Roberto
de Mattei
O cruzado do século XX – Plinio
Corrêa de Oliveira
Plinio Corrêa de Oliveira
nasceu em São Paulo, Brasil, a 13 de Dezembro de 1908 e foi na mesma cidade que
veio a falecer, com 87 anos, a 3 de Outubro de 1995. Destacou-se desde muito novo
como eminente pensador católico e intrépido homem de acção. Foi deputado à
Constituinte de 1934, professor catedrático na Pontificia
Universidade Católica de São Paulo, jornalista e escritor. E autor de dezanove
livros e milhares de artigos.
Ao longo de
quase todo o século XX, defendeu o Papado, a Igreja e o Ocidente cristão contra
os totalitarismos nazi e comunista, contra a influência deletéria do american way of
life e contra o processo de "autodemolição"
da Igreja Católica. Nele se inspiraram as Associações de Defesa da Tradição,
Família e Propriedade (TFP), disseminadas por 26 países dos cinco continentes,
que formam hoje a mais vasta rede de associações de inspiração católica
dedicadas a combater o processo revolucionário que investe contra a Civilização
Cristã.
Herdeiro da
escola contra-revolucionária de De Maistre, De Bonald e Donoso Cortés, Plínio Corrêa de
Oliveira é considerado por muitos como um dos maiores pensadores católicos
deste século.
O livro de
Roberto de Mattei é a primeira biografia dedicada à sua figura.
Roberto de Mattei
nasceu em Roma em 1948. Formado em Ciências Políticas pela Universidade
"La Sapienza" de Roma, foi assistente na
mesma Faculdade do Prof. Augusto Del Noce e, posteriormente, do historiador Armando Saitta. Desde 1986 é catedrático de História Moderna na
Faculdade de Letras da Universidade de Cassino. Jornalista e escritor, é autor
de numerosos livros e artigos, traduzidos também no estrangeiro. Fundou e
preside o Centro Cultural Lepanto, associação de leigos católicos que tem como
finalidade defender os princípios e as instituições da Civilização Cristã.
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INTRODUÇÃO
"Querendo
ou não, todos estamos
a escrever as
nossas biografias.
E no dia do
Juízo,
o volume será
aberto e lido"
As páginas que seguem visam aproximar o leitor italiano e europeu da figura
de um eminente pensador e homem de acção, destinado a ser recordado como um
grande protagonista do século que se encerra: Plínio Corrêa de Oliveira.
Apesar dos seus escritos, traduzidos em numerosas línguas, e da sua obra,
espalhada por 26 países dos cinco continentes, Plínio Corrêa de Oliveira
raramente é mencionado nas grandes enciclopédias e nos textos didácticos, nem
falam dele os meios de comunicação social e os "formadores de
opinião". Esta é a melhor prova do seu alheamento das modas culturais do
tempo e também a razão que me leva a escrever estas páginas e o editor a
publicá-las.
Não tenho a pretensão de traçar uma biografia completa de Plínio Corrêa de
Oliveira, que para ser exaustiva deveria ser monumental, nem de expor o
conjunto do seu corpus doutrinário, ainda em fase de
publicação. Não pretendo tampouco traçar a história, igualmente vasta e em
pleno desenvolvimento, das Sociedades de Defesa da Tradição, Família e
Propriedade, por ele inspiradas e hoje espalhadas pelo mundo. Para tudo isso
faltam-me tempo e forças.
Proponho-me, simplesmente, oferecer ao leitor uma introdução ao pensamento
e à obra de Plínio Corrêa de Oliveira, que permita formular um juízo acerca
desta grande personalidade, amada e odiada com igual calor, mas geralmente
desconhecida ou deliberadamente ignorada. Trata-se,
pois, de uma primeira proposta de abordagem da sua pessoa, à espera de que
outros desenvolvam todos os aspectos de uma figura tão poliédrica
e tão rica.
"Querendo ou não –escreveu Plínio Corrêa de Oliveira– todos estamos a
escrever as nossas biografias. E no dia do Juízo, o volume será aberto e
lido" (1).
(1) Plínio CORRÊA DE OLIVEIRA,
"Seriedade", in Catolicismo, n° 485 (Maio
1991).
Todos os homens devem procurar dar um sentido ao livro da sua vida, do qual
Deus é o primeiro e verdadeiro autor. A nossa existência no tempo terá
significado, apenas na medida em que corresponda aos misteriosos desígnios
traçados para cada um de nós desde toda a eternidade. A utilidade dos livros
biográficos está em ajudar-nos nesse difícil caminho, através dos exemplos
vivos dos que nos precederam. "Verba movent,
exempla trahunt"[1]:
o exemplo dos homens que escreveram as suas biografias no "cristianismo
vivido" da própria existência, pode contribuir para orientar também a
nossa vida e o nosso futuro. Espero que seja este o principal fruto da minha
obra dedicada ao Prof. Doutor Plínio Corrêa de Oliveira.
(2) Adolfo TANQUEREY, "Compendio di Teologia Ascetica e
Mistica", Desclée, Roma 1928, p. 27.
Considero um dom da Providência ter podido encontrar Plínio Corrêa de
Oliveira pessoalmente e numerosas vezes, entre 1976 e 1995. Sem tal
conhecimento directo, que me marcou profundamente, este livro não teria sido
possível.
ROBERTO DE
MATTEI
Nota:
O presente estudo foi feito com espírito objectivo e científico, através de
um escrupuloso controlo de documentos. As principais fontes por mim consultadas
para o estudo da obra de Plínio Corrêa de Oliveira, além dos 19 livros por ele
publicados, foram os mais de 2500 artigos e ensaios editados pelo semanário O Legionário
(1927-1947), pelo mensário Catolicismo
(1951-1995) e pelo jornal Folha de
S. Paulo (1968-1993). Um primeiro panorama das suas principais
actividades é-nos oferecido pelo livro "Meio
século de epopeia anticomunista" (Editora Vera Cruz, São Paulo 1980), "Um
Homem, uma Obra, uma Gesta. Homenagem das TFPs a Plínio Corrêa de
Oliveira" (Edições Brasil de Amanhã, São Paulo, s. d.) e pela obra
de João S. CLÁ DIAS, "Dona Lucilia" (Artpress, São Paulo, 1995), dedicada a Lucilia
Ribeiro dos Santos, mãe do nosso biografado. Merece também ser lembrada, pela
seriedade da pesquisa, a tese de doutoramento de Lizâneas
DE SOUZA LIMA, "Plínio Corrêa de Oliveira. Um Cruzado do século XX"
(Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, São Paulo, 1984).
De grande importância são, naturalmente, os escritos inéditos que se pode
consultar, entre os quais o Auto-retrato
filosófico, («Catolicismo», n° 550, Outubro 1996) bem como os numerosos
testemunhos daqueles que tiveram a ocasião e o privilégio de conhecer
pessoalmente Plínio Corrêa de Oliveira.
Desejo também agradecer vivamente a todos aqueles que contribuíram para a
publicação deste volume. Entre eles, pelas preciosas indicações e sugestões, de
que foram pródigos, agradeço especialmente aos senhores Armando Alexandre dos
Santos, Julio Loredo, José
Messias Lins Brandão, Juan Miguel Montes, Stefano Nitoglia, Francisco Javier Tost Torres, José Antonio Ureta, Guido Vignelli,
Leo Daniele, António Carlos
de Azeredo, João Luis Vidigal e José Narciso Soares.