Plinio Corrêa de Oliveira

 

Conferência para o setor feminino dos Correspondentes Esclarecedores

da TFP brasileira

Perguntas e respostas

 

 

 

 

 

 

Auditório São Miguel, 1° de maio de 1989

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A D V E R T Ê N C I A

Gravação de conferência do Prof. Plinio, não tendo sido revista pelo autor.

Se  Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério tradicional da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras "Revolução" e "Contra-Revolução", são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Dr. Plinio Corrêa de Oliveira em seu livro "Revolução e Contra-Revolução", cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de "Catolicismo", em abril de 1959.

Foto: Missa celebrada a 13 de dezembro de 2008, por ocasião do centenário de nascimento de Plinio Corrêa de Oliveira. Os estandartes e capas ostentados pelos presentes são símbolos das associações estrangeiras a que se filiam. Tais estandartes das associações do exterior ostentavam a inscrição Tradição Família Propriedade em alemão, espanhol, francês, inglês, italiano e polonês (cfr. "Catolicismo", janeiro de 2009)
 

O primeiro grupo de perguntas diz respeito ao papel da mulher na Igreja e na sociedade.

Antes de ter lido as perguntas e responder-lhes que, por excesso de ocupação, deixei para lê-las aqui, precisava fazer sentir às senhoras que este assunto do papel da mulher na Igreja e na Sociedade é muito atual. Em consequência do fato de que há uma pressão muito grande de fundo progressistas – e, portanto de fundo comunista – de atirar o elemento feminino contra o elemento masculino, dentro da Igreja, procurando inverter a ordem profunda que a doutrina católica em todos os tempos estabeleceu, no que diz respeito às relações entre o homem e a mulher.

Deus determinou que, no lar, sua cabeça fosse o homem, o esposo. Porém, numa posição tão digna e tão elevada, que quando se tratava de casais, rei e rainha, esta tinha seu trono ao lado do rei, assim também a esposa, a mãe de família tem seu trono, no modesto mas esplendoroso reino, que é uma família bem organizada, ao lado do esposo. Mas, o trono central é do esposo.

De outro lado, também, dentro da Igreja, Nosso Senhor estabeleceu que a máxima função na Igreja é daquele que oferece o Santo Sacrifício da Missa. A Missa é a renovação incruenta do Santo Sacrifício do Calvário. Quer dizer, cada vez que um sacerdote celebra a Missa, no momento em que ele pronuncia as palavras da Consagração opera-se um milagre estupendo: o pão se transubstancia no Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, bem como o vinho também se transubstancia no Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas, neste momento da transubstanciação, Nosso Senhor oferece de novo à Santíssima Trindade o sacrifício da Cruz que ele ofereceu na Terra.

Não oferece de modo cruento, não verte mais Sangue. Não é também de um modo doloroso, não sofre mais. Mas oferece a Deus aquilo que, outrora, ofereceu. Renova o Seu oferecimento, que é como a renovação da Morte d'Ele na Cruz por nós. É o ato mais augusto da Religião Católica. E para as senhoras terem idéia de quanto essa ato é augusto, basta considerar o seguinte: o Padre quando fala, não é ele que fala; no momento da transubstanciação ele empresta a laringe dele a Nosso Senhor, sendo o próprio Cristo Nosso Senhor que fala.

Aquelas palavras do Canon "Hoc est enim Corpus Meum", e depois mais adiante "Hic est enim Calix Sanguinis Mei" é o próprio Jesus Cristo que as diz, de tal maneira é augusto o Sacrifício apresentado na Santa Missa.

Nosso Senhor estabeleceu que esse Sacrifício, esse papel sumo na Igreja Católica, de oferecer tal Sacrifício seria dos Padres. Não seria dos leigos e, portanto, não também das leigas.

O acesso ao sacerdócio é só para quem é chamado. Esse acesso é destinado por Nosso Senhor aos homens. Ele não sagrou sacerdotisas. Só sagrou sacerdotes. Os Bispos, que depois ficaram com o poder de sagrar sacerdotes, durante dois mil anos da vida da Igreja, em nenhum momento sagraram sacerdotisas. Pelo contrário, só sacerdotes. Ao sacerdócio Deus destinou aqueles que têm o sexo que teve Seu Divino Filho na Terra, quer dizer, o sexo masculino.

Há um movimento terrível, dentro dos círculos progressistas, hoje, para impor que haja sacerdotisas, a fim de estabelecer a igualdade entre o homem e a mulher, desejada em virtude do princípio sumamente revolucionário de que todos devem ser iguais em tudo. É um princípio essencialmente revolucionário, essencialmente contrário à doutrina católica. Ela estabelece que a perfeição não está na igualdade, mas sim na hierarquia bem ordenada e bem posta. Num piano, por exemplo, se se fosse tocar sempre a mesma nota, a mesma música, mas constante de uma nota só, acabaria por não haver música. Esta é feita de uma hierarquia de sons, cuja harmonia está na desigualdade. Assim, nas relações humanas. Elas são musicais. Supõem desigualdades harmônicas, desigualdades afetuosas, desigualdades respeitosas. Mas desigualdades!

Então, na Igreja há essa desigualdade. Os progressistas, que têm no fundo uma mentalidade comunista, querem estabelecer uma desigualdade em tudo. Há um movimento muito acentuado, no sentido de permitir mulheres sacerdotisas.

Eu não sei sobre o que vai versar estas perguntas, mas previamente achava interessante atrair a atenção das senhoras para este ponto: devemos amar as desigualdades. Mesmo quando nós estamos debaixo e outros estão de cima, devemos amá-las!

O primeiro livro que escrevi em minha vida foi "Em defesa da Ação Católica". Era um livro contra a tese progressista de que na Igreja devem mandar os leigos e não os padres. Eu sou leigo e não padre, mas escrevi um livro para defender a autoridade daqueles que devem mandar em mim, porque devo amar que outros sejam mais do que eu. Assim, devemos ser todos nós católicos: devemos amar a autoridade. E, neste amor, realizamos a vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

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A dona de casa deve frequentar pouco o mundo para conhecê-lo bem

 

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