Mediação universal de Nossa Senhora = fonte da virtude dos heróis verdadeiramente católicos

                              Santo do Dia, 21 de julho de 1990 – Sábado

 

A D V E R T Ê N C I A

Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor.

Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá Dr. Plinio em seu livro “Revolução e Contra-Revolução“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de “Catolicismo”, em abril de 1959.

 

 

Se eu ouvi bem, qualquer coisa não me soou muito exatamente, a respeito de uma graça da crescente devoção a Nossa Senhora que eu só pediria para mim, para eu não dividir o “bolo” com ninguém.
É legítimo fazer um pedido só para si mesmo. Mas a idéia de que no Céu os tesouros são limitados, de maneira que se der para um não chega para outro, e que então é preciso tomar cuidado, não é bem assim. Os senhores imaginem que eu faça uma oração a Nossa Senhora pedindo para mim o que eu desejo e o que eu preciso, essa oração pode ter aos olhos dEla um valor igual a isso… Mas se eu pedir a Ela a conversão do mundo inteiro, tem valor igual a isso…, porque para Ela é muito mais agradável que eu ande bem e que o mundo inteiro vai bem, do que querer bem só um filho dela, e, portanto, eu revelo mais amor a ela pedindo que seja tudo dEla do que dizendo: “Olhe aqui estou eu, contente-Se comigo.”
Diz as escrituras: “Irmão que salva seu próprio irmão, salva a sua própria alma e brilhará no Céu como um sol por toda a eternidade”. Assim também aquele que reza por si, mas reza pelos outros, tem mais condições de salvar a sua alma, brilhará como um sol por toda a eternidade.”
Bem, não é nem um pouco ilegítimo, nem um pouco, eu rezar só por mim. Mas isto de dizer que nos Céus os tesouros são contados e que, portanto, eu tenho que avançar porque senão não chega para mim, outros se arranjem com as sobras que derem, isso não está bem focalizado. É alguma coisa que não foi bem entendida, e que está acabado. 
* A mediação universal de Nossa Senhora 
Vamos agora à mediação universal de Nossa Senhora. Sobre Nossa Senhora foram definidos numerosos e muito preciosos dogmas.
A Mediação Universal de Nossa Senhora, muito resumidamente expostas, consiste em que todos os tesouros – aliás o trecho de São Luiz Grignion de Montfort, lido aqui diz isso muito bem e com a linguagem dele – são dados aos homens por meio de Nossa Senhora. De maneira que se nós pedirmos algo a Deus Nosso Senhor, com a intenção de não ser por meio dEla, nós não obtemos nada. Se nós pedirmos que seja por intermédio dEla, nós obtemos tudo. Naturalmente não é necessário que cada oração mencione que é por meio dEla, já se entende no espírito do homem devoto, fiel que rezando a Nosso Senhor, se deseje que seja por meio d’Ela. Mas é ainda sempre melhor a gente dizer.
De maneira que com as circunstâncias, com as ponderações, com as cautelas, etc, que a Santa Igreja, sabe introduzir em tudo o que Ela faz, eu teria a aspiração de que no Reino de Maria, aonde a devoção a Nossa Senhora deve-se tornar muito mais clara a todos os homens do que os de agora, se peça muito mais freqüentemente de modo explícito, no fim das orações, algo que seja por exemplo: “Por meio de Vossa Mãe, Medianeira Universal, vos pedimos…”, alguma coisa assim, seja muito mais freqüente, de maneira que os limites neste ponto como em vários outros, os limites a devoção a Nossa Senhora sejam levados até ao fim. 
* Sobre Nossa Senhora sempre haverá algo novo a conhecer 
A gente poderia dizer, que a quantidade incontável de coisas magníficas que se podem dizer sobre Nossa Senhora, ainda não foram todas ditas. E São Luiz Grignion diz isto bem claramente no tratado dele, da Verdadeira Devoção”.
Quer dizer, sempre que a gente possa dizer que segundo os desígnios de Deus, ainda há muita coisa para dizer sobre Nossa Senhora, que está contida na doutrina Católica, mas que ainda não foi explicitada, e muita coisa que foi explicitada, mas que ainda não foi definida como dogma. E nós queremos, como a Igreja quer, que continuamente até o fim do mundo, essas verdades vão-se ampliando, vão-se definindo cada vez mais, vão sendo mais conhecidas por todos os fiéis.
Que a intensidade – porque não se trata apenas de se conhecer, mas de amar – que a intensidade do amor dos fiéis a cada um desses pontos que a Fé manda admitir a respeito de Nossa Senhora, a intensidade de amor cresça a tal ponto, que quando chegarem os últimos dias e o mundo estiver para acabar, tudo o que esteja no desígnio no plano “A” de Deus que os homens conheçam, tenham sido levado ao conhecimento deles.
Por essa forma, nós teríamos uma espécie de plenitude da revelação, a plenitude da manifestação de tudo o há a respeito de Nossa Senhora, e os fiéis desse tempo levem o amor a Nossa Senhora a um grau de intensidade e ardor que também nós não podemos imaginar. Quando esses devotos existirem e todo esse ensinamento estiver dado, em certo sentido a História terá percorrido todo o seu trajeto.
E eu tenho impressão em que no dia em que não houvesse nada de novo que segundo Deus os homens devam saber a respeito de Nossa Senhora, a história do Mundo ficaria com o pneumático furado, não tinha mais razão de ser. Continuamente, continuamente, a respeito dEla.
De outro lado, esse desejo que nós devemos ter a respeito da devoção a Nossa Senhora, esse desejo corresponde a outra coisa: é que Ela tem também um tesouro incontável de graças para ir distribuindo entre os homens, e enquanto esse tesouro não estiver distribuído, também a missão dEla não estará comprida. Mas no dia em que a missão dEla estiver comprida e todo o tesouro tiver sido dado aos homens, a história acabou.
* O auge de devoção a Nossa Senhora no dia do fim do mundo 
De maneira que nós devemos esperar que haja um auge de devoção a Nossa Senhora desde já e até o fim do mundo que vá crescendo, crescendo, crescendo e haverá maravilhas que nós, que segundo todas as verossimilhanças – o último dia do mundo ninguém pode saber qual é – nós que não veremos o fim do mundo, nós só veremos o Céu, mas que os homens felizes e atormentados que viverão nos dias terríveis do fim do mundo, esses, enfim, saberão tudo quanto na Terra a respeito dEla pode-se saber.
Eles e mais dois e esses dois, e esses dois ninguém sabe bem o que sabem e não sabem a respeito de Nossa Senhora: Elias e Enoch.
Eu tenho a impressão de que Elias e Enoch, têm uma comunicação constante do que se passa na Terra e que toda a luta da Igreja contra Satanás, a luta dos Filhos da Virgem contra os filhos da Serpente, que toda essa luta eles têm, passo a passo, conhecimento de como está e de que eles rezam continuamente para a vitória dessa luta. E quando eles vierem, eles não só conhecerão tudo que a Igreja for ensinando, como provavelmente no lugar misterioso onde estão – será o Paraíso Terreno? Será algum outro lugar? Que eu saiba a Escritura não diz coisa a esse respeito.
Mas no misterioso lugar onde estiverem, sem dúvida eles também vão crescendo no conhecimento de Nossa Senhora cada vez mais, cada vez mais, cada vez mais. De maneira, que quando Elias e Enoch morrerem por obra do Anticristo, e seus corpos ficarem estendidos numa praça pública, nesse momento eles saberão tudo quanto até lá a coisa chegar porque eles estarão próximos do fim do mundo e terão ao menos quase tudo sabido.
* A vinda de Nossa Senhora com Nosso Senhor, no dia do Juízo Final 
Como será a vinda de Nossa Senhora com Nosso Senhor quando Ele vier julgar os vivos e os mortos? Ele virá como Ele é, quer dizer um Rei Divino que vem em Pompa e Majestade e com todo o seu triunfo, grandeza etc. O Cornélio a Lápide admite a hipótese que da Terra, vá uma delegação de pessoas recebê-Los. Serão dentre os justos ou todos os justos – ele não entra nesse pormenor – serão todos os justos ou alguns desses justos? Mas esses não serão só homens vivos, serão homens que terão morrido e terão ressuscitado e que vão de encontro ao Rei para recebê-Lo e para instalar a Corte de Julgamento dEle, em que todos os homens serão julgados e que os do Céu se subirão junto com Ele, num cortejo grandioso e os do inferno serão varridos pelos anjos. (…)
Isso eu acredito bem como verdadeiro, mas acho que não está dito que serão só eles. Serão eles proeminentemente. Como também a função de julgar, eu já vi atribuída por autores, não me lembro quais, mas muito graves, a função de julgar é atribuída a Ele, a Nosso Senhor Jesus Cristo, naturalmente – não fala nesses homens Varões Lei, mas eu acho que isto deve ser assim –, mas fala também de todos os justos julgando a canalha.
Mas o que é interessante é o seguinte: é que São Tomás, se não me engano, fala a respeito do fim do mundo dizendo que na Terra tudo o que haverá de matéria informe, cacarecada quebrada, coisa torta, lixo, etc., os anjos dão ordem para ser jogado em cima dos demônios, é o último bombardeio da História, é o bombardeio final de tudo quanto é sujo em cima de toda a sujeira que está lá embaixo.
Os senhores podem imaginar quanto no inferno se vociferará contra isso, porque os senhores já conhecem os ímpios, e os que são do partido do inferno como são. Eles aproveitam toda a oportunidade para protestar para mafiar, para caluniar, para esbravejar. E o ódio, eles não vão perder nada, vão conservar íntegro por toda a eternidade. Então, vão a propósito de qualquer coisa: “Não, porque não é justiça, porque não sei o quê?…” Pissst!, e lá vai o lixo em cima deles! E tranca-se aquilo e: “fica aí espumando esbravejando com o seu ódio inútil e humilhante. A história de vocês acabou também!, não tem mais conversa”.
* Nossa Senhora com fisionomia terrível de Juiz para os condenados 
Mas o caso é que nós não podemos imaginar que Nossa Senhora não desça com Ele – é fora de dúvida –, e não podemos imaginar que nessa distribuição de justiça em que Ela não fará mais o papel de Advogada, porque no Juízo Final como, aliás, no Juízo Particular, Ela não advoga mais: aquele morreu e vai ser entregue à Justiça Divina para ser julgado, e a coisa é regra da justiça, esta acabado.
É diferente a situação dEla com as almas do Purgatório. Ela para as almas do Purgatório obtém alívios e obtém numerosos alívios. Quando chegam as festas dEla, as ocasiões de dar glória a Deus etc., Ela desce com uma quantidade enorme de anjos no Purgatório, traz refrigério, traz alegria, traz descanso! e quando sobe, leva muitos que deveriam demorar mais, e a quem Ela abrevia as penas e leva para as alegrias do Céu. E deixa as almas que ainda tem que penar com uma esperança, com um antegozo psicológico, espiritual do Céu, colossal, de maneira que para eles ainda existe misericórdia.
Mas para quem foi mandado para o inferno, não tem mais. E Ela que nos acompanha com o Seu olhar de amor a vida inteira, ainda que sejamos pecadores, Ela, entretanto, posto o momento do Juízo, olha fria e neutra. E Ela descerá assim para os que são precitos, mas transbordando de que graças e de que maternalidade! e de que bondade! e de que encantos de toda a ordem! para os que ressuscitaram e que vão ser levados para o Céu. E a alegria dEla, ao assistir ao Julgamento, será uma alegria enorme, porque ela terá duas alegrias: a alegria de todos os que se salvam e a alegria da Justiça de Deus que se cumpre… [exclamação]
E aí nós todos estaremos ressurrectos – porque todos os homens vão ressuscitar – nós todos estaremos ressurrectos, e nós todos veremos todas essas maravilhas.
* Como será o último dia de espera dos justos que não morrerão 
Mas haverá – eu já tenho falado disso várias vezes –, haverá segundo Santo Tomás e muitos outros, haverá um número pequeno e escolhido de santos, de almas eleitas quer dizer, que vai ficar até o fim do mundo com tanta fidelidade, e agüentando tanto tormento nos últimos tempos do mundo, na luta contra os maus que serão tão péssimos nesse momento – para os senhores terem uma idéia serão piores que os maus de hoje e dai podem calcular –, que por causa disso e por causa da fidelidade deles, para eles a lei da morte não vigorará. E eles vão diretos para o Céu.
Os senhores podem imaginar numa catacumba, num lugar escavados, no fundo da terra, mal odorento, horrível, aonde há apenas uma réstia de luz que entra durante o dia, mas da luz que nós podemos imaginar, mortiça, feia e com cara de neblina poluída, que será a luz do fim do mundo em que o Sol vai estar mais obscurecido, todas as plantas crescem mais fracas, os animais são mais raquíticos, os homens terão crescido em maldade e diminuído em tudo, serão homúnculos. Um pouco desta luz coa através daquilo, dentro desse antro onde os melhores se refugiarão e será um punhadinho; dentro desse antro, haverá uma imagem de Nossa Senhora: a Imaculada Conceição pisando a cabeça da Serpente.
Eles serão um punhado e serão os grandes derrotados. Estão esperando lá, há não sei quanto tempo. Eles esperam que chegue o fim do mundo, mas certeza eles não têm, porque eles não sabem se em outro lugar da Terra não existem justos que estarão lutando. Mas chega um ponto em que a capacidade de resistência deles quase se esgota. De repente… Pissst! Entra uma fulguração por aquele buraco, e eles percebem que uma luz especial apareceu, e eles ouvem uma voz, uma tuba que dá ordem em nome de Deus que todos os homens ressuscitem.
E eles percebem que alguma coisa de extraordinário está-se passando: O mundo acabou! Acabou, mas eles estão com a salvação garantida, sentem-se como que ressurrectos, estão reanimados. Saem de lá de dentro, a Terra está vazia…, os Justos estão começando a se reconstituir dentro das sepulturas, tudo está mudando. Os justos e os não justos todos se estão se reconstituindo, e no meio de tudo isso, eles entoam o Hino da Vitória de Maria. São os últimos justos que estão pisando sobre a cabeça de todos aqueles que os combateram. Quer dizer, a coisa é assim.
Este será, com certeza, o apogeu da Devoção a Nossa Senhora. E um cântico que só não será mais bonito que o “Magnificat”. Quem pode dizer que Nossa Senhora nessa ocasião não mandará anjos para cantarem com eles? Quem pode dizer os prêmios, as bênçãos dessas fidelidades levadas até ao último ponto? O que é que chegam e como é que são?
Tudo isso são maravilhas que nós devemos contemplar no futuro e que nos devem levar à idéia de que a Bagarre, como nós sabemos, vai ser uma espécie de ensaio do fim do mundo. Deve levar-nos a ter esperança quando vierem dias ainda mais negros e que parecer que tudo estiver perdido, lembremo-nos de tudo isso e tenhamos confiança, e toquemos para a frente.
* O crescimento da devoção a Nossa Senhora na TFP: a Mediação Universal dEla 
O fato concreto é que assim a devoção a Nossa Senhora irá crescendo e que em certo sentido, na TFP, ela deve crescer muito mais, em todo o sentido na TFP ela deve crescer muito mais, mas especialmente, creio eu, num ponto: é a Mediação Universal e a crença, portanto, de que tudo que se pede a Ela, se obtém. Antes de tudo na ordem espiritual, quer dizer, graças e favores para obtermos virtudes, para nos santificarmos, para amarmos a Ela, para sermos premiados por Ela, para sermos unidos a Ela.
Devemos ter nisto uma confiança cada vez maior, por mais que nós não mereçamos, nós devemos aplicar ao pé da letra, para nós as palavras do Memorare: “que nunca se ouviu dizer, que quem recorreu à Vossa proteção, tenha sido por Vós, desamparado. E gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro a Vossos pés.” A quem espera com tanto ardor aquela misericórdia, é uma pessoa que está gemendo sob o peso dos seus pecados.
Quer dizer, mesmo uma pessoa que esteja em pecado, desde que ela gema sob o peso dos pecados, ela tenha arrependimento desses pecados, mas mesmo que ela tenha um arrependimento muito incompleto, um comecinho de arrependimento, o suficiente para pedir arrependimento, esse já entrou no caminho. E se pedir, e se perseverar para pedir, Nossa Senhora lhe dará esse arrependimento.
* A mediação Universal faz-nos esperar as conversões mais espetaculares 
Então a Mediação Universal, faz-nos esperar que todos os pedidos feitos – mais na ordem espiritual mais do que tudo, mas também na ordem dos fatos concretos: uma vitória para o apostolado, uma vitória para dar uma glória especial a Nossa Senhora convertendo certa pessoa, ou convertendo certo grupo, ou convertendo certa nação, ou convertendo certa área de civilização, um desejo ardente de que se abrevie os dias para que o Reino dEla venha logo, tudo isso pedir a Ela, a nossa oração nunca é inútil. Pode ser que, tendo Ela uma sabedoria incomparabilissima­men­te maior que a de qualquer outra pessoa, Ela conheça os desígnios de Deus – isso é certo – como ninguém conhece e que esteja nos desígnios de Deus que aquela oração seja atendida, porque por superiores planos há coisas que convém mais a Ela, convém mais à gloria de Deus.
É possível. Mas mesmo assim essa oração é atendida, porque se Ela não dá aquilo que pedimos, dá aquilo que nós não estamos pedindo e que é muitas vezes melhor do que aquilo que nós estamos pedindo. Mas, admitir que alguém tenha rezado a Ela, e tenha saído de mãos vazias, não tem perigo, isso não acontece.
* A Mediação universal, um dogma que ajuda a todo fiel 
Eu vejo nesta verdade de Fé, que é a meu ver, matéria inteiramente adequada para ser definida como dogma, eu vejo nisso um primeiro efeito concreto que é de conseguir que assim se dê maior glória a Ela, obrigando os fiéis a crer numa verdade sumamente e altamente gloriosa para Ela. Mas não é só isso. É que a partir de que todos os homens tenham isto bem ancorado no espírito, eles rezarão muito mais para Ela, eles compreenderão muito mais a necessidade da união com Ela.
Há um provérbio popular que diz que a necessidade é a lebre a caminho, também põe o fiel a caminho. Se o fiel percebe que precisa para ser atendido rezar a Ela, e que esse é o caminho, e ele está convencido disso, ele vai pelo caminho, ele é a lebre que vai: “É por aí? Está bom, vamos em frente!” Esse é levado pelo nobre desejo de salvar-se. Mas depois é levado a um desejo mais alto: ainda que ele tivesse certeza da salvação própria, ele entraria para glorificá-La. Então entra um amor desinteressado a Ela, e entra toda a glória que ele pode dar a Ela.
De maneira que esta verdade, é um meio excelente para que a aspiração geral de toda a Cristandade chame a Ela nesta linha, neste sopro. E é isto que nós devemos desejar desejando a graça da definição do dogma da Mediação Universal.
* Um dogma que ajuda especialmente na TFP 
Acontece, entretanto, que nas nossas condições, essa graça ainda tem uma aplicação especial.
A história da TFP prova que nossa vida é uma vida de vais-e-vens, é uma vida de vitórias, não tem dúvida nenhuma, mas de vitórias que se obtém no meio de derrotas, e no meio de riscos e perigos, de desapontamentos de toda a ordem. A gente tem que lutar contra o impossível, contra o inconcebível, tem que lutar quando a gente tem a impressão de que está provado que nós vamos ser derrotados, nós devemos meter o pé à frente e ir tocando. Nossa Senhora nos dará a vitória.
É essa confiança que é a audácia dos heróis quando eles são verdadeiramente católicos, e é essa confiança que nós devemos ter, de tal maneira que tentando o inverossímil, tentado aquilo que só por milagre se pode tentar, mas tentando não por temeridade, mas por confiança, por Fé, porque Nossa Senhora nos dá uma graça interior pela qual a gente pressente que vai nos dar aquilo que nós estamos pedindo, que é pelo sopro de uma graça obtida por Ela que nós estamos pedindo determinada coisa, nós entendemos que obteremos na certa. E vamos contra toda a verossimilhança. Esse é o grande lance que a gente tem que adotar a todo o momento.
* Como atuar nas incertezas 
Os senhores já me viram em muitas situações difíceis, críticas, incertas e viram como eu peso os perigos. Eu não sou desses afoitos que vão fazendo tontices sem pesar muito. … já me tem visto pesar o pró e o contra com balança de farmacêutico, uma grama a mais já muda a orientação da agulha da balança, e depois várias vezes pensar no perigo, no risco, se convém, se não convém. Chega uma noite em que eu pareço estar convicto que não deve ser feito, e na manhã seguinte eu acordo dando ordem para fazer, etc. Não por tontice, mas porque são coisas nebulosas que a gente vai vendo e vai vendo aspectos novos insondáveis.
Pois bem, mas assim mesmo, quantas coisas nós fazemos que são verdadeiro risco, e que nós devemos fazer com confiança e tocar para a frente.
* Incertezas no lançamento da campanha pro‑Lituânia 
Por exemplo: uma ponderação que eu não comuniquei a ninguém porque me pareceu, porque com alguma reflexão estava resolvido e não tinha nada a fazer. Os senhores já pensaram quanto era incerto, quando foi lançada a campanha pró Lituânia que o povo respondesse daquele modo? Eu pergunto aos senhores o seguinte: antes de ser lançada a campanha, se eu chegasse para um dos senhores e dissesse: “Você aceita a responsabilidade de lançar essa campanha? Tem certeza?”
Bem, os senhores podem imaginar como seria inconveniente para a independência de uma nação católica como a Lituânia, para se obter uma derrocada de uma fracção do poderio soviético, como seria inconveniente, dizer que em vinte países foram lançados os abaixo-assinados assim e que eles tiveram um resultado pequeno? Isto seria contado pelo russos para os lituanos:
“E vocês não têm apoio da opinião pública. Vocês pensam que é só por uma combinação de políticos que vocês estão sem apoio, olha aqui! Em tais e tais lugares foi feito isto e aquilo, aquilo e aquilo outro. Escrevam para as suas colônias lituanas que vocês têm nesses lugares e perguntem vocês mesmos como foram! Vocês vão ver que o mundo não se interessa por vocês, e se vocês se levantaram com a esperança do apoio do mundo, vocês estão derrotados. Ou vocês aceitam uma paz com sujeição que na minha “gorbacheviana” misericórdia, vou dar a vocês, é e grilhão hein! grilhão nas mãos, grilhão nos pés, grilhão na boca, se for preciso nos olhos e nas orelhas – é uma coisa terrível a misericórdia gorbacheviana, é a misericórdia de Satanás; é uma gargalhada simplesmente –, ou vocês aceitam isso, ou farei pior, porque vocês não têm mais nada para esperar.”
Em vinte nações, não podia ser perfeitamente que em algumas houvesse uma má acolhida? Que coisa natural! Bem, portanto que responsabilidade em resolver, isto vai ser assim.
Quando a gente vai à rua e vê que tudo vai bem, a gente pensa que não houve nenhuma dúvida que tenha precedido o lançamento da campanha. “Está tão claro que eles queriam. É claro que o Doutor Plinio viu, porque está isto. Logo ele viu, e viu com toda a facilidade, não tem nenhuma dúvida.” Não é assim…
Se nós só metêssemos a cara fora das muralhas da nossa fortaleza quando tivéssemos certeza de tudo, nós nunca saíamos. Mas é rezando para ver claro e confiando em que Nossa Senhora indicará uma orientação que nós temos certeza que será a verdadeira, que a gente lança e lança desanuviado.
* A hora da incerteza, em que quanto mais se pensa mais nebuloso está o assunto 
Por enquanto os senhores são moços e é a vez dos senhores de obedecer, é a bem-aventurada vez de os senhores obedecer. Mas chega uma hora em que a coleta do tempo vai levando para o cemitério da Consolação aqueles cujo último dia chegou. Chega uma hora em que a responsabilidade é dos senhores. E aí os senhores precisam se imaginar com a responsabilidade nas mãos, sentados diante de uma mesa e pensando. Pensa, pensa, e quanto mais pensa mais nebuloso fica o problema.
Às vezes – às vezes! – o problema é tão nebuloso que é melhor não pensar muito, porque a gente vê cada vez mais pró, cada vez mais contra. Mas se for contra, é um desastre; se for pró não acontece nada.
Exprimindo-me melhor: se eu me arriscar posso ter um desastre, se eu não me arriscar continuo a vida de todos os dias. Então o que está na balança é a vida de todos os dias, ou uma catástrofe. Eu opto instintivamente pela vida de todos os dias opto pela nulidade, opto pelo não fazer nada. Mas fazer o que, fazer bobagem? E me jogar pelos abismos adentro? Isso tem propósito?
Os senhores pensaram quanto se tem que refletir, e quanto se tem que rezar pedindo auxílio de Nossa Senhora? Isso é nas ocasiões em que a gente pode fazer e não fazer, ter o risco diante de nós ou não ter, mas há ocasiões em que o risco pula diante de nós como uma pantera, nós não quisemos, mas ele sai de dentro dos fatos: “É agora assim, está acabado! Faça ou não faça! Bem, vou para o risco, está acabado”. Outras vezes o contrário: “Bobo não sou, arriscar não me arrisco.”
Na nossa vida… a dos senhores conheceram uma série de situações assim, mas uma série. Nós seremos obrigados a compreender mais claramente, cada vez mais claramente, quanto nós ficamos na dependência dEla, e quanto o pedir por meio dEla podemos obter graças e favores e vitórias que nós sentimos em nós que nós não merecemos. Não é olhar para nossos méritos, olhar para a bondade dEla e a misericórdia dEla, e aí tocar para a frente.
* Uma vida em que é preciso procurar e encontrar o caminho de Nossa Senhora 
Os senhores compreenderam com facilidade, quanto essas coisas supõem uma vida de incertezas, uma vida de lutas, de riscos e dificuldade, e que é preciso vencer essa vida de todos os modos porque Nossa Senhora quer, e nós temos que encontrar o caminho dEla. Como é encontrar o caminho dEla? Rezando para Ela.

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