Auditório São Miguel, 25 de fevereiro de 1984, sábado – Santo do Dia
A D V E R T Ê N C I A
Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor.
Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:
“Católico apostólico romano, o autor deste texto se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto, por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.
As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá Dr. Plinio em seu livro “Revolução e Contra-Revolução“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de “Catolicismo”, em abril de 1959.
O tema sobre o qual pediram que eu falasse; o que é uma consagração, o que é a escravidão a Nossa Senhora, é certamente um altíssimo tema, um belíssimo tema. Muito bem ilustrado pelo episódio meio lendário, meio histórico, do monge Teófilo e de tudo quanto lhe aconteceu. Tão magnificamente representado aqui; em que até o miserável papel do demônio ainda estava magnificamente representado!
A palavra “escravo” tem para nossos ouvidos uma dura ressonância. Ela faz lembrar os escravos do tempo do Império do Brasil. Não sei bem se houve alguma instituição similar nos países hispano-americanos, mas no Brasil era isso: eram os negros importados da África que eram comprados dos seus pequenos reis locais, e trazidos a peso de ouro, contra a própria vontade, em navios chamados “Navios negreiros”, para o Brasil.
Navios em que as condições de hospedagem eram tão péssimas, e tão pouco compreensíveis para os pobres negros, que alguns se jogavam dentro do mar e se suicidavam. Afinal, vinham parar aqui no Brasil, e aqui passavam a trabalhar e a viver para aquele que os comprasse. Havia o miserável mercado de escravos. Os negros desciam e iam para o mercado. Ali havia os vendedores de negros, que mediante uma corretagem vendiam os negros, pagavam o dinheiro a quem tinha feito o transporte e eles mesmos ficavam com uma corretagem, e o negro era amarrado em longas fileiras, as vezes com corrente de metal, correntes de ferro, e ia a pé para a fazenda. E ali começava a trabalhar.
Numa vida, a qual, evidentemente, nestas condições, não faltava muito de melancólico. Eu me lembro que quando eu li uma vez uma pitoresca história do Convento da Luz – nunca me esquecerei isso; esse Convento da Luz onde está sepultado o Frei Galvão; a fundadora do Convento que não me lembro mais como chama, mas morta também em odor de santidade; e outras pessoas – nesse Convento da Luz trabalhavam escravos negros que serravam toras enormes de madeira, utilizadas na construção.
E a história conta que os negros serravam madeira cantando; e o que cantavam era “Cada vez pior, cada vez pior…” Era o canto que eles faziam. Naturalmente o triste, o terrível dessa situação era visto não sem uma certa unilateralidade. Em primeiro lugar, esses negros na África não eram livres como se imagina. Não eram, por exemplo, como talvez se possa dizer – também não sem exagero – dos índios nas nossas florestas, que vagueiam livremente de um lado para outro. Digamos. Não era isso. Mas eles eram sujeitos a seus pequenos reis locais, e eles eram escravos desses reis.
Nesses pequenos reinos negros, na maior parte das vezes ambulantes, de nômades, o rei tinha toda a autoridade sobre cada um, de maneira que podia mandar matar qualquer um a qualquer momento. Se fosse como se imagina um negro vigoroso, atlético, de lábios rubros, dentes brancos, correndo pelo mato, comendo frutas, matando onças, etc… matando tigres! Não havia propriamente a onça. Matando tigres; pescando junto às lindas orlas de praias do litoral africano… Bem, a coisa não era sem certa poesia.
Mas, a verdade não é essa. Eles não viviam sós; eles eram gregários, como é todo homem; formavam grupos, sujeitos cada grupo a um rei. E cada um escravo do rei. Eles deixavam de ser escravos do rei, para passarem a ser escravos de gente branca. As condições de travessia no navio negreiro não tem perdão. Eram péssimas, não tem perdão.
Chegados ao Brasil, a situação deles era melhor do que na África. Por que? Porque eles estavam sujeitos a senhores que, segundo a lei brasileira, não tinham o direito de matá-los. Podiam chicoteá-los, matar não podiam. Eles tinham a vantagem inapreciável de que eram batizados! Instruídos na doutrina católica, aprendendo a língua, depois eram instruídos na doutrina católica, e eram batizados. Batizados se tornavam membros da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, membros do Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Adquiriram o direito de se casar no casamento sacramental; com o batizado, as portas do Céu se abriam para eles; eles podiam ir às missas, comungar, rezar, tinham todos os consolos espirituais na religião católica. E muitas vezes se tornavam muito amigos de seus senhores, de tal maneira que, quando veio a liberdade dos escravos, muitos escravos não quiseram ficar livres, e quiseram continuar nas fazendas dos senhores que os tinham.
Assim, a situação deles, sem ser a situação normal que se deveria desejar para uma criatura humana, representava uma grande melhoria em relação à situação deles na África. Não deixa de ser verdade que o Papa Leão XIII escreveu à Princesa Isabel, nesse tempo Regente do Império do Brasil, uma carta recomendando a libertação dos escravos. E ela tendo decretado a libertação dos escravos a 13 de Maio de 1888, o Papa Leão XIII mandou a ela a mais alta insígnia que um papa pode mandar a uma dama católica, que era a Rosa de Ouro.
De fato não era uma rosa de Ouro, era uma roseira que ouro. Um lindo jarro de ouro, mais ou menos dessa altura, da qual se desprendia um roseiral, com muitas rosas de ouro, várias delas cravejadas de brilhantes!
Esta foi a jóia que o pai comum do todos os fiéis, o Pai dos negros escravos, portanto, agradecido e regozijando-se, mandou à Princesa imperial, para significar a alegria que ele tinha de ver esses escravos que acediam afinal, à liberdade. Assim, não tem dúvida de que, mesmo em país cristão, mesmo em país católico, com a instituição da escravidão suavizada pelo odor de Nosso Senhor Jesus Cristo, mesmo nesses países, representava um grande passo, um grande progresso, alguém se ver livre da escravidão.
Com as idéias cheias disso, os senhores bem podem imaginar a surpresa que eu tive, quando lendo o Tratado da Verdadeira Devoção a Nossa Senhora, de São Luís Maria Grignion de Montfort; que segundo eu já contei, repetidamente nos fatinhos! Literalmente me embeveceu, me entusiasmou e me encantou de todos os modos possíveis; eu em certo momento percebi que o que se tratava era da gente se tornar escravo de Nossa Senhora!
Bom, desde logo sim! Porque sendo para Nossa Senhora, estou de acordo; mas que eu não compreendo, não compreendo. Eu precisava fazer todo um raciocínio para compreender o que é que isso significava, como é que isso se entendia, o que era isto, para eu poder entrar no espírito da instituição; compreender a coisa como era, e fazer a minha consagração como eu deveria fazer.
Esse raciocínio é velho de uns 50 e tantos anos. Eu posso dizer que não caiu sobre ele muita poeira, porque ele não empoeirou. Pelo favor de Nossa Senhora eu não me esqueci dele um só dia de minha vida, e depois da primeira consagração que eu fiz, não se passou um dia em que, por culpa minha, eu deixasse de rezar essa Consagração. Em termos diferentes, eu só deixei rezá-la quando eu sofri esse desastre de automóvel, e passei alguns dias fora de mim. Aí, naturalmente, não tinha culpa, mas eu tenho certeza que Nossa Senhora tomou a minha intenção de consagrar-me, com a misericórdia com que Ela toma a consagração diária, ou que outros de vez em quando lhe fazem. Que Ela tomou com misericórdia.
Nesse sentido, eu poderia dizer que em todos os dias de minha vida post-São Luiz Grignion eu repeti essa consagração.
Mas, o que significava essa escravidão, o que é que significava essa consagração? O que é uma escravidão, o que é uma consagração? O fundo desse ato, qual é, afinal? Para nós fazermos, para nós pôr-mos um ato conscientemente, nós temos que entender o que ele é; e nós temos que ver as coisas como se põem.
São Luís Grignion coloca como fundo de quadro um pensamento que tem raiz nos princípios mais elementares da justiça, e nos fatos históricos mais antigos. Quando alguém cometia contra outrem determinado mal, a título de reparação, poderia ser reduzido à condição de escravo desse outro.
Eu vou lhes dar um exemplo. Havia leis de povos antigos, que puniam de morte qualquer atentado de alguém contra outrem. Podia uma pessoa A, contra quem B tentou o assassinato, podia sair ileso ou recuperar-se da ferida que teve, e ficar vivo. E podia dizer à autoridade do país em que o crime se passou, o seguinte. Eu não quero que ele seja morto; mas eu adquiri sobre ele, que deve morrer pela injustiça que ele praticou contra mim, eu adquiri sobre ele um direito.
Pois se ele ia morrer por causa do mal que ele me fez, eu tenho um direito sobre ele; eu tenho o direito de pedir ao meu rei que não o mate. O meu rei tem o direito de o dispensar da morte por causa disso. Mas o meu rei pode dizer também: “Eu não o mato; mas que para que um crime tão horrendo não fique sem alguma punição, você só será morto, se ficar escravo dele.” É uma coisa razoável.
Pois se ele devia ser morto porque atentou contra mim; se ele dá a vida dele para mim, de algum modo ele repara o mal que ele me fez. Vai me servir a vida inteira, vai ser meu escravo. “Ah, não! Para ela é uma coisa horrorosa!” Está bom, então opte pela forca! Quer? Vá morrer! Está na sua mão, você quer?
Os senhores imaginem hein? Alguém condenado à morte. Daí a três dias vai morrer. Lhe dizem: “Você tem 3 dias para aceitar ou não aceitar essa situação.” No primeiro dia o indivíduo está firme: Escravo nunca! No 2º dia, ele diz com menos ênfase: Não, escravo é forte…; raia o 3º dia, e ele deve ser morto às 5 da tarde. Quando amanhece, ele diz: Não, mas realmente é difícil engolir… Quer dizer que já é possível, não é? É difícil engolir… Enfim, eu ainda vou pensar.
Às 5 da tarde o carrasco entra com os aparelhos da morte dentro da cela. “Como é?” Ele se levanta e diz amável: Escravo, sim senhor!…
Aceitou! Ele fez um contrato. Esse contrato é ilícito? Esse contrato é imoral? Não. Eu posso pedir ao rei ou não, como vítima, que ele seja perdoado. Eu posso pedir também essa condição. Depois, se ele me é grato por essa bondade que eu vou ter, pedindo a vida dele, apesar de ele ter querido tomar a minha, não é natural que ele me sirva a vida inteira? Gratidão não é isso? O que é que ele vai fazer? Comprar outra arma para pular em cima de mim? Então, forca!
Os senhores compreendem que há uma regra de justiça dentro disso. Uma coisa que se pode conceber, se pode entender. E em instituições de vários povos antigos havia coisas assim.
Ora, acontece que todos nós, por um misterioso princípio da justiça divina, nascemos criminosos. Cada criança que nasce, todo mundo olha para o berço e diz: ” Coitadinho, tão inocentesinho!” Pelo contrário, a gente deve olhar e dizer: “Coitadinho, tão criminosinho!”
Eu me lembro nos hinos que os antigos congregados marianos cantavam em louvor a Nossa Senhora, havia uma estrofe que dizia: “Misteriosa justiça nos prende, só por filhos à culpa de Adão; mas a lei quebrantada anulou-a, a tua santa e feliz Conceição”.
Quer dizer, um princípio misterioso de justiça nos prende, só por sermos filhos, à culpa de Adão. É o pecado original. Adão pecou, e Adão continha em si o gênero humano. Na ordem geral do universo, Adão não era o homem, ele era a humanidade. Adão e Eva eram a humanidade. Naquele tempo era a humanidade inteira um casal, e o gênero humano pecou neles. De maneira que todos os homens que nasceram, nasceram no pecado.
Daí o salmo dizer: “Ecce enim in peccato concepit me mater mea” – Eis, Senhor, que no pecado me concebeu a minha mãe. Todos os homens foram concebidos no pecado. E, portanto, nascem réus da culpa de Adão. E para nós estaria fechado o Céu, se não fosse o fato de que Nosso Senhor Jesus Cristo se tivesse encarnado e tivesse derramado o Seu Sangue por nós.
Quer dizer, Nosso Senhor Jesus Cristo encarnando-se e derramado o seu sangue por nós, Ele nos libertou do inferno. Ele tornou possível a nossa felicidade eterna. Ele conquistou as graças por meio das quais nós temos fé, nós damos crédito aos Mandamentos, e temos força para praticar os Mandamentos. Os senhores viram ontem à noite um Crucifixo lindíssimo, e comentamos todos juntos o mal-estar que irradiava desse Crucifixo.
Eu não comentei, porque não era o momento de fazer o comentário, mas eu poderia ter comentado: Que coisa terrível! Aquilo que eu estava vendo, os senhores sabem o que foi? Foi o preço da minha alma! Foi o preço da alma de cada um dos senhores, foi o preço de cada alma, de cada homem!
É verdade que Ele sofreu aquilo por todos; mas o amor dele é tão grande, que por um só, Ele sofreria aquilo. Ele sofreu por mim. Sofreu por cada um dos senhores, como se fosse só o senhor. E Ele nos teve a todos nós presentes na sua mente divina. Ele nos teve presente no momento em que Ele sofria.
E ele pensou: “Por este, por aquele, por aquele… Eu quero salvá-lo, ai que dor! Ai que mal estar! Ai, que terrível ver Maria Santíssima sofrer por causa de mim de tal maneira, mas eu quero salvá-lo! Aquele, aquele e aquele outro, e mais toda a multidão dos homens, Eu quero salvá-los! Eu quero salvar a cada um como se fosse um só! De onde todo o Seu sangue correr por ele, porque eu quero!
E isso chegou a tal ponto, que tendo Ele derramado todo o seu sangue, estando ferido em toda a superfície visível de seu corpo, Ele ainda quis consentir num último derramamento atroz, que viesse a cavalo! O centurião Longinus, que viesse com a lança e perfurasse o seu próprio coração. De maneira tal que se Ele não estivesse morto, naquele golpe ele morresse. Era o supremo golpe do ódio. Nesse supremo golpe do ódio, nasceu o último extremo da manifestação da misericórdia dele. Ainda havia algo a derramar pelos homens! Do seu lado chegado escorreu um líquido, mistura de líquido orgânico, de água comum, mais de sangue. Correu e jorrou, e ainda caiu depois de Ele ter morrido por nós. Quer dizer, depois de ter morrido, não contente de dar tudo, Ele ainda quis dar isto.
E, segundo geralmente se crê, o centurião Longinus ficou curado nessa ocasião. Quer dizer, aquela água, aquela linfa – ele era quase cego – caiu sobre os olhos dele, ele olhou e viu perfeitamente. Converteu-se, ficou santo e foi para o Céu! A segunda grande conversão daqueles dias! A primeira, São Dimas, o bom ladrão. O primeiro homem canonizado, a quem Nosso Senhor disse, no meio dos gemidos: “Hodie mecum eris in paradiso” – Hoje tu estarás Comigo no Paraíso!” Me impressiona enormemente esse fato! Eu acho lindíssimo!
Mas, o outro é de Longinus, a quem Nosso Senhor na hora curou, mas curou da cegueira moral, mais ainda do que da cegueira física. Longinus ficou vendo que Ele era o Homem-Deus. Sua cegueira moral sarou e ele se curvou e disse: “Meu Senhor e meu Deus!”
E assim, nós recebemos esse benefício incontável; a quase totalidade dos que estão aqui, pouco depois de nascidos, fomos batizados. E no momento de sermos batizados, se aplicaram sobre nós os méritos infinitos da Paixão dele e da Morte dele. E por causa disso, nós nos tornamos membros da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, sem esforço nem mérito nenhum de nossa parte.
A gente estuda a história de tantas conversões à religião católica. Quanto sofrimento, quanta dor, quanta tragédia em muitas dessas conversões. Nós, não. No meio das sedas, do fofo, do róseo, do azulado dos nossos berços, debaixo de sorrisos maternos, com os afagos de toda família, com a proteção do pai, nos alimentando do melhor leite, o leite materno, desde os primeiros instantes em que nós tenhamos começado a nos alimentar; com tudo operando a nosso favor, nós recebemos esse dom de uma vantagem inestimável! Nós nos tornamos filhos e membros da Santa Igreja; e nesse momento as portas áureas do Céu se abriram para nós!
Quem não é batizado não vai para o Céu. As almas das crianças que morrem sem batismo não vão para o inferno, mas vão para o limbo. E nunca, nunca, nunca poderão ir para o Céu, porque não foram batizadas. Nós não tínhamos mérito nenhum, nós fomos batizados.
É verdade que depois, para sermos fiéis teríamos luta; é verdade que passaremos pelas extremas aflições da morte, nós também. Isso é bem verdade. Mas, quanta consolação em fazer todo esse caminho, alimentados diariamente pelo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, na Sagrada Eucaristia.
Confortados diariamente a todo momento, a todo instante, pela intercessão de Nossa Senhora de tal maneira que Ela a todo momento nos obtém alívio para nossas dores, ajuda em nossas dificuldades, esclarecimentos em nossas dúvidas; Ela nos acompanha como uma mãe leva consigo uma criança de peito, assim Ela nos leva. Que coisa admirável! Tudo isso nós recebemos absolutamente sem mérito de nossa parte. Que admirável!
Mas então, não se aplica o princípio? Nós éramos pequenos facínoras, nós pecamos em Adão e com Adão no paraíso, e depois aqui na Terra. Aquele contra quem nós pecamos, Deus se faz Homem e habita entre nós; e sofre por nós e morre por nós, para nos evitar as consequências catastróficas desse pecado, e nós não somos escravos dEle? Ohhh… que disparate!
Os senhores compreendem a analogia das situações; e compreendem como nós devemos nos dar a Ele, devemos nos dar inteiramente!
A Ele só? Ele estava só pregado na Cruz? Ou aos pés dele, alguém estava de pé, e chorava, e sofria, como, excetuado Ele, nunca ninguém mais sofreu nem sofrerá? É verdade que esteve presente diante dele, cada homem que nasceria. É verdade que Ele pensou individualmente em cada um de nós, que Ele nos teve em vista. Mas aos pés da Cruz não estava Ela? E como é normal imaginar que Ela tenha conhecido por revelação profética – Regina Prophetarum – todos os homens que haveriam de nascer, e que tenha pedido por todos, e que tenha conseguido por todos que foram batizados, que batizados fossem. Que tenha conseguido paras todos que não recebessem o batismo sacramental, ao menos o batismo de desejo, de maneira que salvos fossem, e que tenham dito o que Ela disse:
O Padre Eterno pediu consentimento dela para o Filho dela morrer. E a condição para que esses homens todos se salvassem, era que Ele morresse. Se Ela dissesse “não”, Ele não morreria. Ela via aquela angústia que os senhores viram ontem; aquele mal estar que os senhores viram ontem, e Ela disse: “Eu quero esse mal estar, e quero essa morte, para que os homens se salvem.”
Mas é possível, ou é de Fé não sei bem, que Ela tenha tido em mente cada homem, de tal maneira que ainda que fosse um só homem, Ela diria: “Por aquele a quem eu quero, e que também é meu filho; eu sacrifico Meu Filho perfeito, para salvar meu filho pecador. Pecador, meu caro pecador, levanta-te, Eu te perdoo.”
O que é a tão bela história do monge Teófilo, o que é em comparação com isso? Não é nada! Uma Mãe que tem um Filho como Ela teve, e que diz: “Eu quero que Ele morra….” Os senhores imaginem uma mãe terrena, e uma mãe terrena que dissesse: “Eu quero que meu filho morra para salvar fulano. Esse fulano, o resto da vida não saberia o que dizer para agradar aquela senhora, para servir aquela senhora; o mínimo ato de vontade dela era para ele uma lei. Obter dela um sorriso, seria para ele a felicidade de um ano! Ele estaria tão cheio de reconhecimento, tão cheio de admiração por ela, que ele não queria mais olhar para outra coisa senão para ela. E cada vez que ela se dignasse significar a ele uma vontade: quero tal coisa, quero tal outra”, ele tomaria como uma esmola! “Obrigado, por me dardes uma ocasião de vos servir!” E quando ela lhe pedisse coisas difíceis, a sua alegria era maior, porque ele diria:
“Eu estou morrendo de vontade de fazer coisas grandes e difíceis, por aquela que sacrificou por mim o seu próprio filho. Minha senhora, não ouso vos dizer minha mãe – quem teve um Filho como Vós, não quer ser chamada de Mãe, por um homem como eu. Eu não ouso vos dizer “minha mãe”; mas minha senhora, obrigado! Pedi-me algo de mais difícil que eu ficarei ainda mais contente! As dificuldades são a glória do meu caminho; são o que dá sentido e explicação à minha vida!
“Ó! minha senhora, ó minha senhora, e quem eu tenho que segurar os lábios para não dizer minha mãe, porque eu não sou digno de vos chamar minha mãe.” É o que nós diríamos a uma senhora nessas condições.
Mas isso, é uma senhora comum, que ama de um amor lícito, honesto, bom, seu filho comum. O que dizer de uma Senhora que tem um Filho que é Nosso Senhor Jesus Cristo? A quem se ama de um amor incalculável, como só Ela podia amar proporcionadamente, e que o ama inteiramente! Com todo este amor, Ela diz ao Padre Eterno: “Eu o imolo, aqui está Ele, matai-o!”
E vamos imaginar que nesse momento desse consentimento, Ele desse um gemido particularmente doloroso, e Ela não voltasse atrás: Eu vejo que está custando, eu vejo, eu quero que Ele morra! Por quê? Por causa deste, daquele, daquele outro, deste, deste, deste, destes todos, eu quero que Ele morra! Porque causa deste, eu quero que morra!”
Se nós pensássemos a esse respeito, como nós teríamos mais gratidão, e como nós teríamos mais vontade de servi-la. Tanto mais que Ela sendo tanto, e tanto e tanto mais do que a tal mãe terrena que eu imaginei, incalculavelmente mais do que a tal mãe terrena que eu imaginei, Ela entretanto não toleraria que nenhum de nós pecadores dissesse a Ela: “Minha Senhora, eu não sou digno de vos chamar por Mãe.” Ela diria: “Não! Eu dando Meu Filho por sua vida, adotei-o como filho. És meu filho! Meu filho por excelência é o Homem-Deus; mas meu pobre filho, tão feliz porque eu te aceitei, tu és filho da mesma mãe que o Homem Deus. Não filho das minhas entranhas, é bem verdade. Mas, de algo que tem um valor tal, que só os anjos no Céu, cantando todos em coro poderão te dar ideia de qual é esse valor; tu és o filho de minha dor! “
O que dizer de uma coisa dessas? Admite-se geralmente que a noite de Natal foi uma noite de alegria. Há uma aberração em pensar o contrário. Foi uma noite de alegria, e que alegria! Quem teve nesta noite uma alegria comparável à dela? Mas admite-se em geral que quando o Menino Jesus foi visto por Ela na primeira vez, Ele estava com os braços abertos e as pernas estendidas. Prefigurando já para Ela a cruz que era a meta, o termo final da vida dele, e era ao mesmo tempo o ápice da vida dela.
Os senhores podem imaginar nesse dia de alegria, a tristeza?… Ai a cruz! Durante 33 anos Ela quis esta Cruz! Não hesitou uma só vez. E quando chegou o momento de ela pagar com o seu sofrimento a morte que se deu, Ela fez, “é isto!”
Donde, a Igreja, a teologia dar a Ela um título que é dos mais gloriosos. O redentor dos homens, quer dizer, Aquele que pegou o preço pelos homens, é Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas, Ela é a Virgem Corredentora do gênero humano.
Aí os senhores verão essas reversibilidades admiráveis da obra de Deus, dentro das quais o espírito do homem simplesmente se perde, mas isto é assim. Ele sofreu tudo quanto sofreu na Cruz, e até deu a última linfa, como se diz, do seu corpo para os homens.
E é por isso que eu gosto tanto de recitar, quando chego diante de um Crucifixo, aquele jaculatória que está na ladainha do Sagrado coração de Jesus: “Cor Jesu lancea perforatum, miserere nóbis!” Coração de Jesus, traspassado por uma lança, tende pena de mim, tende pena de nós.
Bem, é verdade. Mas há uma outra coisa. Como se não bastasse a Ele ter sofrido tudo quanto Ele sofreu, Ele quis ter por nós um sofrimento complementar. Esse sofrimento foi o de ver sofrer a mãe dEle sofrer ao lado dele. Ele quis isto assim. Ele não poderia ter disposto as coisas de tal maneira que Ela não soubesse que Ele estava morrendo? E que Ela só tomasse conhecimento da morte dele no dia da ressurreição?
Ela sofreu toda a Paixão. Não que os Evangelhos nos digam que Ela tenha estado presente desde o começo; mas tudo leva a crer que Ela tenha tido conhecimento desde o começo. Depois do encontro ao longo da paixão; uma das cenas, ou a cena mais heroica e mais pungente de toda história do sentimento humano, aquele Filho que se encontra com aquela Mãe naquela situação e que se abraçam… Depois disso tudo, Ela passou por tudo, até a cena chamada da “Pietà”, da Piedade. Ela ter Nosso Senhor morto, reclinado sobre o colo dela, como sobre um altar. Cheio de feridas, e aqueles homens colocando sobre cada ferida um unguento, em cada ferida um bálsamo, um perfume, como era a tradição daquele tempo.
E depois Ela ver enrolarem todo o corpo dele com pano, e depois Ela provavelmente acompanhou até a sepultura o cadáver que entrava, a pedra que o engolia, e a porta que batia!
Ele sabia que Ela sofreria tudo isso. E ele sofreu do sofrimento dela, incomparavelmente mais do que nós! Nós julgamos que nós estamos sofrendo por causa disso nesse momento. Isso não é nada, mas não é nada, em comparação com o que Ele sofreu! O amor dele para com Ela, nunca ninguém teve igual, nem nada que se pudesse comparar. Por todas as razões possíveis. Ele sofreu em si, Ele sofreu nela. Ela é a Corredentora do gênero humano. Ela é a medianeira universal. Como corredentora do gênero humano, tudo o que Ela pede, Deus necessariamente dá. Necessariamente porque Ele quer. Quer dizer, Ele se dispôs a isto. E, portanto, faz sempre, porque Ele se dispôs a fazer sempre, e a vontade dele não volta atrás nunca!
Tudo quanto nós obtemos é Ela que nos obtém. Tudo quanto Ele dá vem por meio dela. A graça de pedir a Ela que peça por mim, antes de eu pedir a Ela, Ela pediu para mim. Não sei se está claro.
Quer dizer, todos os primeiros movimentos bons que a graça teve em mim, antes que eu fizesse nada para tê-los, Ela pediu. Pediu a Nosso Senhor: “Meu divino Filho, olhe aquele. Nós queremos tanto bem a este, aquele, aquele outro, obtende tal graça, obtende tal outra, obtende tal outra. Meu divino Filho, fazei com que um dia, nesse sertão onde habitam bugres e tupiniquins, um dia se funde uma TFP!
(…) não tínhamos nascido, [de nações diferentes], Ela nos chamou, e nós aqui estamos. Eu pergunto. Há uma atitude inteiramente lógica em face a Ela, senão de sermos escravos dela? Compreende-se outra coisa? Não é dar muito pouco? Eu chegar a Ela e dizer: “Minha Mãe, eu quero Vos oferecer uma coisa muito preciosa…” Ela olha: O que é meu filho? “Eu mesmo!”
“Meu filho, o que há de bom em você, fui Eu quem pedi! O que é isso, meu pobre filho? Me ofereça a sua convicção de que você não é nada! Ainda essa fui eu quem pedi!”
Quem leva tudo que eu acabei de dizer aos senhores, às últimas consequências, esse quer ser escravo dela. E quando eu li uma demonstração, cuja linha geral está nesse gênero, feita por São Luís Grignion de Montfort; ela aqui foi adaptada a um querido auditório, de acordo com os desejos da Providência dela, quando eu li isso, eu disse: “Mas é evidente, não tem outra coisa para fazer. Quero já saber como me preparar para me consagrar”.
Os senhores me dirão: “Que meditação completa!” Eu direi: Que meditação incompleta! Porque quanta coisa falta refletir ainda a respeito disso. No caso que eu contei de uma mãe que tivesse sacrificado seu filho para que outro vivesse etc., etc. uma mãe que quisesse, por exemplo, tivesse querido que seu filho sofresse risco para que um outro se salvasse, e o filho morre desse risco – é a configuração mais correta, a outra não era muito correta, essa configuração é mais correta. Então, nesse caso, um homem vive para fazer a vontade daquela senhora. Está muito bem.
Ele vive para o interesse dela. Convém alguma coisa a ela, por exemplo, entrou um morcego no quarto dela, ele vai matar o morcego, porque convém a ela, não convém a ele, o morcego não está no quarto dele. Mas a conveniência dela passou a ser a conveniência dele. Com Nossa Senhora há algo de enormemente mais doce e enormemente maior. Não há nada que convenha a Ela, que não seja conveniência nossa também.
Não fazemos sacrifícios por Ela, é verdade. Para nós não pode acontecer nada de melhor do que nos sacrificarmos por Ela. Porque nossa vida nos foi dada para conhecer, amar e servir a Deus nessa terra. E se nós fazemos tudo para torná-la conhecida, amada e servida, é um modo excelente de tornar conhecido, amado e servido a Deus. E, portanto, é a finalidade de nossa vida que se realiza. Nós realizamos a nossa finalidade dessa maneira.
O homem do morcego não nasceu para tocar morcego do quarto de ninguém; mas nós nascemos para servir a Ela. E em vez de haver uma espécie de quebra da nossa vida em favor da nossa benfeitora, há uma plenitude de nossa vida para aquela que nos fez bem. De maneira que melhor não pode haver do que nós nos sacrificarmos por Ela. Qual é o efeito disso?
Qual é o efeito de um ato desses? Está bem dito no ato de consagração. Primeiro, que vantagem para nós: O homem renuncia a Satanás, suas pompas e suas obras. Quer dizer, a satanás e a todas as coisas que ele oferece para levar as nossas almas para o inferno. Mas que vantagem para nós, que maravilha! É mais ou menos a mesma coisa de um prisioneiro que diz: “Eu renuncio à prisão e a todos os seus castigos!” Oh, oh! grande renuncia! Bela renúncia. Você se liberta renunciando!
Ou um doente que diz: “Eu renuncio à minha lepra, ou eu renuncio ao meu câncer”… Ora, bolas! Renunciar à sua saúde, vá lá, mas seu câncer? E à sua doença, à sua cegueira, é a isso que você renuncia? O-la-lá!
E me dou a Jesus Cristo, – está na consagração – à Sabedoria Encarnada, para seguir os seus passos em todos os dias de minha vida… Todo homem, para os efeitos da sabedoria, se não é um cego, é um catacego. É desses que quase não vêem nada, na melhor das hipóteses! Isso é um colosso, é um lince! Imagine agora um cego que diz a um outro indivíduo que tem vista: “Eu renuncio ao estado de abandono em que eu estou, para seguir os vossos passos em todos os dias de minha vida.” Quer dizer, vós vedes, e ides andar por mim. E eu faço a renúncia de ir na vossa mão, para seguir o caminho de bondade e de sabedoria para o qual vós ides me guiar!
Ó renúncia, hein? Que renúncia? Que coisa extraordinária! Como é que as pessoas não pensam nisso?
Depois diz que dá todas as coisas que tem a Nossa Senhora para que Ela dispor a seu talante. Ela é Rainha de tudo, pode dispor como quiser. Dar significa apenas o seguinte: Podia ser que por algum bom ato meu, Nossa Senhora me desse na vida tal ou tal coisa boa. Porque é certo que os prêmios de nossas boas ações se recebe no céu, mas uma parte se recebe na terra, pela misericórdia de Nossa Senhora, pelos pedidos dela. Eu renuncio a isto.
Renuncio ao valor das minhas boas obras, passadas, presentes e futuras. Quer dizer, eu poderia ter nesta terra algumas compensações. Renuncio, quer dizer, Nossa Senhora fica dona desses méritos, que Ela pode aplicar para um outro, e eu nem saberei. Eu estou sofrendo, e não estou sabendo se este sofrimento que eu tenho, eu não teria se eu não tivesse feito a Consagração. É bem verdade. E está se beneficiando um outro.
E até pode ser que eu vá para o purgatório, para que um outro não vá para o inferno. E, que, portanto, no purgatório eu queime no fogo para salvar um outro. Foi ela quem quis! Eu dei isso a Ela. O que Ela me dará a mim, por ter dado isso a Ela?
Eu imagino uma outra situação. Uma senhora que é muito rica, mas no momento, em casa, não tem dinheiro. Passa perto da casa dela um homem, e esse homem diz: “eu estou morrendo de fome.” Ela se lembra, o vizinho tem algum dinheiro. Ela vai depressa à casa do vizinho e diz: “O senhor quer me dar esse seu dinheiro, para salvar a vida daquele que está por morrer?”
O vizinho diz: “Por ser a senhora, eu dou. Nem é emprestado, eu dou, a senhora leve.” Ela vai e compra o necessário para salvar a vida daquele homem, o homem vai embora. Mais tarde, ela vê o vizinho passar necessidade porque deu dinheiro para ela. Ela pensa: “Coitado, deixa eu ver como ele se conduz. Ele vai tocar a campainha em minha casa e pedir alguma coisa, ou ele vai esperar até que venha uma ajuda para ele?” Ela espera algum tempo, e percebe por algum indício, que ele está sofrendo muito. Ela pega o que ela tem na casa dela de melhor, toca a campainha e diz: “Meu vizinho, isso é seu”. Bolos, vinhos, iguarias… muito mais, minha presença!
Muito mais: a honra de uma função na minha corte; muito mais: isto é eterno! Nunca mais o senhor sofrerá. O senhor participará da minha alegria! É para o que Ela nos convida. Pode algo ser mais santo, mais vantajoso, ó filhos da era do lucro, do que isto?
Aí está explicada, em linhas muito gerais, a Consagração.
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Só há uma coisa que nunca deixa de fugir… [referência ao ditado latino “fugit irreparibile tempus”]
(Sr. FA: Se o senhor pudesse contar como fez a Consagração, as circunstâncias…)
De um modo desapontante! Seria bonito imaginar que eu, na força dos meus 20 anos, foi a idade de minha Consagração, no dia em que eu terminei minha preparação, aquelas orações, etc., na hora da Comunhão, eu depois de ter comungado, e portanto, com Nosso Senhor Jesus Cristo no meu peito, eu ir para uma imagem de Nossa Senhora, e recitar a fórmula e consagrar-me. Como seria bonito. Não foi o que eu fiz.
Não foi o que eu fiz. Por que eu não fiz assim? Se alguém me tivesse proposto, eu certamente faria. Mas eu nunca quis, eu toda a vida tive medo, inclusive nessas coisas, de imaginar coisas grandiosas feitas por mim. Perigo de a gente imaginar: eu vou fazer uma grande consagração, é na hora eu estou achando grande a mim em vez de estar achando grande a consagração.
Toda desconfiança que cada um de nós tenha consigo mesmo, ainda é pouco. Eu gostaria de poder dizer, ao morrer, que o homem de quem eu mais desconfiei em minha vida se chamou Plinio Corrêa de Oliveira. Eu gostaria de poder dizer isso ao morrer.
E resolvi fazer a coisa com toda a simplicidade. Eu fui, comunguei, voltei para casa, tomei meu café, meu lanche, como todos os dias, li o jornal, depois – naquele tempo era a minha rotina – lido o jornal, que era uma obrigação para me manter ao par da Revolução e da Contra-Revolução, eu fui ao meu quarto, tranquei-me, fiz meia hora contada de meditação, na qual eu meditei sobre a Consagração que faria. Rezei as orações e me consagrei. Depois passei a tratar das coisas de todos os dias, e nunca mais deixei de me consagrar.
Foi uma coisa muito singela, não tive nenhuma consolação espiritual, não tive nada, nada, nada. Foi comum como uma oração quotidiana. Assim foi que eu dei esse passo. Até hoje não cesso de agradecer a Nossa Senhora… Estou falando, estou agradecendo esse passo que por chamado dEla eu dei!
Tomei uma resolução, mas não creio que tenha sido nesse dia, acho que foi ao longo da primeira leitura do livro: é fazer o possível, para que o maior número possível daqueles que me seguissem, fizessem a Consagração.
Os que não fizeram, estão convidados. O fatinho está contado, a hora chegou.
Nota: Para uma coletânea (ainda em curso) de outros áudios em YouTube, bem como artigos publicados pela imprensa relativos a este assunto, bem como a São Luis Maria Grignion de Montfort e seu “Tratado da Verdadeira Devoção a Nossa Senhora”, clique aqui.