Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

O maior ato de culto da Religião Católica

São Pascoal Bailão e sua devoção eucarística

 

 

 

"Santo do Dia", 23 de agosto de 1974

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A D V E R T Ê N C I A

Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor.

Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras "Revolução" e "Contra-Revolução", são aqui empregadas no sentido que lhes dá Dr. Plinio em seu livro "Revolução e Contra-Revolução", cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de "Catolicismo", em abril de 1959.


A história de Nossa Senhora que empunha um gládio e salva o monge Teófilo ("moine Théophils"), cuja foto é mencionada nessa conferência, pode ser lida clicando neste link. Tal foto é de um alto relevo que se encontra em um dos lados exteriores da catedral de Notre Dame, em Paris.

 

Ilustração: vista parcial de pintura de São Felipe Neri celebrando a Santa Missa.

Eu vou à ficha mais curta porque o Santo do Dia começou tarde. É a ficha sobre São Pascoal Bailão. Ele foi um santo franciscano, que se tornou famoso pela sua devoção ao Santíssimo Sacramento, e que viveu no século XVI.

Para os srs. compreenderem bem o sentido dessa ficha, os Srs. devem ter em consideração o que é a Missa, e dentro da Missa o que é a Consagração.

A Missa é a renovação incruenta do Sacrifício do Calvário. É, portanto, o maior ato de culto da Religião Católica, porque é Nosso Senhor Jesus Cristo que se oferece a si mesmo ao Padre Eterno e nos oferece junto com Ele ao Padre Eterno. Associando-nos nós a esse oferecimento, nós, a nosso modo, participamos desse ato de culto, que é tudo quanto se pode imaginar de mais sublime e de mais alto.

É a renovação do Sacrifício do Calvário que se faz precisamente no momento em que o Padre pronuncia as palavras da transubstanciação em que a hóstia e o vinho se transubstanciam passando a ser Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esse é o momento em que se dá a renovação do Sacrifício do Calvário e é, portanto, o mais augusto dos mistérios da religião católica.

Assim é compreensível que qualquer pessoa de piedade, dê a maior importância a estar presente à Missa, mas especialmente ao ponto que é o núcleo da Missa. Todas as outras orações se estruturam tendo em vista essa parte da Missa. Então, nós compreendemos que um santo com uma devoção eucarística acendrada, tenha o melhor de sua devoção voltada para o momento da transubstanciação, em que Nosso Senhor Jesus Cristo se oferece de novo.

Então, vamos ver uma coisa bonita da vida de São Pascoal Bailão.

“São Pascoal Bailão, cujo corpo repousa no Convento dos Franciscanos de Valencia, na Espanha, era nascido na província de Aragão, e desde muito jovem se fez sacerdote. Tendo que apascentar seu rebanho...”

Ele era pastorzinho, em menino.

“...assistia à Missa sempre que podia, e se era impossível assistir à Missa, ele deitava ouvidos atentos ao som da sineta que tocava por ocasião da elevação.”

Vê-se – a ficha é muito resumida – que o prado onde ele apascentava seu rebanho era muito próximo à igreja e que, portanto, ele de fora podia ouvir a campainhazinha que tocava no momento da Elevação.

“Assim que ouvia essa sineta, se ajoelhava e qualquer que fosse o lugar onde se encontrasse, ele adorava com fervor o Santíssimo Sacramento, o Salvador descido do Céu para o altar.

“Na idade de 24 anos entrou como irmão leigo no Convento dos Franciscanos Descalços de Valenza, onde mostrou o mesmo fervor ardente pelo Santíssimo Sacramento.

“Deus lhe recompensou esse fervor, chamando-o a Si no momento da Elevação. Depois de ter recebido o Santo Viático...”

Quer dizer, a comunhão, in artículo mortis.

“São Pascoal perguntou se a Missa solene já tinha começado na igreja do convento. E como lhe disseram que a Elevação se aproximava, ele se tomou de uma alegria extraordinária e deitou muita atenção para, do lugar onde estava...”

Era uma cela do convento.

“...ouvir o tilintar da sineta. Desde que ele percebeu esse tilintar, ele exclamou: Meu Jesus! Meu Jesus! e expirou.

“O seu enterro foi marcado por um grande milagre: tinham colocado seu caixão na igreja e o Ofício dos mortos acabava de começar. Eis que na elevação da Hóstia, o cadáver se mexeu no caixão, abriu os olhos e quando o padre levantou o cálice, ele fez o mesmo gesto do padre.

“Isso não foi a única vez. Quando seu corpo foi colocado numa sepultura ao lado do altar-mor, ele deu muitas marcas de veneração pelo Santíssimo Sacramento, cada vez que se celebrava a Missa nesse altar. Quando o momento da elevação tinha chegado, ouvia-se um movimento no interior da sepultura como para convidar os fiéis a um ato de adoração mais ardoroso.

“Em nossos dias ainda se percebe esse movimento na sepultura dele.

“Vários santos padres, entre outros o piedoso Domenico Maso, que celebraram o Santo Sacrifício da Missa diante da imagem de São Pascoal Bailão, informaram ter sido testemunhas desse milagre.”

Os srs. estão vendo uma coisa lindíssima, cuja beleza merece ser analisada, num instante.

Nosso Senhor, durante toda a vida, dá a esse santo uma graça especial para adorar o Santíssimo Sacramento. Então, “talis vita, finis ita: assim como foi a vida, assim também é o fim”. E graças a essa fidelidade dele, no momento em que ele morria, Nosso Senhor fez coincidir a morte dele com o momento da Elevação. De maneira que quando ele percebeu que era a Elevação, disse: "Meu Jesus! Meu Jesus!" e neste momento Deus colheu a alma dele. Como para dizer que durante toda a vida dele, a alma dele esteve maturando para esse supremo ato de adoração ao Santíssimo Sacramento. E quando ele atingiu a Santidade própria a esse momento extremo, em que ele fez essa adoração extrema, ele tinha chegado à sua plena maturidade para o Céu. E essa maturidade ele tinha realizado num ato de adoração ao Santíssimo Sacramento. Veio a Providência e o colheu e levou para o Céu.

Mas é frequente que os santos, quando vão para o Céu, têm um certo pesar de não poderem mais fazer apostolado na terra. Parece incrível que uma pessoa, indo para o Céu, tenha pesar de alguma coisa na terra não ficar como eles queriam, porque ele tem o céu... mas é assim, os santos têm vontade ainda de fazer apostolado na terra.

Então, os srs. veem São Pascoal Bailão que, depois de morto, o cadáver dele ainda tem um ato de adoração ao Santíssimo Sacramento. E insigne. Depois de morto, na sepultura, ainda se remexe quando há adoração, para convidar os fiéis adorarem o Santíssimo Sacramento também. É um apostolado eminente que o cadáver dele faz também.

Nós, da TFP, podemos enunciar um desejo análogo? Nós somos lutadores, nós somos lidadores. Nós podemos desejar alguma coisa desse gênero?

Eu desejo aos senhores o que desejo para mim: que sempre que, depois de nós mortos, alguém pronuncie o nosso nome, alguém se lembre de nós a qualquer propósito ou alguém passe por perto de nossa sepultura, receba, se for filho da luz, um aumento de devoção a Nossa Senhora. E, portanto, uma participação no espírito dEla. Se for filho das trevas, se sinta incomodado no que tem de mau; se sinta humilhado, combatido, obstado, perseguido no que tem de mau. De maneira que ou ele larga o que tem de mau, ou ele larga a terra e some para que os outros possam se santificar melhor.

Mas combater para salvar os maus, ou para evitar que eles prejudiquem os bons; de maneira que o número dos eleitos se complete exatamente como Deus queria. Mas sermos, até o fim da vida, duas coisas:

Primeiro, arautos de Nossa Senhora; e em segundo lugar, pedras de contradição, pedras de escândalo para salvação e perdição de muitos, exatamente como o profeta Simeão disse de Nosso Senhor Jesus Cristo. Isso é o que devemos desejar, e que eu desejo para cada um de nós, como desejo para mim.

Se eu souber que até o fim do mundo Nossa Senhora resolveu utilizar do nome da TFP, do nome de um dos senhores – já não digo do meu – mas do nome de algum dos senhores para isso, eu exultarei intimamente e super exultarei, porque assim é que nossa obra se realizará.

Quer dizer, apenas quando ─ segundo a frase grandiosa da Escritura ─ tiver acabado o mundo e a abóbada celeste se enrolar como um pergaminho, e tudo estiver pronto, e vem o Filho de Deus em grande pompa e majestade, e as contas todas estiverem acertadas e os adversários estiverem liquidados e a Contra-Revolução estiver para sair da sepultura, e estiver a caminho do Céu; e a Revolução estiver se refocilando nas suas chamas, pronta para uma condenação especial, e esses anjos malditos que circundam a terra incitando os homens para a ação do demônio, estiverem prontos para ser acorrentados e irem ferver no inferno por toda a eternidade, nesse momento apenas a nossa missão acabe.

Eu quereria – e eu penso nisso quando vejo aquela espada que Nossa Senhora brande para o demônio quando Ela protege o monge Teophile, naquela fotografia de Jasna Gora – eu quereria que nós fôssemos uma espada na mão de Nossa Senhora até o fim do mundo.

Aí está, seria a aplicação do mesmo princípio que Nossa Senhora aplicou com São Pascoal Bailão. O que fazer a vida inteira, fazer na hora da morte; e o que fazer na hora da morte, fazer até o fim do mundo. Podemos pedir a São Pascoal Bailão que nos dê essa grande graça.

Com isso, está feito o Santo do Dia e nós podemos encerrar.


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