mas isso não é um filho, o filho foi quan­do Nosso Senhor disse: &#8220;Filho, eis aí a tua Mãe&#8221;. O fujão de al­gu­mas horas antes, passava a receber o maior prêmio que o homem po­de imaginar.</h5>
<h5>E Nosso Senhor no auge das dores, teve aquela ex­cla­mação: &#8220;Meu Pai, meu Pai, por que me abandonaste?&#8221; Ele sabia que não estava abandonado, mas era uma expressão, uma exclamação pelo auge que Ele sofria. Quer dizer, o seu sofrimento tinha che­gado ao total.</h5>
<h5>Aí Ele exalou o espírito, a alma saiu do corpo e inclinou a cabeça, estava tudo pronto.</h5>
<h5><strong>* No alto da Cruz Nosso Senhor tinha presente cada um dos atos que hoje praticamos</strong></h5>
<h5>Mas no alto da Cruz, Ele que tinha a ciência de tudo, porque era o homem Deus, Ele conheceu todos os homens que viriam, co­nhe­ceu a cada um dos senhores, ao Pe. Gervásio, a mim, a cada um dos senhores, Ele conheceu individualmente, Ele tinha ciência de todo presente, passado, futuro, sempre. Mas no alto da Cruz Ele teve em vista, e teve em vista todos os pecados que cometemos, como também todos os atos de virtude. E teve em vista esta noite, e te­ve em vista o que eu estou falando e que os senhores estão ouvin­do. E Ele ofereceu os sofrimentos e a vida dEle por cada um de nós individualmente.</h5>
<h5><strong>* Nosso Senhor livrou-nos do inferno e abriu-nos as portas do Céu. Qual é nossa atitude para com Ele?</strong></h5>
<h5>Agora, que papel nós fazemos com Ele? Vamos comparar com o tal negócio dos dois amigos que eu falei no começo.</h5>
<h5>Quer dizer, Ele nos salvou do inferno, Ele levará nossas almas para o Céu, Ele abriu o Céu para nossas almas; passaremos ou [não] passaremos. Continuamente estamos recebendo graças, Ele está vindo ao nosso coração por meio da Sagrada Comunhão, a Mãe dE­le está rezando o tempo inteiro no Céu por nós como nossa Advoga­da, e a misericórdia dEle está continuamente baixando sobre nós.</h5>
<h5>O que é que nós fazemos? Eu vi que os senhores ficaram – e é explicável – muito implicados com o rapaz que esqueceu do sofri­mento que o outro estava tendo, mas que papel nós fazemos em relação a Ele? Está clara a comparação?</h5>
<h5>E cada vez que nós peca­mos, como seria bom que nos lembrássemos disso, para, na hora do perigo e do pecado, nós lembrarmos disso e dizer:</h5>
<h5>&#8220;Maria, Mãe de Misericórdia, dai-me forças; eu não pecarei porque eu ouvi isto, aquilo, aquilo outro&#8221;.</h5>
<h5><strong>* Que o problema central de nossa vida seja de praticar cada vez mais atos de virtude, sermos cada vez mais imitadores de Jesus Cristo, cada vez mais calcando aos pés o demônio</strong></h5>
<h5>Se acontecer de pecarmos, nós nos arrependermos imedia­ta­men­te e por meio de Maria Santíssima pedir a Ele que nos perdoe. Se é um pecado mortal, irmos imediatamente à confissão para que a mancha repugnante, horrível do pecado mortal se apague de nossas almas e que nós voltemos à graça de Deus. E que desta maneira o problema central de nossa vida seja de praticar cada vez mais atos de virtude, sermos cada vez mais imitadores de Nosso Senhor Jesus Cristo pelas graças de Maria; e por outro lado, cada vez mais calcando aos pés o demônio, recusando as solicitações para o pecado que ele nos faz, e, pelo contrário, insistindo: &#8220;Não peca­rei, <em>in eterno nom pecabo</em>, eternamente eu não vou mais pecar&#8221;.</h5>
<h5>Para que tudo isto daqui a dez minutos não esteja apagado da alma dos senhores – os senhores se lembram do beneficiado como se esqueceu logo do benefício que recebeu –, para que isto não este­ja apagado da alma dos senhores, é preciso que os senhores rezem já para isto, para pedir a Nossa Senhora que Ela não permita que isso se apague da alma dos senhores, mas que, pelo contrário, Ela lhes dê as graças necessárias e superabundantes para os senhores não pecarem mais, e assim a vida dos senhores transcorrer na con­tínua amizade de Deus e de Nossa Senhora, até o momento bem-aven­tu­rado em que os senhores também entregarem a sua alma a Deus e subirem para o Céu.</h5>
<h5>É uma introdução a esses dias de meditação. Pensem nisso e que Nossa Senhora os ajude.</h5>
<h5><strong>* A leitura que o Sr. Dr. Plinio fez dos Exercícios Espirituais, para radicalizar-se em relação ao mundo e em relação a Deus</strong></h5>
<h5>Há uns exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola comen­tados por um comentador de que muitas pessoas não gostam, eu gosto muito desse comentador, o Pe. Pinamonte, que tem uma série de casos e até, aliás, no fim tem fatinhos saborosos e tem a teoria, depois tem uma aplicação com a vida dos santos etc., e de­pois tem alguns fatos mais diversos.</h5>
<h5>E quando eu tinha mais ou me­nos uns 18 anos, assim, 19, eu em vista de uma série de cir­cuns­tâncias – graças a Nossa Senhora eu vivia na graça de Deus – mas eu entendi que eu deveria, para não sair deste bom cami­nho, me consagrar muito mais, que assim só como estava a coisa não ia para frente, as pressões do século, do mundo, etc., eram e­normes e ou eu tomava uma atitude muito mais categórica contra o mundo, de um lado, e de outro lado muito mais categórica em rela­ção a Deus e a Nossa Senhora, entregando-me a Eles mais, ou isso não ia para frente. E resolvi ler nessa ocasião os Exercícios Es­pi­rituais.</h5>
<h5>E li, e gostei enormissimamente! Nem sei dizer quanto eu gostei. Mas li uma meditação que era mais ou menos do gênero desta que eu fiz aos senhores, e me fez um bem enorme, e me aju­dou a tomar as boas resoluções que eu tomei naquele tempo. Con­tei-as aos senhores com o propósito de que com a graça de Nossa Senhora fazer aos senhores o mesmo bem.</h5>
<h5>Não sei se o padre Gervásio, cujas palavras têm o dom e as graças especiais das palavras do sacerdote, queria acrescentar alguma coisa a isso?</h5>
<h5>(Pe. Gervásio: Está perfeito.)</h5>
<h5>Então vamos pedir ao padre Gervásio o favor de rezar e vamos andando.</h5>
<h5>Salve Regina&#8230;</h5>
<p>L'articolo <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/meditacoes-para-a-quaresma-a-semana-santa-e-a-parabola-dos-dois-amigos-se-voce-e-um-egoista-supino-que-so-pensa-em-si/">Meditações para a Quaresma, a Semana Santa e a parábola dos dois amigos &#8211; Se Você é um egoísta supino que só pensa em si&#8230;</a> proviene da <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info">Plinio Correa de Oliveira</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A festa da Anunciação e a vida da Sagrada Família. A grande glória não consiste em não ser derrotado, mas em lutar pelo Bem, ou seja por Deus, pela Igreja Católica</title>
		<link>https://www.pliniocorreadeoliveira.info/a-festa-da-anunciacao-e-a-vida-da-sagrada-familia-a-grande-gloria-nao-consiste-em-nao-ser-derrotado-mas-em-lutar-pelo-bem-ou-seja-por-deus-pela-igreja-catolica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Nestor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Mar 2026 15:57:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Multimédia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.pliniocorreadeoliveira.info/?p=32147</guid>

					<description><![CDATA[<p>Jantar no Eremo do Amparo de Nossa Senhora, 25 de março de 1987 &#160; A D V E R T Ê N C I A O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não [&#8230;]</p>
<p>L'articolo <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/a-festa-da-anunciacao-e-a-vida-da-sagrada-familia-a-grande-gloria-nao-consiste-em-nao-ser-derrotado-mas-em-lutar-pelo-bem-ou-seja-por-deus-pela-igreja-catolica/">A festa da Anunciação e a vida da Sagrada Família. A grande glória não consiste em não ser derrotado, mas em lutar pelo Bem, ou seja por Deus, pela Igreja Católica</a> proviene da <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info">Plinio Correa de Oliveira</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><strong>Jantar no Eremo do Amparo de Nossa Senhora, 25 de março de 1987 </strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>A D V E R T Ê N C I A</strong></p>
<p style="text-align: center;">O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.</p>
<p style="text-align: center;">Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:</p>
<p style="text-align: center;"><strong>“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.</strong></p>
<p style="text-align: center;">As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro “<a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/livrosnew"><strong>Revolução e Contra-Revolução</strong></a>“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de <a href="https://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0892/p01.html"><strong>“Catolicismo”</strong>,</a> em abril de 1959.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><iframe title="Anunciação, a vida da Sagrada Família: a glória não consiste em não ser derrotado mas lutar pelo Bem" width="800" height="450" src="https://www.youtube.com/embed/KBErIb6hCE0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<h5>Meus caros, eu não poderia gostar mais da surpresa que acabo de ter do que gostei agora. E – não à margem dessa festa, também não à margem dessa data, porque diz respeito à festa e a festa diz respeito à data – eu vejo aqui realizada uma observação que eu tenho tido ocasião de fazer várias vezes na vida, e que é muito importante para o bom calibramento do nosso pensamento sobre vários pontos discutíveis em matéria de Revolução e Contra-Revolução.</h5>
<h5>No linguajar comum das pessoas de hoje, certos conceitos como o de esplendor, pompa, glória, se confundem mais ou menos, ou são pelo menos muito vizinhos do conceito de riqueza. Onde há riqueza aparece o esplendor, a pompa e a glória; onde não há riqueza, o esplendor, a pompa e a glória são impossíveis. De onde então a pobreza é incompatível com a pompa. E a glória se reduz a uma questão de preço: com muito dinheiro, muita glória; com pouco dinheiro, pouca glória. E se até a glória é uma função do dinheiro, então não se sabe verdadeiramente o que resta do mundo!</h5>
<h5>Nós fizemos uma reunião agora, uma cerimônia, quão modesta! Não é possível ser mais modesto algo do que essa sala de jantar. Ela tem apenas para si a grandeza das coisas que não são muito pobres: ela tem espaço! Se ela não fosse, se os que a construíram fossem mais pobres ainda, ela não teria nem espaço, ela seria um &#8220;cochicholo&#8221;. Mas o mínimo do bem-estar que se compreende mesmo numa pobreza que não se confunda com a miséria, é a capacidade de fazer uma coisa espaçosa.</h5>
<h5>Bem, vê-se uma abundância de espaço, uma sobra de espaço. Essa sala acabou se transformando menos numa sala de jantar do que numa sala do tipo das que existem nos Fóruns, nos Palácios de Justiça, chamada &#8220;sala dos passos perdidos&#8221; onde as pessoas andam de um lado para outro, sós, ou num grupo de dois, três, confabulando ou apenas conversando. E assim enchendo os espaços e enchendo o tempo.</h5>
<h5>Assim também eu tenho notado que essa sala aqui serve para alguma coisa desse gênero. Vejo grupinhos andando de um lado para outro, vejo gente que tem gosto em atravessar esse espaço grande para ir para um outro lado&#8230; são incontáveis filhos vestidos com o belo, pomposo, glorioso, mas nada custoso Hábito de Eremita, nas suas várias variantes. Vejo outros que estão cobertos com os andrajos do século XX, autenticamente andrajos, até mesmo quando são caros&#8230; Mas não é o caso de nenhuma das roupas que eu estou vendo aqui.</h5>
<h5>E nessas condições os senhores fizeram uma cerimônia de incontestável pompa, de incontestável grandeza, e que lembrava com dignidade, a ponto de impressionar, a Festa da Anunciação! Mais do que a Festa da Anunciação, o episódio da Anunciação!</h5>
<h5>O que é isso? Umas velas que se acendem, umas luzes que se apagam; dois jovens que leem, mais ou menos em alternativa, trechos do Evangelho, bem lido, com bonito fundo musical. Qual é a beleza que estava nisso? É a beleza das almas, da Fé, da compenetração, da certeza de que aquilo aconteceu, e de uma espécie de arrepio interior diante da grandeza do que aconteceu.</h5>
<h5>Aconteceu onde? Numa casa de pobres! Onde havia o quê? Um casal! E um casal de esposos que apresentavam uma peculiaridade, mas uma peculiaridade que não custa dinheiro. Nossa Senhora faz entender ali que Ela não tinha tido relação nenhuma com São José. O Evangelho diz que já estavam casados, e ele era esposo dEla. E Ela era castíssima! Está afirmado claro. Não está dito assim: &#8220;Nossa relação&#8230;&#8221; Mas está dito com a discrição, a dignidade, mas a clareza que convém à Boa Nova do Evangelho.</h5>
<h5>Apenas há uma circunstância: que esse lugar sem dinheiro, prometido a um Menino que ia nascer, é prometido a esse Menino que Ele reinaria no trono de seu pai David; e é prometido um Império sobre a Terra inteira durante todos os séculos.</h5>
<h5>Para Nossa Senhora que interrogação! Outra interrogação Ela formulou: &#8220;Se Eu não conheço varão, como pode fazer-se isso?&#8221; Quer dizer: &#8220;Eu não conheço e não conhecerei!&#8221; Porque se o caminho estava aberto para Ela conceber um filho pelas vias normais, à vista de um império que vem de Deus, Ela poderia dizer: &#8220;Bem, meus propósitos de virgindade, os propósitos de virgindade de meu esposo estão superados. Vem uma ordem de um Anjo, então não há mistério, nós vamos praticar o ato conjugal&#8221;.</h5>
<h5>Não, não será isto! Como então poderá ser? Não sei se eu torno claro a beleza do lance. O que teria acontecido? Ela teria tido uma revelação que pedia a Ela que ficasse sempre Virgem? Ou Ela teria sentido o convite para a virgindade perpétua tão fundo na alma que Ela não tinha a menor dúvida de que vinha de Deus, de tal maneira que até do Anjo que lhe mandava um recado da parte de Deus, de que Ela conceberia etc., etc. Ela pergunta como será, como quem diz: &#8220;Deus não se contradiz, e Eu tenho dEle a afirmação de que Eu permanecerei sempre Virgem!&#8221;</h5>
<h5>Não está dito assim, mas é isto que está lá, com uma clareza indiscutível. E aí vem a afirmação dEla:  &#8220;Eu sei que para conciliar estas atitudes contraditórias de Deus virá uma maravilha porque Deus não se contradiz. Eu não sei qual é. Vou caminhar lentamente nessa direção&#8221;.</h5>
<h5>O Anjo tem também uma resposta curiosa. Ela pergunta, o Evangelho diz que Ela cogitava qual seria essa saudação. Eu não pretendo ser um exegeta, já disse isso cem vezes. E se os exegetas dizem outra coisa, eu penso como eles e não como eu. Mas apresentando o texto para ser meditado assim sem maiores pretensões exegéticas e sujeito a estas correções, a gente poderia dizer o seguinte: que Nossa Senhora ao dizer que cogitava qual seria essa saudação, o que quer dizer exatamente &#8220;cogitava qual seria&#8221;? Ela cogitava quem seria esse Anjo e se vinha realmente da parte de Deus?</h5>
<h5>Não. Porque a gente vê que Ela o tratou e tomou tudo dele como inteiramente vindo de Deus. Mas era o mistério que havia nessa saudação porque como explicar que o filho dEla e de São José tivesse todo esse poder? Ela sabia que Ela era descendente de David, e que, portanto, o filho que nascesse dEla e não de José, não de nenhum homem, esse filho seria, portanto, descendente de David. Bem, Ela sabia que São José era descendente de David. Então esse filho legalmente seria descendente de David, e naturalmente teria a carne e o sangue de David. Há uma bonita expressão que usam os teólogos: <em>&#8220;Caro Christi, caro Mariae&#8221;</em> a carne de Cristo é a carne de Maria! Entrou só Ela como fator humano dessa geração.</h5>
<h5>Bom, tem-se a impressão de que Ela perguntava notadamente o que era esse &#8220;subir ao trono de David&#8221;, o que era esse reino que assim era dado. Seria o Messias? O Messias cuja vinda Ela tanto ansiava? Mas então a longa espera dEla se realizava muito além de tudo quanto Ela tinha cogitado? Seria mais ou menos como uma pessoa que em atitude de piedade está olhando para a Lua numa bonita noite de luar, de Lua cheia, e de repente vem um Anjo e lhe oferece: &#8220;Quer ir para a Lua? Deus quer que vás&#8221;. E Ela que estava pensando como seria bonito ir para a Lua, diante daquele convite tem uma surpresa&#8230; &#8220;E cogitava qual seria essa saudação&#8221;.</h5>
<h5>Quer dizer, o que essa saudação continha. Resposta do Anjo é uma coisa curiosa, começa assim: &#8220;Não temas, ó Maria!&#8221; Quer dizer, Ela tinha um certo temor. Agora, como é que Ela, concebida sem pecado original, e sem pecado&#8230; nunca tendo tido a menor imperfeição moral, nunca teve, como é que Ela poderia ter medo do Anjo? Medo do quê? Por quê?</h5>
<h5>A presença de um Anjo, mas sobretudo a presença de um Arcanjo&#8230; põe a criatura humana na presença de um ser de uma tal densidade que assusta! Houve Anjos que aparecendo a homens, os homens os tomaram por Deus. Notem bem: Não por deuses, mas por Deus. E Ela naturalmente sentiu essa presença angélica impressionante! E com uma comunicação tão impressionante, Ela tinha temor. Na humildade dEla pode-se bem imaginar que Ela tivesse temor de não dar cabo da missão tão alta que lhe era dada. Mas vem a explicação: &#8220;Tu encontrastes graça diante de Deus, etc., etc.&#8221;. Então a tranquilidade e a paz!</h5>
<h5>Parece que a maior parte dos intérpretes afirma que naquele momento em que Ela disse: <em>&#8220;Ecce ancilla Domini&#8221;</em>, o Espírito Santo concebeu dentro dEla Nosso Senhor. Ali, naquele ato! E daquele diálogo que para ser lindo simplesmente é tão simples, daquele diálogo nasceu, teve como consequência aquele diálogo a Encarnação do Verbo!</h5>
<h5></h5>
<h5>Bom, vamos um pouco adiante. Nossa Senhora guardou essas promessas no interior da alma dEla. E ao ver o Menino Jesus, segundo expressões do próprio Evangelho – aliás, expressões lindíssimas! Toda criatura é um pedaço de carvão escuro em comparação com&#8230; o Menino Jesus crescia em graça e santidade, diante de Deus e dos homens. Ela naturalmente pensava na missão do Menino Jesus. E sabendo que Ele era Deus, humanado, mas Deus, Ela achava explicável que Ele tivesse os êxitos mais retumbantes, mais extraordinários. Sem ambição, mas desejando para a glória de Deus.</h5>
<h5>Ela via Deus ultrajado em toda a Terra. Era uma das razões pelas quais Ela desejava que o Messias viesse logo, é para fazer cessar esses ultrajes contra Deus. Ela via isso, e Ela tinha um desejo ardente de que a salvação se desse logo! Com certeza quando o Menino foi assim ficando mocinho, se é que Ela não recebeu alguma inspiração em sentido contrário, Ela estava julgando que certo momento Ele sairia da casa paterna e começaria a Missão dEle.</h5>
<h5>Não! Durante trinta anos apenas lidando com Ela! E tendo&#8230; São José morreu. Os senhores sabem que São José morreu antes de Nosso Senhor começar sua vida pública, é o que tudo indica. E que Nossa Senhora e Nosso Senhor estavam presentes na cabeceira dEle. É a razão pela qual Ele é o padroeiro da boa morte. Porque se ele não teve boa morte, então é de desanimar! Como nós gostaríamos de assistir a morte dEle! Um leito pobre, Nossa Senhora sentada de um lado, Nosso Senhor de outro lado, não se sabe com que idade, de outro lado. Naturalmente a atenção dos dois voltada para o Menino Jesus. E o Menino Jesus falando&#8230; Nossa Senhora servindo, também orando por Ele, dizendo alguma coisa&#8230; Que revoada de Anjos! Ele saberia certamente que Ele não ia para o Céu, ia para o Limbo.</h5>
<h5>Uma pergunta, ele terá feito a Nosso Senhor? &#8220;Meu Deus e meu Filho: quando ireis libertar-me no Limbo? Até lá não me será dado vir à Terra, e acompanhar um pouco o que fazeis?&#8221; Não se sabe que perguntas ele fez, não se sabe que respostas Ele deu&#8230;</h5>
<h5>Não me espanta que em uma ou outra vez Nosso Senhor tenha dado a Ele respostas do gênero dessa: &#8220;Bem sabeis meu Pai que, segundo o inflexível decreto de Deus, todos os homens que vão para o Limbo não verão a Deus e portanto também não me verão, enquanto eu não fizer o meu holocausto! Quando será esse holocausto? É um segredo que eu ainda não tenho missão de revelar a homem nenhum&#8221;.</h5>
<h5>A resposta penalizaria um pouco São José, e Nossa Senhora olharia para Jesus&#8230;</h5>
<h5>Nosso Senhor então deu alguma resposta a ele. E deixou-o tranquilo. Em certo momento as sombras da morte foram se aproximando. E Ele foi notando que aquele convívio que era para Ele até certo ponto um Céu, ia cessar. Mas de outro lado Ele sabia que lhe aguardava uma gratíssima missão: chegando ao Limbo, anunciar que o Messias se tinha encarnado! Que era o próprio Verbo de Deus Encarnado, filho de Maria. E provavelmente só com a menção dos Nomes de Jesus e de Maria, o Limbo inteiro se iluminou!</h5>
<h5>Bem, como terá sido o enterro de São José? Onde terá sido o enterro de São José? Restará alguma coisa do corpo dEle? Quem sabe se não deteriorado pela morte? Que maravilha deve ter sido presenciar a entrada de São José no Céu! Que maravilha também assistir, os homens que vão estar vivos no fim do mundo vão ver isso, a ressurreição de São José! São maravilhas umas superpostas às outras&#8230; <em>Mons super montes positum</em>, &#8220;um monte colocado sobre outros montes&#8221;. Esse era o homem escolhido para ser o esposo de Nossa Senhora.</h5>
<h5>Bem, Nossa Senhora com certeza pensaria: quando é que Ele vai? Quando é que Ele começa? Quando vai cessar esse convívio aqui? Com quem eu vou ficar? Que notícias terei dEle? Quando vai começar o reino dEle? Eu assistirei a implantação desse reino na Terra ou já no Céu?</h5>
<h5>O que está anunciado é tudo quanto há de mais magnífico. Mas isso anunciou o Anjo. Inúmeras vezes conversando com Ele, a sua fisionomia foi se tornando mais tristonha. E na medida em que a tristeza pode ser comparada com uma sombra, foi se tornando mais sombria. E Ele me tem falado de um imenso sacrifício que está a cargo dEle fazer. Esse sacrifício eu sei qual é, eu sei que é a morte, é a morte da Cruz, porque eu estudei os Profetas, eu estudei a antiga Lei, e entendi o que Ele me disse. Eu fico entre esse esplendor e esse fracasso tenebroso. Qual será o futuro?</h5>
<h5>Passa um dia, dois dias, cinco dias, trezentos e sessenta e cinco dias, trinta vezes trezentos e sessenta e cinco dias! Ele em casa, adornando a alma dEla cada vez mais com maravilhas! A alma dEla já tão maravilhosa, adornando com maravilhas cada vez mais. Quem sabe se Ela ousaria dizer a Ele, Ela às vezes pensava: &#8220;Senhor eu vos agradeço tanta coisa que fazeis por mim. Meu Filho dileto, eu não tenho palavras para agradecer. Mas afinal, pensai no gênero humano, pensai nisso: trinta anos de mistério&#8221;.</h5>
<h5>Um dia – estou imaginando – Ele se aproxima dEla, com uma veneração e um carinho ainda maiores. Ela que o conhecia tão a fundo, talvez não imaginasse que tanto carinho era possível. Não imaginasse também que o próprio Deus humano pudesse tratá-la com tanto respeito; envolvendo-A com um olhar como Ele nunca olhou a ninguém, teria dito: &#8220;Minha Mãe, chegou o dia!&#8221;</h5>
<h5>Ele teria dito isto com um sorriso cheio de saudades, mas com umas saudades antecipadas cheias de sorriso: era a glória dEle que ia começar, era a tarefa dEle que ia então começar. Era também a hora dEle que ia chegar. Ele sabia que essencialmente Ele ia de caminho à Cruz. Mas no caminho da Cruz Ele recrutaria os Apóstolos, recrutaria os discípulos, recrutaria todos os elementos da Igreja nascente. Poria em xeque-mate o povo infiel, e levaria a definir-se o ingrato povo de Israel. Fundaria a Igreja, instituiria os Sacramentos, pregaria durante esses três anos toda a doutrina, praticaria milagres que haveriam de impressionar e exercer um efeito persuasivo no mundo inteiro, e depois iria morrer.</h5>
<h5>O que é que eles terão dito nessa despedida? Como foi essa despedida? Foi uma surpresa e durou um minuto, ou Ele avisou com um mês de antecedência? E a Nossa Senhora esse mês pareceu um minuto, porque Ela quisera uma despedida muito mais lenta? Como é que se pode saber isso?</h5>
<h5>São maravilhas de que nós teremos revelação quando estivermos no Céu. Então cada um de nós saberá de tudo isso, e não terá palavras para manifestar a sua veneração, sua adoração, sua gratidão por tudo quanto souberam.</h5>
<h5>Eu imagino que no Céu nós conheceremos tudo da vida de Nosso Senhor, da vida terrena dEle. Até os minutos na aparência mais insignificantes. Não caberemos em nós de alegria ao cantarmos as glórias de Deus por causa disso, e as glórias dEla. De qualquer forma, as coisas andam. Nossa Senhora é procurada pelas Santas Mulheres, em determinado momento, se incorpora nelas, tem nelas uma família natural, em cujas mãos Nosso Senhor A deixa. Ela tem dois como que sobrinhos, seguindo a Nosso Senhor, São Tiago e São João, filhos de uma prima-irmã dEla. Ela tem, Ela guarda na alma enlevada e quente a recordação de um outro parente, São João Batista&#8230; Santa Isabel, Zacarias. Sobretudo Ela guarda a recordação dos pais dEla, São Joaquim e Santa Ana.</h5>
<h5>Tudo isso Ela guarda na alma, mas por cima de tudo e acima de tudo, Ele.</h5>
<h5>Essas são as cogitações que nós imaginamos! Mas os senhores querem ver como tudo isso é pequeno? Parece tão grande que nós ficamos abismados. Os senhores querem ver como isso é pequeno? Ela era Esposa do Divino Espírito Santo. Que graças do Divino Espírito Santo dava a Ela para conhecer todas essas coisas, para meditar, para excogitar! Que perguntas Ela fazia a Ele?!</h5>
<h5>&#8220;Meu Rei, meu Senhor e meu Esposo! Eu vos pergunto tal coisa, tal outra coisa, tal outra coisa&#8221;. E Ele por meio de iluminações magníficas fazendo ver. Quem sabe se Ela teve com Ele &#8220;combates&#8221; à maneira de Jacob com o Anjo? Até conhecer mais tal dado, tal outro etc. Não levada por uma curiosidade vã, mas porque era do desejo de Deus que Ela acabasse obtendo do Divino Espírito Santo o conhecimento daquilo. Todo o relacionamento de Nossa Senhora com o Esposo dEla, esposo São José, esposo legal, é tão bonito, tão tocante. O que será com o Divino Espírito Santo?</h5>
<h5>Por exemplo, no momento da Encarnação, Ele se tornou Esposo dEla. Todo esposo, no ato dos desponsórios dá à esposa um presente magnífico. Tão magnífico quanto ele pode. Qual é o presente que pode dar o Divino Espírito Santo? Que graças? Que esplendores? Não se pode ter uma ideia disso, não se pode ter uma ideia disso. É impossível! <em>[Vira a fita]</em></h5>
<h5>&#8230; Ela de vez em quando vê Nosso Senhor, que parece que no primeiro momento a promessa da glória se realiza. Ele começa seu giro pela multidão, as multidões vão ao encalço dEle, Ele é obrigado até a fugir delas para tomar um pouco de repouso.</h5>
<h5>Será?!&#8230; De outro lado, Ela que tinha como ninguém teve e nem terá jamais um discernimento de espíritos perfeitíssimo, sentia Satanás esvoaçando pelo ambiente. Ela sentia o ódio dele que penetrava nesses e naqueles. Ela sentia conspiração, Ela tomava conhecimento dos <em>complots</em>, dos atentados&#8230; <em>In supremae nocte cenoe</em>. Na suprema, na última noite da ceia, última antes da Paixão, <em>recumbens cum fratibus</em>, estando sentado com os irmãos, que são os Apóstolos, Ele celebrou a primeira Missa. Nossa Senhora estava no Cenáculo.</h5>
<h5>No momento em que Ele consagrou, de modo milagroso ou dado diretamente por Ele, não se sabe, é certo que a primeira pessoa a receber a comunhão foi Ela. Os senhores já pensaram a festa da Primeira Comunhão de Nossa Senhora?! Mas Ela ouviu&#8230; terrível profecia: &#8220;Um de vós há de me trair&#8221;. Ela viu Judas sair&#8230; Apostasia! O Evangelho diz de modo muito bonito, algo que tem um caráter a meu ver simbólico: &#8220;Fora era noite&#8230;&#8221;</h5>
<h5>Bem, depois Ela viu Nosso Senhor que saiu. Talvez tenha se despedido dEla; talvez tenha dito a Ela que era a hora&#8230; Talvez não tenha dito&#8230; deixou-A na dúvida. O Evangelho conta que eles saíram cantando, canção de Páscoa. E pela noite adentro, na mesma noite em que tinham ecoado os passos de Judas, a canção puríssima de Nosso Senhor acompanhado pelos Apóstolos.</h5>
<h5>O que terá acontecido com Ela depois? O tempo que mediou entre a despedida dEla e de Nosso Senhor, ou o fato em que Ela constatou que Ele estava saindo e não se despediu, e o encontro no caminho da agonia, como é que terá sido? Não [se] sabe. O fato é que o fundo de quadro de toda meditação dEla provavelmente seria o que o Evangelho cantado pelos senhores hoje conta: as promessas, o futuro, a glória, e o preço da glória – a dor! Que nessa ocasião festiva o Anjo não mencionou.</h5>
<h5>Assim, a lembrança da data de hoje tem que ter estado presente para Ela até o momento mais terrível da Paixão, que no meu modo de entender é o momento em que Nosso Senhor bradou “<em>voce magna”</em>, em altos brados: &#8220;Meu Pai, Meu Pai, por que me abandonastes?&#8221; É um brado de dor, de dilaceração, uma coisa inimaginável! De um lado.</h5>
<h5>Agora, de outro lado, os senhores sabem que é o começo de um Salmo que anuncia a Ressurreição. E Ela tinha percebido antes da morte dEle, o primeiro clarão de alegria, quando Ele disse ao bom ladrão: &#8220;Hoje estarás comigo no Paraíso&#8221;. Uma coisa extraordinária! Quer dizer, quando Ele bradou: &#8220;Meu Pai, por que me abandonastes?&#8221; Ele não perdeu de vistas que essa era a passagem para o Paraíso. E no último minuto antes de Ele morrer, antes de Ele inclinar a cabeça, em que as dores estavam, portanto, mais lancinantes, mal-estar terrível, nesse minuto em que Ele deu o brado, nesse minuto Ele sabia que as portas do Céu se abriam para Ele.</h5>
<h5>E é a morte do católico quando o católico morre com fé! Ele pode ter uma morte terrível, mas ele sabe que quanto mais terrível a morte, mais largas as portas para ele no Paraíso, e mais próximo ele estará de Deus Nosso Senhor e de Nossa Senhora.</h5>
<h5>São essas perspectivas tão grandes que se diria quase que, são grandes demais para o homem, o homem precisa educar sua alma para querer grandes perspectivas e não ser &#8220;nhonhô&#8221;, senão ele corre risco de na hora não aguentar.</h5>
<h5>Bom, meus caros, com isso o comentário das últimas perspectivas do que me foi cantado aqui, está feito tanto quanto eu consegui fazer. E bem entendido, acompanhado como costuma ser nossas reuniões, as apetências enunciadas pelos senhores mudamente, mas pelo modo de acompanhar, se percebe o de que os espíritos estão ávidos, o que lhes faria bem. E foi o que eu tentei fazer.</h5>
<h5>Agora, uma conclusão concreta, um fruto concreto qual pode ser? Eu creio que já tratei disso da última vez, mas numa palavra pode-se dizer. Aquilo foi, aquele episódio foi uma comunicação para Ela, mas para todo o gênero humano, até o fim dos séculos, de que o Verbo se encarnou e habitou entre nós, se fez carne e habitou entre nós. Porque Maria disse “sim”! Foi a proclamação de que a grande glória não consiste em não sofrer vergonhas, em não sofrer humilhações, em não ser derrotado. A grande glória consiste em lutar pelo Bem! E o Bem, mas o Bem com &#8220;B&#8221; maiúsculo é Deus! É a Igreja Católica, é a Igreja de Deus.</h5>
<h5>Bom, isso está também na&#8230; aí está também a manifestação de um modo de ser da Providência; nesse dia Nosso Senhor deu a Ela, com um amanhecer de alma, cheio de louçania, as alegrias desse dia quase não se tem palavras para poder dizer, para se poder enunciar. E as promessas são promessas superlativas. Mas vejam bem como caminham as promessas de Deus: passam pelas esperanças mais alegres e pelos desmentidos mais terríveis, pelos aparentes desmentidos mais terríveis. E a alma tem que ir se habituando às promessas, às alegrias e aos desmentidos.</h5>
<p><span class="yt-core-attributed-string--link-inherit-color" dir="auto"><strong>Para outros vídeos sobre a festa de hoje (25 de março):</strong> </span><span class="yt-core-attributed-string--link-inherit-color" dir="auto"><span class="yt-core-attributed-string--highlight-text-decorator" dir="auto"><a class="yt-core-attributed-string__link yt-core-attributed-string__link--call-to-action-color" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=9fQbhY3wqYc" target="" aria-label="YouTube Channel Link: Comunicação de alma de Nossa Senhora com o Anjo São Gabriel - A grande festa da Anunciação (25/3)">  <span class="yt-core-attributed-string--inline-block-mod"><img decoding="async" class="ytCoreImageHost yt-core-attributed-string__image-element yt-core-attributed-string__image-element--image-alignment-vertical-center ytCoreImageContentModeScaleToFill ytCoreImageLoaded" src="https://www.gstatic.com/youtube/img/watch/yt_favicon_ringo2.png" alt="" /></span> • Comunicação de alma de Nossa Senhora com o&#8230;  </a></span></span> <span class="yt-core-attributed-string--link-inherit-color" dir="auto"><span class="yt-core-attributed-string--highlight-text-decorator" dir="auto"><a class="yt-core-attributed-string__link yt-core-attributed-string__link--call-to-action-color" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=gPXaBr40R2M" target="" aria-label="YouTube Channel Link: Anunciação do Anjo a Nossa Senhora e a Encarnação do Verbo: numerosas e maravilhosas cogitações">  <span class="yt-core-attributed-string--inline-block-mod"><img decoding="async" class="ytCoreImageHost yt-core-attributed-string__image-element yt-core-attributed-string__image-element--image-alignment-vertical-center ytCoreImageContentModeScaleToFill ytCoreImageLoaded" src="https://www.gstatic.com/youtube/img/watch/yt_favicon_ringo2.png" alt="" /></span> • Anunciação do Anjo a Nossa Senhora e a Enc&#8230;  </a></span></span> <span class="yt-core-attributed-string--link-inherit-color" dir="auto"><span class="yt-core-attributed-string--highlight-text-decorator" dir="auto"><a class="yt-core-attributed-string__link yt-core-attributed-string__link--call-to-action-color" tabindex="0" href="https://www.youtube.com/watch?v=fS8TGmEfWtQ&amp;t=8s" target="" aria-label="YouTube Channel Link: A Anunciação do Anjo a Nossa Senhora e a Encarnação do Verbo">  <span class="yt-core-attributed-string--inline-block-mod"><img decoding="async" class="ytCoreImageHost yt-core-attributed-string__image-element yt-core-attributed-string__image-element--image-alignment-vertical-center ytCoreImageContentModeScaleToFill ytCoreImageLoaded" src="https://www.gstatic.com/youtube/img/watch/yt_favicon_ringo2.png" alt="" /></span> • A Anunciação do Anjo a Nossa Senhora e a E&#8230;  </a></span></span></p>
<p>L'articolo <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/a-festa-da-anunciacao-e-a-vida-da-sagrada-familia-a-grande-gloria-nao-consiste-em-nao-ser-derrotado-mas-em-lutar-pelo-bem-ou-seja-por-deus-pela-igreja-catolica/">A festa da Anunciação e a vida da Sagrada Família. A grande glória não consiste em não ser derrotado, mas em lutar pelo Bem, ou seja por Deus, pela Igreja Católica</a> proviene da <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info">Plinio Correa de Oliveira</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dr. Plinio: Para que existe a TFP? Seus Eremos? Suas camáldulas? O apostolado feito na sede da Saúde? Por que ela luta contra o socialismo e o comunismo?</title>
		<link>https://www.pliniocorreadeoliveira.info/dr-plinio-para-que-existe-a-tfp-seus-eremos-suas-camaldulas-o-apostolado-feito-na-sede-da-saude-por-que-ela-luta-contra-o-socialismo-e-o-comunismo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Nestor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 01:42:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Multimédia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.pliniocorreadeoliveira.info/?p=32006</guid>

					<description><![CDATA[<p>Auditório São Miguel, 7 de fevereiro de 1987 – Sábado – Santo do Dia &#160; A D V E R T Ê N C I A O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e [&#8230;]</p>
<p>L'articolo <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/dr-plinio-para-que-existe-a-tfp-seus-eremos-suas-camaldulas-o-apostolado-feito-na-sede-da-saude-por-que-ela-luta-contra-o-socialismo-e-o-comunismo/">Dr. Plinio: Para que existe a TFP? Seus Eremos? Suas camáldulas? O apostolado feito na sede da Saúde? Por que ela luta contra o socialismo e o comunismo?</a> proviene da <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info">Plinio Correa de Oliveira</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><strong>Auditório São Miguel, 7 de fevereiro de 1987 – Sábado – Santo do Dia</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>A D V E R T Ê N C I A</strong></p>
<p style="text-align: center;">O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.</p>
<p style="text-align: center;">Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:</p>
<p style="text-align: center;"><strong>“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.</strong></p>
<p style="text-align: center;">As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro “<a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/livrosnew"><strong>Revolução e Contra-Revolução</strong></a>“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de <a href="https://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0892/p01.html"><strong>“Catolicismo”</strong>,</a> em abril de 1959.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe title="Dr. Plinio: Para que existe a TFP? Seus Eremos? Por que ela luta contra o socialismo e o comunismo?" width="800" height="450" src="https://www.youtube.com/embed/aSkYzgV003w?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Eu recebi um pedido para tratar nessa reunião de um tema que me é grato: para que os “enjolras”? Para que a [sede no bairro da] Saúde, no conjunto das coisas da TFP?</p>
<p>A pergunta poderia ser aumentada, poderia ser estendida: para que a “Acies Ordinata” também? Qual é a razão de cada uma dessas coisas e por que o enjolras deve servir na Saúde? por que ele deve servir na “Acies Ordinata”? Como é que se prende tudo isso?</p>
<p>A pergunta parece decorrer do seguinte fato: é que a TFP é um organismo vasto e variado numa porção de subdivisões. Então, há Êremos, há Camáldulas, há Êremos Itinerantes, há a vida comum em instituições como a DAFN [Diretoria Administrativa Financeira Nacional], como os “Buissonnets”. Há toda espécie de coisas diversificadas dentro da TFP.</p>
<p>A gente poderia perguntar: cada uma dessas coisas é um fim em si? O karatê é um fim em si? A Saúde deve trazer novos elementos para a TFP. Isto é um fim em si? A TFP existe para ter enjolras, para esses enjolras ficaram homens e trazer outros enjolras, assim indefinidamente? Qual é a finalidade de tudo isto? Como é que tudo isto se entrosa para formar um todo? E que todo é esse?</p>
<p>Saber, os Srs. sabem. Mas às vezes, dizendo, irá melhor. Então, seria bom nós darmos de tudo isto uma explicação bem definida.</p>
<p>A explicação mais didática, mais escolar, nem sempre é a mais interessante. Frequentemente é a mais cacete. Mas quando o tema é muito grande ela tem a vantagem de ser a mais rápida. E que ela perfura os assuntos mais diretamente. E deixa uma ideia mais clara nos espíritos. E uma vez que se trata não tanto de entreter mas de deixar uma ideia clara nos espíritos, na reunião de hoje, vamos diretamente ao assunto.</p>
<p><strong>Para que existe a TFP? Eu tinha vontade de tomar uns papéis em branco e espalhar na [sala]&#8230; </strong>[risos]</p>
<p>Não preciso completar a minha frase. Brasileiramente todo mundo sabe para que existe, mas do intuído vagamente para o posto preto sobre o branco&#8230; começam as hesitações. Então vamos pôr todas coisas bem em ordem e vamos defini-las bem.</p>
<p><strong>Para que existe a TFP? Para que existe a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade? </strong></p>
<p>Uma pergunta para cada um de nós de uma grandíssima importância. Porque se o curso normal de nossa vida consiste em nós dedicarmos toda a nossa existência à TFP, <strong>ou nós sabemos bem para que existe a TFP ou nós somos uns bobos porque nós não sabemos para que estamos dando nossa vida</strong>. Então a <strong>pergunta</strong> é, de fato, de uma <strong>importância capital.</strong></p>
<p><strong>Qual é a razão de ser da existência da TFP? </strong></p>
<p>A razão de ser da existência de ser da TFP está <strong>escrita nos nossos Estatutos</strong>. Os nossos Estatutos foram <strong>redigidos por mim mesmo, com muito cuidado e com muita seriedade</strong>. Portanto, com <strong>muita autenticidade</strong>. Segundo os nossos Estatutos, a TFP existe para opor obstáculos à penetração do socialismo e do comunismo no Brasil.</p>
<p>Agora, <strong>para que opor obstáculos à penetração do socialismo e do comunismo no Brasil?</strong> Em última análise, vamos dizer que não se opusesse e que entrasse o socialismo e o comunismo, que diferença faria? E não obtendo, se é simplesmente para conservar esta ordem de coisas aqui e não cair no socialismo e no comunismo, então nós somos uns defensores furiosos desta ordem que está aqui?</p>
<p><strong>Afinal, o que que nós queremos?</strong></p>
<p>Está clara a pergunta?</p>
<p><strong>A resposta é a seguinte:</strong> o mundo contemporâneo ­– eu falo sobretudo do mundo do Ocidente – está dividido em dois polos de atração. Em última análise os dois polos de atração do mundo são: uma vaga tradição que existe ainda, restos da gloriosa tradição católica medieval, no subconsciente ou consciente dos povos que direta ou indiretamente provêm da Europa Medieval. Diretamente as nações da Europa Ocidental. Indiretamente as nações da América, uma vez que a América foi povoada por nações europeias, pelos descendentes de nações europeias que viveram a tradição medieval.</p>
<p>Esse polo de pensamento fica: a ordem mais profunda do nosso pensamento nos diz que se quiséssemos agir inteiramente bem e se quiséssemos organizar as coisas inteiramente como devem ser, elas devem ser <strong>segundo o ensinamento social da Santa Igreja Católica Apostólica Romana</strong>.</p>
<p>Bem, e que esse ensinamento nos mostra a necessidade da existência de uma <strong>sociedade hierárquica</strong> – quer dizer, dividida em várias classes sociais; uma sociedade desigual, portanto – na qual entretanto a desigualdade tenha um contorno, tenha um <strong>equilíbrio</strong>, tenha uma <strong>proporção</strong>, por onde por mais que uns sejam altos, aos menores se dê toda honra e toda a consideração que todo ser humano merece, sobretudo quando é batizado e quando se trata de um filho da Igreja.</p>
<p>Depois, por mais que alguns sejam opulentos, tenham dinheiro, é preciso que haja nas mãos dos menos afortunados as condições de viver suficientes para garantir saúde, garantir bem-estar, garantir um nível razoável de ensino, garantir enfim condições de vida que sejam próprias a um homem do qual é próprio, por sua vez, subir, aperfeiçoar-se e elevar-se.</p>
<p>De maneira tal que nesta proporção entre desigualdades, existe a sociedade cristã verdadeira, que não é uma sociedade de iguais, mas não é uma sociedade de brutalmente desiguais. É uma <strong>sociedade de proporcionalmente desiguais</strong>. Assim deve ser. É um pouco parecido com uma família com muitos filhos em que o filho mais velho tem mais destaque, é o mais importante. E depois o menorzinho é o menos importante. Mas tudo se distribui fraternalmente dentro dessa desigualdade. Há uma certa analogia entre isso e a desigualdade das classes sociais.</p>
<p>Por outro lado, e <strong>sobretudo, essa sociedade deve praticar a lei de Deus</strong>. Todos os seus membros devem viver no hábito da prática da lei de Deus. E tudo na sociedade deve ser organizado de tal maneira para facilitar o homem à prática da virtude. E para dificultar ao homem a prática do pecado. Quer dizer, uma sociedade assim deve estar no combate constante ao pecado, na perseguição constante à heresia e ao pecado. E no favorecimento constante da ortodoxia e da moralidade. Essa é a verdadeira sociedade.</p>
<p><strong>Por que querer uma sociedade assim?</strong> Vamos analisar, vamos dizer que esta seja a “noite dos porquês”. Para pôr tudo em ordem, por que querer uma sociedade assim?</p>
<p>Alguém dirá: “Mas é claro, Deus mandou!” Por que Deus mandou? Vamos chegar até o último ponto. <strong>Por que Deus quer que a sociedade seja assim? </strong></p>
<p>A razão é muito simples. Santo Tomás de Aquino, o doutor máximo da Santa Igreja Católica, nos explica isso muito bem. Deus fez as criaturas semelhantes a Ele, para a glória dEle. A semelhança da criatura com o criador é a glória do criador. Deus não é bom; Deus não é sábio; Deus não é santo. Deus <strong>é</strong> a bondade; Deus <strong>é</strong> a sabedoria; Deus <strong>é</strong> a santidade. Nós &#8212; quando a coisa corre bem &#8212; somos bons, sábios ou santos. Mas se um de nós deixa de ser bom, sábio ou santo, ele continua a ser ele mesmo. Quer ele vá para o inferno, é ele que vai; quer ele vá para o Céu, é ele que vai. Com Deus, não. Se, por absurdo, Deus pudesse deixar de ser bom, Ele deixaria de existir. Porque Ele não é bom; Ele é a bondade. Se Ele deixasse de ser sábio, Ele deixaria de existir. Se Ele deixasse de ser santo, Ele deixaria de existir. <strong>Ele é a perfeição</strong>.</p>
<p>De <strong>Maria Santíssima</strong>, a mais alta das meras criaturas, nós podemos dizer que <strong>é perfeita</strong>. Mas Ela não é a perfeição. A Perfeição é Ele. E Ele criou os seres, criou Nossa Senhora, criou a Humanidade Santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo, criou os Anjos, criou os homens, criou a nós, que estamos enchendo essa sala. A nós, de tantas nações, de tantos Estados do Brasil, de tantas cidades de São Paulo. Ele nos criou a nós para que, todos nós, sendo bons, sendo sábios, sendo santos já nesta terra, por sermos parecidos com Ele, e por isso amarmos a Ele, nós demos glória a Ele.</p>
<p>Quer dizer, então, <strong>há uma glória que o homem dá nesta terra a Deus, antes mesmo do homem ir para o Céu</strong>. E é a glória de ser conforme Ele quer. E com isto amá-lo a Ele. Porque, sendo conforme Ele quer, eu amo a vontade dEle. E como a vontade dEle é a perfeição, eu amo a Ele. E <strong>isto deve encher a minha vida</strong>.</p>
<p>Está claro isto?</p>
<p>Agora, além disto, eu <strong>devo considerar que o mundo passa</strong>. Por maior que seja o tempo que nos separe do fim do mundo, e o fim do mundo virá como uma surpresa, não se saberá qual é o momento. De repente&#8230; chegou o Filho do Homem em pompa e majestade e vai julgar a todos os vivos e os mortos. Por mais que seja misteriosa a hora do fim do mundo, o mundo passa. E haverá uma hora em que tudo acabou. E aí, o que que começa? Começa a eternidade.</p>
<p>Numa reunião que eu fiz há dias, não me lembro mais onde, eu recordei um dito do <strong>Winston Churchill,</strong> que eu li e que me pareceu muito espirituoso. Ele era pintor. Ele era o grande estadista. Mas nas horas vagas ele pintava uns quadrinhos ordinários para se divertir. Quadrinhos muito apreciados só porque eram pintados por ele. E eu compreendo. Eu gostaria de ter um quadro dele. Churchill declarou o seguinte: que ele quereria&#8230; Era mais ou menos esse dito, não me lembro bem os termos. Mas o pensamento era este: que ele quereria dedicar o comecinho da sua eternidade – ou seja, os primeiros cem mil anos! – pintando. Depois ele veria o que havia.</p>
<p>Realmente, quando tiverem passado cem mil anos de Céu, ou cem mil anos de inferno, a eternidade estará começando! Porque não acaba mais. E, se muitas almas se salvarem, nós damos grande glória a Deus, porque cada alma que salva, vai se parecer com Deus por toda a eternidade. Vai amar a Deus por toda a eternidade. Então, é um valor inestimável. O próprio Deus olhará para todos, comprazido. E dirá: “Meus filhos!”</p>
<p>Então, <strong>nós todos que somos católicos, apostólicos, romanos</strong>, pela graça de Deus e pela intercessão de Nossa Senhora, nós todos <strong>devemos ter como finalidade salvar a nossa alma e praticar a virtude aqui na terra</strong>, <strong>para que</strong> eu, o senhor, o senhor, o senhor, individualmente <strong>dê glória a Deus</strong>. A <strong>primeira finalidade</strong> é essa.</p>
<p>Agora, <strong>segunda finalidade: fazer com que o maior número possível de homens amem a Deus e deem glória a Deus. </strong></p>
<p>E parece completo. E se eu perguntasse aos senhores se está completo, provavelmente os senhores diriam, com a bela ênfase com que responderam há pouco, diriam que está completo. Mas de fato não está.</p>
<p>Deus não criou só homens. Nesta terra Ele criou homens que se aglutinam formando famílias. E Ele criou famílias que se aglutinam formando regiões. E Ele criou regiões que se aglutinam formando nações. Então, por exemplo, Ele criou o Brasil – já que estamos falando no Brasil – que resulta disso: muitos homens se aglutinam, formam famílias; muitas famílias se agrupam num território e ali formam uma região. Segundo um vocabulário corrente, legal, um Estado. Depois muitos Estados se agrupam, formam uma Nação, Brasil.</p>
<p>Bem, esta nação, <strong>Deus não quer apenas que os homens deem glória a Ele</strong>, mas Ele quer que as famílias deem glória a Ele. Ele quer que as regiões ou estados deem glória a Ele. Ele quer que <strong>as nações deem glória a Ele</strong>. É claro!</p>
<p>Por quê? Porque uma família é algo de mais nobre do que um mero indivíduo. É claro. Vamos dizer que vão passando num ônibus&#8230; se está vazio, num banco está num homem, noutro banco tem uma mulher que não tem nada a ver com esse homem, nos outros bancos estão espalhados sete ou oito pimpolhos que não são filhos daqueles e nem têm nada que ver entre si. Está passando o ônibus e a gente diz: “quem está ali dentro”? – Passageiros. Bom, imagine que todos formam pai, mãe e filhos. Está passando o ônibus e alguém diz: quem está lá? – Uma família!</p>
<p>Os senhores sentem o que a palavra “família” acrescenta ao homem. É uma coisa evidente.</p>
<p>Mas os senhores imaginem que está passando um chefe de família e eu digo: “quem é aquele Zebedeu?” Alguém me dirá: “Não, Dr. Plínio, não é tanto assim. É um chefe de família”. Ah! sei. Mas imagine que em vez de estar passando um chefe de família, passa um homem e eu digo: “quem é aquele Zebedeu?”. Alguém diz: “Não, Dr. Plínio, assim não é; ele é o Chefe de Estado!”&#8230;</p>
<p>Por quê? Porque <strong>o Estado é uma família de famílias</strong>. Está mais alto.</p>
<p>E o <strong>Brasil</strong>? O que que é, por sua vez?  É <strong>uma “família” de Estados</strong>. É mais do que o Chefe de Estado e o Chefe de Estado é mais do que o chefe de família. Mas o Estado é mais do que a família; e o País é mais do que o Estado.</p>
<p>Ora, essas coisas existem assim porque Deus quis. Deus organizou o gênero humano de maneira que naturalmente ele se dividisse assim. Todos os países&#8230; não acontecerá em Mônaco, talvez; não acontecerá em Liechtenstein, em Luxemburgo, em Andorra, em San Marino. Mas todo país normalmente se divide em províncias. Essas províncias têm famílias. Por uma ordem que Deus quis nas coisas.</p>
<p>E nós devemos querer que as famílias, as regiões, as nações, todas elas reconheçam oficialmente a Deus, como Senhor e Protetor, reconheçam a Igreja Católica como a única religião verdadeira e pratiquem as suas leis na verdadeira doutrina católica.</p>
<p>Agora, nós temos aqui um polo, que é <strong>o comunismo, que convida, solicita, cavila, conspira, exatamente para o contrário</strong>. Para que tudo seja como Deus não quer. O comunismo faz uma força que leva todos no rumo para onde Deus não quer.</p>
<p>Mas, se se conseguisse dar uma paulada acertada no comunismo e acabar com ele, não ficaria esta ordem de coisas que está aqui. Que esta ordem de coisas que está aqui é uma ordem de coisas que seria melhor se o comunismo não tivesse sempre puxando. Acabado aquele polo, esta ordem refluiria para outro polo. E o mundo cairia nas mãos de Deus.</p>
<p>Quer dizer, portanto, <strong><u>nosso combate ao comunismo, combate ao socialismo, tem uma razão de ser religiosa altíssima</u></strong>. Ou, se preferirem, <strong>profunda</strong>. Essa razão, eu acabo de explicar, com fundamento em São Tomás de Aquino, em documentos pontifícios etc. Nós devemos ter na terra a alegria de ver que as nações são segundo Deus, as regiões, as famílias &#8212; e não só os indivíduos. Nós devemos desenvolver uma ação para que todas as nações sejam segundo Deus, para que a glória de Deus, já na terra, seja a máxima.</p>
<p><strong>Mas também porque quando a nação é segundo Deus</strong>, quando as regiões, os Estados são segundo Deus, quando as famílias são segundo Deus, <strong>é muito mais fácil as almas se salvarem</strong>.</p>
<p>De maneira que <strong>para a salvação eterna das almas, e para a glória de Deus aqui na terra</strong>, nós <strong>devemos</strong> então fazer: <strong>acabar com o pior inimigo da religião católica</strong> para que as coisas rolem em sentido contrário e a religião católica vença. <strong><u>Para isto existe a TFP</u></strong><strong>.</strong></p>
<p>Os senhores dirão: “Mas é isto que está dito nos nossos Estatutos?” Eu digo sim, na medida do necessário. Está dito que é para <strong>combater o socialismo e o comunismo</strong>. É mesmo! <strong>Nós fazemos isso desde que acordamos de manhã até à noite</strong>, na hora de dormir.</p>
<p>Agora, para combater o socialismo e o comunismo por quê? Para que fim? Para a glória de Deus nos termos que acabo de explicar. Mas a lei civil não exige que se registre o fim último das intenções da gente. Basta registrar o fim imediato. Porque, do contrário é um não mais acabar. A gente só dá o fim imediato. O nosso fim imediato está registrado.</p>
<p>Bem, então, agora, nós passamos ao seguinte: <strong>como é que a TFP contribui para que isto se realize assim? </strong>É uma outra pergunta.</p>
<p>Muitos pensarão que a principal razão pela qual existe a TFP são as campanhas de rua, são os livros, são os artigos na Folha [de S. Paulo] etc., etc. A principal razão para existir a TFP é essa?</p>
<p>Eu afirmo o contrário. <strong>A principal razão para que exista a TFP é uma coisa incrível. É isto: é a TFP! </strong></p>
<p>No seguinte sentido: <strong><u>a TFP</u></strong> tem muitos modos de ser nociva, de ser prejudicial ao socialismo e ao comunismo. Mas <strong>o modo mais nocivo que ela tem, <u>o modo pelo qual ela mais prejudica o socialismo e o comunismo, consiste em existir</u>.</strong></p>
<p><strong>Em que sentido consiste em existir? </strong></p>
<p>Consiste no seguinte: os senhores imaginem que a TFP existisse sob a forma de um grupo de escritores – eu seria um deles. Publica de vez em quando um livro; publica de vez em quando um artigo no jornal. Cinquenta, sessenta senhores que se reúnem, que se cumprimentam muito cerimoniosamente, num salão muito bem arranjado, formam um círculo, uma mesa redonda, rezam; depois de ter rezado, sentam-se. Então, segundo a ordem do dia, o que que é isto, aquilo, aquilo outro, e começam a tratar de assuntos doutrinários.</p>
<p>Imaginem, por exemplo, que a TFP fosse só a minha benemérita e brilhante “Comissão Médica”, que os senhores sabem que se reúne aos Domingos à tarde – à noite um pouco, porque os enjolras entram pelo tempo adentro&#8230; – que se reúnem então na linda sala São Luís Grignion e começam a tratar de questões. É um pouco isto.</p>
<p><strong>Se a TFP fosse só isto ela estava <u>incomodando os socialistas, os comunistas </u>etc.? Pouco!</strong> <strong><u>O que mais machuca a eles</u></strong>? É eles perceberem que <strong><u>a TFP é um movimento</u></strong>. Um movimento constituído <strong>de gente que se consagra inteiramente a ela</strong>; que timbra em levar uma vida <strong>inteiramente de acordo com os Mandamentos da Lei de Deus</strong>. Mas, não só de acordo com os Mandamentos, mas com os Conselhos de Deus.</p>
<p>De maneira que procura praticar a perfeição evangélica, em toda linha. <strong>E por causa disto procuram manter a castidade, procuram ser dóceis, obedientes, procuram não gozar dos bens materiais desta vida, do dinheiro, nem nada disto. Eles renunciam a tudo, levados apenas por esse ideal: combater o socialismo e o comunismo, combater o ateísmo, lutar por Deus e pela Igreja. </strong></p>
<p>Isso faz o papel que faria, por exemplo, o seguinte: eu estou aqui sobre um bonito tapete. Os Srs. imaginem que alguém tivesse a maldade, durante uma noite em que ficasse aqui aberto o auditório, depois que todo mundo se recolheu, está todo mundo dormindo, aparece um bandido, entra com um par de tesouras e faz um corte apenas do tamanho de um desses desenhos como esse que os Srs. veem aqui. Um corte deste tamanho no tapete. O tapete está escangalhado! Porque não tem conserto, e o tapete rasgado é um tapete rasgado.</p>
<p>Ora, algo disto se passa com as sociedades humanas. Entre os homens a graça de Deus trabalha continuamente. E leva os homens a acharem, pensarem, notarem, reconhecerem, que aquilo que o mundo de hoje faz é errado. Mas há aquela aparência de unanimidade: todos pensam assim, todos querem o mesmo. O resultado: qualquer um fica intimidado de se levantar e dizer: “pois, eu não quero!” E os bons ficam mais ou menos escravizados, porque eles não têm coragem de dizer <em>“etiam si omnes ego non&#8230;</em> &#8211; ainda que todos queiram, eu não quero!” <strong>Pouca gente tem coragem para isso. E por causa disto, há muita gente que não ousa formar ideias contrárias a esse curso das coisas para o comunismo</strong>.</p>
<p>Ora, <strong>levanta-se a TFP e diz: “nós somos por volta de mil e quinhentos, e nós não queremos. Nós nos opomos, nós pensamos o contrário!”</strong></p>
<p>Os Srs. dirão: “Mas numa população de cento e cinquenta milhões de habitantes – é mais ou menos o que tem o Brasil, cento e trinta milhões, uma coisa assim -, está bem; o que representa um mil e quinhentos? Nada!” Eu digo: “Bobo! É a mesma coisa que representa o corte neste tapete&#8230;”</p>
<p><strong><u>Olhem aquele leão</u></strong> [no estandarte, atrás de do Dr. Plinio]. Os Srs. imaginem que bem onde está o thau tivesse um rasgão. Que tamanho tem o thau? É pequeno comparado com a superfície do tapete. Mas estragava o tapete. Assim nós estragamos a unanimidade. E <strong>nossa finalidade é romper a unanimidade</strong>.</p>
<p><strong>Para essa ruptura da unanimidade</strong>, que faz vacilar todos os adversários, convergem <strong>dois fatores</strong>, como em tantas coisas da vida: a <strong>qualidade</strong> e a <strong>quantidade</strong>. Se eles, de fora, olham para nós e veem que nós estamos <strong>persuadidos</strong>, estamos <strong>decididos</strong>, que nós olhamos para eles dentro dos olhos, a sensação do “rasgão” é muito maior.</p>
<p><strong>Há duas formas de rasgão</strong>. Há rasgão discreto e rasgão indiscreto. <strong>Rasgão discreto</strong> abre, e fica aquilo aberto. <strong>Rasgão indiscreto</strong> abre beiço. E fica aquilo assim, uma beiçama de lado a lado. É o pior rasgão. <strong>Se nós somos simplesmente corretos, nós abrimos neles um corte discreto. Se nós somos ufanos&#8230; nós abrimos na Revolução um rasgão indiscreto</strong>. Um rasgão beiçudo. Pam!</p>
<p>E <strong>a TFP</strong>, por causa disto, <strong>precisa ter que os seus</strong> membros, seus <strong>sócios</strong>, quero dizer, e também os seus <strong>cooperadores</strong>, e até os seus <strong>Correspondentes</strong>, a TFP, por toda parte, <strong>tenha membros que se apresentem na rua de maneira que se saiba que eles são membros da TFP</strong>. Até de costas, na nuca&#8230; “não, ali está a TFP!” É uma necessidade. E é preciso que haja o “<strong>estilo TFP</strong>”, haja uma “<strong>ufania TFP</strong>”, para dizer tudo numa palavra só, haja uma “<strong>segurança TFP</strong>”, de quem diz o seguinte: “Você, patife, poltrão, pode estar caçoando de mim. Mas eu não me incomodo porque, no mais alto dos Céus, Deus me aponta com alegria, e diz “<em>aquele servo me é fiel</em>!”</p>
<p>Essas coisas são assim e <strong>nós devemos ser assim</strong>. E, por isto, a TFP, na luta contra <strong>o adversário</strong>, tem que ser de um modo que <strong>o tímido seja ele</strong>. E os <strong>corajosos</strong> tenhamos que ser <strong>nós</strong>.</p>
<p>Nessa identidade nossa com nosso ideal &#8212; <strong>para isto a gente tem que estar cheio de seu próprio ideal, cheio de Fé Católica, Apostólica e Romana; possuindo o estado de graça, amando a Nossa Senhora, adorando a Nosso Senhor Jesus Cristo </strong>e tal, nós temos uma <strong>segurança</strong> e uma <strong>afirmatividade</strong> que, de fato, <strong>espanta a eles</strong>. E assim devemos ser nós.</p>
<p>Duas manifestações dessa segurança, conforme a idade, conforme a condição de cada um: deve-se ter medo de brigar com a TFP. E, por causa disto, sempre que se polemiza contra a TFP, <strong>a TFP deve saber dar uma resposta por onde o adversário não tenha o que responder. E <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/Gesta_0000Indice.htm#.Y_i5IeyZPT0">é a história da TFP</a></strong>. Os estrondos, se não me engano, já são onze. Não me lembro bem do número deles. <strong>Com a graça de Nossa Senhora, não houve um estrondo que nós não fizéssemos o adversário engolir o que disse</strong>.</p>
<p>(Aplausos)</p>
<p>Quando eles atacam, nós respondemos. Quando nós replicamos, eles não treplicam. Quais são essas tréplicas? Onde é que estão? Não existem! Não têm o que dizer. Ficam quietos.</p>
<p>Daí também o karatê. Quer dizer, eles devem saber que atacando um membro da TFP, corre-lhes mal. Um murro é uma coisa que pode ser muito útil, desde que dado com inteligência. <strong>Nada mais nocivo do que um murro estúpido.</strong> Por isto há um dito caipira que desaconselha o “murro em faca de ponta”. Escangalha a mão, é o murro do burro!</p>
<p><strong>O karatê deve ser usado com inteligência</strong>. Nunca deve ser usado no ataque. Porque se for usado no ataque vão dizer que somos agressores. Deve ser <strong>sempre utilizado na defesa</strong>.</p>
<p><strong>Acontece que diante do comunismo todo mundo foge, todo mundo tem medo, todo mundo se derrete. Nós não nos derretemos, nós não fugimos, nós não temos medo! </strong></p>
<p>Então o karatê existe sobretudo para meter uns merecidos murros numa canalha comunista? Não. Existe para provar aos que estão vendo que nós metemos o murro no comunismo. Eu não ia fazer os senhores perderem o tempo enorme que perdem com o karatê para esbofetear umas caras sujas. Isso é baixa de nível. Mas a questão é que hoje em dia, quem ataca o comunismo é poltrão, é medroso, não tem coragem, não luta etc., etc. E todo mundo vai recuando. Então nós avançamos! E isso aumenta os lábios do rasgão.</p>
<p>Então aqueles que são acusados de serem uns carolas, de serem uns beatos, de serem uns efeminados; aqueles que são acusados de serem entusiastas de uma Idade Média, que a poeira já consumiu há muito tempo, esses se levantam na fina ponta da ação, e [dizem] vamos para frente! As cabeças giram e nós estragamos o jogo deles.</p>
<p>Bem, para que [existem] Êremos? para que Camáldulas? para que Saúde? para que “Acies Ordinata”? Nós assim chegamos ao nosso tema menos devagar do que se poderia recear. Estamos chegando ao nosso tema.</p>
<p><strong>Para que Êremo? O que é um Êremo? O que é uma Camáldula? </strong></p>
<p>O Êremo é um lugar onde residem aqueles que querem ser da TFP a 100%, 100%, 100%. E que ali consagram todas as horas de seu dia, obedecendo às ordens que se recebem, para fazer estudos, para fazer orações, para se exercitarem em bonitas figuras de marcha etc., etc. E para jogarem karatê. <strong>Para crescerem no entusiasmo, para crescerem no amor de Deus, a fim de darem glória a Deus e a Nossa Senhora, mas também para terem o perfil moral da TFP bem definido nas suas almas</strong>. De maneira que vendo passar um eremita, isto produz o efeito de ver passar dez que não são eremitas. É a finalidade do Êremo.</p>
<p>Quer dizer, o Êremo está para os que não são eremitas mais ou menos como num exército uma divisão de tanques está para uma divisão de infantaria. Um eremita é um “tanque”! Um membro comum da TFP é um simpático e respeitável soldado de infantaria. Só que vá fazer, por um tanque em confronto com um soldado de infantaria, pobre mosquito do soldado de infantaria!</p>
<p><strong>O que é um camaldulense?</strong> É aquele que leva os desejos do eremita a um tal ponto que ele se mantém num recolhimento perpétuo, num silêncio admirável, lendo, estudando, rezando, marchando, no mesmo sentido dos eremitas, “karaterizando” também&#8230; para na hora em que for preciso fazer campanha e ele sair à rua, ele esteja um pouco para o eremita como um eremita está para um membro da Saúde. Ele seja uma “bomba atômica”!</p>
<p>Isso é o progresso na qualidade, mas <strong>qualidade só não basta</strong>. Vamos dizer que eu devesse atacar um exército tendo às minhas ordens os cinco mais esplêndidos soldados do mundo. Se eu tivesse que atacar um exército assim, eu atacaria! Mas antes eu pediria a Nossa Senhora que mandasse os Anjos do Céu me protegerem. É evidente! Porque só cinco, por melhores que sejam, não são nada. <strong>Nós devemos querer ter também quantidade</strong>. Como é que se obtém quantidade? Atraindo os que não são da TFP.</p>
<p>Agora, qual é a idade em que se atraem aqueles que não são da TFP? É preciso os senhores se fixarem bem a coisa. À medida que o homem vai ficando mais velho, ele vai se movimentando menos. Como uma árvore que à medida que vai ficando mais velha vai ficando menos agitável ao vento. E se é mais fácil recrutar enjolras de dezessete, dezoito anos, é mais difícil recrutar moço de vinte e sete, vinte e oito anos. E evidentemente será mais difícil recrutar homens de trinta e sete, trinta e oito anos. Cinquenta e sete, cinquenta e oito anos quase é impossível. Um ou outro será possível. Mas com um ou outro não se cresce quantitativamente. Pode-se crescer qualitativamente. Vale muito! Quantitativamente não se cresce.</p>
<p>Então, <strong>esse crescimento quantitativo é feito pelo quê? Pela Saúde!</strong> Por quê? Porque não tem propósito um homem de trinta e cinco, quarenta anos, parar diante de um enjolras de dezessete, dezoito anos, e puxar uma prosa. O enjolras olha espantado: o que é aquilo? Agora um outro da mesma idade ou um pouco da mesma idade, se compreende.</p>
<p>Então o próprio da TFP é que o apostolado de abordagem, o bem-aventurado apostolado de abordagem, que tanto enche essa sala aqui &#8212; essa sala aqui foi inaugurada em 1974. Estava aqui o prefeito de São Paulo, um general de Exército, uma porção de autoridades. Dom Mayer celebrou Missa etc. Foi toda uma série de solenidade. Banda de música lá fora. Foi tudo o que o Srs. querem. Banda de música do Exército. Depois grande “cocktail” na sede do Reino de Maria etc.</p>
<p>Eu estava olhando para esse auditório e pensava assim: será que algum dia havemos de encher isso? Quando eu vejo esse salão tão abarrotado &#8212; que nós estamos fazendo o possível em todos os quatro cantos de São Paulo para encontrar um auditório maior, estamos fazendo o possível e o impossível para isto &#8212; eu me lembro daquele pensamento. E me encho de alegria. Mas isso se deve em grande parte ao apostolado de abordagem.</p>
<p>Então, é <strong>muito importante que os Srs. se compenetrem do alcance extraordinário desse apostolado</strong> e que saibam o papel que esse apostolado representa no conjunto das nossas coisas.</p>
<p>Eu falei em alcance extraordinário, eu não quero exagerar nada. Nessas coisas <strong>a quantidade faz o papel do corpo. E a qualidade faz o papel da cabeça</strong>. O que há de quantidade na cabeça é menor do que tem no corpo. Mas do que adianta o corpo sem cabeça?</p>
<p>Os Srs. me dirão: “Dr. Plínio o que adianta a cabeça sem corpo?” Está bem, é verdade, é verdade. Mas, mas&#8230; <strong>uma cabeça sem corpo a gente enterra e está acabado</strong>. Um corpo sem cabeça&#8230; onde está uma cabeça &#8212; vamos dizer que se pega um homem e alguém guilhotina esse homem e põe a cabeça dele num lugar do cemitério, e põe o corpo noutro lugar. Onde é que ele está enterrado?</p>
<p>De qualquer forma, quando é que se está mais próximo de vencer uma grande batalha? Quanto a gente tem um grande corpo e uma cabecinha ou quando tem uma grande cabeça e um corpinho? Ainda mais vale a grande cabeça porque com uma grande cabeça a gente alguma coisa faz. <strong>Com uma cabecinha, o que é que vai fazer? </strong></p>
<p><strong>Então não exageremos nada</strong>. Não exageremos nada. <strong>Não megalizemos [nos envaideçamos com] nada</strong>. Mas o apostolado de abordagem é indispensável, é precioso. E por causa disto os meus enjolras não devem estar procurando meter-se em tudo quanto aparece na TFP, com o entusiasmo que eu louvo, mas deixando a abordagem. É a conclusão onde eu quero chegar.</p>
<p>Imaginem que dez enjolras possam trazer, ao cabo de um ano, vinte membros para a TFP. Cada um, dois. Não é nada de exagerado. Nada, nada, nada. Até o contrário. Vinte cooperadores novos para a TFP. Em vez disto eles vão ficar <strong>dez bons jogadores de karatê. Adiantou? Não adiantou nada! A TFP cresceu? Pouco. Tem uns bravateiros a mais. Nós já temos muitos. Não precisa disto.</strong></p>
<p><strong>Qual é a “regra de ouro” nisso? É fazer em tudo a vontade de Deus.</strong> <strong>Mas como é que a gente pode conhecer a vontade de Deus?</strong> Obedecendo aqueles que Deus pôs para nos dirigirem. Pela ordem das coisas, “X” dirige “Y”, mas a ordem das coisas é uma ordem desejada por Deus. Deus quer que se ande de acordo com a ordem das coisas. Então, quando “Y” faz a vontade de “X”, ele faz a vontade de Deus. Quando um homem que deve obedecer a outro faz a vontade desse outro, ele sempre está fazendo a vontade de Deus. Quando um homem manda no outro, ele não está certo que ele sempre está fazendo a vontade de Deus, porque ele talvez tenha pensado errado. Mas o que obedece, não. Este está certo.</p>
<p>Então, não se engajem em nada sem perguntar aos respectivos chefes se esse engajamento é bom, se vale a pena. Se derem licença, ou estimularem, vão com alegria. Se eles disserem “não”, não convém. <strong>Não comecem a raciocinar: “eu acho tão bonito jogar karatê&#8230;” Está bom, eu acho mais bonito fazer a vontade de Deus!</strong> E acabou-se.</p>
<p>Com isto, meus caros, está explicada toda a matéria, que pediu para explicar hoje à noite. E com isto nossa reunião também chegou ao seu ponto terminal.</p>
<p>(Fatinho&#8230;)</p>
<p>Vai longe “a lua no solar da morte”&#8230; Diga lá.</p>
<p>Eu sempre fui muito desajeitado para umas certas coisas físicas. Não preciso dizer aos senhores que eu fui obrigado a fazer o curso de ginástica porque tinha um desvio da espinha, que a ginástica não corrigiu. Eu passava, não sei quanto tempo, pendurado pelo queixo numa corrente que ficava no teto, com os braços para baixo, não podia me agarrar em nada, para acertar não sei o que aqui atrás que não funcionava bem. Nem preocupava saber por que não funcionava bem. Não me queixava de nada. Mas tinha chegado a hora de ir ao médico. Está bom, vou ao médico.</p>
<p>O médico diz: “não, este aqui tem um desvio na espinha. Então vai fazer um exercício que é assim”. E o pior é que ficava a minha benemérita e saudosa e querida fraulein Mathilde em baixo falando coisas. E eu não sei como era essa história que eu podia falar. E ela tomava lição de latim, de mim, e eu pendurado&#8230; Não era Plínio, era Plíniô, Pliniô: primeira declinação&#8230; Diga aí! E eu: rosa, rosa, rosae,&#8230; pa-rá, pa-pá&#8230; Está errado. O dativo está errado. Volta. Ta-rá, ta-tá&#8230; E ali, pendurado&#8230;</p>
<p>Depois que, afinal, o fantasma da ginástica cessou, e que o tal médico decretou que a minha espinha tinha endireitado o pouquinho necessário para eu não sair um quasímodo [corcunda], veio o negócio da natação. E Dona Lucília, muito ciosa dos assuntos espirituais, não quis que eu tivesse natação com grupo de rapazes, porque era uma hora de imoralidades, de algazarras etc., etc. Então a piscina era alugada só para mim. E lá ia eu para a natação.</p>
<p>Chegava lá&#8230; era uma velha senhora meio checa, meio austríaca, chamada de Madame – não sei por que – Madame Gruska. A Madame Gruska me convidava para descer à piscina. Eu achava uma delícia. Ia logo para a piscina. Ela: “agora ponha-se em posição horizontal”. Eu disse: “não vou porque eu caio com a cabeça&#8230;” Ela: “não, vai e começa, vai e começa&#8230;” Afinal, nunca nadei! Ela me disse uma coisa mais ou menos nesse gênero – ou foi outrem que me disse; enfim, ouvi isso: “o que era preciso era jogar você dentro d’água na piscina. Não esperar luxos de ficar nadando e flutuando. Empurra dentro d’água que aprende a nadar”. Eu pensei comigo: “é bem verdade, eu sinto que nesse caso nadaria; mas eu não tenho vontade de fazer esse esforço. De maneira que eu não vou nadar e não vou dizer que eu sinto isto”. Cortei as aulas de natação e acabou-se.</p>
<p>Depois que era homem feito, tinha cinquenta, sessenta anos, nunca mais vi Madame Gruska &#8212; vem a criada em casa e disse: Dr. Plínio – Da. Lucília era viva ainda – Dr. Plínio, está aí uma senhora que disse um nome esquisito, Madame Gruska, que o senhor talvez se lembre dela, ela quer falar com o senhor. Eu disse: Mas Madame Gruska sai do passado, quase que se diria sai da piscina! Encontrei uma velhinha, toda dobradinha assim&#8230; e ela que tinha conhecido um Plínio magro, alto, encontrou um Plínio gordo e atarracado. Eu creio que os dois nos estranhamos muito.</p>
<p>Mas eu me sentei e fi-la sentar-se e tratei com muita bondade, porque tive pena dela. “Então, o que a senhora quer, Madame Gruska?” Ela disse: “eu ouvi dizer que você – ela me tratava de você – você é advogado e que advoga bem tal tipo de causa assim&#8230; – não sei como ela ouviu dizer isso – então eu vim pedir para você me advogar essa causa, gratuita”. Eu disse: Madame Gruska, eu fico desolado! Mas eu não advogo há mais de dez anos. Já perdi o pé. Tem uma porção de leis que eu não conheço mais. Não estou em condições de advogar para a senhora. Nesse ramo nunca advoguei na minha vida. A senhora foi mal informada a meu respeito”.</p>
<p>Eu pensei que ela ia se levantar. Ela não fez nenhuma sinal de se levantar. Me começou a olhar assim, com um olhar esperto. Disse: “você se lembra daquele tempo?” Era claro que ela queria recordar-se do tempo passado! – “Ah! mas como não, madame Gruska, eu me lembro muito bem, etc.” Ela me contou um episódio daquele tempo que deixou-a impressionada&#8230; Umas coisas assim. Afinal, ela se levantou. Eu me despedi&#8230; e acho que ela depois morreu. Eu perdi&#8230; Madame Gruska afundou no passado. Ela passou por aqui, por nós, que Nossa Senhora tenha pena da alma dela. Bem, nessa evocação a memória dela esteve presente a nós. Foi o que eu quis dizer.</p>
<p>Bem, a verdade é que com o rapaz que é da Saúde, é a mesma coisa com a abordagem. Quer aprender a abordagem? Aborde! Não espere ser um elemento eminente e que sabe tal coisa, que chegou a uma idade de ouro para abordar. Isto é pretexto de quem é tímido e tem preguiça de vencer a própria timidez. E, portanto, vá para a rua. Aborde. Esperneando se aprende a andar.</p>
<p>Bem, meus caros, está terminado.</p>
<p>(Pergunta: por que o leão para o estandarte?)</p>
<p><strong>Eu escolhi o leão porque o leão sempre me lembrou um princípio de que eu sou muito cioso</strong>, do qual eu faço muita questão em todos os assuntos: é o <strong>princípio da legitimidade</strong>. <strong>Que o poder, a influência, a sabedoria, a glória, estejam em mãos de quem de direito</strong>. Esse seria um modo muito resumido de definir o princípio da legitimidade.</p>
<p>Ora, é evidente que <strong>o leão é, entre os animais, o que a rosa é entre as flores</strong>. A rosa é naturalmente rainha. Os Srs. põem uma rosa verdadeiramente bonita no meio de qualquer outra espécie de flores, inclusive entre as nossas orquídeas, tantas vezes lindas, a rosa apaga. Está acabado. É ela, não tem conversa.</p>
<p>Os Srs. põem o leão, e todos os outros animais se eclipsam. O elefante é maior, mas que massa bruta, vil. O camelo anda mais, mas ele anda com um passo de escravo carregado, ele não tem a marcha garbosa. O leão marcha e salta; o camelo anda.</p>
<p>Os Srs. tomem a raposa, ela é esperta, mas ela é frágil, quando a esperteza não lhe dá resultado, ela está perdida. Tomem todos os outros animais, eles têm alguma qualidade eminente, mas eles não têm aquele conjunto de qualidades por onde o leão é <strong>o leão</strong>.</p>
<p>Olhem para ele, ele é rei. Ele <strong>tem o direito de ser rei</strong>, ele manda, ele tem a garra do rei, ele tem a pata do rei. Era normal que ele tivesse a cor do rei. <strong>O colorido próprio para as coisas régias é o áureo</strong>. Um leão de prata, que frustração! Um leão de ouro, que naturalidade.</p>
<p>Azul, o estandarte&#8230; a <strong>minha hesitação foi entre o azul e o vermelho</strong>. <strong>Mas não durou nada</strong>. Artisticamente falando, o ouro é mais bonito sobre o azul do que sobre o vermelho. A gente considerando um azul bem escolhido e um ouro bem escolhido, a combinação é lindíssima. Mas, <strong>o azul como que repousa da vivacidade do ouro. E eu não queria repouso em nosso estandarte, eu queria a luta.</strong></p>
<p>Aí está.</p>
<p>Meus caros, vamos encerrar.</p>
<p>L'articolo <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/dr-plinio-para-que-existe-a-tfp-seus-eremos-suas-camaldulas-o-apostolado-feito-na-sede-da-saude-por-que-ela-luta-contra-o-socialismo-e-o-comunismo/">Dr. Plinio: Para que existe a TFP? Seus Eremos? Suas camáldulas? O apostolado feito na sede da Saúde? Por que ela luta contra o socialismo e o comunismo?</a> proviene da <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info">Plinio Correa de Oliveira</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>São José reunia os dois extremos da escala social: nobre da dinastia real de Davi e operário</title>
		<link>https://www.pliniocorreadeoliveira.info/sao-jose-reunia-os-dois-extremos-da-escala-social-nobre-da-dinastia-real-de-davi-e-operario/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Nestor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Mar 2026 11:50:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Multimédia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.pliniocorreadeoliveira.info/?p=31987</guid>

					<description><![CDATA[<p>Reunião para Correspondentes Esclarecedores, 15 de junho de 1987 A D V E R T Ê N C I A O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor. Se [&#8230;]</p>
<p>L'articolo <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/sao-jose-reunia-os-dois-extremos-da-escala-social-nobre-da-dinastia-real-de-davi-e-operario/">São José reunia os dois extremos da escala social: nobre da dinastia real de Davi e operário</a> proviene da <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info">Plinio Correa de Oliveira</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><strong>Reunião para Correspondentes Esclarecedores, 15 de junho de 1987</strong></em></p>
<p style="text-align: center;"><strong>A D V E R T Ê N C I A</strong></p>
<p style="text-align: center;">O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.</p>
<p style="text-align: center;">Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:</p>
<p style="text-align: center;"><strong>“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.</strong></p>
<p style="text-align: center;">As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro “<a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/livrosnew"><strong>Revolução e Contra-Revolução</strong></a>“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de <a href="https://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0892/p01.html"><strong>“Catolicismo”</strong>,</a> em abril de 1959.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe title="São José reunia os dois extremos da escala social: nobre da dinastia real de Davi e operário" width="800" height="450" src="https://www.youtube.com/embed/Gun1nw66nS0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p><em>Correspondentes Esclarecedores da TFP de São Paulo pedem ao Prof. Plinio, no encerramento da Reunião, que ele lhes sugira um nome para o grupo então constituído.</em></p>
<p>Meus caros, Salve Maria!</p>
<p>(Salve Maria!)</p>
<p>Vamos rezar três Ave Marias. (&#8230;)</p>
<p>A mais alta condição que uma pessoa pode ter é alcançar alguma paridade&#8230;  paridade, não! Alguma proporção com a mais alta das criaturas. Ora, <strong>a mais alta das meras criaturas foi Nossa Senhora</strong>, e aquele que teve com Ela mais claramente, mais evidentemente uma certa proporção foi São José. Porque<strong> entre esposo e esposa tem que haver uma certa proporção</strong>; convém que o esposo seja adequado à esposa.</p>
<p>Ora, entre todos os homens, Nosso Senhor escolheu como adequado para esposo da Mãe dEle, como adequado para o Pai legal dEle mesmo, <strong>Ele escolheu São José</strong>. É uma tal glória, um tal píncaro, como é quase inimaginável!</p>
<p>O sr. sabe que São José, como esposo de Nossa Senhora &#8211; ele não era pai natural do Menino Jesus, mas ele tinha direito ao fruto das entranhas de Nossa Senhora, embora este Fruto viesse do Espírito Santo &#8211; ele tinha direito sobre o Menino Jesus, é uma coisa admirável!</p>
<p>Isto tudo foi dado a ele assim&#8230; Pai legal do Filho de Deus, esposo da Virgem que foi Mãe, mas foi Virgem antes, durante e depois do parto. Não se pode imaginar nada de mais extraordinário!</p>
<p>De outro lado, ele <strong>descendia da mais augusta dinastia que houve na Terra</strong>, que é a dinastia <strong>de David, de Salomão</strong>, e <strong>de outro lado</strong> ele era <strong>operário</strong>: ele <strong>reunia os dois extremos da escala social na harmonia interior da santidade dele, e da pessoa dele</strong>.</p>
<p>Eu tenho a impressão que São José é o nome ideal! Está bem meu caro? O grupo São José.</p>
<p>Bem, com isto agora, meus caros.</p>
<h5><strong>Nota:</strong> Para outros comentários de Dr. Plinio sobre São José, <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/coletanea-de-documentos-sobre-sao-jose/"><strong>clique aqui</strong></a>.</h5>
<p>L'articolo <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/sao-jose-reunia-os-dois-extremos-da-escala-social-nobre-da-dinastia-real-de-davi-e-operario/">São José reunia os dois extremos da escala social: nobre da dinastia real de Davi e operário</a> proviene da <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info">Plinio Correa de Oliveira</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ante Nosso Senhor no Calvário, quantos auges se podem contemplar! Lições por eles proporcionadas</title>
		<link>https://www.pliniocorreadeoliveira.info/ante-nosso-senhor-no-calvario-quantos-auges-se-podem-contemplar-licoes-por-eles-proporcionadas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Nestor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Mar 2026 09:47:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Multimédia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.pliniocorreadeoliveira.info/?p=31848</guid>

					<description><![CDATA[<p>Sede São Milas, 9 de abril de 1971 – Sexta-feira Santa – Santo do Dia &#160; A D V E R T Ê N C I A O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, [&#8230;]</p>
<p>L'articolo <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/ante-nosso-senhor-no-calvario-quantos-auges-se-podem-contemplar-licoes-por-eles-proporcionadas/">Ante Nosso Senhor no Calvário, quantos auges se podem contemplar! Lições por eles proporcionadas</a> proviene da <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info">Plinio Correa de Oliveira</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><strong>Sede São Milas, 9 de abril de 1971 – Sexta-feira Santa – Santo do Dia</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>A D V E R T Ê N C I A</strong></p>
<p style="text-align: center;">O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.</p>
<p style="text-align: center;">Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:</p>
<p style="text-align: center;"><strong>“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.</strong></p>
<p style="text-align: center;">As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro “<a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/livrosnew"><strong>Revolução e Contra-Revolução</strong></a>“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de <a href="https://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0892/p01.html"><strong>“Catolicismo”</strong>,</a> em abril de 1959.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe title="Ante Nosso Senhor no Calvário, quantos auges se podem contemplar! Lições por eles proporcionadas" width="800" height="450" src="https://www.youtube.com/embed/KSGlNVvfrEM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Nós vamos fazer um comentário ─ como fizemos ontem da Quinta-feira Santa ─ vamos fazer um comentário da Sexta-feira Santa.</p>
<p>Vamos fazer o comentário da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo na Cruz, tomando como base a &#8220;Concordância dos Santos Evangelhos”, de D. Duarte [Leopoldo e Silva (1867-1938) primeiro Arcebispo Metropolita de São Paulo].</p>
<p><strong>* Leitura de um trecho da Concordância dos Santos Evangelhos</strong></p>
<h5>Chegando ao lugar chamado Gólgota, que quer dizer Calvário, deram-lhe a beber vinho misturado com mirra e fel. Mas tendo provado não o quis beber. E aí o crucificaram com os dois ladrões, um à direita e outro à esquerda, e Jesus no meio. Assim se cumpria a Escritura, que diz: &#8220;E foi computado entre os iníquos.&#8221;</h5>
<h5>Jesus, porém, dizia: &#8220;Meu Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem.&#8221;</h5>
<h5>Depois de o terem crucificado, tomaram os soldados os seus vestidos, dividindo-os em quatro partes, uma para cada soldado. Porém, como a túnica era inconsútil, de um só tecido de alto a baixo, disseram eles entre si: &#8220;Não a rasguemos, mas deitemos a sorte para ver a quem há de tocar.&#8221; A fim de que se cumprisse a Escritura que diz: &#8220;Repartiram entre si os meus vestidos e deitaram sorte sobre a minha túnica.&#8221; Assim pois fizeram os soldados, e sentando-se puseram-se a guardá-Lo. Era, então, a hora &#8220;tertia&#8221;.</h5>
<h5>Ora, Pilatos tinha escrito e colocado no alto da Cruz, acima da cabeça de Jesus, uma inscrição que indicava seu crime: &#8220;Jesus Nazareno, Rei dos judeus&#8221;.</h5>
<h5>Muitos judeus leram essa inscrição porque era perto da cidade o lugar onde Jesus foi crucificado, e ela estava escrita em hebraico, em grego e em latim. Mas os pontífices dos judeus disseram a Pilatos: &#8220;Não deveis escrever Rei dos Judeus, mas que Ele disse: Eu sou o Rei dos judeus.&#8221;</h5>
<h5>Respondeu Pilatos: &#8220;O que eu escrevi, escrevi.&#8221;</h5>
<h5>Estava o povo olhando, de pé, os que passavam blasfemando dEle, sacudindo a cabeça e diziam: &#8220;Ó, tu que destróis o Templo de Deus e o reedificas em três dias, salva-te a Ti mesmo. Se és Filho de Deus, desce da Cruz.&#8221;</h5>
<h5>Também os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos zombavam dEle dizendo: &#8220;Salvou os outros e não pode salvar-se a si mesmo. Se é o Rei de Israel, que desça agora da Cruz e nós acreditaremos nEle. Confiou em Deus; se, pois, Deus o ama, que o livre agora. Porque Ele disse: «Eu sou o Filho de Deus».&#8221;</h5>
<h5>Também O insultaram os soldados que aproximando-se Lhe ofereciam vinagre, dizendo: &#8220;Se és o Rei dos judeus, salva-te a Ti.&#8221;</h5>
<h5>E esses mesmos impropérios Lhe dirigia um dos ladrões que estavam crucificados com Ele. Mas enquanto um dos ladrões blasfemava dizendo: &#8220;Se Tu és o Cristo, salva-te a Ti mesmo e a nós&#8221;, repreendeu-o outro, dizendo: &#8220;Tu não temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? Nós outros, sem dúvida, sofremos com justiça, porque recebemos o digno castigo de nossas obras, mas este não fez mal nenhum.&#8221; E dizia a Jesus: &#8220;Senhor, lembrai-vos de mim quando chegardes ao vosso Reino.&#8221;</h5>
<h5>Respondeu-lhe Jesus: &#8220;Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.&#8221;</h5>
<h5>Era quase a hora &#8220;sexta&#8221; e as trevas cobriram toda a terra, até a hora nona, e escureceu o sol.</h5>
<h5>De pé, junto à Cruz, estava a Mãe de Jesus; Maria, irmã de sua Mãe, mulher de Cleofas e Maria Madalena.</h5>
<h5>Vendo Jesus a sua Mãe e ao discípulo amado que ali estava, disse a sua Mãe: &#8220;Mulher, eis aí o teu filho.&#8221; Depois disse ao discípulo: &#8220;Eis aí tua Mãe.&#8221; E desde aquele instante, A tomou o discípulo em sua casa.</h5>
<h5>Quase à &#8220;nona&#8221; hora, clamou Jesus com um grande brado, dizendo: &#8220;Eli, Eli, lama sabactani&#8221;. Isto é: &#8220;Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?</h5>
<h5>Alguns dos que ali estavam e o tinham ouvido, disseram: &#8220;Ele chama por Elias.&#8221;</h5>
<h5>Sabendo Jesus que tudo estava consumado para que se cumprissem as Escrituras, disse: &#8220;Tenho sede.&#8221;</h5>
<h5>Ora, havia ali um vaso cheio de vinagre. Imediatamente corre um dos soldados a tomar uma esponja, embebeu-a em vinagre e colocando-a na extremidade da lança, da cana, lhe dava a beber. Mas os outros diziam: &#8220;Deixa, vejamos se Elias o vem livrar.&#8221;</h5>
<h5>&#8220;Deixai-me ─ replicou o soldado ─ veremos se então Elias vem descê-lo da Cruz.&#8221;</h5>
<h5>Tendo tomado o vinagre, disse Jesus: &#8220;Tudo está consumado.&#8221;</h5>
<h5>Depois, lançando de novo um grande grito, disse: &#8220;Meu Pai, nas vossas mãos entrego meu espírito.&#8221; Dizendo isso, inclinou a cabeça e expirou.</h5>
<p><strong>* Os maiores milagres de Nosso Senhor foram sua Pessoa e sua doutrina</strong></p>
<h5>Os senhores estão vendo que essa narração da morte de Nosso Senhor, majestosíssima, digníssima, simplicíssima, se compõe de várias partes. É um desfecho de toda a vida dEle, e esse desfecho nós notamos representado em vários aspectos.</h5>
<h5>Em primeiro lugar, as blasfêmias dos que O odiaram, chegou ao auge. Em segundo lugar, o amor dos que o amavam também chegou ao auge. Em terceiro lugar, o sofrimento dEle chegou ao auge. E em quarto lugar, Ele consumou a sua obra e morreu.</h5>
<h5>O que é que nós podemos dizer a respeito das blasfêmias?</h5>
<h5>Pela narração a gente percebe que Nosso Senhor Jesus Cristo foi ao alto da Cruz por uma condenação de Pôncio Pilatos, mas por instigação, como nós sabemos, do Sinédrio e dos príncipes dos sacerdotes. E que, ao contrário do que costuma acontecer, em que as altas autoridades não assistem a execução, mas se conservam à distância e fazem com que os carrascos executem a sentença, aqui, tal era o ódio das altas autoridades do Sinédrio, que elas compareceram todas e estiveram lá para acompanhar, para dirigir as blasfêmias até o fim.</h5>
<h5>Nós vemos também que havia uma espécie de palavra de ordem que corria entre todos os judeus. Porque todas as blasfêmias culminavam num ponto. Aquele poviléu que estava ali levado pelos seus sacerdotes iníquos, e todos eles faziam uma mesma interrogação: &#8220;Se tu és Filho de Deus, por que não te salvas? Desce da Cruz. Faz agora um milagre estupendo e nós creremos em ti.&#8221;</h5>
<h5>Em termos mais prolixos, isso queria dizer o seguinte: &#8220;Tu quiseste longamente que nós crêssemos em ti, Tu fizeste milagres para que nós em ti crêssemos. Nós recusamos esses milagres e nós recusamos de crer em ti. Entretanto, se agora Tu fizeres este milagre, nós creremos. Aquilo que tanto procuraste, que é a nossa adesão, aqui está. É uma oportunidade para Tu a conquistares&#8230; Então, agora, faze, anda. Se tinhas realmente desejo de nos conquistar, conquiste-nos&#8221;.</h5>
<h5>Como quem dizia: &#8220;Nós não demos importância a nada do que Tu fizeste, mas agora, neste momento, estaremos dispostos a dar importância, caso Tu desças da Cruz&#8221;.</h5>
<h5>Era, evidentemente, se Nosso Senhor fizesse isso seria um milagre de primeira grandeza. Seria um milagre porque Ele teria que desvencilhar-se dos pregos que O retinham na Cruz, teria que encontrar, no meio daquele cansaço e daquela exaustão toda em que Ele estava, forças para se desamarrar da Cruz, e teria que descer. E teria que, ao mesmo tempo, recobrar a normalidade física, a integridade, de maneira tal que sarasse no mesmo momento.</h5>
<h5>Nós podemos nos perguntar: se Nosso Senhor tivesse feito isso, o que é que teria acontecido? Aqueles homens, de fato, teriam crido nEle, ou não teriam crido?</h5>
<h5>A primeira coisa é que eles já não mereciam que Nosso Senhor fizesse isso por eles. Porque Nosso Senhor tinha feito toda espécie de milagres por eles. E o maior dos milagres, a maior das maravilhas feita por Nosso Senhor em favor deles não foi, de nenhum modo, a série de curas que Ele operou, a multiplicação dos pães, a transmutação da água em vinho etc., não foram esses os maiores milagres. Os maiores milagres que Ele praticou foram Ele mesmo e a sua doutrina.</h5>
<h5>Era tão Santo, tão evidentemente Filho de Deus, a doutrina que Ele dava era tão santa, tão verdadeira, tão indiscutível, que estava acima das forças humanas ser assim. E só quem era realmente, quem tinha realmente parte com Deus e estava no agrado de Deus, só esse é que teria energia, só esse é que teria meios para elevar-se àquele grau excelso de sabedoria e virtude.</h5>
<h5>Ora, se Ele tinha parte com Deus e Ele dizia que Ele era o Filho de Deus, estava provado que Ele era o Filho de Deus. Não tinha mais nada o que dizer.</h5>
<h5>A esse milagre eles não deram crédito. Não deram crédito também aos outros milagres.</h5>
<h5><strong>Nosso Senhor premiava muito mais a quem cresse pela doutrina e pela santidade dEle, do que pelos milagres que ele praticasse</strong>. Ele disse isso a São Tomé: &#8220;Tomé, tu creste porque viste. Bem-aventurados os que não viram, mas creram.&#8221;</h5>
<h5>Quer dizer, aqueles que não viram milagres, mas creram por causa da força do exemplo e da palavra de Nosso Senhor, esses eram verdadeiramente os bem-aventurados.</h5>
<h5>Está bem, depois que a pessoa recebeu todas aquelas graças, todos aqueles milagres estrondosos, não tinha mais direito a exigir milagre nenhum. E era um verdadeiro atrevimento, era uma verdadeira insolência pedir aquele milagre. Mas eu tenho por certo que se Nosso Senhor descesse da Cruz, eles não acreditariam. Eles se precipitariam sobre Nosso Senhor para matá-Lo de novo, dizendo que Nosso Senhor tinha parte com o demônio. Mas acreditar, eles não acreditariam. Porque quem chega a um grau desses de infâmia, a um grau desses de incredulidade, não crê em nada. E não se deve imaginar que esse tipo de gente mereça outra coisa do que o castigo.</h5>
<p><strong>* A trajetória espiritual do povo judeu face a Nosso Senhor: de um falso entusiasmo para um ódio furibundo</strong></p>
<h5>Aí os senhores têm o processo de incredulidade do povo de Israel que atinge, então, o seu auge. Por quê? Porque o povo de Israel, no primeiro ano da vida de Nosso Senhor, o povo de Israel, meio preparado pela missão de São João Batista que ─ ele, aliás, não tinha recebido bem o povo de Israel ─ meio preparado pela missão de São João Batista, afinal, de um modo ou de outro, recebeu Nosso Senhor também meio bem. E o primeiro ano dEle foi também um ano de certo triunfo.</h5>
<h5>Mas à medida que Ele ia ensinando, o povo ia se dando conta de como aquela doutrina toda contrariava os pecados capitais do espírito judaico: o espírito terra-a-terra, a mania do ouro, a mania da grandeza terrena, a mania da dominação pela dominação etc. Então, quando eles viram isso, eles foram se retraindo.</h5>
<h5>O resultado é que o segundo ano foi um ano de uma espécie de ruptura. Nosso Senhor começou a sentir o vazio em torno de Si, eles começaram a abandonar Nosso Senhor, mas ao mesmo tempo, alguns judeus, amando Nosso Senhor mais, começaram a segui-Lo. E então, Nosso Senhor começou a recrutar aqueles que seriam a minoria minúscula de seus sequazes, no meio daquela imensidade de povo infiel e ímpio.</h5>
<h5>Bem, no terceiro ano deu-se o choque. Esse povo que não quis seguir a Nosso Senhor que no primeiro ano começou a segui-Lo, no segundo ano se recusou a segui-Lo, no terceiro ano se mobilizou contra Nosso Senhor.</h5>
<h5>Não é dizer propriamente que eles estivessem inteiramente mobilizados contra Nosso Senhor. <strong>Eles tinham um misto de admiração e de entusiasmo, de um lado, e de nó e de um nó que podia ir até o ódio, de outro lado.</strong></h5>
<h5>A almas deles estavam divididas, tanto é que os senhores veem que no Domingo de Ramos eles tinham preparado para Nosso Senhor um triunfo magnífico. Nesse triunfo eles aclamavam Nosso Senhor como sendo o Filho de Davi, quer dizer, como sendo o Messias que devia vir, como sendo o descendente da Casa real de Israel, que deveria tomar conta do trono e proclamar a grandeza da nação israelita. Mas acontece que esse entusiasmo que eles tinham por Nosso Senhor, misturado já com ódio, era, além do mais, um falso entusiasmo. Porque eles não quiseram reconhecer a Nosso Senhor como Filho de Deus, vindo à terra para ser humilhado, para ser crucificado. Eles queriam ver em Nosso Senhor o Filho de Deus vindo à terra para ser um grande homem, não Homem-Deus, mas um grande judeu, que haveria de instaurar o reino dos judeus no mundo.</h5>
<h5>E os senhores podem imaginar a lição que eles tomaram, vendo que esse, que eles iam aclamar como rei de Israel, entrava em Jerusalém, na cidade sagrada do mundo, capital sagrada do mundo, entrava em Jerusalém montado, sentado num burrico.</h5>
<h5>Quer dizer, era de tal maneira o contrário dos dominadores antigos, de tal maneira uma afirmação de que a glória que Ele procurava não era aquela glória terrena, aquela glória de valores humanos, mas era uma glória celeste, que isso deve ter dado neles um choque tremendo.</h5>
<h5>Veio depois a preparação da efervescência feita pelos membros do Sinédrio, para levantar o povo contra Nosso Senhor. E o povo, desapontado, deixou-se ir. E então com isso, a nação judaica como tal, descolou completamente de Nosso Senhor. E os representantes da nação judaica estavam no alto do Gólgota, lançando blasfêmias contra Ele, exclamando coisas contra Ele. Por quê? Porque a ruptura era completa e eles, a partir desse momento, eram inimigos de Nosso Senhor. E atiravam contra Nosso Senhor as piores injúrias, as piores injúrias sem a menor compaixão.</h5>
<h5>Nós não vemos o menor traço pelo menos do que vagamente se poderia chamar equidade, alguém que lhe gritasse: &#8220;Agradeço-Te a cura que me fizeste, agradeço-Te a graça que me concedeste.&#8221; Nada. O Evangelho não nos fala de alguém que se tenha levantado durante a crucifixão, para externar a Nosso Senhor o seu amor.</h5>
<h5>Ao longo de todo o martírio de Nosso Senhor, nós só notamos três pessoas que dizem alguma coisa e fazem um gesto a favor de Nosso Senhor. A primeira é a Verônica, que durante a Via Dolorosa, enxugou o rosto dEle, a face dEle. A segunda é Nossa Senhora, que no encontro abraçou-O, osculou-O e lhe deu toda a prova possível de adoração e de afeto. A terceira é o bom ladrão, do alto da cruz, que reconhece que Ele é Filho de Deus. São as três únicas pessoas. O resto é um silêncio completo. E aí a gente vê especialmente a culpabilidade do povo judaico.</h5>
<h5>Quer dizer, aquele povo cumulado de favores não agradeceu nada e não teve uma palavra para reconhecer os méritos dEle, para pedir, portanto, uma atenuação dos sofrimentos dEle, para proclamar a sua Virtude. Nada, absolutamente nada. Pelo contrário, quando foi dado a escolher ao povo entre Ele e Barrabás, o povo preferiu Barrabás.</h5>
<h5>Quer dizer, preferiu um criminoso célebre a Ele, quer dizer, de tal maneira o povo estava voltado contra Ele.</h5>
<h5>[Catarina Emmerich conta uma coisa tremenda]: que o povo, debaixo da Cruz, pegava em pedras e atirava nEle. E ela conta que entre as pessoas que gritavam blasfêmias contra Nosso Senhor, entre as pessoas que atiravam pedras nEle ─ o que é o sumo da crueldade e até da covardia, apedrejar por essa forma uma pessoa amarrada, que não podia se defender e nem sequer fugir ─ estava o moço rico do Evangelho. Exatamente aquele moço que se aproximou de Nosso Senhor e perguntou como conquistar a perfeição. E Nosso Senhor disse a ele que o modo era vender todas as coisas e segui-Lo. E ele se retirou cheio de tristeza. Diz o Evangelho que antes de Nosso Senhor dar esse conselho para ele, olhou-o e amou-o. Apesar disso ele recusou de atender o conselho de Nosso Senhor. Algum tempo depois o miserável estava no Gólgota apedrejando a Nosso Senhor.</h5>
<h5>Quer dizer, era o auge da maldade, o auge da crueldade, como desfecho normal do auge da negação: a zombaria contra Nosso Senhor.</h5>
<p><strong>* Em torno de Nosso Senhor no Calvário, dois auges: o auge de ódio dos algozes e o auge de amor de sua Mãe</strong></p>
<h5>Nós temos, então, aqui um auge. Nós temos um outro auge que se encontra no alto do Calvário, que é do amor. Nós temos esse auge representado antes de tudo pela presença de Nossa Senhora.</h5>
<h5>Nossa Senhora foi crescendo em amor de Deus durante toda sua vida. E em cada instante da vida de Nossa Senhora se pode dizer que o amor dEla a Deus era maior do que no instante anterior. Se bem que, desde o primeiro instante do ser dEla, Ela tivesse amado a Deus de um modo, para nós, inconcebível e insondável.</h5>
<h5>Quer dizer, se nós tivéssemos conhecido Nossa Senhora no ponto inicial de sua vida espiritual, nós, por assim dizer, teríamos desmaiado, porque já era tanto amor de Deus que para nós seria uma coisa inconcebível. Nós não podemos imaginar como era.</h5>
<h5>Pois apesar disso, em todos os instantes de sua vida, esse amor foi crescendo. Mas é evidente que no momento em que a vida terrena de Nosso Senhor chegava ao seu termo, o amor dEla a Nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto vivo nessa terra, atingia seu auge. E que por outro lado se compreende que Ela nunca tivesse amado tanto seu Divino Filho como no momento em que Ele sofria tanto, e em que Ele praticava a mais bela e a mais nobre das ações que Ele praticou, a mais santa de todas.</h5>
<h5>Está na psicologia comum de toda mãe amar mais o filho que sofre mais. E tendo um Filho no auge do sofrimento era claro que Ela O amasse também com um amor que tinha chegado ao auge.</h5>
<h5>Mas Ela não tinha ali apenas um amor de compaixão. Ela tinha um amor de enlevo, um amor de adoração, porque Ela via a Santidade Divina com que Ele carregava esse sofrimento até o fim, sem nenhuma vacilação, com uma determinação extraordinária, com uma perfeição, uma sabedoria infinita, dizendo todas as palavras que era possível dizer, aceitando tudo quanto era preciso aceitar até o momento em que Ele mesmo teve essa afirmação admirável: “Consumatum est”. Quer dizer: &#8220;Tudo está feito, a obra está pronta, a maravilha que Eu deveria fazer, Eu fiz, e com isso Eu fiz tudo quanto tinha que fazer. Meu Pai, em vossas mãos entrego o meu espírito&#8221;.</h5>
<h5>Os senhores compreendem que no momento em que Ele disse isso: “Consumatum est”, em que Ele entregou o espírito dEle a Deus, os senhores compreendem que o amor de Nossa Senhora tem que ter chegado a um auge inimaginável. Porque Ela o via atingir a plenitude de sua obra e dar a maior manifestação de sua Santidade Divina. Então, é claro que o ato de amor dEla também foi um ato perfeitíssimo.</h5>
<p><strong>* O auge de amor de São João Evangelista foi recompensado com o maior de todos os dons</strong></p>
<h5>Se se pode comparar um astro que tem o brilho de cinco quintilhões de sóis, com um vaga-lume, depois de nós olharmos para Nossa Senhora, olhemos para as santas mulheres e para São João Evangelista.</h5>
<h5>São João Evangelista estava ali representando também alguma coisa que era um auge. O amor dele tinha chegado ao auge. Ele era o discípulo amado, ele tinha repousado, na Quinta-feira Santa, a cabeça dele sobre o peito de Nosso Senhor e tinha tido o privilégio incomparável de ser o primeiro devoto, depois de Nossa Senhora, do Sagrado Coração de Jesus, ouvindo as pulsações do Sagrado Coração de Jesus, que naquela hora pulsava de amor por todos os homens. Ele depois tinha feito o horror que os senhores sabem. Ele também dormiu, ele também fugiu, ele também fez de tudo. Mas ele era o Apóstolo virgem, ele era o Apóstolo amado. E as almas virgens, mesmo nas suas situações mais tristes, encontram recursos, encontram forças para cumprir o dever que, infelizmente, as almas não virgens não têm.</h5>
<h5>Por outro lado, Deus protege as almas virgens. Deus atrai a si as almas virgens. Com certeza, em atenção à virgindade dele, Nossa Senhora obteve que ele fosse chamado. E ele teve essa honra, não só ele, o discípulo do amor, de estar no auge do amor naquele momento, mas de, ao mesmo tempo, representar todos os Apóstolos e evitar que a vergonha do Colégio Apostólico fosse completa.</h5>
<h5>Também, nesse auge do amor ele recebeu o auge da recompensa. Porque não pode haver dom maior do que a pessoa receber Nossa Senhora como presente. Aquela hora em que Nosso Senhor disse a ele: &#8220;Mulher, aqui está teu filho.&#8221; E depois Ele disse a São João Evangelista: &#8220;Aqui está tua Mãe&#8221;, ele recebeu um presente inestimável.</h5>
<h5>Há comentadores que dizem que São Pedro, se estivesse presente, teria recebido Nossa Senhora, que Ela era um tal tesouro, que Ela normalmente devia estar com o Chefe da Igreja. Mas que tal não se deu porque São Pedro estava ausente. E que Ela foi dada ao discípulo que estava presente.</h5>
<h5>Os senhores podem imaginar qual é o valor disso? Abaixo de Deus, infinitamente abaixo de Deus, mas insondavelmente, incalculavelmente acima de todas as outras criaturas, está Nossa Senhora. Receber Nossa Senhora de presente, não há palavras que signifiquem o que isso representa. É o canal de todas as graças, é a obra prima de Deus, enfim, é Nossa Senhora!</h5>
<h5>Ele recebeu como Mãe e, ato contínuo, ele começou a agir com Ela como filho. Porque diz o Evangelho que a partir daquela hora ele A recebeu em sua, que não quer dizer apenas na sua casa, mas quer dizer na sua família. Começou a agir como sendo Ela um membro da família dele. E começaram essas relações misteriosas de alma que essa adoção criou, e que eu creio que é algo imensamente ligado com a sagrada escravidão de São Luís Grignion de Montfort.</h5>
<h5>Quer dizer, é uma relação de alma excelente, insondável, misteriosa, pela qual ele se vinculou a Ela de um modo também que nós nem podemos calcular.</h5>
<h5>Os senhores têm ao lado da inocência, a penitência. Os senhores têm Maria Madalena, que está ao pé da Cruz chorando também, chorando seus pecados que produziram aquilo, e chorando os pecados da humanidade inteira.</h5>
<h5>Os senhores têm ao lado dela uma irmã ou prima de Nossa Senhora. Os intérpretes discutem, mas eu sou muito mais propenso a admitir que tenha sido prima do que irmã, porque me custa a crer que uma pessoa como Nossa Senhora tenha tido alguém que estivesse tão perto dEla como uma irmã. A gente deve achar que Ela não tinha ninguém tão perto de si, e que Ela que era a obra-prima única de Deus também fosse filha única, enfim estava ali para representar o afeto familiar, a união familiar, a solidariedade que Ela tinha com Nossa Senhora nessa hora.</h5>
<h5>Os senhores veem que, então, nós temos aqui três auges, dois auges: Nós temos o auge do ódio do povo judaico, nós temos o auge do amor que [inaudível] Nosso Senhor.</h5>
<p><strong>* O auge do holocausto precedido por um auge de perdão</strong></p>
<h5>De outro lado, nós temos o auge do sofrimento de Nosso Senhor. O que Nosso Senhor deve ter sofrido ali do ponto de vista físico, não tem palavras. Nunca ninguém, nem antes nem depois dEle, sofreu, nem conseguiria sofrer o que Ele sofreu.</h5>
<h5>Os senhores veem, pela narração do Evangelho, que Ele estava devastado por toda espécie de dores, por toda espécie de aflições. Os senhores percebem que quando Ele disse “Consumatum est”, Ele, nessa palavra, dizia muitas coisas. Ele dizia, antes de tudo, que toda a dor que Ele pudesse ter, estava sofrida e que toda a medida das dores estava cheia. Não lhe faltava sofrer mais nada.</h5>
<h5>Depois, também, Ele dizia que o processo mortal, o processo de morte tinha tomado conta do Corpo dEle e que, portanto, faltava apenas um hiato minúsculo para Ele se oferecer, para Ele morrer, para sua Alma se desprender do Corpo.</h5>
<h5>Quer dizer, estava consumado o crime cometido contra Ele. Estava consumado também o sacrifício que Ele ia fazer. E por causa disso logo depois Ele disse: &#8220;Meu Pai, em vossas mãos Eu encomendo a minha Alma, Eu entrego minha Alma&#8221;. O que queria dizer: &#8220;Eu vos ofereço essa morte, que Eu aceitei por vós, para os vossos desígnios e para obedecer a vós&#8221;. Os senhores estão vendo aí, é um outro auge que chega.</h5>
<h5>Pouco antes disso os senhores notam um outro auge: É o auge do perdão. O que se passou com São Dimas é uma coisa verdadeiramente inimaginável. Porque São Dimas não só foi perdoado, embora ele fosse um pecador péssimo, mas ele foi confirmado em graça. Porque Nosso Senhor garantiu a ele, que ele não pecaria mais. Implicitamente, dizendo que estaria com Ele no Paraíso, garantiu a ele que não pecaria mais. O que não é pouca coisa. Porque as pessoas quando passam pela agonia, são muito tentadas, e São Dimas devia estar sofrendo pavorosamente. Porque o suplício da cruz é um suplício pavoroso.</h5>
<h5>Embora ele fosse menos mal tratado do que Nosso Senhor, ele também não tinha a força sobrenatural de Nosso Senhor, e o que ele deveria estar sofrendo deveria ser um verdadeiro horror. Nessa ocasião, o demônio, com certeza, quis tentar a alma dele, mas Nosso Senhor garantiu: &#8220;Tu perseverarás&#8221;.</h5>
<h5>E mais ainda, de um ladrão crucificado ele fez o primeiro santo canonizado, dizendo: &#8220;Tu, hoje ainda, estarás comigo no Paraíso&#8221;.</h5>
<h5>Ele que tinha podido transformar a água em vinho, Ele podia também transformar um ladrão num santo. E Ele quis naquele momento fazer de um ladrão um santo, e fez.</h5>
<h5>E por causa disso, eu não me lembro bem se foi o Padre Vieira ou se foi outro comentador, que teve essa expressão muito engraçada: &#8220;Feliz ladrão, que ao morrer roubaste o Céu&#8221;&#8230; Porque, realmente, ele roubou o Céu. Os méritos dele não estavam na proporção de alcançar o Céu. Ele ganhou o Céu porque Deus quis. E ele entrou no Céu pela misericórdia de Deus.</h5>
<h5>É o símbolo da via misericordiosa das almas que sabem que não valem nada, que são muito pouca coisa, mas que se entregam a Deus Nosso Senhor e que são cumuladas pela misericórdia de Deus. Assim nós temos um outro auge que chega.</h5>
<p><strong>* Descida da Cruz, a Vítima Divina é colocada sobre o mais digno dos altares: Nossa Senhora. Iniciam-se as primeiras cerimônias da Igreja</strong></p>
<h5>Bem, terminada a crucifixão, os senhores têm que Nosso Senhor é tirado da Cruz. E os senhores conhecem o desfecho. Ele é tirado da Cruz, recolhem-se como restos preciosos todos os objetos do martírio dEle ─ a Coroa de Espinhos, os Cravos, o Sangue Precioso que estava aderente do lado de fora do Corpo dEle ─ tudo isso se recolhe, Ele é embalsamado e levado para a sepultura.</h5>
<h5>Mas há um momento que é o momento pungente de toda essa cena, e que é o momento em que Nosso Senhor, descido da Cruz, é posto no colo de Nossa Senhora. Onde deitar o Corpo sacrossanto de Nosso Senhor Jesus Cristo? No alto do Calvário não havia uma mesa, no alto do calvário não havia um móvel. Mas havia outra coisa: era Nossa Senhora sentada sobre uma pedra. O colo dEla era perfeitamente digno de carregar aquele peso, Ela que O tinha tido nas entranhas.</h5>
<h5>E os senhores têm aí um ciclo: Nossa Senhora que dá a vida a Nosso Senhor, Nossa Senhora que contempla o cadáver de Nosso Senhor sobre seu colo. Naquele momento Ela foi mais uma vez um altar, sobre o qual estava a Vítima Divina, já então imolada. E Ela então considerava com dor o seu Divino Filho morto. É a cena que se costuma chamar da &#8220;Piedade&#8221;, é a cena da compaixão. É Nossa Senhora que tem pena dEle, que sofre vendo-O naquele estado e que tem por Ele, portanto, com-paixão.</h5>
<h5>Paixão, em latim, quer dizer sofrimento. Cum passio quer dizer: sofreu junto com Ele. E é considerando Nossa Senhora com Nosso Senhor Jesus Cristo no colo que se aplicam melhor do que em quaisquer outras circunstâncias, aquelas palavras da Escritura, que se cantam aqui, do profeta Isaías: &#8220;Ó vós todos que passais pelo caminho, parai e vede se existe uma dor igual à minha&#8221;.</h5>
<h5>Realmente, não há dor igual à de Nossa Senhora com seu Divino Filho no colo.</h5>
<h5>Mas ao mesmo tempo nós vemos a Igreja, que já habita naquela gente, habita de um modo mais excelente em Nossa Senhora, que começa a dar as manifestações do que Ela seria de futuro. Já começa um ritual, já começa um cerimonial. Nosso Senhor embalsamado é levado processionalmente ─ é a primeira procissão da Santa Igreja Católica ─ é levado processionalmente para a sepultura. E ali então se lacra a sepultura, se sela e estão os guardas. A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo acabou.</h5>
<p><strong>* Enquanto no Limbo se comemorava a chegada do Redentor, na Terra faziam-se notar os sinais da cólera de Deus</strong></p>
<h5>O que nós podemos dizer do que aconteceu depois? O complemento é indizível.</h5>
<h5>Os senhores sabem que a Alma de Nosso Senhor Jesus Cristo, ligada em união hipostática à Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, a Alma dEle desceu ao Limbo, onde estavam todos os justos do Antigo Testamento, há séculos e séculos e séculos, à espera do Salvador que lhes viesse trazer o Céu.</h5>
<h5>Muitos tinham passado pelo Purgatório e já estavam ali com seus pecados pagos, esperando apenas o momento em que viesse o Filho de Deus para levá-los ao Céu.</h5>
<h5>[&#8230; alegria enorme] que houve no Limbo quando Nosso Senhor ali chegou.</h5>
<h5>São José, que dEle se aproximou, os patriarcas, os profetas, os mártires, os santos de toda ordem que tinha havido no Antigo Testamento, que vieram para homenageá-Lo e depois Nosso Senhor abrindo o Céu para eles, Nosso Senhor se fez acompanhar por eles por toda a parte. E depois quando subiu ao Céu, levou-os para o Céu. Eram milhões e milhões de almas.</h5>
<h5>Mas enquanto isso acontecia no [Limbo] na Terra acontecia uma coisa bem diferente. Havia um terremoto, no céu, como os senhores sabem, o sol se cobriu, fez-se trevas numa hora em que não era para haver trevas; a terra toda tremeu.</h5>
<h5>Quer dizer, o crime foi tão abominável que a natureza toda estremeceu. E no meio dessas trevas racharam-se muitas sepulturas que eram de justos da Antiga Lei. E esses cadáveres desses justos, todos amarrados, todos embalsamados com aquelas tiras, todos presos com aquelas faixazinhas que atavam aos cadáveres, começaram a andar de um lado para outro, com os olhos fechados e exprobando aos judeus o crime que tinham cometido.</h5>
<h5>Havia duas espécies de reações: uns eram os que se apavoravam e, então, desesperavam.</h5>
<h5>[Anás ou Caifás, que tinha tanto medo que], na sala onde estava ele, andava de quatro de um lado para outro não sabendo onde ir. Mas na mesma sala estava um outro, não sei qual era, se Anás ou Caifás, que era &#8220;n-a-n-e&#8221; ─ os havia ─ que estava deitado num móvel muito cômodo e dizendo que nada daquilo tinha importância, e que não se deveria relacionar isso com a morte de Nosso Senhor&#8230;</h5>
<h5>É a reação que os senhores vão presenciar durante a “Bagarre” [castigos profetizados por Nossa Senhora em Fátima]. Durante a “Bagarre” os senhores vão ver filhos das trevas, os que não se converterem, os senhores vão ver andarem de quatro de medo, urrando e uivando até que o demônio os pegue e os leve, vivos ou mortos, para o Inferno.</h5>
<p><strong>* De um lado, o auge de misericórdia de Deus para com os justos; de outro, o inexorável castigo contra o povo deicida</strong></p>
<h5>(&#8230;) e verem o seu Salvador.</h5>
<h5>Mas também a cólera de Deus chegou ao auge.</h5>
<h5>Ela viveu ainda quarenta anos antes de ser destroçada. Mas ela estava amarrada ao seu martírio, como uma vítima que está amarrada ao pelourinho para ser morta pelo carrasco a qualquer momento.</h5>
<h5>Os senhores conhecem o cerco de Tito contra Jerusalém e as cenas horríveis que Flávio Josefo conta, historiador judeu.</h5>
<h5>Ele conta que na cidade de Jerusalém, antes dos romanos penetrarem, a fome era tão grande que as pessoas se matavam umas às outras para se devorarem, e que as mães comiam os filhos. E no meio disso &#8220;n-a-n-esismo&#8221; [indiferentismo], porque havia ladrões que vendo que a cidade estava perdida e que ninguém mais ligava para os objetos materiais, roubavam esses objetos para ficarem ricos. O que é o auge do &#8220;n-a-n-e&#8221;. Porque, o que fazer com esses tesouros, eles que daqui a pouco vão ser mortos, vão ser liquidados pelos romanos?</h5>
<h5>Os senhores conhecem que Tito, Imperador romano, tinha dado ordens de pouparem o Templo de Jerusalém, mas que os soldados entraram com tochas, essas tochas caíram não me lembro bem onde, incendiaram o Templo, e que o Templo inteiro, famoso no mundo inteiro, que o Templo ardeu. Depois o Templo foi arrasado.</h5>
<h5>Depois, no tempo de Juliano, o apóstata, foram arrasados os últimos alicerces do Templo. E hoje, onde havia o Templo de Jerusalém, tem uma mesquita mulçumana. Um jardim, uma praça pública e uma mesquita mulçumana. Não resta mais nada. Era também o auge do castigo.</h5>
<h5>E por isso, quando Nosso Senhor fala do fim do mundo, que vai ser a cólera última e a cólera suprema, Ele narra misturando com a queda de Jerusalém. São dois mundos que acabam. É Jerusalém que acaba, é o mundo que acaba.</h5>
<h5>É o fim do mundo e, a meu ver, será o dolorosíssimo extermínio da Igreja Militante. A Igreja não acabará enquanto não acabar o mundo. Mas eu acredito que o mundo acabará porque a Igreja estará em condições tão tristes que é só mesmo acabando. E que, então, não podendo mais haver a Igreja, Deus liquida o mundo.</h5>
<p><strong>* Lição a ser tirada dos auges da Paixão de Nosso Senhor</strong></p>
<h5>Dessas coisas todas nós podemos retirar uma lição para nós? A lição, meus caros, deve ser uma lição de previsão.</h5>
<h5>Nós estamos assistindo a crucifixão da Santa Igreja Católica. Nós estamos assistindo um crime que é quase o crime do deicídio. Porque a Igreja é o Corpo Místico de Cristo. Matar a Igreja é como que matar a Cristo. E é uma coisa clara que entra pelos olhos, que se essa gente pudesse matar a Igreja, matariam. Ela só não morre porque Ela é imortal. Isso é uma coisa que entra pelos olhos.</h5>
<h5>Quer dizer, o deicídio está sendo cometido de novo. E quando a conspurcação da Igreja chegar a um certo ponto extremo, ao auge permitido para que Ela não deixe de existir, quando chegar a esse ponto nós teremos o castigo, e os senhores, então, verão gente que vai agir exatamente como esses celerados.</h5>
<h5>Agora, que a Igreja está agonizando, os senhores veem que há gente que dá pedradas na Igreja, que injuriam a Igreja, que trai a Igreja, que lhe dá o ósculo de Judas, que faz de tudo contra Ela. Os senhores verão, na hora do castigo, gente que vai reagir andando de quatro pela rua. Os senhores nasceram para presenciar esse auge, os senhores nasceram para ser um auge.</h5>
<h5>Qual é o auge? É o auge da fidelidade. Aqueles que são fiéis no momento em que todos foram infiéis. Aqueles que estão do lado de Nossa Senhora e da Igreja, e de Nosso Senhor, no momento em que todos abandonaram. É esse o auge que os senhores devem representar.</h5>
<h5>E como é que nós podemos estar à altura de atingir um auge desses?</h5>
<h5>É evidente que é por meio da oração. Pedindo exatamente que os méritos preciosos de Nosso Senhor Jesus Cristo desçam sobre nós e que nos transformem. Pedir isso pelos rogos de Maria e pelas lágrimas de Maria. Isso é o que nós devemos fazer.</h5>
<h5>Não pensem que nós vamos ter uma vida comum e que nossa vida vai se acabar como a vida comum dos homens: direitinha, arranjadinha, numa cama de casa de família, ou numa cama de hospital, ou, quiçá, numa cama de convento.</h5>
<h5>Nossa vida ─ não digo de cada um de nós, mas da generalidade de nós ─ vai terminar durante a “Bagarre” ou nos esplendores do Reino de Maria, mas ela vai terminar em condições heroicas de virtude, de santidade, ou heroicas, também, pelos tormentos no meio dos quais nós vamos morrer. Mas nós temos que nos preparar para isso, porque nós nascemos para auges.</h5>
<h5>Outro dia me contaram que Santo Estanislau Kostka, o famoso jesuíta, tinha um lema. Ele dizia: <em>Ad majora natus sum.</em> Quando ofereciam para ele glórias humanas, glórias terrenas etc., a reação dele, a resposta era &#8220;<em> Ad majora natus sum</em> &#8211; Eu nasci para coisas maiores do que isso&#8221;.</h5>
<h5>Nós devemos pedir hoje e graça de dizer a Nossa Senhora&#8230; Não, devemos pedir a Nossa Senhora a graça de dizer, quando outras pessoas nos convidarem para viver uma vida diferente da nossa vocação, de dizer, de responder: <em>Ad majora natus sum.</em> Nós nascemos para coisas muito maiores do que essa microlice da vida quotidiana. Nós nascemos para auges, para o auge do amor, para o auge do heroísmo, para o auge da dedicação, para o auge da contrição, para o auge da devoção a Nossa Senhora, num mundo que também chegou a um auge. Que é o auge da sem-vergonhice, auge do despudor, o auge do amoralismo, o auge do egoísmo e o auge da impiedade.</h5>
<h5>Onde ─ diz uma frase da Escritura ─ foi abundante o pecado, era necessário que fosse superabundante a graça.</h5>
<h5>No nosso mundo, que é um mundo de pecado, é necessário que haja gente na qual a graça seja superabundante. Sejamos nós esses felizes.</h5>
<h5>Com despretensão, peçamos a Nossa Senhora que nós estejamos no auge de todas as coisas boas que Ela reserva para esse século de auges, esse século que não será compreendido a não ser pelas almas que realmente têm fome e sede do auge de todas as coisas.</h5>
<h5>E com isso fica feito o Santo do Dia de hoje.</h5>
<p><strong>Nota:</strong> Para consultar a coletânea <strong>ESPECIAL</strong> dedicada aos temas relativos à <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/quaresma-semana-santa-coletanea/#gsc.tab=0"><strong>Quaresma e à Semana Santa clique aqui</strong></a>.</p>
<p>L'articolo <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/ante-nosso-senhor-no-calvario-quantos-auges-se-podem-contemplar-licoes-por-eles-proporcionadas/">Ante Nosso Senhor no Calvário, quantos auges se podem contemplar! Lições por eles proporcionadas</a> proviene da <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info">Plinio Correa de Oliveira</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Um católico fazer apostolado sem a graça de Deus é uma impossibilidade! Uma mentalidade em duas grandes pessoas: Dom Chautard e o Marechal Foch</title>
		<link>https://www.pliniocorreadeoliveira.info/um-catolico-fazer-apostolado-sem-a-graca-de-deus-e-uma-impossibilidade-uma-mentalidade-em-duas-grandes-pessoas-dom-chautard-e-o-marechal-foch/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Nestor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Mar 2026 22:42:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Multimédia]]></category>
		<category><![CDATA[Senza categoria]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.pliniocorreadeoliveira.info/?p=31770</guid>

					<description><![CDATA[<p>Continuação do Santo do Dia de 22 de maio de 1976 &#8211; Sábado &#160; A D V E R T Ê N C I A O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não [&#8230;]</p>
<p>L'articolo <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/um-catolico-fazer-apostolado-sem-a-graca-de-deus-e-uma-impossibilidade-uma-mentalidade-em-duas-grandes-pessoas-dom-chautard-e-o-marechal-foch/">Um católico fazer apostolado sem a graça de Deus é uma impossibilidade! Uma mentalidade em duas grandes pessoas: Dom Chautard e o Marechal Foch</a> proviene da <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info">Plinio Correa de Oliveira</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/o-dinheiro-nao-e-a-medida-de-todas-as-coisas-numa-civilizacao-verdadeira-o-grande-marechal-foch/#gsc.tab=0"><em><strong>Continuação do Santo do Dia de 22 de maio de 1976 &#8211; Sábado</strong></em></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>A D V E R T Ê N C I A</strong></p>
<p style="text-align: center;">O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.</p>
<p style="text-align: center;">Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:</p>
<p style="text-align: center;"><strong>“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.</strong></p>
<p style="text-align: center;">As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro “<a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/livrosnew"><strong>Revolução e Contra-Revolução</strong></a>“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de <a href="https://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0892/p01.html"><strong>“Catolicismo”</strong>,</a> em abril de 1959.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe title="Um católico fazer apostolado sem a graça de Deus é uma impossibilidade! Uma mentalidade em 2 pessoas" width="800" height="450" src="https://www.youtube.com/embed/qi9yYlwWBJ4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Os Srs. sabem que há um livro – e eu pergunto quantos dos Srs. já o leram – a &#8220;<strong><em>Alma de todo apostolado</em></strong>&#8220;, de Dom Chautard.</p>
<p>É possível que eu desenvolva metodicamente à noite aqui a “Alma de todo apostolado” de Dom Chautard em vez de estar tratando de tanta coisa aqui, lá ou acolá.</p>
<p>Nessa &#8220;Alma de todo apostolado&#8221; Dom Chautard desenvolve ideias que são baseadas na Revelação, e que têm uma analogia muito grande com as de Foch. Mas, naturalmente, todas elas embebidas de fé e de espírito católico.</p>
<p>De maneira que é o momento de eu fazer uma <strong>transposição dessa experiência de Foch para a de Dom Chautard, no livro &#8220;A alma de todo apostolado&#8221;.</strong></p>
<p>Quem foi Dom Chautard? Eu li uma vez uma biografia de Dom Chautard (1858-1935). Ele era filho de um pequeno tabelião, uma coisa assim, de uma cidade pequena, se não me engano da região dos Alpes (Briançon). São pormenores que eu não gravei bem.</p>
<p>Ele sentia que era um moço de muito valor, seu pai sentia isso também, e entendia que ele tinha que fazer a carreira dele fora, em outro lugar, porque o lugarzinho era muito pequeno, não estava nas proporções da personalidade dele.</p>
<p>E ele foi não me lembro bem se foi para Lyon ou para Marseille, alguma grande cidade do interior da França e ali começou um trabalho de contador ou de uma carreira burocrática desse gênero. Mas de fato ele aspirava a coisas mais altas.</p>
<p>Ele fazia estudos etc., relaxou um tanto na prática da religião, mas sem deixar de ser católico praticante durante a mocidade. E ainda nesse tempo da mocidade dele, a graça o tocou e ele quis ser trapista.</p>
<p><strong>Os trapistas</strong>, como os Srs. sabem, são uma ordem religiosa fundada por São Bernardo, um ramo da Ordem beneditina. Quer dizer, a regra seguida pelos trapistas é uma velha e imortal regra de São Bento, datando ainda do tempo do Império Romano, mas que foi sendo interpretada de várias maneiras e dando origem a várias ordens religiosas inspiradas pela mesma Regra, com aplicações diferentes.</p>
<p>E São Bernardo, no fim da Idade Média, considerando que a ordem beneditina estava em decadência depois dos grandes dias de Cluny, São Bernardo resolveu fundar um ramo novo, que é um ramo extraordinariamente austero e que até há pouco existia. Hoje, com essa autodemolição da Igreja, eu não sei o que é que existe&#8230;</p>
<p>Mas os monges, vestindo-se perpetuamente de branco, vivendo em grandes conventos, com extensões de terra enormes que eles mesmos trabalham com suas próprias mãos, levam uma <strong>vida extraordinariamente austera: jejuns, penitências.</strong></p>
<p>O seu duplo trabalho é correspondente à máxima de São Bento: “ora et labora”. Aqueles dos Srs. que passaram pela igreja de São Bento, em São Paulo, no Largo de São Bento, terão notado no ângulo entre a Rua São Bento e a Rua Florêncio de Abreu, um personagem trabalhado em granito que tem um dístico na mão: “Ora et labora – Reza e trabalha”. Esta é a norma dada por São Bento aos seus filhos: a vida é uma oração e um trabalho. Um trabalho para dar glória a Deus e uma oração para dar glória a Deus também.</p>
<p>Nós vamos ver daqui a pouquinho o que é que se entende por “trabalho” e o que é que se entende por “oração”.</p>
<p>O que sempre me causou, por causa, talvez, do <strong>meu temperamento muito expansivo</strong>&#8230; A minha família materna é paulista, mas ao contrário do que costuma acontecer com os paulistas, muito expansiva. E meu pai era pernambucano, portanto, nordestino. Os senhores sabem que os nordestinos são exuberantemente expansivos. Eu, portanto, por natureza &#8211; os Srs. veem &#8211; falo muito, falo aos borbotões e é evidente que gosto de falar.</p>
<p>E eu me lembro o choque que eu tive quando pela primeira vez eu li uma referência à particularidade da <strong>vida dos trapistas, que eu vou narrar agora, os trapistas passam a vida quietos, não falam nunca, a não ser nos casos de extrema necessidade</strong>, quando a Regra dá ordem. E eles têm aquele dia marcado pela Regra que eles também não podem interromper, a não ser em caso de extrema necessidade.</p>
<p>Numa das trapas da França &#8211; eu já não me lembro qual &#8211; se vê na parede essa coisa maravilhosa: a parede da igreja está rachada. Foi um terremoto que se produziu enquanto os trapistas rezavam o Ofício. Nenhum interrompeu o Ofício e nenhum saiu das estalas da igreja porque, segundo a Regra, era hora de rezar. Também não consertaram a parede. É claro! Aquilo é uma glória. Consertar aquilo seria uma gafe irremediável! Ficou ali para lembrar a fidelidade trapista à Regra de São Bernardo.</p>
<p>Acordam – não me lembro mais se duas ou três vezes à noite, (inclusive) no frio europeu – para ir rezar na igreja e voltar pare a dormir de novo.</p>
<p>Portanto, grandes sonos gostosos nas camas macias, onde a gente mais desmaia do que dorme horas seguidas, não existem para os filhos de São Bernardo&#8230; Pelo contrário, interromper o sono aquela hora&#8230;  jejuns de espantar&#8230; Em uma refeição, vem ovos duros e um pouco de peixe, está acabado! Lá vai a coisa para frente.</p>
<p>E a alternativa para a oração e para o trabalho é o estudo, que é uma forma de trabalho. Em geral eles têm boas bibliotecas, mas assim mesmo não são bibliotecas sobre qualquer coisa, em que um trapista pode, por exemplo, abrir um livro &#8220;As viagens maravilhosas do Sr. Fulano&#8221;, e ficar vendo como é o Ceilão, como é o Alasca, como é Paris, como é a nossa bela Espanha. Nada disso. Mas é no duro! Só sobre assuntos de vida espiritual: ascese e mística, ou altos assuntos de contemplação teológica. Mais nada. Nisso o trapista que entra jovem ainda passa vinte, trinta, quarenta, cinquenta anos, até que Deus colha sua alma.</p>
<p>Ele não tem nem cela. Ele dorme em grandes dormitórios comuns. A sua vida está posta ali, na presença de Deus.</p>
<p>O silêncio, ao meu temperamento expansivo, causou uma surpresa enorme! Porque quando eu era moço – hoje menos – me teria custado enormemente, mas enormemente!</p>
<p>Eu me lembro que a primeira vez que eu caí no silêncio foi quando eu era bem moço, tinha ainda 20 ou 21 anos, fui convidado para um retiro de congregado mariano em Santos. E eu estava pouco familiarizado com os modos de ser do Movimento Católico daquele tempo. Me falaram de Santos e eu pensei no mar. O mar é um perpétuo espetáculo! Não há como o mar, não é? Eu chego a dizer que nem o céu físico que nós vemos daqui – não digo o Céu empíreo, onde está Deus – mas o céu físico que nós vemos daqui é bonito como o mar. Eu tenho encanto pelo mar!</p>
<p>Diante do mar é uma conversa contínua porque a gente ferra prosas com o mar! O mar conversa para a gente ver: ele se faz grandioso, ele se faz pequeno, ele se faz caprichoso, ele vai, ele vem, ele remexe, ele sussurra, ele brilha, ele fica opaco&#8230; Uma das melhores prosas é a gente olhar para o mar&#8230; aí sim sem conversa (com outros). Porque o companheiro quer que a gente descreva o mar para ele&#8230; Não. Agora você espera, você tem seus olhos, olha o mar para você&#8230; Chegou a hora de eu olhar o mar para mim&#8230; Depois, quando estivermos lá dentro, talvez comentemos o mar. Mas agora é hora de&#8230; olha aquela ondinha&#8230; – Qual ondinha? Agora, não&#8230; Afinal chegou minha vez, não é? Eu vou olhar o mar sozinho.</p>
<p>Bem, eu pensava que o retiro era umas pregações, mar magnífico e uma cela para mim&#8230; Me levam para um porão onde tinha três camas em uma só cela e eu vejo com horror que era proibido falar&#8230;! E eu: como?! Três dias sem falar?! – Ah! Aqui não se fala. É a regra de Santo Inácio de Loiola. – Mas como?! Existe a possibilidade de uma pessoa ficar três dias sem falar? Eu não consigo não falar! – Não! Domine-se!</p>
<p>Eu me lembro que eu fiquei tão desanimado que quando o Padre saiu da minha cela, eu deitei na minha cama, mas de atravessado, com a cabeça e os braços para um lado, e as pernas de outro, e achava que ia desmaiar. Três dias foram três séculos&#8230;</p>
<p>Os srs. podem imaginar o que me parece, ao menos a mim, a vida de um trapista. Bem, essa é a vocação que teve o grande Dom Chautard.</p>
<p>Homem dotado de uma tal personalidade que – não preciso dizer outra coisa ao Srs. – uma vez em que esteve no Extremo Oriente para fundar uma trapa por lá, estava em um lugar onde desembarcavam mercadorias, uma espécie de alfândega e tinha um leão numa jaula. Ele era dotado de muitos talentos, entre outros era um hipnotizador exímio. Ele então fez a experiência – para se distrair com algumas pessoas que estavam com ele, porque fora da trapa o trapista pode conversar – de hipnotizar o leão. Daí a pouco o leão estava mansinho, deitado no chão&#8230; Dom Chautard tinha hipnotizado o leão. Pode-se imaginar o domínio que precisa ter um homem para ser hipnotizador de leões&#8230;</p>
<p>Os senhores deveriam procurar uma fotografia de Dom Chautard: uma cabeça grande, enorme, possante; olhos serenos e profundos, uma espécie de firmamento; a cabeça apoiada na mão, como que ao peso do pensamento; o traje branco, imaculado, expressão da pureza dele, e ele pensando&#8230; É uma coisa magnífica! É pena eu não ter pensado que trataria de Dom Chautard hoje com os Srs., do contrário eu teria arranjado uma projeção de Dom Chautard. Creio que alguns dos Srs. já viram a fotografia dele e não é necessário estar projetando.</p>
<p>Mas de qualquer forma, Dom Chautard chamou a si o seguinte apostolado: de, — numa época que era depois da I Guerra Mundial, mas sobretudo depois da II Guerra Mundial, em que a influência da civilização mecânica, comercial, material de nossos dias estava também atacando e fazendo devastações no clero — ele convencer os padres de que <strong>o principal da vida do padre não é de estar cuidando das almas</strong>, <strong>não é estar cuidando da própria Igreja Católica, Apostólica, Romana: é de estar cuidando da sua própria alma.</strong></p>
<p><strong>O padre que se santifique a si mesmo</strong> – vamos ver daqui a pouco o que é se santificar na concepção de Dom Chautard – e procure ser um modelo de padre, <strong>implacavelmente destinando a esse fim todo o tempo necessário; depois disso, o padre que faça o seu apostolado.</strong></p>
<p><strong>Então ele terá um apostolado que tem verdadeira alma, porque ele formou a sua alma na oração</strong>. <strong>Formando sua alma na oração, ele tem o que dizer aos outros.</strong> Quer dizer, ele é, portanto, um homem capaz de impressionar os outros com aquela forma especial de impressão que o padre deve exercer, <strong>ou, não sendo padre, o leigo católico deve exercer sobre aqueles com quem trata.</strong></p>
<p>Ele conta de um santo que viveu no século passado e do qual os senhores com certeza já ouviram falar, o bem-aventurado <strong>Cura d&#8217;Ars</strong> – é santo hoje, São João Batista Vianney. E ele conta que um advogado de Paris foi fazer uma visita à cidadezinha de Ars, de que São João Batista Vianney era vigário, para conhecê-lo, porque ele era um homem de quem falavam muito. Quando voltou a Paris, perguntaram a esse advogado:</p>
<p>– O que o senhor viu lá em Ars?</p>
<p>– Vi uma coisa: Deus num homem.</p>
<p>Porque era só ele começar a falar, que as almas se comoviam e se modificavam; e as conversões que ele fazia eram espantosas e numerosíssimas!</p>
<p>Dizia bem Dom Chautard: qual é a razão dessa conversão? Por que ele conseguia converter – era <strong>um homem pouco inteligente o Cura d’Ars</strong> – enquanto outros padres tão inteligentes, muitas vezes, não convertem ninguém? <strong>A resposta era: ele tinha uma grande vida de pensamento, uma grande vida de meditação, uma grande vida interior.</strong> E porque tinha essa vida interior, <strong>estava imbuído e compenetrado das doutrinas que ensinava</strong>. E quando ele ensinava, as pessoas tinham a sensação de ter um <strong>contato vivo com as verdades das quais ele era o arauto. O resultado é que a pessoa se convertia como se visse Deus num homem.</strong></p>
<p>Às vezes a voz dele era fraca e nem conseguia ser ouvido bem por todo mundo. Não havia alto-falante naquele tempo, não conseguia fazer-se ouvir por todo o mundo. Mas de vê-lo, e de vê-lo falar sem ouvi-lo, muitas pessoas já se convertiam.</p>
<p><strong>Ele possuía internamente isso que vemos no Foch, de outra maneira.</strong></p>
<p>Quer dizer, um homem muito pensativo e que pensava a respeito do que tinha que pensar. Nós veremos daqui a pouco no que ele tinha que pensar e como é que pensava. <strong>Ele pensava a respeito do que tinha que pensar e como devia pensar.</strong> <strong>E por causa disso, tinha um amor profundo às verdades da Doutrina Católica a respeito das quais pensava</strong>. Por causa disso, contagiava com esse amor os outros, convertia as pessoas em grande quantidade.</p>
<p><strong>Como é que pensa um católico?</strong> E é só esse contágio a força de conversão do verdadeiro católico?</p>
<p>A esse respeito cabe-me dizer aos Srs., como uma <strong>pequena introdução à “Alma de todo apostolado”</strong>, alguma coisa de muito rápido, de muito sumário por causa do horário; pelo meu relógio são 23:50.</p>
<p><strong>Mas o verdadeiro sacerdote, o verdadeiro católico leigo que consagra sua vida à causa católica – e assim desejamos ser todos nós – tem um modo de pensar em que ele relaciona tudo quanto vê, tudo aquilo com que trata, ele relaciona com Deus.</strong></p>
<p><strong>Como relaciona com Deus?</strong> Veremos daqui a pouco.</p>
<p>Mas ele <strong>vê todas as coisas em função de Deus</strong>. E pelo fato de ver em função de Deus, ele percebe o que é o bem e o que é o mal, o que é verdade e o que é erro. E ele deve ter uma <strong>alma profundamente admirativa</strong>.</p>
<p><strong>A alma incapaz de admiração é incapaz de verdadeira vida de piedade.</strong></p>
<p>Ele toma, então, aqueles vários aspectos da Doutrina Católica a respeito de Deus, do pecado, da Redenção, do Verbo Encarnado, da Maternidade Divina, dos sacramentos, da Igreja, da Lei de Deus, <strong>vai analisando, vai se enlevando, se entusiasmando com aquilo, aprofundando cada vez mais e admirando cada vez mais.</strong></p>
<p>Porque as coisas da Igreja porque são divinas, de tal maneira são aprofundáveis que, ainda que se passe uma vida pensando sobre uma delas, ainda haverá alguma coisa que se tirar de dentro, de tal maneira são ricas e são até inesgotáveis.</p>
<p>E ele, conforme as apetências de sua alma, vai pensando nisso, relacionando com aquilo e <strong>à medida que relaciona, conhece mais. É o ver.</strong></p>
<p><strong>À medida que ele conhece mais, admira mais: julgar</strong>. A admiração é um julgamento. A admiração é a conclusão de que certa coisa é admirável e, portanto, ele admira.</p>
<p><strong>Só depois é que vai agir: faz apostolado.</strong></p>
<p><strong>Mas que apostolado faz uma alma assim imbuída de meditação e de admiração!</strong></p>
<p>Ora, essa meditação e essa admiração é que <strong>se chama oração</strong>.</p>
<p>Oração não é só rezar – é também e é em larga medida, em venerável medida. <strong>Oração é a elevação da mente a Deus.</strong> Quer dizer, não ficar pensando apenas no palpável, mas sai do palpável e pensa em Deus. Aí se tem a elevação da mente a Deus. E é o relacionar tudo assim, com a mente posta em Deus, isto  é fazer oração. Imbuir-se do espírito católico para difundir o espírito católico em torno de si.</p>
<p>Numa palavra, <strong>como é que se faz isso?</strong></p>
<p>Os senhores têm aqui atrás de mim <strong>duas criaturas de Deus:</strong> uma é um <strong>paredão de pedra</strong>; e os senhores têm depois um <strong>estandarte de couro, com o leão rompante</strong>.</p>
<p>Como é que do paredão de pedra a gente eleva a mente até Deus? Como é que do leão rompante, a gente chega até Deus? Eu falaria demais tempo se fosse pegar todas essas coisas juntas – tem ainda uma <strong>alabarda</strong>, e há uma <strong>imagem de Nossa Senhora</strong> – que nos podem falar de Deus&#8230; Não sei de qual delas os Srs. gostariam mais que eu fizesse a aplicação.</p>
<p>Vão levantando o braço&#8230; O leão ganhou. E eu não censuro. É explicável. Não é necessariamente a imagem de Nossa Senhora — nem sempre uma imagem é aquilo que mais nos toca — mas é outra coisa que Deus criou para tocar a nossa alma de mil modos.</p>
<p><strong>Os senhores vêm ali o leão</strong> – eu não o tenho diante dos olhos, mas eu o tenho melhor do que diante dos olhos, na retina – o <strong>leão dourado</strong>, que intencionalmente a pessoa incumbida da decoração da sala quis de um tamanho um pouco descomunal.</p>
<p>O próprio estandarte é de um tamanho um pouco descomunal que é para impressionar quem vê. Não sei se pensaram como essa sala seria diferente se o estandarte fosse pequenininho. A baixa de nível que seria. E uma alabardinha assim, onde o estandarte estivesse pendurado&#8230; a tristeza. Mas precisava ser uma alabarda de bom tamanho e, pendurado nela, <strong>um estandarte pesado, de couro. Nada de sedas farfalhantes.</strong> <strong>Couro resistente, curtido</strong>, capaz de levar golpes, pintado de vermelho e, nele, um leão áureo.</p>
<p><strong>O que o leão áureo, que impressão esse leão causa à alma? </strong>Evidentemente causa a impressão estilizada do que a fera leão costuma causar. Quer dizer, o rei das selvas no exercício dos seus direitos, de sua soberania. O ordenador da selva, diante da qual todos se curvam, e que se encontra um adversário que se opõe ao bem, à reta ordenação da qual ele é símbolo. Então ele se levanta com todo o seu vigor, com toda a sua decisão e ataca de garras de fora, como quem diz: &#8220;Se isso está torto, eu acerto. Se está errado, eu esmago. Mas nada pode existir diante de mim que seja torto ou errado. Só tem direito aquilo que é conforme Deus!”</p>
<p>O que é isso? É evidentemente uma rememoração, um símbolo das almas que Deus suscitou na Igreja Católica, símbolos da coragem, símbolos do direito, símbolos do heroísmo, de um grande Carlos Magno, por exemplo, que poderia ser chamado &#8220;o leão coroado&#8221;, de Godofredo de Bouillon, de quantos outros ao longo da História.</p>
<p>É só isso? <strong>O leão é o símbolo do homem; o homem é símbolo de Deus</strong>. Por detrás do homem majestoso, régio, pleno como foi Carlos Magno, por cima dele, infinitamente por cima dele, nós podemos ver Deus Nosso Senhor, que não é só majestoso, mas é ‘A Majestade’; não é só régio, mas é ‘A Realeza’; não é só forte, mas é ‘A Força’; não é só colérico contra o mal, mas é ‘A Cólera’ contra o mal. E que possui, então, de modo personificado e inimaginável, todas essas coisas que no leão de tal maneira eu admiro.</p>
<p>Então<strong>, eu olho esse leão e penso: &#8220;Quantas coisas a Igreja pôs na vida parecidas com esse leão! Que admirável a Igreja Católica! Nosso Senhor Jesus Cristo é chamado pela Escritura o Leão de Judá</strong>; <strong>e quando o ódio do mundo inteiro se levantou contra Ele, Ele enfrentou de peito aberto e generoso, desdenhando até de entrar em luta com aquela gente</strong>.</p>
<p>Perguntaram se Ele era Jesus de Nazaré, Ele disse: ”Eu o sou.&#8221; Todo mundo caiu de cara no chão! Depois Ele se entregou. Como quem diz: &#8220;Eu tenho uma missão muito maior do que vocês! Vocês o que são? Instrumentos, vá lá! Agora eu vou sofrer pela humanidade.&#8221; Coisa maravilhosa!</p>
<p>Nós pensamos mais ainda na própria essência divina!</p>
<p><strong>Então, do leão subimos ao homem; do homem, subimos ao Homem Deus, do Homem Deus subimos a Deus Nosso Senhor. Essa é a meditação: elevar-se até Deus através das coisas sensíveis.</strong></p>
<p><strong>O verdadeiro católico faz isso. </strong></p>
<p>Por exemplo, munido de “Revolução e Contra-Revolução”, ele tem o espírito contra-revolucionário e odeia o espírito revolucionário. Ele se perguntará em torno dele o que é Revolução e o que é Contra-Revolução; o que é conforme à Revolução e conforme à Contra-Revolução.</p>
<p>Ele vai admirando ou vai detestando. Mas subindo até Deus, que é a personificação de todas essas perfeições. <strong>Isto é fazer oração, isto é elevar sua mente a Deus.</strong></p>
<p>Por um pouquinho que os Srs. façam, <strong>os Srs. compreenderão que isso é viver. A vida assim é interessante de observar, é bonita até quando é feia. </strong></p>
<p>Porque a gente fica espreitando o castigo de Deus ao longo do caminho para ver como Deus é magnífico até quando castiga. Por exemplo, nos terremotos que estão havendo agora na Europa: a terra treme&#8230; Muitas vezes – nem sempre &#8211; a cólera de Deus se manifesta aos homens: raio, relâmpagos&#8230; que coisas lindas! Aquela fulguração símbolo da cólera de Deus magnífica. E a gente acompanha tudo isso subindo até Deus.</p>
<p><strong>É ou não verdade que isso abre os horizontes? </strong></p>
<p><strong>É ou não é verdade que isso une a Deus Nosso Senhor e que esta é a vida do verdadeiro católico? </strong></p>
<p>E o católico faz com sua vida o que Foch fazia com sua guerra: ele tem horas em que ele pensa nesses assuntos e não pensa em outros. São as horas de seu isolamento, de sua solidão, de sua meditação. Dessas horas ele sai para o campo de batalha. É a vida quotidiana.</p>
<p>Mas levando no espírito as recordações dessas coisas e observando. De maneira que qualquer lugar onde ele deite os olhos, ele <strong>observa sobretudo a Revolução e a Contra-Revolução, os contrastes, o que a Igreja – que é a alma da Contra-Revolução &#8211; pôs de lindo no mundo, ou o que a Revolução pôs de feio, de asqueroso</strong>. E se afia para isso.</p>
<p>Esse pode ser um homem só que seja como uma TFP inteira, se é um homem inteiramente assim. E <strong>o “segredo” para nós ganharmos as nossas “batalhas”, o “segredo” principal é nós sermos assim. </strong></p>
<p>Se Foch não tivesse sua vida de pensamento de militar, ele teria perdido a guerra. E ele ganhou a guerra menos indo ao campo de batalha do que aproveitando sua solidão; <strong>ficando só e aproveitando sua solidão.</strong></p>
<p>Nós também. <strong>Nós menos ganhamos as lutas do apostolado fazendo apostolado, do que ficando só e pensando nas coisas de Deus.</strong></p>
<p><strong>Sobretudo porque há</strong> um ponto que eu deixei intencionalmente para o fim, e sobre o qual direi uma palavra, embora seja um ponto de uma importância transcendental: é <strong>o papel da graça.</strong></p>
<p>Nós, quando fomos batizados, recebemos a graça de Deus que é posta em nós, para fazer uma comparação, mais ou menos como se enxerta uma planta na outra – toda comparação é claudicante, mas digamos, é uma comparação. E nós passamos a viver de uma vida que não é só nossa, mas é uma verdadeira participação da vida de Deus, <strong>nós passamos a participar da vida de Deus</strong>. <strong>É pela graça de Deus que nós temos a fé</strong>; pela graça de Deus é <strong>que somos capazes dessa admiração, cujo nome é amor</strong> e da qual falei há pouco aos srs.</p>
<p>Essa graça, essa vida, nós podemos comunicar a outros. Pelo nosso contato um outro pode receber a graça de Deus. Fazendo circular a graça, nós fazemos circular a vida de Deus pelo mundo, porque <strong>sem a graça de Deus não tem nada feito; e com a graça de Deus é tem tudo feito.</strong></p>
<p>Então, os srs. estão vendo que eu tenho uma intenção fazendo os senhores meditarem a respeito do <strong>Foch.</strong></p>
<p><strong>É através do exemplo de um grande soldado – e agora através da palavra de um grande monge – preparar o espírito dos senhores para essa consideração: nossa vida deve ser, antes de tudo, essa vida de pensamento, alimentada, no caso de nossa vocação, pelas reflexões baseadas em “Revolução e Contra-Revolução”.</strong></p>
<p>Aí os Srs. poderão conceber, ver a beleza da Doutrina Católica, da qual temos a honra imerecida de sermos porta-vozes particulares – não oficiais, porque não somos da Hierarquia, mas “quand même” [mesmo assim], porta-vozes. E aí os srs. compreenderão bem como tudo isso diz respeito à vocação dos senhores.</p>
<p>Muito mais no caso dos senhores do que no caso de Foch. Porque <strong>um general que queira ganhar uma batalha sem refletir é um homem menos louco do que um católico que queira fazer apostolado sem a graça de Deus. É uma impossibilidade! E para ter essa graça de Deus ele precisa ter esse recolhimento.</strong></p>
<p>Assim, meus caros, terminou a reunião. Eu quis intencionalmente colocar o <strong>exemplo do monge junto com o do guerreiro</strong> porque ainda há &#8211; creio eu &#8211; restos de impressão de que o verdadeiro católico &#8211; e sobretudo o monge &#8211; é mole, é efeminado, não é um herói, não é um homem enérgico.</p>
<p>Aí os Srs. têm os dois grandes homens conjugados, para introduzirem no espírito dos srs. essa noção: <strong>vida interior é a alma de todo apostolado</strong>.</p>
<p><strong>Não há Contra-Revolução sem vida interior.</strong></p>
<p>Se os Srs. pudessem saber até que ponto é deleitável a vida interior, até que ponto a vida é cassete sem vida interior, e como a vida interior é agradável para tudo, seria uma verdadeira maravilha!</p>
<p>Está nos meus planos remotos, depois de terminado o Foch, depois de ter visto Foch e Dom Chautard, sobretudo se o Sr. Leo não me deixar esquecer dessa sequência de temas, quando se fizer a exposição sobre a RCR, fazer cada vez a aplicação da parte da RCR a um ponto da vida concreta, para vermos como se vê o lado R e CR da coisa, para a gente amar ou detestar; para irmos todos juntos habituando a esse <strong>discernimento católico-anticatólico; amar a verdade e o bem, execrar o erro e o mal</strong>. E ficarmos assim verdadeiros filhos de Nossa Senhora, que essa é a nossa vocação. Com isso está terminada a reunião de hoje.</p>
<p><strong>Notas:</strong></p>
<p><a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/o-dinheiro-nao-e-a-medida-de-todas-as-coisas-numa-civilizacao-verdadeira-o-grande-marechal-foch/#gsc.tab=0"><strong>Continuação do Santo do Dia de 22-5-1976</strong></a>, em que Dr. Plinio Corrêa de Oliveira aponta como a vida de <strong>dois grandes homens católicos, Dom Jean-Baptiste Chautard e o Marechal Foch, constitui o verso e o reverso do mesmo espírito da Santa Igreja</strong>.</p>
<p>Vide sobre o mesmo tema: <strong><a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/Mult_890415_Alma_Todo_Apostolado.htm">“Sem o livro de Dom Chautard, eu teria perdido a minha alma”</a>.</strong></p>
<p><strong>Para ler os comentários mais extensos e diferentes dos acima, consulte os textos das Reuniões abaixo, feitas em 1965: </strong></p>
<p>* <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/o-estilo-do-vitorioso-marechal-foch-luta-contra-a-confusao-e-a-ingenuidade-sabias-licoes-de-vida-para-as-mais-diversas-atividades-civis/#gsc.tab=0"><strong>O estilo do vitorioso Marechal Foch: luta contra a confusão e a ingenuidade. Sábias lições de vida para as mais diversas atividades civis</strong></a> / Trabalhar constantemente sem febricitação, sem perder o fôlego, sem barulho e sem vaidade. Sempre com os olhos postos em Nossa Senhora e com espírito sobrenatural.</p>
<p>* <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/marechal-foch-e-o-relacionamento-exemplar-entre-superior-inferior-varios-pequenos-compendios-para-o-saber-viver/#gsc.tab=0"><strong>Marechal Foch e o relacionamento exemplar entre superior-inferior. Vários pequenos compêndios para o saber viver</strong></a>.</p>
<p>L'articolo <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/um-catolico-fazer-apostolado-sem-a-graca-de-deus-e-uma-impossibilidade-uma-mentalidade-em-duas-grandes-pessoas-dom-chautard-e-o-marechal-foch/">Um católico fazer apostolado sem a graça de Deus é uma impossibilidade! Uma mentalidade em duas grandes pessoas: Dom Chautard e o Marechal Foch</a> proviene da <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info">Plinio Correa de Oliveira</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O dinheiro não é a medida de todas as coisas numa civilização verdadeira &#8211; O grande Marechal Foch</title>
		<link>https://www.pliniocorreadeoliveira.info/o-dinheiro-nao-e-a-medida-de-todas-as-coisas-numa-civilizacao-verdadeira-o-grande-marechal-foch/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Nestor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Mar 2026 22:29:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Multimédia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.pliniocorreadeoliveira.info/?p=31683</guid>

					<description><![CDATA[<p>Auditório São Miguel, sábado, 22 de maio de 1976 &#8211; Santo do Dia &#160; A D V E R T Ê N C I A O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não [&#8230;]</p>
<p>L'articolo <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/o-dinheiro-nao-e-a-medida-de-todas-as-coisas-numa-civilizacao-verdadeira-o-grande-marechal-foch/">O dinheiro não é a medida de todas as coisas numa civilização verdadeira &#8211; O grande Marechal Foch</a> proviene da <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info">Plinio Correa de Oliveira</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong><em>Auditório São Miguel, sábado, 22 de maio de 1976 &#8211; Santo do Dia</em></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>A D V E R T Ê N C I A</strong></p>
<p style="text-align: center;">O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.</p>
<p style="text-align: center;">Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:</p>
<p style="text-align: center;"><strong>“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.</strong></p>
<p style="text-align: center;">As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro “<a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/livrosnew"><strong>Revolução e Contra-Revolução</strong></a>“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de <a href="https://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0892/p01.html"><strong>“Catolicismo”</strong>,</a> em abril de 1959.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe title="O dinheiro não é a medida de todas as coisas numa civilização verdadeira - O grande Marechal Foch" width="800" height="450" src="https://www.youtube.com/embed/GmWf5mwro1s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Continuação da leitura do artigo sobre a ordem no Quartel General do Marechal Foch (2-10-1851 – 20-3-1929), narrado por Weygand (21-1-1867 – 28-1-1965), publicado pela revista francesa &#8220;Historia&#8221; (Editions Tallandier, Janeiro de 1965). Para ver a primeira parte do artigo e os respectivos comentários, <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/DIS_SD_760515_Foch.htm"><strong>clique aqui</strong></a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&#8220;<em>Depois do almoço, o general sobe um instante em seu quarto e, por volta da uma e meia, ele está no estado-maior</em>.&#8221;</p>
<p>“&#8230;<em>em seu quarto</em>”, não. “&#8230;<em>a seu quarto</em>”.</p>
<p>Eu não sei quais são os sedentos de normalidade de português aqui, os entusiastas da gramática&#8230; mas eu vou indicando as correções a fazer, por inconformidade com a má gramática. Eu seria também contrário a um grande entusiasmo pela gramática. <strong>A gramática tem seu valor, pequenininho e indispensável. Não se deve desprezá-lo, nem aumentá-lo</strong>.</p>
<p>Não me lembro a que horas era esse almoço para medirmos mais ou menos quanto tempo Foch tomava de sesta. Mas os Srs. estão vendo que ele fazia sesta.</p>
<p>Eu queria que os senhores <strong>se colocassem na perspectiva dele</strong>. Quer dizer, o canhão troando ao longe, os exércitos do mundo inteiro se movimentando na maior guerra que tinha havido até então [I Guerra], e Foch tranquilamente se dirige ao andar de cima e vai fazer sua sesta. Seguro de seus planos, certo do que tem ou não tem que fazer, ele dorme tranquilo, e acorda capaz&#8230;</p>
<p>Tenho certeza de que a maior parte dos senhores teriam a ideia de que o verdadeiro general é aquele preso à mesa, agarrado, berra: “Você tem notícias? Eu preciso saber!” Manda um estafeta&#8230; quando chega, pula&#8230; Não, nada disso. <strong>Calma, serenidade</strong>&#8230;</p>
<p>Eu hoje, pela primeira vez – é uma pequena digressão&#8230; Não sei porque eu ando cheio de digressões, mas é uma pequena digressão. Eu hoje vi pela primeira vez uma frase (&#8230;) que, bem concebido um plano diplomático, qualquer homem deveria ser capaz de executá-lo. Ele queria se referir a &#8220;qualquer diplomata&#8221;, não a qualquer homem que anda pela rua.</p>
<p>Então, bem entendida e compreendida uma relação de situação entre países, de interesses, uma relação de objetivos etc., e que um diplomata trace o objetivo do seu país, o plano é fácil de executar. O que é difícil é entender o que é preciso fazer.</p>
<p>E aqui os senhores encontram a importância do pensamento como fator de direção da atividade humana. São Tomás de Aquino põe a elaboração de um plano dependente de três etapas: ver, julgar, agir.</p>
<p><strong>É preciso primeiro &#8220;ver&#8221;, quer dizer, descrever uma situação, analisá-la, ver como são as relações entre os vários dados da situação. Depois, &#8220;julgar&#8221;: essa situação é atacável ou inatacável? Depois, &#8220;agir&#8221;.</strong></p>
<p><strong>O menos importante é o agir.</strong> Bem visto e bem julgado, a ação é mais fácil. A questão é ter tido uma noção clara, feita de boa descrição, boa análise, bom julgamento, a respeito de determinada situação. Agir depois fica fácil.</p>
<p>O Prof. Fernando Furquim foi aluno de um professor de matemática, famoso, chamado Luigi Fantappiè, italiano. Era um grande teorizador. Ele ia ao quadro negro e começava a fazer aqueles teoremas, ia tirando conclusões. Uma vez, um aluno perguntou: &#8220;Mas professor, tudo isso são conclusões que o senhor tira; mas e a demonstração? Onde está o fundamento de tudo isso?&#8221;</p>
<p>Ele olhou com desprezo e disse: “La dimostrazione qualunque bestia lo fa” [<strong><em>A demonstração, qualquer besta faz</em></strong>].</p>
<p>Enquanto eu viver, não me esquecerei dessa resposta&#8230; faz parte do fogo italiano. É <strong>evidentemente um exagero</strong>, mas um homem bem dotado, comum, faz as demonstrações. <strong>A questão é</strong> ter percebido a coisa, <strong>ter percebido o fim da coisa.</strong></p>
<p><strong>Assim também na arte militar</strong>. Foch era homem metodicíssimo, bem informado, bom analista das situações e bom julgador. O resto? Tem Estado Maior. O Estado Maior cumpre. Ele vai fazer sesta. Ele dirá: &#8220;Desencadeie a ofensiva da artilharia&#8221; ou “Recue até tal ponto&#8221;. Depois vai dormir&#8230;</p>
<p>Qual o trabalho dele? Ver e julgar, e escolher os que iam agir.</p>
<p>Não sei se os Srs. conhecem o <strong>sistema de Churchill para trabalhar durante a guerra</strong>. É a Segunda Guerra, não a Primeira. Mas era também um grande homem.</p>
<p>Churchill fazia o seguinte: levantava cedinho e ia para o Ministério do Exterior, conforme a ocupação que tinha, ou para o Departamento do Primeiro Ministro, e se punha deitado na cama, com uma toalha molhada amarrada na cabeça, no subsolo para ter certeza de que não caía nenhuma bomba. E lá, depois de ter-se levantado, começava a receber os despachos. Depois de ter dado ordem a todos os despachos da noite, ele dormia. E habitualmente dava uma palavra de ordem: &#8220;<strong><em>Exceto se os alemães desembarcarem na Inglaterra, não me acordem</em></strong>.&#8221; Depois ele acordava e, com o talento resplandecente dele, ia tocando a guerra. As coisas são assim&#8230;</p>
<p><strong>Nas dificuldades, em todos os problemas que os senhores estejam, não comecem por agir e, portanto, não comecem por falar.</strong> Façam-se a seguinte pergunta: <strong>&#8220;Eu vi bem essa situação? Estou julgando bem essa situação?&#8221;</strong> Depois falem, depois intervenham. Do contrário, não adianta de nada. De passagem, são os <strong>ensinamentos que a vida de Foch pode nos proporcionar.</strong></p>
<p>&#8220;<em>Se alguma visita sobre o &#8220;front&#8221; não está prevista, esta é a hora do passeio a pé</em>&#8230;&#8221;</p>
<p>Portanto, depois da sesta vai dar um passeio a pé. É verdadeiramente incrível, por exemplo, para o homem habituado a ver o corre-corre dos que trabalham em qualquer frenética megalópolis.</p>
<p>&#8220;&#8230;<em>um tempo detestável, é o único fator que pode protelar este passeio</em>.&#8221;</p>
<p><strong>Protelar</strong>&#8230; Quer dizer, espera acabar a chuva ou o mau tempo e aí vai dar o passeio.</p>
<p>&#8220;<em>Ele dura uma hora pelo menos e se faz sempre em pleno campo</em>.&#8221;</p>
<p>Nada de passear dentro da cidade. Vai para o campo.</p>
<p>&#8220;Nestes passeios, o general leva consigo um companheiro, jamais dois, e é necessária uma circunstância particular para que este companheiro não seja seu chefe de estado-maior.&#8221;</p>
<p>É o Weigand. Ele, aqui, se valoriza&#8230; Quer dizer, é o grande homem com quem o grande Foch gostava de conversar. Está bem introduzido o papel dele no caso.</p>
<p><strong>Como é o descanso de Foch?</strong> Aí os Srs. vão ver <strong>como é o trabalho de Foch.</strong> Todo mundo tem a ideia de Foch, por exemplo, pensando numa batalha: ele se senta junto a uma mesa, começa a pensar, pára de pensar, e depois descansa. Não. Ele vai pensando assim aos poucos; às vezes pensa continuadamente, e às vezes ficam aqueles planos na cabeça remoendo&#8230; De vez em quando ele acrescenta algo&#8230;</p>
<p>Os senhores sabem que <strong>os grandes pintores não pintam, em geral, os quadros de uma (só) vez.</strong> Por exemplo, senta e passa um mês pintando o quadro, depois deixa. Não é assim que faz um grande pintor. Os grandes pintores levam, às vezes, <strong>dez anos</strong> para pintar um quadro, <strong>vinte anos!</strong> Eles vão pintando vários quadros sucessivos, porque têm aquilo na cabeça. De repente vem a solução para tal problema: onde colocar o braço de tal personagem? Mais para cima, mais para baixo? Aí ele pinta aquilo. De repente vem outra solução: aquela posição da orelha estava bem coerente com a posição da cabeça? Volta e corrige. Assim vai tocando todos os seus quadros ao mesmo tempo.</p>
<p><strong>Assim também nós maturamos os nossos planos</strong> na cabeça, maturamos as <strong>nossas ideias</strong>. Às vezes sentados e ruminando, mas às vezes – e isso é <strong>o mais precioso – pensando neles enquanto fazemos outras coisas</strong>, enquanto fazemos a barba estamos pensando, pensando, pensando&#8230;</p>
<p><strong>Assim é que eu gostaria que um membro da TFP</strong>, um cooperador da TFP, ou um sócio da TFP <strong>tivesse seu espírito estruturado</strong>.</p>
<p>Então, vamos ver como passeava o Foch, para vermos se passeamos assim. É uma confrontação interessante.</p>
<p>&#8220;<em>Quando o lugar de nossa residência é uma aldeia ou uma casa isolada, saímos a pé; quando é uma cidade pequena como Cassel ou Senlis, um automóvel nos leva para fora das casas ou numa floresta vizinha</em>.&#8221;</p>
<p>É preciso notar que <strong>a floresta europeia</strong> em geral é composta de árvores plantadas e alinhadas em enormes filas, com uma vegetação agradável de se transpor. Não tem cobra, poça d&#8217;água, formigueiro que avança etc. Tudo é ingênuo, agradável, amável.</p>
<p>Os Srs. imaginem, então, a floresta europeia: grandes árvores alinhadas como soldados; as folhas que às vezes são mais bonitas no outono do que na primavera ou no verão, porque caem&#8230; e que são um verdadeiro tapete; adiante um riozinho que corre, faz ruído agradável; um pássaro que canta, e a gente passeia. É uma coisa <strong>feita para a gente pensar</strong>.</p>
<p>&#8220;&#8230;<em>o general caminha através dos campos ou através dos bosques com o passo elástico característico dos habitantes dos Pirineus</em>.&#8221;</p>
<p>É [área de] montanhas, não? Subida. Então, ficam elásticos.</p>
<p>&#8220;<em>Ele se interessa por todas as coisas da natureza e da cultura</em>.&#8221;</p>
<p><strong>E a guerra está troando! Ele se interessa por todas as coisas da natureza e da cultura&#8230; </strong></p>
<p>&#8220;<em>Ele não perde uma só ocasião de se entreter com os cultivadores que encontra, a respeito do estado de suas colheitas, de suas esperanças e de suas dificuldades. Ele gosta, sobretudo, nas vésperas das operações ofensivas, de fazer-lhes falar um pouco das previsões do tempo, cuja influência pode ser tão grande sobre o valor de uma preparação de artilharia</em>.&#8221;</p>
<p>Os Srs. estão vendo, portanto, ele vai passeando e encontra, digamos, um resto de ruína romana. Chama alguém que esteja por perto e pergunta. Mas se é um agricultor ele pergunta pelo tempo, para preparar a batalha. É um <strong>pêndulo entre a batalha que ele está preparando e o que ele está vendo</strong>. Continuamente.</p>
<p><strong>No que ele não está pensando? Em si mesmo&#8230;</strong></p>
<p>E é <strong>um dos defeitos das gerações que se seguiram a Foch: é pensar demais em si mesmas</strong>, ter a atenção demais voltada para si mesmas, <strong>fazer pose</strong> pensando: &#8220;Se um jornalista agora me fotografa, que impressão vai ter de mim? Vou andar de jeito ereto na floresta&#8221;. Não tem jornalista, não faz papel de bobo, não tem nada! Se tiver, também não tem importância. <strong>Cuide, isto sim, de pensar no que tem de pensar! Não tenha a mania de pensar em si, de pensar que cara fez, o que o outro achou, que cara vai fazer.</strong> <strong>Isso não tem importância! </strong>Isso um homem que tem dois dedos de bom senso pura e simplesmente não pensa. Ele pensa nos temas em que ele tem que pensar. Acabou-se. <strong>O resto degrada um homem, diminui um homem. Não é bom</strong> nem sequer para uma senhora, <strong>nem mesmo para uma senhora faceira</strong>. Não tem propósito!</p>
<p>&#8220;<em>Na conversa, que jamais se arrasta ao longo do próprio passeio, o general aborda metodicamente todos os assuntos</em>.&#8221;</p>
<p>Os Srs. estão vendo que é meio-passeio, meio-revista de temas com o chefe do Estado-Maior.</p>
<p>&#8220;<em>Ele falar-me-á com maior confiança, à medida que me conhecer melhor, a respeito de sua infância, sua juventude, de sua família, de sua casa nos campos da Bretanha. Ele me interrogará também sobre o meu passado, sobre os meus, sobre os meus gestos</em>.&#8221;</p>
<p>&#8220;<em>É assim que o segui nos colégios das cidades onde a carreira administrativa de seu pai o conduziu, para chegar até <strong>o colégio de São Clemente de Metz</strong></em>.&#8221;</p>
<p>É o tal <strong>colégio dos jesuítas</strong>.</p>
<p>&#8220;<em>É à volta destes passeios que eu, sem ter me encontrado com nenhum deles, travei conhecimento com todos os membros de sua família. Ele me falava muitas vezes de seu filho e <strong>me dava conselhos que foram preciosos para a educação dos meus</strong></em>.&#8221;</p>
<p>Não ficam pasmos de ver que é disso que fala Foch?</p>
<p>&#8220;<em>Um assunto sobre o qual ele se alegrava em tratar era o de sua propriedade de Ploujean, na Finisterra. Ele adquiriu este solar vinte e cinco ou trinta anos antes, atraído para a Bretanha por Madame Foch, originária de Saint-Brieuc.&#8221;</em></p>
<p>Quer dizer que Madame Foch era bretã enquanto ele era gascão.</p>
<p>&#8220;<em>A exceção das duas alamedas centenárias de tílias e de faias, os bosques não existiam ainda quando ele se tornara proprietário deste imóvel. Ele os tinha replantado e falava com amor dos bosques que começavam a crescer. Quando, depois da guerra, fiz minha primeira visita a Ploujean, não me espantei de nada. Conhecia já o que eu ia ver.&#8221;</em></p>
<p>Estão vendo <strong>o poder de descrição desse homem</strong>. Com que atenção ele contava tudo, <strong>quando tinha tão graves responsabilidades dentro da cabeça</strong>.</p>
<p>Aqui cabe um <strong>parêntese de caráter econômico</strong>.</p>
<p>Certa ocasião uma pessoa me dizia o seguinte: &#8220;<em>Toda a propriedade vale o dinheiro que se der por ela e, portanto, o homem não é dono da propriedade, mas dono do dinheiro. <strong>Porque qualquer coisa está continuamente à venda. E se obtiver um preço bom, qualquer homem vende qualquer coisa</strong></em>.&#8221; E acrescentava: &#8220;<strong><em>Esse é, Dr. Plinio, o princípio fundamental do capitalismo</em></strong>.&#8221;</p>
<p><strong>É um modo completamente errado de ver as coisas, porque há certas coisas que não se vendem.</strong></p>
<p>Os Srs. estão vendo aí que essa propriedade Foch não ia vender, simplesmente porque há vinte e cinco anos atrás já vinha plantando ali, estavam crescendo as árvores que ele tinha plantado. E que ele <strong>via ali o seu próprio passado e sua própria história</strong>.</p>
<p>Se Foch não venderia essa propriedade nem por dez vezes o preço, os Srs. podem imaginar se o filho dele iria vender essa propriedade. Ele que ali tinha a possibilidade de conviver com as recordações do pai e de dizer aos amigos: &#8220;<em>Você quer vir passar um fim de semana comigo na casa do Marechal Foch?</em>&#8220;&#8230;</p>
<p><strong>É uma dessas coisas que não tem preço!</strong> É falso que o dinheiro seja a medida de todas as coisas numa civilização verdadeira, embora os Srs. encontrem muita gente que pense isso.</p>
<p>Então eu digo: <strong>as pessoas que vendem tudo por dinheiro são pessoas que não valem nada.</strong> <strong>Porque têm valor as pessoas que fazem coisas que o dinheiro não compra. Esse é o princípio que não devemos perder de vista.</strong></p>
<p>&#8220;<em>Se, pelo contrário, uma visita a um Quartel General era prevista para a tarde</em>&#8230;&#8221;</p>
<p>Eram naturalmente visitantes importantes: ministros, Primeiro-Ministro, Presidente da República, generais, marechais, almirantes de exércitos aliados, políticos, intelectuais etc.</p>
<p>&#8220;&#8230;<em>o general passava rapidamente pelo Estado-maior para se assegurar de que nada o retinha lá e nós nos púnhamos a caminho imediatamente</em>.&#8221;</p>
<p>Ele ia visitar alguma coisa.</p>
<p>&#8220;<em>Eu o acompanho sempre; assisto a todas as suas conversas com os comandantes do exército, de corpos de exércitos ou de divisão</em>.&#8221;</p>
<p><strong>Que privilégio! Assistir a todas as conversas do Foch, e conversas essenciais da guerra!</strong></p>
<p>&#8220;<em>Em razão da extensão das frentes de combates, estes giros ocupavam mais ou menos toda a tarde. <strong>A palavra de ordem consistia em não perder tempo</strong>, nós íamos bem rapidamente, a oitenta quilômetros por hora</em>&#8230;&#8221;</p>
<p>Naquele tempo era muito.</p>
<p>&#8221; &#8230;<em>desde que o caminho o permitisse, velocidade boa para a época</em>.&#8221;</p>
<p>Também não era uma velocidade de louco. Velocidade boa, apenas.</p>
<p>&#8220;<em>O carro do General era uma notável Rolls-Royce</em>&#8230;&#8221;</p>
<p>Os Srs. sabem que o Rolls-Royce é o melhor automóvel do mundo. É um automóvel de fabricação inglesa em que todas as peças são acabadas manualmente e que &#8211; fato digno de nota &#8211; se valoriza com o tempo. O Rolls-Royce mais antigo é o mais apreciado.</p>
<p>&#8221; &#8230;<em>requisitada no começo da guerra no momento em que saía da usina. Destinada ao representante de uma grande firma alemã, sua construção tinha sido particularmente cuidada</em>.&#8221;</p>
<p>Era um alemão que o tinha comprado e importado na França. Declarou-se guerra, os franceses deitaram a mão em cima.</p>
<p>&#8220;<em>Uma viatura de socorro nos seguia sempre para fazer face ao risco de um distúrbio de longa duração</em>.&#8221;</p>
<p>Quer dizer, no caso de haver uma pane na Rolls-Royce ele tinha outra viatura de emergência para continuar a sua viagem.</p>
<p>&#8220;<em>No caso de um pequeno incidente ou de um pneumático a trocar, as equipes dos dois automóveis se punham no trabalho enquanto nós tomávamos a dianteira a pé. Estes mecânicos são tão hábeis e tão exercitados que raramente chegávamos a fazer um quilometro sem sermos alcançados</em>.&#8221;</p>
<p>Coisa curiosa: ele não parava; não ficava sentado dentro do automóvel; ia andando a pé na frente e o automóvel alcançava depois. <strong>Aproveitava para fazer exercício.</strong></p>
<p>&#8220;<em>Durante estes trajetos, não há lugar, ao contrário do que acontecia com os passeios, para outros assuntos senão os de nossa tarefa</em>.&#8221;</p>
<p>Estava em trabalho. Ia visitar o front, aí só se fala em trabalho. O resto passou a ser “conversa mole”.</p>
<p>&#8220;<em>A recreação estava terminada. Ora o General pensa alto, ora fica silencioso longos momentos formulando uma questão, pedindo uma opinião ou reemergindo em suas meditações</em>.&#8221;</p>
<p>Os Srs. estão vendo que Weigand não dirige a palavra ao Foch. É o Foch que fala com ele. Quando fala, ele responde. Mas o Foch está nas suas elucubrações.</p>
<p>Então, às vezes: &#8220;Como é tal coisa assim?&#8221; Weigand responde. Às vezes, trocam um pouco de ideias. Às vezes fica longamente quieto, e Weigand, naturalmente, olhando pelo canto dos olhos para ver se Foch precisava de qualquer coisa. E o automóvel, na velocidade impressionante no tempo dele, de oitenta à hora, correndo rumo ao campo de batalha. <strong>É uma bonita situação</strong>, os senhores hão de concordar.</p>
<p>&#8220;<em>Nos dias em que nós não deixávamos o Quartel General, o trabalho era retomado depois do passeio, mas o general, mais do que de manhã, gostava de ficar só. É, aliás, o momento em que, no mais das vezes, os visitantes se apresentavam</em>.&#8221;</p>
<p>&#8220;<em>Mas jamais se escoa uma hora sem que eu não tenha de comparecer diante dele, seja a seu chamado, seja por minha própria iniciativa, para lhe apresentar um documento ou fazer um relato, pois <strong>ele exige ser posto ao corrente de tudo, imediatamente</strong></em>.&#8221;</p>
<p><strong>Aconteceu, conte</strong>. Interrompa qualquer coisa e conte. O que é muitíssimo bem pensado!</p>
<p>&#8220;<em>No fim do dia, o General recebe os oficiais de ligação que voltam das missões exteriores</em>.&#8221;</p>
<p><strong>Atraio apenas a atenção</strong> dos Srs. para esse ponto: <strong>a manhã é silenciosa</strong>, <strong>a tarde costuma ser mais silenciosa do que a manhã</strong>, quando não tem visita. <strong>Ver, julgar, agir</strong>, diante de mapas, fazendo planos. O resto, exageradíssimamente falando, “<em>qualunque bestia lo fa</em>”.</p>
<p>&#8220;<em>A refeição noturna, fixada para as dezenove horas, interrompe o trabalho que se reinicia às vinte horas. É o momento em que começam a chegar dos exércitos os relatórios de fim de dia, ou em que o chefe do segundo &#8220;Bureau&#8221; vem apresentar ao general a síntese dos acontecimentos do dia</em>.&#8221;</p>
<p>&#8220;<em>Às vinte e três horas exatamente, uma vez dadas as ordens e estabelecidas as previsões para o dia seguinte, o general termina seu dia. Realizado o trabalho,</em> <em>ele faz seu repouso regularmente, nada vendo de útil em um ato de presença estéril</em>.&#8221;</p>
<p>&#8220;<strong><em>Suas noites são sempre boas</em></strong>&#8230;&#8221;</p>
<p>Dorme sempre bem.</p>
<p>&#8221; &#8230;<em>e podem ser encurtadas, como por exemplo, no começo da batalha de Ypres ou da ofensiva das bombas de gás</em>.&#8221;</p>
<p>Podem ser encurtadas. O resto é calmo.</p>
<p>Devo dizer aqui uma coisa: <strong>cada povo, ou cada grupo de povos tem seu modo de ser</strong>. Para nossa ótica de brasileiros – não sei como para espanhóis, chilenos, venezuelanos etc., se deve considerar isso – é um pouco geométrico demais&#8230;</p>
<p><strong>Interromper um trabalho quando está batendo onze horas, sou o primeiro a dizer que não saberia fazer</strong>. Porque se na minha cabeça não deram onze horas, no relógio pode dar o que quiser que a coisa não está feita. <strong>É preciso que um certo ciclo de serviço, ou uma certa zona do pensamento esteja preenchida, para poder ir dormir</strong>. Porque do contrário, <strong>de manhã eu não vou retomar as ideias como elas estavam à noite</strong>. <strong>Alguma coisa do esforço feito para levar a ideia à sua maturidade terá faltado. </strong></p>
<p><strong>Será uma fraqueza de minha memória?</strong> É muito possível, porque eu tenho má memória. Mas então seria preciso achar que os cento e dez milhões de brasileiros [à época desta conferência] têm memória fraca&#8230; Mas <strong>acho que é um modo de ser</strong>, e eu não sei como é em outros países.</p>
<p>&#8220;<em>Antes de se retirar, o General entra em meu escritório e se dirige a mim, mais ou menos invariavelmente nestes termos:</em> Boa noite, Weigand, vou deitar-me e convido-o a fazer o mesmo.&#8221;</p>
<p>&#8220;<em>Invariavelmente também eu lhe desejava uma boa noite, respondia afirmativamente ao seu convite para ir deitar-me e me assentava novamente</em>.&#8221;</p>
<p>&#8220;<em>Pois esta era a hora espreitada por meus oficiais, aquela onde eu deveria lhes pertencer pelo tempo que eles tivessem necessidade, a fim de tratar das questões que não puderam ter sido tratadas durante o dia. É também o momento de pôr em dia o jornal de marcha</em>.&#8221;</p>
<p>Que o militar cumpre.</p>
<p>Assim, <strong>cada povo tem seu modo de ser</strong>. E eu não sei se interpreto mal os meus compatriotas, mas eu creio que neste ponto somos todos os mesmos; à noite e a essa hora, terminado o serviço, vem a conversa que tem que durar mais ou menos uma hora, e em que sai mais ou menos de tudo.</p>
<p>Num tom leve, com um pouco de brincadeira saem notícias do dia, saem informações, saem coisa que a gente fica prestando atenção para ver o que aconteceu, o que não aconteceu, em que a gente tira também as suas conclusões, em que a gente desabafa um pouco e depois vai dormir.</p>
<p>Não sei se é assim com as gerações que seguiram à minha, e não sei como são os senhores.</p>
<p>Não sei se os Srs. conseguem se imaginar nessa situação: ao fim de um dia de trabalho, o que é melhor: ir diretamente dormir, ou conversar uma hora, por exemplo, tomando um cafezinho, ou bebendo alguma coisa. Mas a julgar pelas fisionomias, o entusiasmo pelo cafezinho e pela conversota de fim de noite, é indiscutível&#8230;</p>
<p>Mais uma vez, não sei como é em outros países&#8230; não me adianto, portanto&#8230;</p>
<p>&#8220;<em>Creio que disse bastante a respeito do caráter essencialmente pessoal do meu comandante chefe, de sua atividade, de sua necessidade de contato direto com os homens, para que se apanhe o aspecto da vida bem regulada que acabo de traçar, como fundo de quadro de sua existência, como a parte que era conhecida somente pelos seus colaboradores imediatos, aquela cujo trabalho prepara um outro todo exterior</em>.&#8221;</p>
<p>Então, essa é a parte do trabalho que prepara o trabalho exterior. <strong>A vida de um grande homem está na preparação, não está propriamente no trabalho</strong>.</p>
<p>&#8220;<em>A todo momento, como se viu, o General foge deste quadro para ir fazer sua ação lá onde era necessário. Suas relações com os comandantes de exércitos ou corpos de exércitos são constantes</em>.&#8221;</p>
<p>Quer dizer, relação constante com o pessoal que está na frente de batalha. Já se usava o telefone, o pombo correio etc., e estava informado constantemente.</p>
<p>“<em>Nada, portanto, de menos sedentário, de menos burocrático, que sua existência de guerra. Jamais ele se julgou dispensado do ato pessoal pelo envio de uma instrução ou de uma ordem escrita. É a homens que ele comanda, como ele, que ele faz questão de combinar seus empreendimentos<strong>. Procura ter com eles os mais constantes contatos</strong></em>.&#8221;</p>
<p>Ele descreveu a vida sedentária desse homem, não descreveu a vida de ação.</p>
<p>De fato, Foch com frequência interrompe seu trabalho e os seus contatos com seus subordinados nas várias frentes de combate não são contatos apenas por bilhetinhos, contatos burocráticos. São, tanto quanto possível, pessoais, em que ele fala, dá a palavra de ordem, <strong>dá o estímulo, conhece o estado de espírito dos homens com quem ele trata</strong>.</p>
<p>Quer dizer, esse fundo que pode dar aos senhores a impressão de exageradamente burocrático, ou exageradamente de caserna, esse fundo se contrabalança com uma ação intensa, que ele não descreveu por que a história conta. <strong>Ele conta aqui o que a história habitual não conta</strong>. Onde Foch foi, em que dia esteve presente em tal batalha, isso tudo a história narra. Ele conta aqui o que a história não narra.</p>
<p>Creio que é aqui que termina essa parte. Exatamente.</p>
<p>Eu creio também que seria o caso de nós fazermos uma <strong>aplicação disso à vida do católico, do ultramontano</strong>. Porque essas são considerações de ordem natural, são puras considerações naturais: como é que se trabalha, como se faz etc. Nada disso é imediatamente inspirado na Revelação. <strong>Tudo isso é tirado do bom senso</strong>.</p>
<p>Na realidade, <strong>que relação se pode estabelecer disso com a doutrina católica e com a vocação que os senhores têm na TFP?</strong> Nós devemos, agora, tratar desse ponto.</p>
<p style="text-align: center;">*     *    *</p>
<p>Nota: Para ler os comentários mais extensos e diferentes dos acima, consulte os textos das Reuniões abaixo, feitas em 1965:</p>
<p>* <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/o-estilo-do-vitorioso-marechal-foch-luta-contra-a-confusao-e-a-ingenuidade-sabias-licoes-de-vida-para-as-mais-diversas-atividades-civis/"><strong>O estilo do vitorioso Marechal Foch: luta contra a confusão e a ingenuidade. Sábias lições de vida para as mais diversas atividades civis</strong></a> / Trabalhar constantemente sem febricitação, sem perder o fôlego, sem barulho e sem vaidade. Sempre com os olhos postos em Nossa Senhora e com espírito sobrenatural.</p>
<p>* <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/marechal-foch-e-o-relacionamento-exemplar-entre-superior-inferior-varios-pequenos-compendios-para-o-saber-viver/"><strong>Marechal Foch e o relacionamento exemplar entre superior-inferior. Vários pequenos compêndios para o saber viver</strong></a>.</p>
<p>L'articolo <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info/o-dinheiro-nao-e-a-medida-de-todas-as-coisas-numa-civilizacao-verdadeira-o-grande-marechal-foch/">O dinheiro não é a medida de todas as coisas numa civilização verdadeira &#8211; O grande Marechal Foch</a> proviene da <a href="https://www.pliniocorreadeoliveira.info">Plinio Correa de Oliveira</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
