Capítulo II
"O LEGIONÁRIO NASCEU PARA
LUTAR...”
"Qual o ideal inicial do
Legionário?
(...) Não tinhamos
dúvida sobre
esse ideal. Era o Catolicismo,
plenitude de todos os ideais
verdadeiros e nobres (...)".
1. A importância da Igreja Católica
na vida do Brasil
A atmosfera religiosa no Brasil dos anos 20 ainda estava impregnada da profunda
e benéfica influência do pontificado de São Pio X (1). A luta contra o
modernismo promovida pelo Papa Sarto trouxera
novamente, ao menos na aparência, a paz interna à Igreja Católica, que se
apresentava como uma grande força unida em volta do Papa e dos próprios Bispos.
No dia 11 de Dezembro de 1905, São Pio X nomeou o primeiro Cardeal
latino-americano, na pessoa do Arcebispo brasileiro D. Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti(2).
(1) Sob São Pio X, a vida
religiosa no Brasil teve um grande impulso. No seu pontificado, ampliou as
arquidioceses de duas para sete, quatro prelaturas nullius
e três prefeituras apostólicas (cfr. Manoel ALVARENGA, "O Episcopado
Brasileiro", A. Campos, São Paulo 1915, pp. 11, 94-95).
(2) D. Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti nasceu cm 17 de Janeiro
de 1850 em Pernambuco e foi ordenado sacerdote em 4 de Abril de 1874. Em 1890,
foi nomeado Bispo de Goiás e recebeu a sagração em Roma. Foi Bispo de São Paulo
de 1894 a 1897, sucedendo a D. Lino Deodato de Carvalho e foi depois Arcebispo do Rio de
Janeiro, até à morte, em 18 de Abril de 1930. "Neste príncipe da Igreja,
primeiro Cardeal brasileiro e latino-americano, ao sangue ameríndio (Arcoverde) e ao português dos Albuquerque unia-se o sangue
italiano, aliás italianíssimo, no valor cultural da
palavra, dos Cavalcanti do século XVI" (G. FREYRE, "Padroni e schiavi. La
formazione della famiglia brasiliana in regime di economia patriarcale",
tr. it. Giulio Einaudi, Turim,
1965, p. XIII).
O Cardeal Arcoverde, que desde 1897 era Bispo do
Rio de Janeiro, aplicou-se em infundir novas energias ao catolicismo do seu
país. A partir de 1921 a sua saúde teve acentuado declínio e passou a ser
coadjuvado, cada vez mais estreitamente, pelo seu auxiliar D. Sebastião Leme da
Silveira Cintra (3) que, após a sua morte em 1930, foi seu sucessor e um dos
mais jovens Cardeais do Sacro Colégio.
(3) D. Sebastião Leme da
Silveira Cintra nasceu em Espírito Santo do Pinhal, no Estado de São Paulo, a
20 de Janeiro de 1882. Após completar os seus estudos em Roma no Colégio Pio Latino-Americano e na Universidade Gregoriana,
foi ordenado Sacerdote na Cidade Eterna em 28 de Outubro de 1904. Foi então trasferido para São Paulo, como coadjutor na paróquia de
Santa Cecilia, e nomeado director do Boletim
Eclesiástico. Foi figura de relevo na Confederação Católica, organismo
destinado a coordenar todas as associações de acção católica no âmbito da
Diocese. Em 4 de Janeiro de 1911 foi sagrado Bispo de Ortósia,
na mesma capela do Colégio Latino-Americano de Roma
no qual havia sido ordenado Sacerdote e destinado à diocese do Rio de Janeiro,
como Bispo-auxiliar do Cardeal Arcoverde.
Sob indicação deste último, em Abril de 1916 foi designado para a diocese de Olinda (que dois anos depois tornou-se Arquidiocese de Olinda e Recife). Em 1921, devido às graves condições de
saúde do Cardeal Arcoverde, foi nomeado arcebispo
coadjutor do Rio de Janeiro, com direito à sucessão. Com a morte do Cardeal Arcoverde, em Abril de 1930, foi elevado por sua vez a
Arcebispo e Cardeal. Morreu em 17 de Outubro de 1942 no Rio de Janeiro. Uma
biografia não exaustiva é de autoria da Irmã Maria Regina DO SANTO ROSARIO,
O.C.D.., "O Cardeal Leme (1882-1942)", Livraria José Olympio, Rio de Janeiro, 1962.
No início dos anos 20 começou no Brasil um movimento de reacção ao
positivismo imperante. Tal movimento teve uma
expressão rumorosa na conversão ao catolicismo de Jackson
de Figueiredo (4), jovem intelectual que em 1921, com o apoio do Bispo-auxiliar D. Sebastião Leme, fundou no Rio de Janeiro
o periódico A Ordem e, em 1922, o Centro D. Vital. A própria escolha do nome do
Bispo D. Vital Maria Gonçalves de Oliveira (5), o grande "Santo Atanásio brasileiro" (6), dava testemunho das posições
de Jackson, que se definiu abertamente como reaccionário
e ultramontano. A característica do seu apostolado
foi, como assinala Plínio Corrêa de Oliveira, "a noção meridianamente
clara que ele teve, de que o grande problema religioso do Brasil era, em
essência, o combate ao indiferentismo geral" (7).
(4) Sobre Jackson de Figueiredo (1891-1928), cfr. Francisco IGLESIAS,
"Estudo sobre o pensamento reaccionário: Jackson
de Figueiredo", in História e Ideologia,
Perspectiva, São Paulo, 1981, pp. 108-158; Cléa DE
FIGUEIREDO FERNANDES, "Jackson de Figueiredo,
uma trajectória apaixonada", Editora Forense Universitária, Rio de
Janeiro, s. d. (provavelmente 1987-1988); António Carlos VILLAÇA, in "O pensamento católico no Brasil" (Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1975) o define como
"um agitador ideológico" (p. 11) que "representou no Brasil o
pensamento de Joseph de Maistre"
(p. 12). No décimo aniversário da sua morte, no número 321 de O Legionário (5
de Novembro de 1938), Plínio Corrêa de Oliveira dedicou à figura de Jackson de Figueiredo um artigo ("A Dynamite de Christo") e uma
página inteira com escritos do Padre Ascânio Brandão
e de Alceu Amoroso Lima. Sobre o catolicismo ultramontano
no Brasil cfr. também Riolando AZZI, "O altar
unido ao trono. Um projecto conservador", Edições Paulinas,
São Paulo, 1992; Tiago A. LARA, "Tradicionalismo
católico em Pernambuco", Edições Massangana,
Recife, 1988.
(5) D. Vital Maria Gonçalves
de Oliveira nasceu em 27 de Novembro de 1844 em Pedras de Fogo (Pernambuco) e
estudou no seminário de Olinda e de Saint-Sulpice em Paris. Em 16 de Julho de 1863 entrou, com
o nome de Frei Vital Maria de Pernambuco, para a Ordem dos Capuchinhos. Em 2 de
Agosto deste mesmo ano foi ordenado Sacerdote em Paris, e no mês de Novembro
voltou ao Brasil, onde ensinou filosofia no seminário de São Paulo. Sob proposta
do Imperador D. Pedro II, em 17 de Março de 1872 foi sagrado Bispo de Olìnda na Catedral de São Paulo. Violentamente atacado por
uma campanha caluniosa promovida pelas lojas maçónicas, em 1874 foi preso e
condenado pelo governo regalista do Visconde do Rio
Branco. Após a amnistia, concedida no ano seguinte, foi a Roma para esclarecer
o seu comportamento a Pio IX, junto ao qual fora pesadamente caluniado. Morreu
em Paris, em 4 de Julho de 1878, de uma morte misteriosa que deixa a suspeita
de ter sido por envenenamento. Em 1882 os seus restos foram trasportados
para o Brasil e sepultados na Basilica da Penha, em
Recife. O processo para a sua beatificação, encaminhado em 1953, foi reaberto
em 1995 após o nihil obstat
da Santa Sé. Cfr. Antonio Manoel DOS REIS, "O Bispo de Olinda
D. Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira perante a História", Typographia da Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1878; F.
Louis DE GONZAGUE O.M.C., "Une page de l'histoire du Brésil, Monseigneur
Vital", Librairie Saint-François,
Paris, 1912; Fr. Felix de OLIVOLA, "Um grande
brasileiro. D. Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira, Bispo de Olinda", Imprensa Industrial, Recife, 1937 (3° ed.);
Ramos DE OLIVEIRA, "O conflito Maçónico-Religioso
de 1872", Editora Vozes, Petrópolis, 1952.
Plínio Corrêa de Oliveira dedicou a D. Vital uma série de cinco artigos em O
Legionário, em Agosto e
Setembro de 1944. "Na vida religiosa do povo brasileiro, o nome de
D. Vital foi como um grande facho de luz. Ele simboliza a fé intrépida, a altaneria apostólica, a indestrutível coerencia
da vida com a doutrina, da acção com o pensamento, ao serviço da Santa Igreja
Católica" (Plínio CORRÊA DE OLIVEIRA, 7 dias em Revista, in O Legionário, n° 587 (7 de Novembro de 1943).
(6) A. M. DOS REIS, "O
Bispo de Olinda", cit., p. IV.
(7) Plínio CORRÊA DE
OLIVEIRA, "Mais um aniversário", in O
Legionário, n° 373 (5 de Novembro de 1939).
"O Brasil –recordará ainda Plínio Corrêa de Oliveira–nunca atravessou
uma quadra mais asfixiante, sob o ponto de vista espiritual, moral e
intelectual, do que os longos anos de estagnação que precederem o apostolado jacksoneano. (...) Foi dentro deste cenário que Jackson surgiu. E surgiu com a missão providencial de
dinamitar a pedreira cinzenta e informe da despreocupação do ambiente, semeando
inquietação e luta, na placidez letal e vergonhosa do Brasil de então. (...) Jackson, no amorfismo da
sociedade de então, foi um reivindicador estrepitoso
e épico, dos direitos da Igreja. (...) O apostolado de Jackson
ecoou pelo Brasil inteiro, e, do norte ao sul, do fundo do sertão ao litoral,
almas e almas, formando legiões e multidões, acorreram sob a bandeira autêntica
e exclusivamente católica que esse grande paladino levantara" (8).
(8) Plínio CORRÊA DE
OLIVEIRA, "A Dynamite de Christo",
cit.
Entre 1925 e 1930 o movimento católico, que no Brasil abarcava o conjunto
de diversos grupos e associações religiosas espalhadas por todo o País e por
todas as classes sociais, teve um extraordinário impulso, encaminhando para a
vida interior e o apostolado legiões inteiras de jovens. As Congregações
Marianas (9) constituíam –também no Brasil– a espinha dorsal deste fecundo movimento
católico.
(9) As Congregações Marianas
foram instituídas e promovidas pela Companhia de Jesus, com o fim de formar
cristãos escolhidos, de qualquer estado de vida e devoção. No livro de ouro das
Congregações figuram Santos como Francisco de Sales, Afonso Maria de Ligório, Luiz Maria Grignion de Montfort, e valorosos
defensores da Civilização cristã como D. João d'Áustria,
João Sobieski, Gabriel Garcia Moreno. A primeira
Congregação Mariana no Brasil, após o retorno da
Companhia de Jesus, foi instituída em 31 de Maio de 1870. Entre 1870 e 1928
foram fundadas mais de 250 Congregações. Em fins de 1927, foi fundada em São
Paulo a primeira Federação Diocesana para unir e orientar as Congregações
Marianas. À sua cabeça foi posto, em 1930, o Padre Irineu
Cursino de Moura. Cfr. Pedro Américo MAIA, S.J.,
"História das Congregações Marianas no Brasil", Edições Loyola, São Paulo, 1992. Cfr. também Clemente ESPINOSA, S.J.,
"Magisterio Pontificio sobre las Congregaciones Marianas", El
Mensajero del Corazón de Jesús, Bilbao, 1965, 2a. ed.
No início dos anos 30, o "movimento mariano" distinguia-se pela
amplitude da sua irradiação e pela intensidade do seu fervor. Era estimulado
particularmente por outra grande figura da época, ao lado do Cardeal Leme: D.
Duarte Leopoldo e Silva (10), Arcebispo metropolitano de São Paulo, figura
hierática e austera, que durante trinta anos permaneceu à frente da
Arquidiocese.
(10) D. Duarte Leopoldo e
Silva nasceu em Taubaté, no Estado de São Paulo, a 4 de Abril de 1867. Ordenado
Sacerdote em Outubro de 1892, em 1894 torna-se pároco da igreja de Santa
Cecília em São Paulo. Recebeu a consagração episcopal das mãos de São Pio X em
Roma, em Maio de 1904 e foi nomeado Bispo de Curitiba em Outubro do mesmo ano.
Em Dezembro de 1906 foi trasferido para a Diocese de
São Paulo, em substituição ao Bispo D. José de Camargo Barros,
morto num naufrágio. Foi então elevado a Arcebispo, a 7 de Junho de 1908, após
a constituição da nova Arquidiocese de São Paulo. Obtém da Santa Sé, pelos seus
méritos, os títulos de Conde romano, assistente do Sólio Pontifício, Prelado
Doméstico de Sua Santidade. Governou a Arquidiocese até 13 de Novembro de 1938,
dia da sua morte. Logo no início do seu episcopado tinha querido resumir num
símbolo a grande missão do povo paulista a ele confiado erigindo uma nova
Catedral em São Paulo, que fosse "uma escola de arte e um estímulo a
pensamentos mais nobres e mais elevados, (...) uma catedral opulenta, que,
testemunhando a fartura de nossos recursos materiais, seja também um hino de
acção de graças a Deus Nosso Senhor" (cit. in
ARRUDA DANTAS, "D. Duarte Leopoldo", Sociedade Impressora Pannartz, São Paulo, 1974, p. 42). A nova catedral de São
Paulo foi inaugurada só em 1954. Cfr. Sonia DIAS,
Sérgio FLAKSMAN, "Duarte Leopoldo e Silva", in
DHBB, vol. IV, pp. 3150-3151. Cfr. também o volume que recolhe os seus escritos
e discursos pastorais, "Escolas Profissionaes do
Lyceu Salesiano S. Coracão
de Jesus", São Paulo, 1921 e o estudo biográfico de Júlio RODRIGUES,
"D. Duarte Leopoldo e Silva, Arcebispo de São Paulo. Homenagem do Clero e
dos Católicos da Arquidiocese, por ocasião do Jubileu de sua Sagração
Episcopal", Instituto Anna Rosa, São Paulo,
1929.
Cfr. também Plínio CORRÊA DE
OLIVEIRA, "Um Bispo providencial", in O
Legionário, n° 323 (20 de Novembro de 1938); "0 grande D. Duarte", in O Legionário, n° 374 (12 de Novembro de 1939); "D.
Duarte", in O Legionário, n° 535 (8 de Novembro
de 1942) e "O discurso que fez junto à sepultura do nosso grande
Cardeal", in O Legionário, n° 533 (25 de Outubro
de 1942).
Atravessando de carro eléctrico o centro da cidade, o jovem Plínio
deparou-se com o anúncio de um congresso da mocidade católica, que teria lugar
em São Paulo, de 9 a 16 de Setembro de 1928. Foi para ele a descoberta de um
mundo cuja existência desconhecia. O congresso desenvolveu-se num clima de
grande entusiasmo no histórico Mosteiro de São Bento, contando com a presença
do novo Núncio pontifício, D. Bento Aloisi Masella (11). Sendo já congregado mariano no Colégio São
Luís, Plínio entrou então para a Congregação Mariana
da Legião de São Pedro, anexa à paróquia de Santa Cecília, encontrando nela o
ideal de dedicação a que aspirava profundamente. A congregação, fundada em 26
de Dezembro de 1926 por Mons. Marcondes Pedrosa (12),
vigário da paróquia, e colocada sob a protecção de Nossa Senhora da Anunciação,
editava um boletim com o título O Legionário e chegou a contar até cem
congregados.
(11) Benedetto
Aloisi Masella nasceu em Pontecorvo (Itália) em 29 de Junho de 1879, de nobre família
que já havia dado um Cardeal à Igreja, e morreu em Roma a 1 de Outubro de 1970.
Ordenado Sacerdote em 1902, após haver frequentado a Pontifícia Academia
Eclesiástica, foi secretário e regente da Nunciatura em Lisboa (1905-1908),
Núncio apostólico no Chile (1919-1926) e no Brasil (1927-1946) até à sua
promoção ao cardinalato. Bispo Suburbicário de Palestrina, Cardeal em 1946, Prefeito da S. Congregação dos
Sacramentos, arcipreste da Basílica Lateranense,
Camerlengo da Santa Igreja Romana na sede vacante dos pontificados de Pio XII e
de João XXIII. Participou activamente na preparação do Concilio e foi nomeado
legado pontifício para a coroação de Nossa Senhora de Fátima em 1946.
(12) Paulo Marcondes Pedrosa nasceu em São Bento do Sapucaí
(SP) em 6 de Novembro de 1881 e morreu em São Paulo em 29 de Abril de 1962.
Ordenado Sacerdote em 1904, foi coadjutor, e depois pároco, até 1932, da Igreja
de S. Cecília, Monsenhor e Camareiro secreto em 21 de Abril de 1920. Em 27 de
Abril de 1932 entrou para a Ordem Benedetina no
mosteiro de São Bento, do qual foi Prior.
O início da actividade pública de Plínio Corrêa de Oliveira situa-se neste
período. Fundou, com um grupo de jovens congregados marianos,
a Acção Universitária Católica (AUC), no interior do próprio centro do
positivismo político e jurídico que era a Faculdade de Direito da Universidade
de São Paulo. Por ocasião da cerimónia de formatura, ousou aquilo que até então
nunca acontecera em qualquer universidade estatal, no Brasil. Quis fazer
celebrar a Missa, que tradicionalmente concluía o curso dos estudos superiores,
não na igreja de São Francisco, contígua à Faculdade, mas no pátio interno
desta. Celebrou o vigário geral da Diocese, Mons. Gastão
Liberal Pinto, e pregou o P. Leonel Franca, da Companhia de Jesus (13). Quando,
em 11 de Dezembro de 1930, Plínio Corrêa de Oliveira se formou em Direito e
Ciências Políticas, o seu nome já era "muito conhecido e admirado no seio
da juventude católica brasileira" (14). Desde então passou a ser
familiarmente conhecido como o "doutor Plínio" (15).
(13) Sobre o Padre Leonel
Franca, S.J. (1893-1948), considerado por muitos como o "pai
espiritual" da intelectualidade brasileira deste período, cfr. Luiz
Gonzaga DA SILVEIRA D'ELBOUX, S.J., "O Padre Leonel Franca S.I.",
Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro, 1953, p. 173; Heliodoro
PIRES, “Leonel Franca, apóstolo do Brasil moderno", in
Revista Eclesiástica Brasileira, vol. 13 (1953), pp. 911-921. Cfr. também A. C.
VILLAÇA, "O pensamento católico no Brasil", cit., pp. 123-133. O
Padre Franca, cujas obras completas estão recolhidas em quinze volumes, é autor
de estudos como "A Igreja, a Reforma e a Civilização" (1922) e
"A crise do mundo moderno" (1940) que constituem originais reflexões
sobre a crise do nosso tempo à luz da doutrina católica. Fundou e dirigiu
durante oito anos a Universidade Católica do Rio, a primeira do Brasil.
"Pedagogo, apologeta, mestre espiritual, viveu
para a história da filosofia e para a filosofia da história" (A C.
VILLAÇA, "O pensamento católico no Brasil", p. 124).
(14) O Legionário, n° 70 (14
de Dezembro de 1930).
(15) No Brasil, onde se
costuma, como nalguns países europeus, atribuir o título de "doutor"
a todos os que completaram curso superior, usa-se
frequentemente este título. Plínio Corrêa de Oliveira iniciou a sua vida
pública logo após a sua formatura, antes de tornar-se deputado e professor
universitário.