Fátima: Revolução, imoralidade, advertência, contumácia, punição. Justiça e misericórdia divinas

Palavrinha na Sede do Reino de Maria, 9 de julho de 1989

 

A D V E R T Ê N C I A

Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor.

Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá Dr. Plinio em seu livro “Revolução e Contra-Revolução“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de “Catolicismo”, em abril de 1959.

 

O que indignava Nossa Senhora: imoralidade das modas

As modas de do começo deste século eram modas que a gente pode projetar hoje num auditório católico, sem causar estranheza a ninguém, porque as modas ficaram tão piores, que a gente tem a impressão que aquelas são modas moralizadas. Aquelas modas indignavam a Nossa Senhora. Vocês podem imaginar o furor e a indignação santa, sacral,  contra a imoralidade de hoje em dia.

O Coração Sapiencial e Imaculado de Maria ante o mundo pecador

Indignação de Nossa Senhora, cujo coração é dulcíssimo. A Igreja tem a jaculatória: Doce Coração de Maria, rogai por nós. Mas também tem a aclamação de Nossa Senhora tirada da Escritura: “ut castrorum acies ordinata”. Quer dizer, como um exército em ordem de batalha. Este é o Coração de Nossa Senhora. O Coração combativo e vingativo de Nossa Senhora, diante do mundo pecador e impenitente.

O pecador arrependido, o pecador, enfim, que ainda hesita etc., Nossa Senhora é misericórdia, é Mãe, até que ele se declare impenitente irremediável. Aí chega a hora!

As previsões: sofrimento do Santo Padre e aniquilação de nações

Nossa Senhora então declarou que por causa disso é que viriam todas essas coisas. Ela disse: “O santo padre terá muito que sofrer”, e “muitas nações serão aniquiladas”.

Se o Santo Padre terá que sofrer muito, de um jeito ou doutro quer dizer que a Igreja vai ser muito perseguida. O sofrimento do Santo Padre não é por causa de uma dor no joelho. É por causa de uma coisa que afeta a Igreja.

E a Igreja, então, será muito perseguida, e muitas nações desaparecerão. Porque? Por causa da imoralidade das modas.

A causa profunda das imoralidades das modas que Nossa Senhora lamentou: doutrinas erradas, a Revolução

[E a Igreja, então, será muito perseguida, e muitas nações desaparecerão. Por que? Por causa da imoralidade das modas.]

Mas qual era a causa da imoralidade das modas? Como é que num mundo, naquele tempo ainda mais católico do que hoje, as modas eram tão imorais a ponto de indignar a Nossa Senhora? Como é que se passava isto?

A resposta é: por causa das doutrinas erradas, por causa da Revolução. A imoralidade das modas é um capítulo da Revolução. É um elemento da Revolução.

E então, a mensagem de Nossa Senhora de Fátima se apresenta inteiramente ordenada. É nos fácil compreender a causa da imoralidade. Apontando a imoralidade, nos é fácil compreender a causa do castigo. Ela depois descreve a magnitude, o tamanho do castigo, depois descreve o triunfo.

Está tudo tratado em poucas palavras de uma sabedoria celeste.

O “milagre do sol” como advertência do tamanho do castigo

Mas, para exercer um efeito mais forte sobre as almas que Ela queria salvar, a quem Ela queria fazer bem, tirar das garras do demônio etc. – pois assim é Nossa Senhora, Ela quer tirar as almas das garras do demônio – para tirar as almas das garras do demônio, Nossa Senhora dispôs o seguinte.

Que antes disso – nas mensagens que Ela dava a Francisco, a Jacinta e sobretudo a Lúcia – Ela tivesse ocasião, não só de falar, mas de ameaçar. Que eu saiba, é a única revelação de Nossa Senhora, onde Ela aparece ameaçando de um modo sensível, é a de Fátima.

Conhecem bem o caso do sol que se precipitou sobre a Terra – foi um fenômeno visual – com tanta força, que era tal a impressão que tinham, que o povo que estava lá saiu correndo em todas as direções. E depois, o sol girou, rolou etc., etc., em outras aparições, com o intuito evidente de mostrar que o castigo seria da magnitude, do tamanho, da gravidade, de uma colisão entre o céu e a terra.

Eu estou sendo claro meu filho?

Então, de uma colisão entre o céu e a terra. Isto é o que seria… desta ordem o castigo. E aquilo de o sol parecer precipitar sobre a Terra, estalar com a terra, aquilo era mais ou menos como uma mãe que tem uma vara para bater no filho, tira a vara detrás do armário e diz: “olhe aqui, se você fizer mais uma vez o que você fez, eu te bato com essa vara”! Quer que o filho veja como é a vara, para ter medo. Ela fez a ‘vara’ dEla do sol. E Ela fez sentir que era desta ordem o castigo que Ela estava preparando.

Por que não basta o embate para salvar a opinião pública

Isto sendo assim, nós não podemos admitir que a guerra revolucionária seja simplesmente vencida por uma guerra contra-revolucionária vitoriosa. E que tudo se passe em fenômenos de opinião pública. Porque Nossa Senhora disse: “Se os homens não se emendarem, vai acontecer isso”. Não estão se emendando! Então, uma guerra psicológica contra-revolucionária não resolve o caso. É preciso o castigo.

A gravidade do castigo: desordem cósmica e ruína das nações

E o castigo como é que é? Nós não sabemos como será. Mas pelas revelações de Fátima temos uma ideia comparativa, não temos uma descrição, mas temos uma ideia comparativa.

A ideia é, então, alguma coisa da gravidade do sol girar vagabundeando pelos ares. Quer dizer, uma coisa que desconcerta toda a ordem material da terra. Do sol entrar em colisão com a terra, é um castigo dramatissíssimo.

O desaparecimento de várias nações, é outra forma de castigo.

“A Rússia espalhará seus erros”: profecia cumprida

A gente vê um outro castigo que Nossa Senhora menciona: “A Rússia espalhará seus erros pela Terra inteira”. É o que está acontecendo com a guerra psicológica revolucionária. Ela está espalhando os erros dela pela terra inteira.

Então, nós temos uma profecia que está completamente cumprida. É só vir depois o estralo final. Está claro isso meu filho?

Agora, vamos tocar para a frente.

A lição da História Sagrada: sinais precursores e a destruição de Jerusalém

Isso quer dizer que a terceira guerra mundial venha logo depois? Não quer dizer isso. Nossa Senhor, por exemplo, quando morreu, no momento em que Ele disse: consummatum est, Ele morreu. Portanto, entregou a alma dEle ao Padre Eterno, e disse: “Meu Pai em vossas mãos Eu deposito minha alma”. E Ele morreu. Diz o Evangelho: efflavit spiritum, a alma se exalou de dentro dEle. Ele ficou cadáver. A partir desse momento o pecado de deicídio se consumou.

A partir do momento em que o pecado de deicídio se consumou, o céu se apagou, um terremoto tremendo tomou conta de Jerusalém. O Templo começou a tremer, o véu do Templo – que fazia uma das separações importantíssimas dentro do Templo – rasgou-se. Aquele Templo bem amado de Deus entre todos os lugares da Terra, passou a ser um lugar de execração. Porque aí a ruptura entre a Sinagoga e Ele se consumou. E então, os anjos saíram de dentro do Templo, e ficou entregue aos demônios.

E para mim um do sinais mais terríveis, no meio deste terror geral, os mortos que tinham praticado a virtude, e cujas almas estavam no Limbo à espera da Ressurreição, desses mortos, pelo menos os mais proeminentes saíram de dentro das sepulturas – mas mortos, não ressuscitados – e os cadáveres deles andavam por Jerusalém, increpando as pessoas. É o Evangelho que conta. Os cadáveres deles andavam por Jerusalém increpando as pessoas: “Você fez isso, você fez aquilo, olha lá! etc., etc.”

Imagine a pessoa encontrar um cadáver como eram os cadáveres naquele tempo preparado: todos com umas tiras de pano compridas, que envolviam o cadáver inteiro. E, portanto, com as pernas hirtas também, andando sem se moverem, com os olhos fechados, e com o costume curioso que tinham os judeus: eles punham uma moedazinha em cada órbita do olho. Então, sem ver, com uma moedazinha em cada órbita do olho, mas falando: “aah! Aah! Aah! Eu sou Isaías profeta! Olha lá malditos!”, etc. etc.

E Nosso Senhor predisse, antes de morrer, a destruição de Jerusalém. Mas levaram quarenta anos depois de Nosso Senhor morrer, para Jerusalém ser destruída.

Os fatos que se deram depois da morte de Nosso Senhor, eram uma prefigura da destruição do povo judaico, da conquista da Judéia toda pelos romanos, e da destruição de Jerusalém. Sobretudo a destruição do Templo. Era uma prefigura.

Entre a prefigura – que eram os acontecimentos depois da morte – e a morte, mediaram quarenta anos. E os bons, os católicos, viviam reunidos em torno de Nossa Senhora, em torno de São Pedro, de um ou outro apóstolo que ainda restava – porque eles se espalharam para pregar a fé – por Jerusalém. Eles viviam reunidos em grupinhos, com medo naturalmente de serem perseguidos como Nosso Senhor foi. E durante quarenta anos esperando o dia da destruição.

Várias vezes – veja como a confiança deles foi posta à prova – houve fatos tais lá, que davam a impressão que tinha chegado o momento. Que era a destruição. E eles fugiram da cidade. Não aconteceu nada. Eles voltaram.

Quer dizer, até lá chegou a cobrança da paciência. Tenham paciência e acreditem! Mas também quando veio, a destruição de Jerusalém foi tremenda. Foi um dos fatos mais trágicos de toda a História do mundo. A coisa era de tal maneira, que a narração melhor que se tem é de um judeu culto daquele tempo, chamado Flávio Josefo. Mas que não só era judeu de raça, mas era judeu de religião. Ele continuou na religião dele. E ele conta como um historiador conta todos os fatos que  houve no sítio de Jerusalém.

Eram fatos tremendos! As mães comiam seus filhos, porque não tinham mais o que comer. Na cidade de Jerusalém, o governo interno que havia, estava completamente sem poder, de maneira que havia grupos de bandidos assaltando os particulares, para entrar nas casas, para comer a comida que havia, para cobrar dinheiro dos que tinham dinheiro, para não matarem os filhos. E depois esses grupos de bandidos começaram a se guerrear uns aos outros dentro da cidade. E apesar disso a cidade de Jerusalém não se rendia.

Mas, no meio disso, os judeus conseguiram um furo por debaixo da muralha. E foi uma espécie de subterrâneo, por onde eles iam sair longe, por detrás das tropas romanas que cercavam a cidade de Jerusalém. E então os romanos descobriram isso, e esperavam a eles nas saídas dos furos. Porque eles saíam levando joias e ouro, para viverem em outro lugar do mundo. Os romanos pegavam as joias e o ouro, e às vezes reduziam a eles a escravos. Outras vezes mandavam embora: “Vai, vai, vai embora!”. Mas aí eram incógnitos pela terra, não é?

Então, os judeus para salvarem as suas joias, eles arrancavam as pedras preciosas e comiam. De maneira que, quando passavam perto dos romanos, os romanos diziam: “tens joias?”, “não, não tenho. Pode olhar”. Estava o brilhante dentro do abdômen. Uma coisa horrível! Uma coisa que não se pensa, não é? Eu acho que pela cabeça dos srs., ao menos de muitos dos senhores, nunca passou pela cabeça a ideia de comer um brilhante, não é? É uma coisa horrorosa.

Os romanos perceberam, e quando apareciam um judeu com cara assim de mais rico, mais gordo, eles matavam e abriam as entranhas deles, para procurar as joias que levavam. E como muitas vezes encontravam, ficava aquele morto lá. E jogavam como matéria podre debaixo da terra, quando queriam fazer isso. E por esta forma Jerusalém ficou completamente liquidada, e os judeus espalharam por toda a terra. E aí o castigo se cumpriu.

Quanto falta para a vinda da “Bagarre”: incerteza e surpresa do castigo

Bem, agora, nós podemos perguntar: e conosco, entre agora e a Bagarre, quanto tempo vai levar? É o termo final da exposição. Quanto tempo vai levar?

Eu estou conseguindo fazer a exposição bem metódica, para acompanharem o fio da exposição?

(Sim!)

Então, quanto tempo vai mediar entre nós e… bom, nós não podemos daqueles fatos deduzir quanto tempo vai mediar agora. Seria infantil dizer que agora vão mediar quarenta anos, porque naquele tempo duraram quarenta anos. Esse quarenta anos foram determinados naquela ocasião pela sabedoria de Deus, por circunstâncias do ambiente, do tempo etc., etc. Tudo mudou muito! Quanto tempo virá, quanto tempo teremos que esperar para o castigo anunciado por Nossa Senhora? É a pergunta que fica.

A resposta é: naquele tempo houve uma grande incerteza de datas. E o castigo se apresentou de repente. Não é exagerado a gente imaginar que tenha agora também uma grande incerteza de datas, e que o castigo se apresente de repente.

Agora, como há muito tempo que estamos esperando a Bagarre, é possível que o castigo seja amanhã. Como é possível que seja daqui a algum tempo, bastante tempo.

Efeito nas almas: desânimo X esperança. Um “cálculo de probabilidade”

Mas, há uma coisa que tem um certo valor. E o valor é o seguinte: é um fato constante nas almas de quase todos, ou todos que pertencem às várias TFPs, é a ideia de que se o castigo demorar muito, lhes dá um desânimo, e todas as qualidades morais decaem. E, pelo contrário, da ideia do castigo vir logo as almas se acendem.

Bem, então, deve se ver nisto uma promessa da Providência de que a duração do tempo até este castigo, tem uma certa relação com a duração de nossas vidas. E que a duração não será de tal maneira que nós não vejamos a aurora do Reino de Maria – pelo menos.

É um cálculo de probabilidade, não é um cálculo de certeza. Essa probabilidade a mim me parece bastante razoável, bastante provável.

Misericórdia e justiça: o castigo como remédio e salvação

Restava-me apenas dizer uma pequena coisa dentro disso, que é o seguinte: mas a misericórdia de Nossa Senhora então sumiu? [Onde está] a bondade dEla? Quando a gente ouve Dr. Plinio falar sobre Fátima, ele que reza para Nossa Senhora, apelando para a misericórdia dEla, fala do castigo de Nossa Senhora de tal maneira que a gente pensa: “onde é que foi parar a misericórdia?”

Aí vem uma explicação de São Pedro, muito bonita. São Pedro quando trata do dilúvio, ele explica que o dilúvio foi uma punição, evidentemente, mas que essa punição foi debaixo de certo ponto de vista um grande ato de misericórdia. Porque o povo estava tão duro naquele tempo, que ia todo ele se perder. E com o castigo do dilúvio, muitos tomaram senso de que estavam ameaçados de morrer, e que poderiam ir para o inferno. Então, muitos se converteram, que não se converteriam se não fosse o dilúvio.

Então, aquele dilúvio que era um castigo, era um castigo – para muitos – um castigo salvador.

Bem, então, assim também a Bagarre punirá. Mas o número dos que se perderão se não houver Bagarre é maior do que o número dos que se perderão se houver a Bagarre. É, aliás, muito compreensível, muito razoável. E portanto, nós não devemos perder de vista, mesmo quando nós olharmos durante a Bagarre o auge da justiça de Nossa Senhora, que é a expressão da justiça de Deus. Aí ainda nós devemos pensar: que misericórdia de mostrar de tal maneira a justiça, que os maus que não se converteram por amor, se convertam por medo.

Então, nós temos aqui um ósculo harmonioso entre a misericórdia e a justiça. E todo plano de Deus fica claro diante de nossos olhos.

Foi uma exposição um pouco longa… que ao menos deu uma ideia de conjunto dos acontecimentos sobre os quais o senhor me pediu uma palavra, e que deu umas cinco mil.

Nota: Consulte a coletânea ESPECIAL de artigos e conferências de Dr. Plinio a respeito de Nossa Senhora de Fátima.

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