Santa Joana de Valois (4/2): o ensinamento de segurança nas verdadeiras razões da dignidade humana que sua vida proporciona

Santo do Dia, 3 de fevereiro de 1965

A D V E R T Ê N C I A

O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.

Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro “Revolução e Contra-Revolução“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de “Catolicismo”, em abril de 1959.

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Amanhã será festa de São José de Leonissa, confessor, da Ordem Menor dos Capuchinhos, cuja relíquia se venera em nossa capela. Século XVI. Festa também de Santa Joana de Valois, rainha, filha de Luís XI, rei de França. Fundou a Ordem da Anunciação, depois de ter sido anulado seu casamento com Luís XII. Século XV. E continua, naturalmente, a novena para a festa de Nossa Senhora de Lourdes.

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Santa Joana de Valois (1464-1505)

A biografia de Santa Joana de Valois já foi comentada o ano passado e explicamos que se tratava de uma santa, filha do rei Luís XI, extraordinariamente feia, disforme. Ela era corcunda, pequenininha, baixinha, feia, causando horror ao marido. E numa época em que a frivolidade já começava a despontar, dando origem ao culto da beleza que se dá em nossos dias, isto lhe era um estigma de desprezo. A tal ponto que seu marido, o rei Luís XII nem convivia com ela.

Seu pai tinha tanta vergonha dela por causa também de sua feiura, que quase não a visitava, mas apenas duas vezes ou três, por ano. Uma das vezes que o fez, manifestou desagrado por causa do horror que lhe causara. O marido também não coabitou, ao que parece, com ela, de maneira que essa teria sido a razão da declaração de nulidade de seu casamento.

Colocada assim nesta espécie de desprezo geral, ela, entretanto, deu prova de uma virtude que nos diz muito respeito, que é uma segurança de si, uma dignidade, uma compostura, que significava – em última análise – o seguinte: a razão pela qual me desprezam não é válida para tal. O valor de uma pessoa não está na beleza do corpo, mas da alma. Meu valor, como princesa, é de ser filha de rei, esposa de rei e não há feiura que possa me tirar tal valor. Isto é a ordem lógica e moral das coisas. Achem os homens o que acharem, e entendam a situação como entenderem, eu me portarei sem arrogância, mas com inteira dignidade.

Ela nunca se manifestou envergonhada, diminuída, nem insegura em face dessa situação. E nunca permitiu que alguém a tratasse de cima para baixo por causa dessa situação e mesmo quando se pronunciou, de modo eminentíssimo, a anulação de seu casamento, continuou a carregar com paz, com calma e com altaneria, a dignidade da situação em que estava.

Esposa repudiada, recebeu um feudo grande, que ela governou; fundou uma ordem religiosa: a da Anunciação. Deu, portanto, um grande sentido à sua vida, expressão externa de um sentido mais profundo, que era visar a santidade. E alcançou com isto uma virtude tão heroica, que a Igreja a elevou, há poucos anos, à honra dos altares.

Tive a felicidade de assistir à sua canonização, no Vaticano, na Basílica de São Pedro.

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Canonização de Santa Joana de Valois assistida pelo Prof. Plinio, em maio de 1950, pelo Papa Pio XII

Que aplicações podemos fazer para nós? Isto quer dizer: caluniem-nos, como nos caluniarem; persigam-nos como nos perseguirem, pisem-nos aos pés como queiram pisar, nós estamos certos de nossa inocência, estamos certos das boas razões com as quais nos defendemos. Porque estamos baseados na doutrina católica. E um homem que sabe que seus atos são conformes aos princípios da doutrina católica, não tem nada que temer, não tem nada de que se envergonhar, ele é ufano diante de todos.

E diante da Revolução arrogante e ultrajante como está, nossa posição é de ir até além de santa Joana de Valois, que não combatia a Revolução, mas combatia manifestações de desprezo pessoal. Assim, onde os revolucionários levantam a cabeça, nós a levantamos quinze vezes mais. É por esta forma que devemos carregar a campanha que contra nós se move. Ou seja, com essa tranquilidade interna: os argumentos provam que estou com a doutrina católica. Minha consciência me prova que meus atos são conformes à tal doutrina.

Portanto, aos olhos de Deus e de seus Anjos, posso me apresentar com paz, com alegria, certo de não ser rechaçado por eles. Não me importa que esta cáfila [bando, corja, n.d.c.] pense de outra maneira. Eu tenho fé e sei que procedo de acordo com a verdadeira moral que é ensinada pela verdadeira Igreja Católica, Apostólica, Romana.

Os outros que se arranjem como quiserem, como souberem e como puderem, porque eu não arredo passo em um centímetro de absolutamente nada!

Este é o ensinamento de segurança nas verdadeiras razões da dignidade humana que Santa Joana de Valois nos ensina.

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