Jantar no Eremo do Amparo de Nossa Senhora, 29 de abril de 1992
A D V E R T Ê N C I A
Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor.
Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:
“Católico apostólico romano, o autor deste texto se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto, por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.
As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá Dr. Plinio em seu livro “Revolução e Contra-Revolução“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de “Catolicismo”, em abril de 1959.
(…) Quer dizer, eu tenho no espírito a imagem de uma não-luta, e por mais que eu seja lutador, a verdade é que eu tenho momentos de aspiração muito grande do sossego, e pegar “n” coisas indignas, lavar-me delas debaixo de um chuveiro, mandar esses inimigos todos embora, e cogitar de outra coisa.
Aí eu só tenho uma coisa muito vaga para dizer, mas seria a Idade Média multiplicada pela Idade Média.
E, portanto, para fazer a Contra-Revolução é preciso saber modelar o espírito do povo para a Contra-Revolução.
Mas então, voltando ao caso, seria preciso fazer relatórios. E os relatórios não dando resultado, publicar para o povo: “Está sendo assim, a opinião é esta, e isto foi avisado assim e não está dando resultado, e nós queremos dizer que nosso país está sendo sistematicamente intoxicado por aquele que é a cura de todos seus males. Seja dito!”
Bom, cada vez que viesse um novo, pan! Até que a má linha ficasse clara e o povo tivesse com o que se defender.
Defender de que jeito? Simplesmente reservando sua opinião interior. Mas é o que se pode fazer.
O que tem é o seguinte: é que para isso a TFP precisaria ter uma escola de modelagem de opinião pública que seria primeiro como conhecê-la, em segundo lugar como informá-la, e depois como formá-la.
Mas nessa linha eu tentei fazer na TFP e a grande tentativa que eu fiz – eu fiz duas – foi primeiro aquelas reuniões anteriores a eu adoecer de diabetes. Eu adoeci, tive que parar e vi que não adiantava recomeçar. A segunda foi um Êremo aqui. Mas por uma coisa que a meu ver resultou principalmente de coisa do demônio, mas nós não nos precavemos tanto quanto deveríamos e fomos na onda, foi preciso fechar o Êremo. Por questões a meu ver apenas temperamentais, mas as coisas temperamentais jogam um papel enorme em organizações como a nossa, e aconteceu isso.
De maneira que se vier a Bagarre, nós entramos despreparados para os estudos de opinião pública.
É preciso pedir a Nossa Senhora que nos mande gente ávida disso.
Não sei por que um silêncio meio pesado em seguida ao que eu estou dizendo?
* Qual é a vocação da TFP? No campo temporal? No campo espiritual?
Qual seria a vocação da TFP?
(Aparte: A TFP ficaria quase que com um pé em cada…)
Em cada canoa.
(Pergunta: A TFP tem algo de ordem religiosa, mas por outro lado ela atua na ordem temporal como as ordens religiosas antigas não faziam.)
É.
(Pergunta: O senhor podia definir mais… Se há alguma coisa que fica de um ou doutro lado, então algo de Ordem de cavalaria, mas tem alguma coisa de profundamente religiosa.)
Profundamente!
(Pergunta: Que sem isso não se explicaria o senhor. Mas por outro lado, nós devemos atuar mais especificamente na ordem temporal.)
É.
* Como se deu a incursão do demônio na opinião pública
No começo do que eu estou dizendo agora, eu disse alguma coisa que indicava bem o estado de exceção em que o mundo mergulhou a partir do momento em que os fatos provaram que era possível uma conspiração como a que as FFSS fizeram e que essa conspiração chegasse a esse auge de poder a que chegou.
Isso foi uma situação extra, que resultou da permissão de uma incursão especial do demônio nas coisas humanas, genericamente falando.
Agora, acontece que o demônio agiu com a inteligência que lhe é própria, servindo-se do seguinte: a Igreja até aquele tempo tinha o privilégio único, e sempre conservará e será só dela, de condenar doutrinas e definir dogmas, ensinar a verdade. Mas Ela fazia assim: aparecia uma doutrina e alguns particulares começavam a refutar aquela doutrina – eu entendo por particulares, até eclesiásticos também, mas que não estavam no pináculo do poder da Igreja – começam a combater. E daí vem a polêmica e à certa altura da polêmica intervém a Santa Sé e condena o erro e está liqüidado o caso.
Mas por causa disso sempre que a Santa Sé condenava um erro, os bons tinham um suspiro e dormiam felizes, porque o erro condenado estava apontado e, substancialmente, ele estava com o caminho cortado. Ele poderia vir com subterfúgios, com coisas, mas a coisa estava indicada e era possível cortar. Portanto, podia-se respirar.
O demônio entrou de outra maneira: insinuando o erro por meio de coisas pertencentes à ordem temporal, e não à ordem espiritual, e fazendo com que do formato de uma cortina pudesse decorrer mal espírito para toda sala, e daí mil outros exemplos do gênero…
Ou seja, servindo-se de coisas da ordem meramente temporal para influenciar profundamente a espiritual.
Então, a partir do momento em que, para a punição dos homens, o demônio conseguiu esse poder, ou o Estado entrava nessa heresia que estava infectando por meio da esfera própria dele, ou ele não tinha nada que fazer, estava desarmado e a Igreja também. De onde então o Estado ter a missão de na ordem temporal ser um sustentador da fé que foi ameaçada dentro deste campo, e em termos e maneiras que só o Estado tem poder suficiente para condenar.
Não sei, meu filho se eu explico…
(Aparte: Está fabuloso.)
* Exemplo: o desaparecimento do uniforme militar suntuoso, e o aparecimento da “camuflagem”, tiram da população o espírito de heroísmo
Então, vamos dizer por exemplo, a Igreja que remédio pode trazer ao seguinte? Toda a colaboração que uma determinada categoria de pessoas pode trazer para o bem temporal e espiritual do país, está em parte relacionada com o modo pelo qual essa categoria se simboliza aos olhos do país. Então a categoria militar é o fardamento. E o fardamento bonito, suntuoso, militar por excelência, chamando à luta etc., forma o espírito militar do povo.
Agora, vem um ministro da guerra qualquer e inventa o seguinte: “Para nossos dias, o camuflar os soldados para eles aparecerem de maneira a não serem notados na selva, é de uma importância capital. E para simbolizar o espírito novo desse tipo de guerra, o militar deve andar sempre camuflado.”
Então com aquelas fardas horrendas, meio imitando folhas de árvores e outras coisas assim. Se isto se faz assim, a admiração pelo heroísmo desaparece do espírito da população. O heroísmo fica privado de sua gala.
A quem cabe a ação apostólica de eliminar essa patranha? Evidentemente é ao Estado.
(Pergunta: Mas, por exemplo, no estilo de uma igreja pode entrar a Revolução, mas é uma coisa própria da Igreja. Mas o senhor também age sobre isso. Então o senhor age nos dois campos.)
Pois é. Esse bifrontismo provém do fato de por meio do Estado o demônio procurar haver no campo da Igreja, e a Igreja só pode ser ajudada eficazmente se o Estado também agir.
Está claro, meu filho?
Se nós tivéssemos um Estado inteiramente católico, trazendo razoáveis garantias, enquanto essas garantias possam existir, de manter-se inteiramente católico, a função da TFP seria das Ordens de Cavalaria em relação aos reis na Idade Média. A Ordem de Cavalaria obedecia fundamentalmente ao Papa, como Ordem religiosa que era, mas desde que o rei precisasse da Ordem de Cavalaria, teria inteiramente às suas ordens para manter a boa ordem temporal etc.
* Diante de Nossa Senhora de Fátima, “que a TFP me sobrevivesse com a mesma precisão, a mesma obediência até o fim do mundo”.
(Sr. Ezcurra: O senhor fez vigília diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima, e depois uma pessoa perguntou para o senhor o que é que o senhor tinha pedido nessa vigília, e o senhor disse: “Eu pedi que a minha missão se prolongue até o fim do mundo.” Não sei se o senhor se lembra disso?)
Não, mas pode ter sido. Eu devo dizer para tranqüilizar todo o mundo, que eu com isso não pedi para viver até o fim do mundo.
(Sr. Ezcurra: O que é que o senhor quis dizer com isso?)
É que a TFP me sobrevivesse com a mesma precisão, a mesma obediência até o fim do mundo. E eu tenho esperança que haja TFP até o fim do mundo.
O que é que o senhor teria a dizer a isso?
(Sr. Ezcurra: Está claríssimo, está ótimo.)
* A TFP, uma Ordem de Cavalaria? O papel do apostolado dos leigos
(Pergunta: A TFP internamente com Ordem de Cavalaria, como vai ser isso? Ela não vai ser inteiramente uma Ordem como os jesuítas, que atuam também no campo temporal. Mas também não vai viver inteiramente no mundo.)
Não.
(Pergunta: Então qual é o matiz que acrescentasse a ela…)
O senhor imagine, para ter isso bem em vista, o enorme desenvolvimento que teve, já nos fins do século passado, depois ao longo de nossos tempos, o apostolado dos leigos.
Quer dizer, a ideia de que ao contrário do que imaginava… a Igreja não ensinou isso, mas imaginava o comum dos homens e até muitas sacerdotes, etc., eles tinham idéia de que o apostolado era coisa privativa dos sacerdotes e não era dos leigos. E que se o sujeito queria fazer apostolado, ficasse padre.
Eu me lembro discussões que eu tive com os jesuítas que diziam que o indivíduo solteiro e leigo era um absurdo, era uma aberração. O indivíduo devia ser – eles tinham uma fórmula interessante – “padre ou pai de padre”.
Quer dizer, ou ele ficava padre, ou ficava pai. Se ficava pai, deveria ter filhos padres, mas que o papel normal do homem era ser padre ou pai de padre, e não ser padre e não ser pai de padre, era estar fora dos esquemas da Providência. E naturalmente isso era dito diretamente a mim com recomendação de casar-me.
Pio XII definiu na encíclica Sacra Virgínitas que o indivíduo, quer homem, quer mulher, pode e conforme o caso deve ficar solteiro e vivendo no século.
Agora, a isso correspondia a noção nova de que a penetração do mal se tornava tão profunda que os leigos não se aproximavam dos padres já por preconceitos de caráter, digamos de caráter positivista etc., ou ateu até, já por respeito humano ou por qualquer coisa, não se aproximava do padre nunca. E o padre não tinha mais aquele contato contínuo com as suas ovelhas que era o normal do padre antigamente. E que, portanto, ou um certo número de homens ficava solteiro, vivendo no mundo e fazendo apostolado, ou havia camadas inteiras do mundo que não poderiam ser evangelizadas mais por causa dessa separação.
E isso é uma coisa muito verdadeira e eu sentia pelo meu contato com o mundo em que eu vivia, eu sentia a necessário absoluta e premente disso.
Veio daí a idéia de ter, portanto, muitos homens vivendo no mundo, como o mundo vive, ou mais ou menos tanto, mas ao mesmo tempo vivendo exclusivamente para a Igreja. E isso são as organizações… esquece-me o nome característico…. Qual é o número característico Gustavo?
(Sr. Gustavo: É Instituto secular, mas não é exclusivo.)
Confraternitatis laicalis, etc.
São organizações que realizam o que nós realizamos: vivemos com os trajes do mundo, com atitudes e penetrações no mundo, mas vivemos entre nós. E é uma coisa que, portanto, é meio o mundo e meio a estrutura como estilo de vida. E daí vieram coisas como a TFP.
Em outro gênero, que estão aparecendo na Europa e daí para frente.
Não sei se minha resposta responde à pergunta?
(…)
Nessa perspectiva o auge da História é o momento em que vem Nosso Senhor e com um sopro mata o Anticristo, porque aí Ele fecha a História, mas fecha a História no auge da Vitória e no esmagamento de um adversário que estava no próprio auge.
* Como poderia se dar o aparecimento de Elias e Enoque?
Tem Elias e Enoque cuja ação de futuro nós conhecemos algo de muito precioso, mas não sabemos se é tudo.
Às vezes me passa pela cabeça que em extremidades pelas quais nós possamos passar, Elias e Enoque apareçam para nos ajudar. Porque há situações tão, tão extremas que sem uma interferência deles, como agentes evidentemente de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, é difícil imaginar que se consiga alguma coisa. Seria uma coisa magnífica e nós podíamos imaginar assim:
Estamos conversando e ouvimos de repente três toques, três pancadas naquela porta, mas que nos fazem estremecer a todos porque são pancadas de uma sonoridade e de um gênero que nos faz ver que é uma mão arcaica que está vibrando naquela porta, e que vem com um cajado também dos outros tempos, dos tempos dos reis pastores, daquelas coisas assim, e que batem: “Pan! pan! pan!” de um jeito tal que diz: “Me deixem entrar porque ninguém é como eu e eu vou contar uma coisa inteiramente nova…”
Entram dois velhos. Nós, para usar a expressão francesa, ficamos “siderés” [surpresos], e nos levantamos todos; homens respeitáveis até o máximo, ambos com túnica, com hábito, com uma grande cruz na frente exatamente como essa que eu vejo portada pelo Constantino e pelos outros, e num regime de glossolalia, falam uma só língua que cada um entende na sua língua materna e dizem: “Eu sou Elias e o outro diz: “Eu sou Enoque. A Virgem Santíssima – ambos se inclinam – nos mandou…”
Aarr! O que dizer?
Nós estamos no terreno das hipóteses.
Imagine que a Providência permita uma coisa qualquer que eu faça, ninguém entenda. Eu esgoto todos meus argumentos não consigo convencer. A TFP está desacoroçoada. Eles entram e o meu Julio pergunta: “O que vieram fazer?”
* A xícara quebrada da venerável Maria Eustela, e o milagre de sua recomposição
Você conhece o caso que se deu com uma pessoa muito piedosa que morreu em odor de santidade no século passado, Maria Eustela Harpain [1814-1842], ou não?
Ela era uma moça – eu não me lembro bem se era inglesa, escocesa ou irlandesa, mas pertencia ao Reino Unido – que estava numa cidade que eu não me lembro se era Londres, uma cidade do Reino Unido. Ela tinha sido uma pessoa abastada, mas tinha perdido tudo o que tinha, trabalhava como operária, vivia num quartinho que ela mesmo varria e arranjava, etc., com muita dificuldade porque o trabalho dela de operária era muito duro. E de manhã, ela tinha preparado para tomar uma bebida, vamos dizer, uma xícarazinha de leite, qualquer coisa, na xícara. E ela teve um movimento qualquer irrefletido e a xícara caiu no chão e quebrou-se. E ela teve então um estertor de aflição e disse a Deus: “Mas meu Deus, é o único objeto que eu tinha e que se racha desse jeito? Eu não tenho dinheiro para comprar outro xícara!”
Mas por um movimento interior ela foi levada a olhar para a xícara que se tinha desfeito numa porção de pedaços, e a xícara estava recomposta…
Pode acontecer isto com a minha querida TFP. Levada pelos desvarios de toda ordem, levada pelas confusões de hoje, levada pelas tentações de toda forma, pode acontecer que em determinado momento ninguém se acerte com ninguém, a TFP não tem concerto…
Mas alguns conservam a confiança. Em certo momento, quando se olham, está tudo resolvido, Nossa Senhora agiu nas almas e recompôs tudo.
São coisas que podem acontecer…
(Dr. Adolpho: Precisam acontecer.)
Às vezes chega a isso. São provas pelas quais é preciso passar.
* Situações que podem acontecer na TFP: a estória do Dr. Ox – conto de Júlio Verne
Às vezes há situações dentro da TFP que me lembram a estória de Dr. Ox. Você conhece isso, do Júlio Verne, ou não?
(Aparte: Sim, sim.)
Um gás mortífero. É uma fantasia, Júlio Verne é todo de fantasia.
Ele conta uma história de duas cidadezinhas da Holanda, e da Holanda porque é um país muito tranquilo, muito pacato etc. fábrica de tulipas… eu dizer, mas é quase isso. Virou quase fábrica de tulipas, e vive de coisas dessas. E duas cidadezinhas próximas que viviam tranqüilas, que na Idade Média tinham pertencido a feudos vizinhos e inimigos. Mas depois cessou a Idade Média, cessaram aquelas guerras entre feudos inimigos etc., e há séculos que aquelas duas cidadezinhas viviam numa paz idílica.
Quando começou a circular entre elas, um certo mal-estar que era provocado por uma circunstâncias que não sabiam o que era. Mas sem elas se darem conta, parecia que a menor coisinha que se passasse entre elas, era gravíssima. Então por exemplo – eu vou dar os exemplos de minha lembrança, quer dizer inventados aqui, porque eu não me lembro – há uma vaca pertencente ao município A, tinha passado a pastar nas pastagens do município B, e isso no município B repercutia da seguinte maneira:
– “É o primeiro passo de uma invasão de nosso município pelo vizinho. Na Idade Média eles nos combateram muito, e nós não nos esquecemos que eles não mudaram de temperamento, e que eles de uma hora para outra podem nos invadir, e agora essa vaca é uma provocação e com certeza haverá uma….”
E assim uma porção de raciocínios em tese concebíveis num outro conjunto; não eram raciocínios errados, mas concebíveis num outro conjunto não naquele conjunto.
O município dono da vaca acabou se sentindo ameaçado pelo desgosto da outra. Tiraram a vaca e os outros não sossegaram.
Então o município dono da vaca, foi ao museu e tomou as armas da Idade Média que eles tinham e se armaram para esperar o município inimigo na fronteira, mas já estava lá o município inimigo que também tinha ido pegar no seu museu, as armas da Idade Média. E estavam a ponto de se atacar furiosamente, quando houve uma explosão colossal numa das duas cidades e a coisa serenou. Ele deram risadas: “O que é que estamos fazendo aqui? Nós estamos loucos? Estamos gagás? Olha, boa tarde, vamos cuidar de nossa vida etc.”.
Era um tal misterioso Dr. Ox que tinha ido há pouco tempo morar no município A e que ali fabricava um gás que produzia este efeito que todas as pessoas passavam a medir o relacionamento de umas com as outras, segundo a lógica mais estrita, portanto, no mundo da lua, sem tomar em consideração a flexibilidade das circunstâncias, dos casos, dos antecedentes próximos e remotos, etc., de maneira que cada um levava às conseqüências até onde podia, e até mais.
Quando esse gás explodiu, desfez-se no ar, e os efeitos nocivos do gás cessaram, todo o mundo passou a raciocinar normalmente, com as premissas comuns da vida, e compreendendo que aquilo era uma bobagem.
* Entre os verdadeiros servidores da Igreja existe com frequência emissões do “gás de Dr. Ox”; perde-se a elasticidade; são coisas do demônio
Entre os verdadeiros servidores da Igreja, existe com alguma freqüência emissões do gás de “Dr. Ox”, que é o nome que Júlio Verne dava a esse ente fantasioso.
Quer dizer, de repente as pessoas começam a ficar sentidas porque o outro me olhou com um jeito torto, e ele bem viu que o outro queria dizer aquilo, mas também ele tinha tal coisa assim para responder, e responderá na primeira ocasião, porque ele vai ver! Porque tereteté.
O outro ouve uma palavra e diz: “Aquele deve estar falando mal de mim. Se ele está falando mal de mim eu tenho direito à defesa própria. Então eu vou procurar aquele com que ele estava afalando e exigir que esse conte, para eu tomar a minha defesa, beberbebé…”
Tudo muito lógico, mas sem essa elasticidade que Deus pôs até nos metais…
E isso produz rigidezes, hirtezas e tensões que evidentemente podem levar a loucuras, mas que quando Dr. Ox, no caso o demônio, é mandado embora, a gente se olha e diz: “Mas que bobagem!” Não é verdade? Pode haver coisas dessas entre nós.
Então, entre uma TFP e outra… entre cem coisas pode haver. E nós devemos estar preparados para não ligar para o espírito de “Dr. Ox” dizendo: “Não, olhe aqui, você também não pode suportar!”
– “Não, é o contrário, eu estou reconhecendo que é você que está ali dentro, e por causa disso eu resolvi suportar até o inaudito! E se não bastar eu vou para o “inauditíssimo”, mas eu acabo te pisando.”
Aí a coisa se põe.
Bom, meu caros, jantamos…
* Um exemplo ao vivo: “Dr. Plinio e o Dr. Adolpho fazem parte de uma sociedade secreta de perturbadores da oração”
… vieram falar comigo, no momento em que eu estava começando a oração.
Ora, duas pessoas que de tal maneira perturbam a oração que vai ser feita, depois dos senhores estarem convidados à oração, perturbem essa oração de tal maneira, devem estar conluiadas entre si. Ainda mais que eles são primos e, portanto, têm uma porção de predisposições para se conluiarem entre si.
Acontece que além disso o Doutor Plinio disse as orações precipitadas e distraidamente, porque ele estava prestando atenção na despedida que ele fez, e por causa disso rezou mal. Que deve ter sido a intenção do Dr. Adolpho perturbar a oração dele, porque ele é um ente racional e um ente racional não faz coisas sem intenção, logo deve ter sido a intenção dele. Estava no conluio dele com Doutor Plinio, que Doutor Plinio tolerasse que ele atrapalhasse a oração do Doutor Plinio. Isso prova que os dois pertencem a uma organização secreta, satânica, chamada dos “perturbadores da oração”…!
Nota:
Para aprofundar o assunto, pode-se consultar, por exemplo
* Laicología y Acción Católica (Estudio teológico-jurídico sobre los laicos), Fr. Arturo Alonso Lobo, O.P. (famoso comentarista do Código de Direito Canônico de 1917)
* Guerreiros da Virgem – A RÉPLICA DA AUTENTICIDADE – A TFP sem segredos (Plinio Corrêa de Oliveira, Editora Vera Cruz, 1985)
* A TFP: uma vocação – TFP e famílias – TFP e famílias na crise espiritual e temporal do século XX, Vol. I e II (Comissão de Estudos da TFP, 1986)