Sede do Reino de Maria, Palavrinha, 21 de setembro de 1989
A D V E R T Ê N C I A
Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor.
Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:
“Católico apostólico romano, o autor deste texto se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto, por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.
As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá Dr. Plinio em seu livro “Revolução e Contra-Revolução“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de “Catolicismo”, em abril de 1959.
Está muito bom. Está muito bem apresentado o problema, e o pedido muito justo, porque sem esse pedido, os Senhores perderam o seu tempo. A coisa entrou por aqui, saiu por ali, acabou-se. E isto é em geral o que se dá como tudo aquilo que se diz de bom.
Nos dias de hoje, não só é raro encontrar quem diga coisas boas, como é raro encontrar quem queira ouvir as coisas boas que se diz, e os que querem ouvir em geral ouvem de momento, depois não prestam atenção. Aquilo passou, e acabou. É como um vento que sopra no deserto.
E isto é uma verdadeira tristeza, porque forma um círculo vicioso: o indivíduo ouve umas palavras boas para corrigir seus defeitos, mas tem o defeito de não guardar as palavras boas que corrigem seus defeitos. Então não tem saída…
É mais ou menos como um homem que vai ao médico, e o médico lhe dá uma série de receitas: “Tome isto tantas vezes por dia, etc., tais remédios, etc.” Dá a indicação exata. O homem sai do consultório médico compenetrado: “Eu estou doente, preciso me tratar realmente etc. Mas antes de ir à farmácia comprar os remédios, eu vou parar aqui um pouquinho nesse canto, e estou notando que os meus bolsos estão muito cheio de papéis. E, portanto, eu vou selecionar o que eu vou jogar fora, e aquilo que eu vou guardar.”
Puxa os papéis do bolso, e vai rasgando apressadamente. Chega a vez da receita do médico, também ele joga fora a receita. O que é que restou de toda a consulta? Não restou nada! Porque ele não se lembra o nome dos remédios, não tem dinheiro para pagar outra consulta do médico e, portanto, tudo não é nada! Ele perdeu o tempo. Só quem não perdeu foi o médico, que ganhou algum dinheiro dele.
Agora, isso se dá com as almas. Elas recebem um receituário: é preciso fazer tais, tais coisas, à vista de tais e tais defeitos. Mas a pessoa se esquece depois de aplicar as indicações que recebeu. Resultado: não tem cura! Os conselhos são a cura dos defeitos. A pessoa não aplica a cura que o receituário manda, resultado: não vai sarar! E tanto faria não ter assistido os bons conselhos que lhes foram dados etc. Tanto faria, tanto fez.
Bem, e, portanto, o Sr. faz muito bem em pedir que se diga alguma coisa a respeito disso.
* Rezar às almas do Purgatório, a fim de ser acordado. E, em agradecimento, rezar para que sejam libertadas. Elas nunca falham!
Eu acho o seguinte: que não há meio mais prático do que esse. Os Senhores sigam um pouco o fio do raciocínio, e vão entender.
Eu fiz a experiência, alguns amigos meus fizeram a experiência, de que quando a gente quer levantar-se à determinada hora, que é mais ou menos cedo, a gente deve pedir para as almas do purgatório acordarem a gente. Naturalmente com o compromisso de que logo que acorde reza alguma coisa para as almas do purgatório. As almas que estão no purgatório estão no fogo. E um fogo tremendo! Os Senhores devem ter visto isto. Não é só o fogo do inferno o que nós devemos temer. Nós devemos temer o fogo do purgatório também, que é um fogo tremendo!
Bem, as almas estão ali, e acordam a pessoa, com o intuito bom de fazer um bem à pessoa. Mas esperando que a pessoa retribua esse bem.
Bom, a pessoa vai e reza no dia seguinte por aquela alma, para Deus abreviar a pena dela. E ao mesmo tempo para ela, alma, no dia seguinte acordá-lo também. Se reza logo depois, no dia seguinte levanta, acorda certo, se levanta, está acabado. Se a pessoa não reza para o dia seguinte, está tudo desfeito! E ela que poderia entrar num bom caminho acordando todos os dias direito, acaba saindo do bom caminho, onde ela apenas pôr um pé.
Eu tinha um amigo que tinha uma dificuldade para se levantar cedo, uma coisa extraordinária! Então eu recomendei a ele esse negócio das almas do purgatório. Ele era um amigo relaxado, ele era católico relaxado. E ele me disse: “Mas será que dá certo?”
Eu disse: “Você experimente”.
Uns dois ou três dias depois eu me encontrei com ele, e disse: “Como é? E as almas do purgatório? Deu certo?”
Ele me disse, dando uma risada meio cínica: “Você me deu um conselho bom demais… Porque eu esperava que as almas uma vez ou outra me acordassem, mas não sempre! Mas a partir do momento em que eu comecei a rezar para elas, sempre, sempre, sempre, na hora marcada eu acordava!”
O que é uma prova de como é real que a gente pedindo auxílio das almas do purgatório recebe o auxílio, contanto que reze um tanto para elas.
* Rezar às almas do Purgatório para nos lembrar várias vezes durante o dia dos Novíssimos
Bem, os Senhores deveriam pedir às almas do purgatório, fazer com elas esse pacto: nós vamos rezar por vós durante um mês, dois meses, cinco meses, um ano, a vida inteira, o que for necessário para vós nos lembrardes várias vezes durante o dia dos seguintes pontos: morte, juízo, céu, inferno! Para nos lembrar disso várias vezes por dia, especialmente na hora de acordar e na hora de dormir, que são horas perigosas.
E rezem, por exemplo, pelas almas do purgatório uma coisa leve: três Ave-Marias. O ideal seria que rezassem por ocasião da Comunhão, que é a ocasião em que Nosso Senhor está na alma de cada um dos Senhores, em que as orações, portanto, são especialmente acolhidas por Ele. Pode ser também noutra ocasião. É uma coisa que pode se fazer de um modo, ou pode se fazer de outro.
E os Senhores então rezem, e os Senhores verão o acerto da coisa. As almas do purgatório de fato se manifestam, e de fato ajudam a pessoa. É um modo simples, direto, que os Senhores depois poderão aplicar a outras dificuldades de sua vida, e que constitui uma ajuda esplêndida para os Senhores
E não pode haver coisa mais simples do que isso. De si, ainda que não fosse o bem que pode resultar aos Senhores do fato de serem avisados pelas almas, ainda que não fosse isso, era uma obra de caridade eminente!
* O que não faríamos para libertar um operário de dentro de um forno?!
Os Senhores imaginem que os Senhores passassem diante de uma fábrica, onde tinha um operário que caiu dentro de um forno alto. E o operário está se torcendo de dor lá dentro. Mas os Senhores rezando um Rosário pelo operário, poderiam tirar o operário lá de dentro. Eu pergunto: não é verdade que os Senhores teriam remorso de não parar e não rezar esse Rosário lá? Pensando naquele coitado, que era certo que os Senhores rezando o operário saía de lá?
Pois bem, as almas do purgatório estão num fogo muito pior do que o fogo de uma indústria!
* Santa Teresa e o Purgatório
Aliás, lembrem-se, hem? Nós vamos passar por lá! Porque são raríssimas as almas que não passam pelo purgatório! Uma santa que viveu no tempo de Santa Teresa de Jesus, soube de um modo milagroso que Santa Teresa de Jesus tinha morrido, e viu a alma luminosa de Santa Teresa subir em presença de Deus, e Deus condená-la ao purgatório! Notem que Santa Teresa morreu de amor… Quer dizer, o ato de amor que ela fez a Deus foi tão intenso, que seu coração se partiu. Esta foi condenada a descer até o purgatório, e fazer uma genuflexão no purgatório, e depois subiu!…
Esta era a grande Santa Teresa! Como vai ser conosco?
Então vamos rezando já nós pelas almas do purgatório, para que depois outros rezem por nós também. Tudo isto, portanto, que eu estou aconselhando aos Senhores, é o bom em cima do ótimo! E o fácil para conseguir um resultado precioso! Porque os Senhores não podem ter um companheiro que esteja dia e noite com os Senhores lembrando: “Olha, morte-juízo-céu-inferno!” Não podem! Só quem pode são as almas. Se os Senhores não forem lembrados, os Senhores não se lembrarão. Logo, ou recorrem às almas, ou não tem nada feito.
* Rezar já para começar a se lembrar
Então, aqui está. Pediram o meu conselho. Está dado. E vamos andando!
Meus caros, eu estou com muita coisa para atender, muita gente para ver, para fazer etc. De maneira que vamos terminar aqui, fazendo o seguinte: rezando três Ave-Marias, pedindo para as almas do purgatório começarem amanhã… começar já hoje! Assim: os Senhores escolham uma hora para a qual querem levantar amanhã, para serem acordados a essa hora. Peçam às almas do purgatório que os Senhores acordem à hora que escolherem antes de dormir.
Bem, e desde já que elas lembrem aos Senhores algumas vezes, daqui até amanhã cedo, desses Novíssimos do homem, quer dizer, as últimas coisas que devem acontecer ao homem.
Bem, e para isso vamos rezar três Ave-Marias.
Nota: Para ouvir ou ler um “Santo do Dia” mais extenso a propósito do Purgatório, clique em “São Tomás de Aquino explica o Purgatório. Purgatório e esmagamento do comunismo“.