Plinio Corrêa de Oliveira

 

O que é a Tradição? Ela é contra o progresso?

 

 

 

 

 

 

Entrevista difundida a 7 de julho de 1970

  Bookmark and Share

 

A D V E R T Ê N C I A

Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor.

Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras "Revolução" e "Contra-Revolução", são aqui empregadas no sentido que lhes dá Dr. Plinio em seu livro "Revolução e Contra-Revolução", cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de "Catolicismo", em abril de 1959.


 

 

Professor, pergunta-se em certos círculos da atualidade se a inovação pode trazer ao mundo mais progresso do que a tradição. Sendo V. Excia. o Presidente de uma prestigiosa entidade que tem a tradição como um dos elementos que constitui seu lema, gostaríamos de conhecer sua autorizada resposta sobre esta importante questão para esclarecimento dos nossos rádio-ouvintes.

Plinio Corrêa de Oliveira: A pergunta supõe uma espécie de antinomia entre inovação e tradição. Essa antinomia realmente não existe quando as coisas são postas nos seus verdadeiros termos.

O que é a tradição? A tradição é a transmissão de valores culturais, valores morais, instituições, de uma geração para outra. Essa transmissão comporta algo de imóvel, de estático; algo de estável, porém não de móvel e algo por sua vez que é móvel.

Vamos dizer mais uma vez exemplificando com a família. Há traços da organização da família que são imóveis. Por exemplo a indissolubilidade do vínculo conjugal resulta diretamente da ordem natural das coisas e não pode ser abolida jamais. É um valor da tradição conservar este princípio, conservar o hábito da indissolubilidade através das gerações. E nesse sentido a imobilidade absoluta da tradição é um valor dela, é uma condição para o progresso. Porque como é um princípio fixo da ordem natural das coisas, se nós formos abalar esse princípio, abalamos a ordem humana na sua solidariedade com a ordem natural e com isso derrocamos a ordem humana. Então, neste ponto, é um mérito da tradição veicular consigo valores e máximas perenes.

Por outro lado, há certas coisas que, dentro da própria organização da família, nossos maiores fizeram, nós conservamos e acrescemos, mas não são inteiramente fixos. Por exemplo o modo pelo qual se celebram as festas nupciais: é conveniente que as haja; uma tradição estabelece o modo pelo qual elas devem realizar-se; o povo se mostra, por exemplo, muito apegado ao belo símbolo do véu branco da noiva. Mas essas coisas que têm uma certa estabilidade - e devem ter, é bom que ao longo das gerações se observe do mesmo modo -, em rigor podem ser reformadas. E uma tradição suficientemente flexível é capaz de abrir mão de algumas dessas coisas, quando necessário. Mas com parcimônia porque a continuidade ainda aí é um bem, embora não seja imobilidade absoluta.

Mas há outras certas coisas muito contingentes e que devem ser renovadas de geração em geração. E nisto a tradição deve ser ainda mais flexível. Assim a tradição comporta o sucessivo aperfeiçoamento do progresso, ela cria condições favoráveis ao progresso. A verdadeira tradição é a fonte do progresso; o verdadeiro progresso é o filho da tradição. Não há antinomia entre uma coisa e outra.

Só vê antinomia entre tradição e progresso quem é evolucionista e acha que tudo no mundo é efêmero, tudo é transitório, não há valores perenes de nenhuma ordem. Mas para quem como nós é anti-evolucionista a tradição é condição de progresso.

Bem entendido, para um evolucionista a tradição freia a evolução, e é uma inimiga do progresso. Mas então a civilização é um perpétuo destruir para um renascer. Para nós, não. Ela é um perpétuo construir, aproveitando tudo quanto as gerações do passado nos deixaram. Isto nos parece muito mais razoável.

Para aprofundar consulte, por exemplo:

* TRADIÇÃO, FAMÍLIA, PROPRIEDADE: um bloco coerente e indissociável...

* TRADICION FAMILIA PROPIEDAD. ¿Por qué?

* Blog Glórias da Idade Média

 


Bookmark and Share